Queen of ice and fire
16 Rumo à ruína
Notas iniciais

Robb segurou seu rosto de maneira decidida.
—Elaene, me escute. Irei encontrar alguma solução, te prometo!
Elaene o abraçou, segurando firme os seus braços contra si. Sentiu-se invadida por um desespero, como se todo o seu medo fizesse sentido agora. Estava sozinha no mundo. Sua mãe, seu pai, Arya, e agora Robb. Perdia todos.
—Você está gelada, Elaene. Venha, vou cuidar de você.
Entraram na tenda de Robb, e ele a depositou em sua cama improvisada, a cobrindo com suas mantas de pele. Acendeu mais velas perto dela, para que se aquecesse. Deitou ao seu lado, a abraçando e esquentando seus braços com as mãos.
Elaene segurou o rosto dele e deu-lhe um beijo angustiado. Robb retribuiu o beijo também entrando por debaixo das mantas de pele, e sentiu o gosto salgado das lágrimas dela. Botou a mão nas costas dela, e a deixou ainda mais próxima de si.
Enquanto recuperava o fôlego, passou delicadamente a ponta de seu nariz no nariz dela, acariciando o rosto com a ponta dos dedos.
—Eu lhe prometi. Você nunca irá me perder...
Elaene o tomou a boca novamente, como se quisesse esquecer tudo o que acontecia lá fora. Tombou as costas de Robb e deitou por cima dele, aprofundando o beijo e jogando as mantas para o lado.
Ele puxou a túnica de veludo de Elaene com as mãos, e a retirou pelos braços, a deixando apenas com suas vestes de baixo, uma leve túnica de algodão, e Elaene o imitou, retirando seu gibão.
Robb inverteu suas posições, e procurou nos olhos dela aprovação. Quando teve, tocou os seios dela por cima da túnica. Eram tão perfeitos quanto imaginava. Usou sua mão direita para passar a mão delicadamente sobre eles, admirando a textura e em quão bem se encaixavam em suas mãos, quando Elaene lhe beijos rudemente, o apertando em um abraço com as pernas, enquanto as mãos dela iam para o cordão de seu calção.
Desfez o nó, e colocou as mãos dentro, sentindo o calor que emanava dele. O agarrou com mãos trêmulas e ansiosas, sentindo que estava rígido. Robb separou o beijo e a olhou com um olhar incerto, enquanto Elaene sem dizer nada, começou a massageá-lo. Ele encostou a testa na dela e soltou um forte gemido, agarrando o lençol embaixo deles.
Ela era inexperiente, mas não transparecia, pois Robb sentia calafrios pelo corpo em cada movimento que ela fazia. Instintivamente, procurou o meio das pernas dela, ajeitando o pano da veste íntima para o lado, e a tocou, retribuindo a massagem que recebia. Ela estava úmida e muito quente, e Robb não conseguia pensar em mais nada que não fosse isso, e a mão delicada que o tocava dentro do calção.
Sentiu-a abaixar o seu calção, o retirando para fora, e o manuseando desajeitada para o meio de suas pernas, e sabia que deveria acalmar os ânimos dela. Com uma só mão, segurou os dois punhos dela sobre sua cabeça encostada no travesseiro, e com a outra mão, continuou a massageá-la, agora explorando mais os pontos sensíveis.
Notou que ela ficou agitada, e sentia que estava lutando contra o próprio prazer para não alcançar o clímax. Sentiu-a morder seu pescoço na tentativa de lhe tirar o controle, mas Robb se manteve firme a tocando ainda com mais ímpeto.
—Vamos, meu amor...- pediu, mas Elaene ainda mantinha uma resistência silenciosa.
Então Robb sugou o lóbulo de sua orelha, adicionando mais pressão no ponto sensível.
— Não resista, venha para mim.
Elaene não conseguiu mais controlar, e suspirou frustrada de olhos fechados quando alcançou. Robb soltou suas mãos, mas manteve-se em cima dela, a observando.
Quando ela abriu os olhos, seus olhos verdes estavam frios e tristes. Ela se virou saindo debaixo dele, sentando-se na cama, vestindo a túnica de veludo e seu manto de peles sob o olhar atento de Robb.
— Elaene, aonde você vai?
Ela apenas lhe lançou um olhar choroso, subindo o capuz e saindo da tenda sem dizer nada.
=^=
Sentiu o mundo desmoronar sobre seus ombros quando saiu daquela tenda. Sentiu o vento gelado cortar seu rosto, e o cheiro de terra molhada daquele maldito leito de rio. Todos os seus pesadelos voltaram-se contra ela. Sozinha veio ao mundo, e sozinha morreria. Perdia todos que amava, pouco a pouco.
Ela era culpada, estava sendo castigada pelos deuses. Havia matado sua própria mãe ao nascer, e por isso pagaria com sofrimento.
Quando entrou em sua tenda, se sentiu determinada a fazer o que era certo e forçaria Robb a fazer o mesmo. Não estavam destinados a ficarem juntos, os deuses demonstravam isso a todo tempo. Eram cruéis, e a fizeram acreditar que poderiam ser felizes.
Sentiu o vento gelado entrar na tenda, e já estava preparada para expulsar Robb, quando notou que era o estranho rapaz cranogmano.
— O que faz aqui?
— Lady Arryn, peço desculpas pela invasão, mas fui instruído em uma missão e preciso orientá-la.
— Missão? Que diabos você quer de mim? – Disse irritada enquanto retirava a bota lamacenta dos pés.
Merlin se aproximou.
— Lobos, sangue, rosas azuis, dragões, corvos. Sonhaste com tudo isso, não é?
Elaene sentiu um arrepio pela espinha e cruzou o olhar com o garoto. Eram escuros olhos azuis e enigmáticos, porém, calmos.
Estava abismada com o que disse, afinal, como poderia saber? Elaene não havia contado o conteúdo de seus sonhos para ninguém.
—Não se assustes, Elaene. Existem tantas coisas que preciso lhe ensinar, lhe orientar e aconselhar... Quero que saibas que padeço do seu sofrimento, e sei o que tu sonhas. Estou predestinado a entregar minha vida para ser seu guia.
Elaene se levantou assustada e se afastando.
— Pelos sete infernos, quem é você?
— Você tem um grande futuro, Elaene. Um futuro de que todo o povo de Westeros depende. Algo muito maior que guerra de cadeiras pelo trono. Você é a salvadora, o retorno mandado pelos deuses. E eu fui enviado para garantir que você consiga cumprir seu destino.
— Saia daqui... agora...
— Lady Arryn...
— Saia daqui, agora! – Disse Elaene com fúria transparecendo em seus olhos.
— Você terá a prova de que precisas, e saberás que sou seu servo. Saibas que Robb atravessará, mas você não. Do outro lado, encontrará a cabeça do dragão. Ele a resgatará, e em teus braços será salva, de muitas formas.
Quando Merlin saiu de sua tenda, sentiu a cabeça rodopiar com tantas emoções que sentia naquela noite. Não tinha a menor ideia do que aquele rapaz queria dizer com tudo aquilo, e nem tinha interesse para decifrar qualquer coisa.
Deitou na cama sem retirar suas vestes, e assim adormeceu, quando com dor de cabeça, cansou de tanto chorar no travesseiro.
=^=
Entrou determinada na tenda de Robb logo que se levantou. O rapaz conversava com sua mãe, e parecia que ambos travavam uma batalha de idéias sobre a proposta da noite anterior.
— Eu a amo! – Ouviu Robb dizer.
Assim que entrou, ambos a encararam com olhos tímidos.
— Lady Catelyn, perdoe-me a ousadia. Poderia me dar uns instantes com seu filho?
Catelyn apenas acenou afirmativamente com a cabeça, lançando um olhar de solidariedade para Elaene, antes de se retirar.
— Você atravessará, Robb.
Robb bufou e fechou os olhos.
— Não posso aceitar esses termos.
— Você não tem escolha. Seu pai está em correntes, não temos notícias de suas irmãs, além disso, seu tio está cercado em Correrio.
— Não posso aceitar esses termos!
— Você irá. Retiro o assentimento do nosso noivado. Não quero mais me casar com você – Disse com uma voz fria.
— O que? — Robb lhe lançou um olhar indignado.
Elaene sentiu que os olhos estavam cheios de lágrimas, e virou-se de costas.
—Seu dever é com sua família, e com o seu povo, e eu não sou nenhum deles.
Robb encostou em seu ombro a fazendo se virar, enquanto lágrimas que não controlou, escorreram sobre o rosto dele.
—Como você tem coragem de dizer isso? Você é minha família, meu amor, minha vida. Tudo o que sou hoje, devo à você. Não posso te perder...- Disse encostando sua testa na dela.
— Te livro de sua promessa, Robb. Já não somos mais crianças, e questões maiores que nossa história estão em vossas mãos agora.
— Se eu me casar com a garota Frey, o que você fará?- Disse a olhando nos olhos, sem vergonha do choro.
— Verei você se tornar o homem que nasceu para ser, o homem que deve ser. E ficarei orgulhosa disso. – botou a mão no rosto dele, enquanto beijava sua bochecha. – Eu sempre vou te amar, Stark. Até que toda a neve do norte se derreta, o vento leve a muralha com um só sopro, e as areias de Dorne se transformem em ouro derretido... mas não podemos ficar juntos...
Saiu da tenda deixando Robb com os braços esticados para ela, com a alma destroçada. Elaene olhou ao seu redor e pensou em quantas vidas estaria salvando desistindo de Robb. Botou a mão no peito quando sentiu um vazio lá dentro, mas não olhou para trás enquanto marchava.
=^=
Nunca se sentiu tão sozinha e perdida em toda sua vida. Sempre considerou Winterfell sua casa, mas agora não tinha nenhum lar para onde correr. Nem família, nem amigos e nem seu noivo.
Sentou-se na cadeira em frente ao seu espelho escovando os cabelos até formarem sedosas cascatas negras onduladas. Começou a fazer um pouco desajeitada, uma trança raiz nos cabelos enquanto pensava em Robb.
Robb teve sensatez e aceitou os termos de Lorde Frey. Atravessariam as gêmeas, e esmagariam Jaime como um martelo de guerra implacável. Por outro lado, o menino lobo, como agora era chamado devido ao seu lobo gigante Vento Cinzento que nunca o abandonava, se mostrou um exímio estrategista. Separou um contingente menor de seus regimentos, para descerem o tridente ao encontro de Lorde Tywin. O objetivo era simples, serviriam como uma pista falsa, uma distração e dariam tempo para a cavalaria de Robb quebrar o cerco à Correrio. Era brilhante.
Elaene respirou fundo sentindo orgulho da sagacidade de Robb. Não encontrou melhor oportunidade de lutar, do que por aqueles quem amava. Iria para a batalha escondida, e daria a vida por Robb, Arya, Ned Stark, Sansa, e o povo que aprendeu a amar.
Partiria com soldados do forte do pavor ao comando do estranho Roose Bolton naquela manhã, escondida entre cavaleiros, e evitaria ter de despedir do homem que amava.
Quando terminou a trança a jogou para trás, para dentro da cota de malha, e vestiu o gibão que havia furtado de um soldado Tallhart bêbado, que era esguio como ela. Vestiu o elmo recolhido para os soldados rasos, e deu uma última olhada para o espelho.
Jamais ousou olhar uma última vez para Robb.
=^=
Marcharam a todo vapor, pois deveriam deixar os batedores alertas e na ilusão de que Robb avançava para a boca do Leão, e ao mesmo tempo, retirar o foco de Jaime e seu cerco à Correrio.
No terceiro dia, alcançaram o acampamento de Tywin Lannister. O regimento dos nortenhos estava sendo liderado pelo senhor Tallhart. O senhor nortenho tinha aproximadamente uns 50 anos, e seus cabelos loiros e cinzas se confundiam em sua cabeça. Tinha uma barba bem aparada e um olhar feroz.
Posicionaram em filas no topo do Vale, separados por arqueiros e infantaria, já avistando as fileiras inimigas logo embaixo, à beira do Ramo Verde. Elaene olhou para o horizonte, e viu raios de sol baterem nas águas agitadas do Rio. Imaginou se seria jogada para a água quando morresse. Sentiu o pânico lhe atingir pela primeira vez, e notou que o medo também invadiu alguns homens em sua volta.
Nesse momento, Théoden Tallhart que era um homem experiente em batalhas, sentiu o cheiro do medo de seus homens. Avançou para à frente deles, e começou a olhar nos olhos de cada um deles, cavalgando de um lado para outro.
Quando passou em sua frente, Elaene abaixou o olhar pois temia ser reconhecida mesmo com aquele elmo na cabeça.
— Robett Glover, conduza a infantaria.
—Sim senhor! — Respondeu de imediato o senhor nortenho
— Harrion Karstark, conduza os arqueiros pela intermediária, e depois pela retaguarda. Se precisarmos nos retirar, garanta que sejam rápidos e atrasem os inimigos em pontos isolados da mata, como combinamos.
—Sim senhor! – Respondeu o outro senhor.
— Avante, nortenhos! Escudos serão quebrados, armaduras serão rachadas e espadas pingarão sangue até o fim dessa manhã. Eu vejo medo nos olhos de vocês... sim, eu o vejo! Não se enganem se pensam que se sacrificam por Eddard Stark... não, vocês não lutam por ele, a maioria de vocês mal o conhece. Vocês lutam pelas suas famílias, pelo seu povo! Aqueles homens ali embaixo querem subjugar o Norte e o botar em correntes, tal como fizeram com o nosso protetor. Nos querem de joelhos, massacrados com nossa própria humilhação. Não respeitam o sangue dos primeiros homens, e daqueles que não se ajoelharam. Desçam e deixem que eles sintam o poder do nosso povo, nossa fúria e nossa força. Avante nortenhos! Deixem o Ramo verde, vermelho com o sangue dos impuros que nos tripudiam.
O Senhor Tallhart pediu aos homens que brandissem a espada, e cavalgou de um flanco ao outro, batendo com sua espadana ponta de cada uma delas, em sinal de uma benção velada.
—Cavalguem agora! Cavalguem agora! Cavalguem para a ruína e a glória!
O senhor nortenho avançou um pouco para a frente, apontando para os inimigos embaixo do vale, usando sua espada.
— MORTE!
Os homens repetiam:
— MORTE!
Mais uma vez, com mais força, o senhor berrou:
— MORTE!
Os homens se tornaram mais exaltados e excitados. Elaene também gritou timidamente.
— MORTE! – A pleno pulmões o homem gritava, avançando mais.
— MORTE! – Dessa vez os homens berravam com força e Elaene se viu invadida por uma força estranha, e sentiu-se mais forte e irada do que nunca.
Com a infantaria na frente, os homens começaram a descer o vale em uma velocidade inacreditável. Seus olhares estavam furiosos, e gritavam “MORTE” enquanto iam de encontro à batalha. Ouviu um berrante de guerra soar muito alto do seu lado esquerdo.
Correu junto com sua fileira e pode perceber o olhar de estranhamento dos soldados Lannisters lá embaixo.
Ouviu zumbido de flechas inimigas serem lançadas, porém várias delas foram aparadas pelos escudos que os homens levantaram ao ver os vultos voarem pela mata. Correu junto com os arqueiros aguardando o comando de seu oficial.
Quando o choque entre as tropas ocorreu, viu que várias fileiras inimigas foram derrubadas, tendo seus homens sido pisoteados pela fúria, como se a ira nortenha fosse um martelo esmagando tudo que passasse pela frente.
Karstark deu a ordem, e duas fileiras de arqueiros sem prepararam.
— Preparar...
Elaene se sentiu nervosa quando parou retirando uma flecha na aljava. Como sempre, deslizou os dedos sobre as penas, sentindo a textura, e analisou o vento.
— Atirar!!!
Tensionou, mirou e lançou.
A flecha foi amparada pelo escudo de um soldado vermelho.
— Preparar!
Elaene repetiu o mesmo movimento, segurando mais firmemente a respiração e evitando os tremores de nervosismo, que atrapalharam sua mira.
— ATIRAR!
Sua flecha caiu mortalmente no pescoço de um soldado Lannister, salvando um nortenho com quem lutava.
—Atirar à vontade!!! – gritou Karstark.
Elaene foi retirando rapidamente cada flecha de sua aljava, mirando com precisão e velocidade invejável. Derrubou seis soldados com noves tiros.
— Retirar espadas!!! – Gritou Karstark, avançando quase chegando a última linha da infantaria
Chegara o momento que Elaene tanto temia. Retirou sua espada, e junto com os nortenhos ao seu lado, gritou o grito de guerra de Théoden, avançando ferozmente rumo à própria destruição.
— MORTE!!!
=^=
Elaene sentiu o peso da espada no braço, e seus pulmões pareciam queimar com o cansaço. Era cada vez mais difícil manter a guarda levantada. Já havia sido ferida no ombro e nas costas, e sentia o sangue escorrer devagar em suas costas.
Viu Karstark dar a ordem para baterem em retirada e o obedeceu, mas alguns soldados Lannisters interceptaram seu grupo pela esquerda e direita, os cercando.
Cruzou espadas com o primeiro, e no segundo golpe abaixou sua cabeça e espetou sua espada no abdômen do homem. Sua espada ficou presa nas vísceras por um momento, e pensou que o soldado Lannister atrás de si, a mataria em um golpe, mas um arqueiro nortenho mais acima no Vale lançou uma flecha na perna do homem, e teve tempo de arrancar a espada da barriga de um e cortar o pescoço do outro pobre homem.
Voltou a correr vale acima, cortando caminho para facilitar a subida pela direita, estavam batendo em retirada para as gêmeas.
Ouviu um zunido de flecha muito próximo, e começou a correr em zigue-zague, porém, sentiu um baque forte nas costas e caiu com o rosto no chão.
=^=
Abriu os olhos, e ainda estava com a face na terra. Ouviu gritos e gemidos de dor, e um pelotão desconhecido esmagava os Lannisters que perseguiam os Nortenhos. Não conseguiu reconhecer quem eram.
Sentiu mãos lhe virarem, e viu ao longe um cabelo dourado reluzindo com o vento em cima de um corcel negro como a noite. Muito familiar.
Fechou os olhos, se imaginando na vida pós-morte.
=^=
Estava desacordada em cima de um cavalo, e braços fortes lhe seguravam. O cavalo ia a trotes elegantes, entre a velocidade ideal para fugirem dos perseguidores, que já em boa parte ficaram para trás, e para que não agravassem seus ferimentos.
O sol lhe bateu forte no rosto, e a cegou por um instante. Quando conseguiu focalizar, viu olhos claros como o próprio céu próximo as Gêmeas a encará-la.
Arthur Pendragon.
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