Notas iniciais
Capítulo de transição... A música que Elaene canta para Bran https://www.youtube.com/watch?v=GKBQCOZ-h-0

Quando entrou na sala de reuniões de Winterfell notou o rosto de Robb vermelho pela fúria, e o viu dar um soco oco na mesa, esparramando alguns pergaminhos que ali estavam.

—Robb? O que aconteceu? Meistre Luwin desse que um corvo chegou essa manhã.

— Acontece que a senhora minha mãe encontrou o anão Lannister pela estrada ao voltar para casa, e aparentemente, o raptou para trazer à justiça do Rei...

—O que? – Elaene se aproximou com uma expressão atônita no rosto.

Robb encostou as duas mãos na mesa, se apoiando enquanto soltava um ar pesado.

—E não para por aí... Jaime Lannister soube notícias do irmão, e tentou atacar meu pai em retaliação...

Robb se afastou, e caminhou em direção à janela, tendo sua ira dado lugar à melancolia e ao luto.

— O regicida o atacou com homens Lannisters. Matou toda a sua guarda pessoal e feriu meu pai.

Olhou para Elaene, e seus olhos estavam brilhando com as lágrimas que brotavam.

—Jory Cassel está morto!

Elaene sentou-se na cadeira estofada próxima, e botou as mãos na cabeça com a adrenalina das novidades.

—Ned Stark está bem?

—Ao que parece, sim. Já recebeu os cuidados do meistre da fortaleza vermelha... mas não tenho noticias de minha mãe. Ela já deveria ter voltado para Winterfell.

Elaene se levantou e foi em direção à Robb lhe abraçando e se aninhando em seu peito, com a cabeça descansando, mas o rapaz parecia não corresponder ao abraço.

—Elaene, gostaria de ficar um tempo sozinho. Por favor.

Ela o olhou para cima, seus olhos estavam distantes olhando para a paisagem na janela. E quando o beijou, lhe sentiu frio.

Um medo lhe percorreu a espinha e todos os pesadelos dos últimos meses vieram em sua mente. Seriam presságios de um futuro negro?

Pousou a mão no rosto de Robb, e girou os pés em direção à porta.

=^=

Quando entrou sala do Meistre Luwin, Theon Greyjoy estava conversando com o senhor. Ele bufava e lançava os punhos ao ar, em uma ira juvenil lançando palavras de guerra no ar.

—Cuidado com o que desejas, Theon. Palavras de guerra viram atos de guerra, facilmente.

—Robb representa Lorde Stark em Winterfell enquanto ele está na capital. É seu dever reunir os súditos e marchar a Porto Real para honrar a família.

—Pelos deuses, Theon. Será que você nunca irá crescer de verdade? – Disse aproximando seu rosto com o dele.- Robb não pode convocar os súditos dos Starks dessa forma! Você viveu uma guerra de perto, Greyjoy, deveria evitar estar tão próximo de outra. — Terminou em tom de desafio.

—Os Pendragons são aliados dos Lannisters, talvez devêssemos mandar você como prêmio para Arthur em sinal de boa vontade. Sei que ele sonha em te foder toda noite...

Elaene lhe lançou um pesado tapa no rosto fazendo Theon dar um passo para trás. Quando a encarou de volta, os olhos de Theon estavam vermelhos em fúria, e avançou contra Elaene, apontando o dedo minimamente perto de seu rosto.

—Eu deveria socar a tua boca, para que você aprenda o preço de ferro!

Elaene se manteve incrivelmente mais próxima de Theon, o perfurando com o olhar.

—Atreva-se, Greyjoy. Ficarei feliz em cortar tua mão e enviar de presente para o teu pai nas Ilhas de Ferro!

—Parem com essa loucura! – gritou Meistre Luwin, assustando a ambos.- Vocês deveriam aconselhar sabiamente Robb Stark, e não brigarem entre si. Se não possuem nada de importante a dizer, deveriam se manter em silencio, enquanto Robb procura alguma solução para os graves problemas de Winterfell.

Ambos se afastaram, com a cabeça cabisbaixa em sinal de vergonha e rendição.

Enquanto saia da sala, Theon lhe lançou um olhar cortante, lhe trazendo arrepios na nuca.

=^=

Elaene estava com um vestido negro de cetim, cuja calda arrastava pelas escadas enquanto subia. As escadas eram feitas de uma pedra de mármore clara e parou em frente á um enorme portão esculpido em madeira nobre. Quando se abriram, o salão lá dentro estava escuro.

Entrou e notou que enormes janelas coloridas de ambos os lados, decoravam o salão. Sentiu com os pés descalços que o chão estava molhado. Nesse instante o sol pareceu invadir as janelas, lançando luz para o recinto.

A primeira coisa que viu, foi um enorme trono ao fundo, elevado e triunfante com ampla vista no salão. Ele era feito de várias espadas retorcidas entre si.

Quando olhou a seus pés, agora podendo enxergar, estavam manchados de vermelho. Seu vestido negro também estava úmido.

Sangue. Via agora.

Vários corpos estavam jogados pelo salão, vários mutilados, alguns degolados. Havia um homem agonizando segurando suas vísceras lhe lançando um olhar de profundo medo. Deu um passo para trás, assustada. Quando girou para correr para fora do salão, sentiu um bafo com um fogo no seu rosto. Sentiu cheiro de carne queimada, mas não se queimou.

Acordou com um grito, estava suada e lágrimas escorriam sem controle no seu rosto. As imagens dos corpos de cada um deles rodavam em sua mente. Abraçou seus joelhos.

“Não é real, não é real”. Repetia para si, mas seu coração não se acalmava. Sentia tanto medo, estava horrorizada. Precisava ser forte, mas sentia-se com os joelhos bambos.

Quando parou na porta dos aposentos de Robb, sentiu que não deveria entrar. Mas sem perceber, seu choro alarmou Robb, que não adormecera.

Quando abriu a porta, viu Elaene com um olhar assustado e o rosto vermelho de choro. Abraçou, colocando-a para dentro e acariciando suas costas.

—O que houve? Você está bem?

—Apenas me abrace, Stark. Dê-me forças.

=^=

Quando acordou a primeira coisa que viu foi o rosto de Robb que adormecia ao seu lado, com os braços firmes lhe segurando para ele, pela cintura. Enquanto mencionou deslizar os braços deles discretamente para se livrar de seu aperto, viu seu olhos se abrirem e mostrarem o azul que tanto apreciava.

Robb inclinou-se para dar um beijo rápido sem seus lábios.

— Fugindo de mim, Lady Arryn?

— Conseguiria, mesmo se quisesse? – Respondeu Elaene, com um sorriso calmo.

— Poderia tentar, mas devo lhe lembrar que eu tenho um lobo gigante.- Disse beijando-a mais uma vez, sugando seu lábio inferior. — E mãos incrivelmente habilidosas – deu um rápido beijo, e ambos gargalharam deliciosamente.

Robb estava com um humor melhor naquela manhã, mas notou pelas grandes olheiras embaixo dos seus olhos claros que não dormiu a noite. Estava preocupado, talvez se sentisse perdido como ela. Ela não o pressionou para saber de suas preocupações ou medos que não queria compartilhar, da mesma forma que ele lhe respeitou e não lhe perguntou sobre o pesadelo que teve.

—Robb, prometi ao Bran que o levaria para testar a sela adaptada para ele hoje pela manhã. Gostaria de nos acompanhar?

Robb acariciou seu rosto com as costas dos dedos.

—Não perderia isso por nada.

Sabia que ele queria fugir da decisão que teria que tomar e ambas eram dolorosas. Paz e guerra teriam um preço. Desejou ser anos mais experiente e lhe dizer palavras sábias e conselhos precisos. Sentiu-se inútil.

=^=

Quando entrou no quarto de Bran o garoto já estava acordado, e a Velha ama ao seu lado na cama tentava tricotar algum casaco de lã, pousado em seu colo.

—Bom dia meu cavaleiro. Pronto para cavalgar essa manhã?

Notou o olhar triste e amedrontado de Bran.

—O que houve Bran? Não está animado?

O menino lhe desviava o olhar.

—Ama, poderia nos dar um instante?

—Como queira minha filha. – Disse levantando e saindo lentamente do quarto.

—O que houve?

—Isso tudo é inútil. Nunca serei um garoto normal. Serei sempre um fardo para vocês.

—O que você quer ser? Um fardo ou um homem valente?

Bran lhe lançou um olhar tímido.

—Bran, você tem de ser forte, e parar de sentir pena de si mesmo. Você acredita que sinto pena por você? Pois não sinto. Você é filho de Ned Stark, protetor do maior reino de westeros, de uma família nobre e rica. Você sabe o que acontece com garotos camponeses que perdem os movimentos do corpo ou nascem dessa forma? Você tem um lar seguro, uma família e amigos que te amam e respeitam, um sela adaptada dada por um nobre da Campina e uma égua treinada para obedecer seus comandos. Vai ficar sentindo pena de si, nessa cama, ou irá cavalgar comigo essa manhã?

Viu que Bran já lhe sorria um sorriso bem tímido, olhando para as mãos, e sorriu junto.

—Agora você diz que não gosta, mas quando você era menorzinho... – disse apertando o nariz dele — você adorava que eu cantasse para ti.

—Eu ainda gosto, Lê... sua voz é a mais bonita que eu já ouvi– disse timidamente.

Assim, Elaene começou a cantar, com os olhos atentos de Bran.

“Antes de começar a lutar, ou quando a luta veio até a mim, olhei para encontrar exemplos no campo da cavalaria.

Vi braços poderosos, muito mais fortes que meus braços jamais seriam, e eu pensei que talvez o campo de batalha não fosse para mim.

Mas eu fiquei, e assisti a luta até que uma figura se destacou. Em uma armadura recém-forjada e um elmo mais panela do que arte, mas cada golpe foi jogado com honra e uma leveza do coração.

Então eu peguei esse incentivo, que logo se tornou o gatilho, porque ela não era o maior soldado, nem causava furor, mas eu me lembro de estar orgulhoso de que ela era um de nós.

E, talvez, nunca estaremos juntos lado-a-lado na linha de batalha, mas por causa dela, eu levanto a minha espada com orgulho.

Ela estava elegante e animada, não o tipo que você esperaria. Com um coração mais corajoso do que muitos, e com golpes de respeito.

Eu acho que algum dia ela tenha decidido que era ali que ela gostaria de estar, e eu pensei que se ela poderia fazê-lo, por que não eu?

Então, agora, enquanto reúno armaduras, pedaços aqui e ali, eu penso sobre exemplos: como você age, e o que você se atreve, porque você nunca sabe quem está assistindo ou o quão longe a história vai.

E quem quer que seja essa Lady, eu espero que ela saiba, que ela não era o maior soldado, nem causava furor, mas me lembro de estar orgulhoso de que ela era um de nós”

Nesse instante, Robb estava na porta, ouvindo Elaene cantar e processando cada linha melódica e cada pingo daquela poesia como se fosse para si.

Estava orgulhoso de que ela ainda era um de deles.

Notas finais
Revelação bombástica no próximo. Quem tá curioso?