Queen of ice and fire
22 Presságio

Arthur viu Elaene sair correndo da arena após tê-la oferecido a coroa de flores. Sentia-se culpado pelo que fez. Tinha feito com a melhor das intenções, queria apenas homenageá-la, agradá-la. Mas sentiu um olhar de pânico no rosto dela, que não podia entender de onde teria vindo.
Desde então, ela havia lhe evitado. Passaram-se dois dias e não haviam trocado nenhuma palavra. Arthur decidiu que daria o espaço que ela precisasse, afinal se ela ficou perturbada daquela forma, a culpa era inteiramente dele e sentia vontade de se chutar toda vez que lembrava disso.
O que ele estaria pensando? Que ela sentiria orgulho dele, pegaria a coroa e se apaixonaria por ele. Era um completo idiota. Ela amava Robb, somente ele. O beijo que roubou na tenda, foi apenas um prêmio de consolação.
Estava em sua tenda, escrevendo a carta que enviaria para Camelot, quando ela entrou. Parou na entrada, e com uma expressão tímida, pediu desculpas por atrapalhar e permissão para entrar.
— Arthur, eu queria...
— Elaene, eu nem sei por onde começar a te pedir desculpas. Eu realmente não deveria ter lhe exposto daquela forma. – Disse lhe interrompendo.
— Arthur, por favor. Não peça desculpas. O meu comportamento foi... estranho, e sinto que lhe deixei envergonhado na frente de todos. – Abaixou o olhar em sinal de vergonha.
—Eu não ligo para os outros. Algo aconteceu com você. – Disse aproximando-se – Eu não sei o que foi, mas gostaria muito de poder entender – retirou uma mecha de cabelo que estava jogada no rosto dela, e botou atrás da orelha.
— E eu gostaria muito de poder conversar com alguém sobre isso, mas tenho medo.
— Medo de que?
— De que você saiba o que eu sou, e deixe de me olhar da forma como você me olha agora.
Arthur franziu a testa em completa descrença.
— Isso jamais acontecerá, prometo.
Elaene sentiu as mãos gelarem e tremerem, então Arthur as agarrou em incentivo.
— Desde criança, eu sofro com pesadelos terríveis. Não são sonhos normais, são realmente aterrorizantes, e por vezes, proféticos.
Arthur lhe olhava com olhos atentos e Elaene respirou fundo para continuar.
— Naquele momento em que toquei a coroa de flores, aconteceu algo. Era como se eu estivesse realmente dentro de um sonho, mesmo estando acordada.
— Não entendo...
— Quando você me presenteou Arthur, eu vi a visão do que só poderia ser Rhaegar Targaryen coroando Lyanna Stark, como rainha da beleza em Harrenhal. E eu nem faço ideia do porquê disso! Mas foi tudo tão claro, tão vívido. Vi tudo em um clarão muito rápido, mas muito real.
Arthur sentiu o pânico invadir suas veias. Por algum motivo, Elaene havia visto a visão da própria mãe e o pai. Arregalou os olhos e afrouxou o aperto nas mãos de Elaene.
Então como em uma epifania, entrou em choque: ela sabia sobre suas origens?
Elaene sentiu que Arthur mudou a expressão.
— Você acha que sou uma maluca... uma esquisita!
Arthur voltou a si e segurou o rosto dela com as mãos.
— Ei, não diga isso! Jamais pensaria isso de você. Só estou... imaginando o porquê de teres visto justamente Rhaegar e Lyanna... – Jogou a isca analisando as expressões dela.
Elaene soltou as mãos dele de seu rosto e andou pela tenda.
— Eu não sei, Arthur. Talvez seja um aviso de que um destino parecido esteja reservado a nos dois, não faço ideia.
Ela não sabia. Sentiu um incontrolável alívio.
— Então você estaria disposta a fugir comigo para o sul também? – Disse aproximando-se mais uma vez com um olhar com misto de sedução e brincadeira.
Elaene virou os olhos e deu um leve soco no ombro dele.
— Nós já estamos no sul.
Arthur riu divertido.
— Então tenho uma vantagem sobre Rhaegar... não precisei lhe sequestrar...
Notou que o olhar de Elaene, antes divertido com o flerte, agora havia fechado-se em uma leve melancolia. Deveria estar pensando em Robb. O clima se quebrou.
— Bom, Renly quer ter comigo em seus aposentos. Ao que parece, Stannis continua marchando para cá.
— Você acha que os dois irmãos chegarão a esse ponto?
— Não sei, mas não gosto nenhum pouco disso...
=^=
Seu sonho foi angustiante, como há muito tempo não era. Nele via sombras disformes por todos os lados, percorrendo colinas, lagos, riachos, até alcançarem o topo de um morro. No topo, as sombras dançavam em um redemoinho e pareciam engoli-lo.
Ouviu um grito de dor, e algo reluziu de dentro das sombras, com o reflexo da lua batendo-lhe.
Acordou com um grito.
Estava bastante suada e sentia a garganta seca a ponto de doer quando o grito cessou. Sentou-se na cama esperando o coração se acalmar.
Com essa noite, era a quarta vez que tinha o mesmo sonho com Arthur. Sentia o perigo próximo e sabia que teria algo a ver com a proximidade do confronto entre Renly e Stannis.
Até então já havia notado que Renly estava os enrolando com a resposta sobre o acordo com Robb, para manter Arthur em seu exército, afinal ele era um dos melhores espadachins de Westeros. Em breve, o embate aconteceria, e teria de ver Arthur partir para guerra.
Seria esse o seu fim? O que significariam as sombras?
Pensou nas palavras que Merlin lhe disse: “Você receberá algo de volta, hoje pela manhã. Precisas levar este objeto contigo para o sul.” Esforçava-se para pensar no sonho e lembrar-se da forma e a luz que vinha do objeto. Queria ter certeza de que nem ela, nem Merlin, eram loucos, mas nunca saberia se não tentasse. Se algo acontecesse com Arthur, jamais se perdoaria.
Merlin havia dito que na hora certa, saberia para que ele serviria. Havia algo naquele amuleto que protegeria Arthur das sombras.
Olhou para o lado e passou a mão no objeto embaixo de seu travesseiro.
=^=
Botou seu velho capuz para tentar passar despercebida pelo acampamento e entrou em sua tenda de uma vez.
Ele não sentiu sua presença e dormia um sono profundo e calmo. Estava com os lábios entreabertos e parecia desfrutar de um bom sonho.
Abaixou o capuz e se aproximou devagar.
Quando sentou-se na cama perto dele, tudo aconteceu muito rápido. Arthur acordou-se em um impulso logo botando uma mão em seu pescoço, sentando na cama.
Elaene soltou um gemido de susto e seus olhos se arregalaram para ele. Quando notou quem era, Arthur soltou as mãos e jogou o próprio corpo para trás.
— Elaene? É você?
Elaene botou as mãos no pescoço, sentindo-se incomodada.
— Sim, Arthur. Desculpe-me.
— Mas que diabos estava pensando? E se eu estivesse com minha espada por perto? Ou minha adaga? – Disse botando as mãos no próprio rosto, tentando se recuperar da adrenalina. – Por favor, me digas que não lhe machuquei. – Aproximou-se dela tocando delicadamente seu pescoço.
— Eu estou bem, Arthur. Acalme-se.
— Eu poderia ter lhe machucado! – Disse lançando um olhar duro para ela.
— Terá que se esforçar mais para isso, Pendragon. – Elaene respondeu com um sorriso torto.
Arthur riu com nervosismo.
— Eu poderia estar acompanhado... – Respondeu agora em tom de provocação.
Elaene revirou os olhos.
— Isso é verdade. Sua lista de pretendentes na Campina é o suficiente para lotar sua cama por uma estação inteira, pelo que sei.
Arthur riu.
— Lady Arryn, eu não acredito! Você está com ciúmes?
— Não seja ridículo, Arthur.
— Tudo bem, então o que está fazendo em meus aposentos a essa hora da noite que não para me matar, em nenhuma das formas que seria possível um homem morrer na cama?
Se não fosse pelo escuro, Elaene certamente diria que Arthur a viu corar.
— Isso é sério, Arthur. Você acredita em mim quando digo sobre meus sonhos?
Arthur deixou o clima alegre de lado.
— Sim, claro! O que aconteceu essa noite?
— Estou preocupada com você...
Arthur alisou os cachos revoltos dela com os dedos.
— Não precisa se preocupar comigo. Amanhã apenas acompanharei Renly na reunião com Stannis. Nada acontecerá.
— Eu não paro de ter esses sonhos...
— Talvez sejam apenas son...
— Preciso que faça algo por mim. – Disse interrompendo-o
— O que? – perguntou curioso
Elaene retirou o amuleto do bolso, colocando na mão dele.
— Você usaria isso por mim?
— O que é isso?
— Para lhe proteger. Por favor. Por mim. – Disse com olhos suplicantes
— Claro, não se preocupes mais, tudo bem? – Disse Arthur, já encaixando o fecho do colar no pescoço.
— Obrigada, Arthur. Desculpe por invadir sua tenda no meio da noite, mas era importante para mim. Você confia? – disse ainda envergonhada.
— Está tudo bem, Elaene. Aliás, não se desculpe por isso, gosto quando me surprende e invade meus aposentos, faça mais vezes pois é sempre bom quando estás aqui. — Disse com um sorriso torto no rosto.
Elaene não soube dizer se havia segundas intenções naquela frase, como a lembrança de quando invadiu a tenda dele para lhe depositar um beijo antes do torneio, mas sentiu o rosto queimar mais uma vez.
— Vou voltar a descansar. – Disse levantando.
Arthur que tinha um fino lençol cobrindo sua cintura para baixo, estava com o peito exposto.
Elaene estava tão nervosa antes, que apenas notou os músculos de Arthur, naquele momento. Não conseguia mais olhá-lo nos olhos, pois seu dorso nu insistia em prender sua atenção.
—Bom, eu a acompanharia até a entrada, ou quem sabe até a sua tenda, mas creio que a minha completa falta de roupas embaixo desse lençol, será um empecilho. — Disse apontando para baixo.
Elaene fechou os olhos com raiva, virando o rosto, e ainda mais corada.
— Não será necessário, Sor Arthur. Boa noite!
Girou os pés e quando se aproximava da entrada, escutou um riso abafado que ele não conseguiu segurar.
— Que os Outros o carreguem, Pendragon. – Disse Elaene com raiva quando saía da tenda, arrancando uma gargalhada divertida dele.
Arthur sentiu-se bem em atormentá-la. Não era maldade, mas era excitante deixar Elaene sem jeito. Significava pouco e parecia bobo, mas saber que de alguma forma ele mexia com ela, o deixava satisfeito.
Ele não sabia, mas ela também sorriu quando caminhava para sua tenda, enquanto Arthur voltou a deitar-se e cochilou novamente enquanto passava o dedo pelo desenho do amuleto em seu pescoço.
=^=
Quando o dia surgiu na colina, o sol ainda estava manso e uma brisa fria uivava pelas tendas do acampamento. Queria se certificar de que ele usaria o amuleto e foi para os portões de Ponte amarga para se despedir.
Ele conversava algo com Sor Lion quando se aproximou.
— Bom dia, Lady Arryn. – dirigiu-lhe polidamente Sor Lion.
— Bom dia, Sor.
— Vou me certificar de que estão todos prontos para acompanhar o Rei, Sor Arthur – disse Lion antes de deixar os dois a sós.
Elaene olhou diretamente para o pescoço de Arthur e notou o cordão do colar que se projetava para dentro do gibão.
— Você está usando... – disse apontando para o amuleto.
— É claro que estou. Prometi que usaria, não foi?
Elaene forçou um sorriso, mas os sonhos e seu medo, faziam a despedida tornar-se angustiante.
— Vim pra lhe desejar boa sorte.
Arthur pensou em lhe dizer mais uma vez que não haveria nada demais na reunião, mas notou pelas olheiras dela o quanto suas preocupações a perturbavam, e preferiu confortá-la de outra forma.
— Não se preocupes comigo, está bem? – disse acariciando sua maça do rosto, sentindo o quanto ela estava nervosa.
— Arthur...prometa-me. – disse com a voz embargada
— Diga...
— Prometa que voltarás... – respirou evitando que as lágrimas caíssem –... para mim.
Arthur tentou evitar a forma que se sentiu ao ouvir aquele pedido, mas foi algo inesperado. Com o coração acelerado, segurou o rosto dela com as mãos, e a beijou na testa cochichando.
— Voltarei, Elaene. Não há nada nesse mundo que eu possa lhe negar.
Foram interrompidos por Renly.
— Bom dia! Desculpem-me a interrupção, Sor e Lady, mas podemos partir Arthur? – disse lançando um olhar malicioso para Elaene.
— Desculpe-me majestade, irei ver a rainha. Não pretendo mais atrasá-los. Com licença. – disse saindo a passos apressados e sentindo uma angústia forte no peito, lançando um último olhar para Arthur.
— Vejo que as coisas entre vocês estão melhores desde a coroação no torneiro. – Disse Renly chamando seu escudeiro para trazer seu cavalo.
— Não aconteceu nada demais, Vossa Graça. Elaene apenas ficou tímida com toda atenção para ela.
— Então admite que têm algum tipo de relação?
Arthur riu sem jeito
— Somos amigos, Vossa Graça.
— Ah, sim. Você é um homem com uma habilidade incrível em manter amizades com mulheres bonitas. Lembro-me bem quantas amigas você mantinha em Porto Real. – Disse Renly com uma risada quente, deixando Arthur ainda mais tímido.
— Lady Arryn é diferente, Majestade.
— Eu percebi que Lady Arryn é diferente para você! Ela pareceu-me ser especial, e eu sei que você também enxergou isso. Talvez seja hora de você sossegar, Arthur. O irmão dela é um garoto enfermo, ela possivelmente herdará o Vale. Tem uma bela pretensão.
Arthur sentiu-se incomodado com o rumo da conversa. Gostava de Renly e o conhecia há anos, mas não se sentia à vontade para conversar sobre pretensões de casamento com ele. Odiava mentir para quem gostava, e sentia que traía a todos, inclusive Elaene, enquanto não dizia nada sobre a verdadeira origem dela.
— É melhor partirmos, Alteza. Seu irmão nos aguarda. – disse enquanto montava seu corcel
— Um ótimo dia para rever a família, não achas?
=^=
Estavam no topo do morro quando os viu se aproximarem. Eram bem mais tímidos e simples que a comitiva de Renly.
Renly trazia um pajem que carregava seu estandarte em uma lança onde o brasão da sua casa, o veado coroado, empinava-se imponente e poderoso.
Com a brisa, viu o estandarte que o homem carrancudo leal a Stannis carregava. Um coração flamejante. Só poderia ser da tal sacerdotisa vermelha que estava com eles.
Ela trajava um manto vermelho, onde escondia seus cabelos de um vermelho estranho sobre um capuz e seus olhos emitiam um brilho oco. Ouvira relatos das barbaridades que a tal mulher havia cometido em Pedra do Dragão, em nome da sua fé. Por algum motivo, sentiu um arrepio gelado quando a avistou e instintivamente botou a mão no amuleto que Elaene havia lhe dado, depositando um beijo nele, como se aquilo lhe aproximasse dela e lhe desse a proteção que precisava.
Quando por fim ficaram frente a frente, toda a tensão estava a um limite terrível entre os dois irmãos Baratheons. Sentiu os olhares entre os dois, embora Renly escancarasse um sorriso cínico no rosto, enquanto adiantavas passos a frente da comitiva.
— Bom dia, irmão!
— Lorde Renly. – Disse secamente Stannis.
— Rei Renly. Vamos nos ater aos títulos, irmão. – o corrigiu – Aliás, a quem pertence esse estandarte?
— Stannis agora segue a fé do único e verdadeiro Deus, R’hllor. E em seu nome e força, conquistará seu lugar por direito — A sacerdotisa disse, lançando um olhar estranho para Renly.
— Melhor assim. Se usássemos ambos o mesmo estandarte no campo, a batalha seria terrivelmente confusa.
— O Trono de Ferro é legitimamente meu. Se tem propostas a fazer, faça-as agora, senão vou embora.
— Muito bem. Desmonte, dobre o joelho e me jure fidelidade. Sou um homem generoso, irmão. Se é Ponta Tempestade que desejas, lhe concederei esse pedido, em nome da nossa mãe.
Stannis abafou a ira.
— Não terá isso jamais. E não pode me oferecer Ponta Tempestade, pois é minha por direito.
—Direito? – gargalhou Renly — Você nunca aprende, irmão? Os Targaryens aprenderam da pior forma possível que não há pretensão que se sustente sem o devido suporte bélico.
— Joffrey não é da semente do meu irmão, são todos bastardos, abominações nascidas do incesto. Eu sou o legítimo rei. Sou seu irmão mais velho, e me deves respeito e lealdade.
— Toda essa conversa sobre direitos, pretensões e incesto é divertida, mas nada muda o fato de que tenho o maior exército para dobrar a pretensão que quiser a meu favor. E irei. O terei de joelhos, até o próximo dia escurecer.
— Não vim até aqui para ser ameaçado por um garoto mimado que nunca sentiu o cheiro de sangue em uma batalha. – Disse Stannis retirando a espada de estranho brilho da bainha. — Não zombarás de mim nunca mais!
Arthur avançou à frente para manter-se entre os irmãos, e de espada na mão ordenou à Stannis.
— Guarde seu aço!
— Não quero macular a Luminífera com um fratricídio. Em nome de nossa mãe, darei esta noite para você repensar sua loucura, Renly. Arrie suas bandeiras e venha me encontrar antes da alvorada, e lhe darei Ponta Tempestade e seu antigo lugar no conselho. De outra forma, vou destruí-lo.
Renly riu.
— Stannis, esta é uma espada muito bonita, concordo, mas acho que o brilho que ela emite estragou seus olhos. Olhe os campos, irmão. Vê todos aqueles estandartes? – Disse Renly apontando para o horizonte de onde podia-se ver seu acampamento.
— Acredita que alguns pedaços de pano farão de você um rei?
— As espadas da Campina e Ponta Tempestade o farão... Toda a cavalaria do sul me acompanha, e esta é a menor parte do meu poder. Minha infantaria vem atrás, cem mil espadas, lanças e piques. Quem irá me destruir? Você? Com o quê, eu me pergunto... Sua tropa não sobreviverá à primeira investida da minha vanguarda
— Veremos, irmão... quando a alvorada chegar. – Disse friamente Stannis, arrancando outro arrepio em Arthur.
A sacerdotisa vermelha ficou um momento para trás e seus olhos cravaram em Arthur. Algo nele a fez ficar paralisada, como se tivesse visto uma terrível aparição. Havia qualquer coisa de maligna na forma como aquela mulher lhe olhava. Sentiu cada alegria esvair-se de seu corpo com apenas aquele olhar.
Arthur sentiu seu amuleto pesar no pescoço, e então notou que ela encarava o objeto com alguma curiosidade e temor.
— Olhe seus pecados, Lorde Renly — disse, enquanto virava o cavalo, demorando em tirar os olhos de Arthur.
=^=
Quando a viu, estava encarando a janela que dava para a paisagem externa de Ponte Amarga. Parecia estar ansiosa e aflita, e nem notou quando se aproximou por suas costas. Apoiou-se na parede a uma pequena distância dela, fazendo-a olhar para trás pela primeira vez.
Quando o viu, seus olhos brilharam e um sorriso iluminou seu rosto. Arthur devolveu o sorriso enquanto ela jogou seu corpo contra o dele para um abraço de alívio.
— Nunca fiquei tão feliz por estar errada.
Arthur afagou seus cabelos omitindo por um tempo que haveria um confronto na alvorada, e que uma Sacerdotisa vermelha fez seu amuleto gelar enquanto o encarava.
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