Queen of ice and fire
18 Um passado quase distante
Notas iniciais

Robb no fundo sempre soube qual seria a decisão correta a se tomar, mas tudo aquilo não tornava sua decisão mais fácil e não tirava o medo de arcar com as conseqüências daquilo que escolhera.
Abrir mão de Elaene foi doloroso, mas saber que partiu sem ao menos se despedir o magoou ainda mais. Quando soube notícias dela, ela já havia partido com o regimento do Senhor Théoden Tallhart ao comando de Roose Bolton. Sabia que havia sido vista nas Gêmeas, e sabia que estava ferida.
Porém, também soube que foi não só resgatada por Arthur Pendradgon, mas também que estava sob seus cuidados em seu acampamento ao norte do Ramo Vermelho. Tudo aquilo lhe deixava irado.
Sabia que estava sendo egoísta, deveria deixá-la ser feliz, mas não aceitava perder a mulher que amava daquela forma. Perguntava para si mesmo, se Arthur já teria dito à Elaene que estariam prometidos por alianças antigas feitas entre o pai dela e Uther Pendragon, antes mesmo de conhecer Robb.
Porém, agora todos esses sentimentos pareciam tão bobos, tão pequenos. Quando sua mãe lhe trouxe a notícia, sentiu os joelhos tremerem e um bolo se formar no estômago. Queria correr para longe, chutar tudo para o alto. Precisava de Elaene, e agora teria de aprender a viver sem ela. Sem o pai, sem as irmãs, sem Jon Snow. E principalmente, sem sua inocência, que agora estava perdida para sempre.
Avançou irado para o bosque sagrado de Correrio, e com sua espada, maltratou o represeiro dali. Deu vários golpes com a espada até sentir os braços pesarem e não conseguir mais levantar a espada. Estava maltratando aqueles malditos deuses, mentirosos e omissos. Onde eles estavam quando precisava deles? Quando Bran caiu? Quando o pai foi morto? Quando perdeu Elaene?
Quase não enxergava mais com os olhos lotados de lágrimas. Jogou a espada no chão e se ajoelhou. Quando olhou para cima, viu o rosto esculpido na árvore lhe olhando com olhos sábios e expressivos.
—Irei matar todos eles. Pisarei em seus crânios e marcharei sobre suas ruínas. Irei matar todos eles.
=^=
Quando Robb voltou para o pátio, viu de longe sua mãe conversando com Elaene. Catelyn parecia querer segurar Elaene, porém quando a morena o viu, veio correndo em sua direção, e sem dizer nada, lhe abraçou por muito tempo, enquanto uma chuva mansa e morna começava a cair sobre suas cabeças.
Depois de um logo tempo, Elaene soltou o abraço para olhar em seus olhos.
— Eu sinto muito, Robb. – Disse Elaene acariciando seu rosto.
Robb imediatamente, como se não tivesse ouvido o que ela disse, começou a inspecioná-la, procurando por machucados. Quando viu o grande curativo em suas costas e ombros, soltou uma bufada de ar nervosa.
— Porque você tem de ser tão teimosa e absurda, Elaene?
— Eu estou bem, Robb!
— Você teve sorte! O que deu em você? Poderia ter morrido.
— Mas não morri, Stark. Não fisicamente... – Disse o encarando com olhos tristes.
Robb a arrastou pelos braços e abriu a porta do galpão de armas, para se abrigarem da chuva e conversarem com mais privacidade.
— Vamos lá, Elaene, diga! Você quer me castigar, é isso?
— O que você está dizendo, Robb? – Disse Elaene, com um olhar incrédulo.
— Você me joga para uma garota Frey qualquer, e vai se matar num campo de batalha que não é seu. Por quê?
— Seu arrogante miserável! Eu não o joguei para cima de ninguém, eu apenas o ajudei a tomar a decisão certa, em nome de sua família e em nome de seu povo! Se você pensa que essa batalha é apenas sua, você é um imbecil, Stark! Eu fiz o que fiz por aqueles que amo, e em primeiro lugar, por você! – Disse com lágrimas teimosas caindo, rapidamente secadas com a ponta da manga do vestido.
Robb virou-se de costas, tentando encontrar forças.
— Eu não posso perder você, Elaene...
— Sempre estarei ao seu lado, Stark. Até que a droga da Muralha desabe no chão. Mas não posso ser sua mulher. – Disse enquanto se aproximava para abraçá-lo pelas costas. — É tudo o que mais quero nesse mundo, mas não podemos Robb... aqueles eram sonhos de crianças. Sonhos de verão. Temos que esquecer..
Robb abraçou seus braços, e em silêncio, deixou que as lágrimas caíssem de uma vez.
=^=
Elaene havia tomado um banho quente, e recebido roupas limpas e secas para o jantar: um vestido de lã azul, quente e confortável. Sabia que mesmo não sendo considerada aconselhável sua presença ali com seu ex-noivo, desejava ficar ao lado de Robb, agora que seu protetor estava morto.
Sabia que não havia volta, mergulhariam na guerra. Sentia arrepios na espinha ao pensar no quanto as coisas ainda poderiam se modificar até o fim de tudo aquilo.
Quando terminava de se trocar, Robb veio em seus aposentos.
— Só vim ter certeza de que você tem tudo o que precisa. – Disse friamente.
— Obrigada, Stark. Estou bem, não se preocupe comigo.
— Quero que você vá até o meistre de Correrio para que ele examine seus ferimentos...
— Robb, não será necessário! Fui muito bem tratada no acampamento dos Pendragons – Elaene disse aquilo naturalmente, mas notou que a feição do rosto de Robb até então intacta, se modificou.
— Imagino que tenha sido mesmo. – Respondeu maliciosamente.
— O que você quer dizer com isso?
— Não quero que você volte para lá.
— Eu não posso ficar por muito tempo no castelo, Robb.
Robb aproximou-se de Elaene retirando novamente a máscara de gelo, e segurando o rosto dela com as mãos.
— Não confio nos Pendragons.
— Então porque os tomou como aliados?
— Não tive escolha. Precisava do apoio das terras fluviais e o apoio de uma casa da Campina exatamente no ponto estratégico entre Rochedo Casterly e Porto Real era vital. Não sei qual a verdadeira motivação deles, mas não posso confiar totalmente neles. Eram aliados Lannisters...
— Mas Uther apoiou nossos pais e Robert na rebelião, Robb. Ele abriu caminho para teu pai chegar ao Sul. Ele também perdeu seus amigos.
— Você confia neles?
— Em Uther, não posso dizer, não o conheço, e quem saberia dizer a quem se deve confiar em Westeros? Mas em Arthur, eu confio!
Robb sentiu uma pontada de ciúmes lhe dilacerar e uma raiva irracional tomar conta.
— Você ficou apenas alguns dias com o Pendragon, e já confia nele?
— Você me perguntou, Robb. – Elaene respondeu pacientemente – Ele salvou minha vida, cuidou de mim. Por que não confiaria nele?
— Esqueceu de acrescentar que ele está apaixonado por você!
— Isso não é problema meu, Stark!
— Então você admite que sabe sobre os sentimentos dele por você, e mesmo assim mantém vínculos com ele?
—Robb, é melhor descermos, as pessoas podem notar sua ausência. – Disse se antecipando para a porta, sendo interceptada pelos braços firmes de Robb no seu.
— Você gosta dele?
— Ele salvou minha vida, é gentil e honrado. Selou teu próprio cavalo para que eu chegasse segura nos braços do homem que eu amo, para consolá-lo. Sim, Robb, eu gosto muito dele.
Quando caminhava para sair do quarto. Parou na porta e disse sem olhar para trás.
— E acima de tudo, eu gosto dele porque ele estava lá por mim!
=^=
Assim que terminaram a ceia, Lady Catelyn veio até os aposentos de Elaene para terem uma conversa franca. Pediu educadamente autorização para entrar, que foi logo consentida.
— Sinto muito incomodá-la, Elaene.
— Não precisa se desculpar, Lady Stark.
Sentou ao lado de Elaene, na cama, e continuou segurando as mãos dela nas suas.
— Elaene, eu lembro o dia que você chegou à Winterfell, como se fosse hoje. Tão assustada, arisca. Apenas uma pessoa conseguia se aproximar de você.
Elaene sorriu tristemente.
— Robb...
— Sim. Quando ele lhe viu, me cutucou o vestido e me perguntou: "Mãe, ela é um princesa?"... sinto que esses dias estão tão distantes agora, que parece que pertencem à outro mundo.
Elaene sentiu a melancolia lhe tomar conta outra vez ao relembrar as boas lembranças de Winterfell.
— Elaene, eu sei o quanto você sofreu, criança. Você sabe muito bem que rejeito o comportamento de minha irmã, e a considero da família.
Parou para acariciar o rosto de Elaene.
— Eu realmente sinto muito que as coisas tenham se desenrolado dessa forma com você e meu filho. Infelizmente, agora Robb fez alianças com pessoas perigosas e orgulhosas, e deverá honrá-las. Não me interprete mal, mas você deve se afastar de Robb. Será melhor para que os dois sigam em frente... confie em mim.
Sentiu as lágrimas correrem novamente pelo rosto.
=^=
Elaene vestiu seu capuz e resolveu sair para o pátio. Sentia que seu quarto a comprimia a cada minuto, como se fosse um animal em uma cela, desesperado pelo ar livre. Quando chegou ao pátio, notou que cerca de 20 homens atravessaram o portão principal do castelo. Pareciam ser homens nobres e logo reconheceu o brasão.
Quando o viu descer do cavalo, saiu correndo em sua direção, abraçando-o forte e o surpreendendo. Sentiu ele lhe abraçar as costas com delicadeza, enquanto outro cavaleiro retirava seu cavalo do patio.
Quando sentiu que o gibão dele estava úmido com suas lágrimas, encostou a testa em seu peito, nunca separando o abraço, enquanto ele depositava um beijo carinhoso no topo de sua cabeça.
Permaneceram abraçados no pátio, em completo silencio, enquanto Robb os observava da janela mais alta do castelo.
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