Notas iniciais
Decidi que vou continuar o roteiro em atualizar toda sexta, porque tenho muitos capítulos escritos, que se tornaram meus preferidos. Tenho impressão que a fanfic está péssima, mas realmente não estou tendo feedback para saber o que há de errado. Mas, vamos lá....

Haviam passado dos limites? Não sabia responder para si mesma, não conseguia raciocinar. Pensava que teria o controle da situação. Iriam dar uns amassos e dormiriam juntos, como outras vezes fizeram. Mas estava com Robb no meio de suas pernas, desesperada por alívio, e ele já não mostrava mais sinais de que dominava seus instintos.

Quando ele passou as mãos na lateral de seu corpo, levantando ainda mais sua túnica, automaticamente lacrou suas pernas nas costas do jovem, o empurrando contra aquele local que pedia por alguma fricção. Repetiu algumas vezes o movimento, e teve forças apenas para gemer o nome dele.

Num ato inesperado de Robb, Elaene soltou um gemido de susto. Ele havia levantado uma das mãos e tocado seu seio por cima da túnica de lã. Imediatamente Robb congelou, e ela não saberia dizer se por horror de si mesmo ou por reflexo do ato impensado.

Com medo de perder aquele momento e aquelas sensações novas, Elaene tomou iniciativa. Pegou a mão do rapaz e a deslocou para dentro do decote da túnica, o fazendo novamente tocar em seu seio, dessa vez sentindo pele com pele.

Robb soltou uma bufada de ar tensa junto com um gemido de redenção. Sem ao mesmo sentir susto com a atitude da amada, pressionou a palma de sua mão no local sensível, arrancando um gemido alto de Elaene, que arqueou as costas de encontro à palma da mão.

—Por favor, Robb. Não pare agora. – pediu Elaene em uma súplica. A sua honra era um ponto apagado no fundo de sua mente, naquele momento.

Robb beijou seu pescoço e mandíbula, enquanto continuava a massageá-la. Em um impulso, Elaene levou sua mão para o calção de Robb, passando a mão por sua extensão.

Foi o estopim para a consciência de Robb despertar. Tinham ido longe demais.

Agarrou a mão de Elaene, que gemeu em protesto arqueando as costas, e em seguida, prendeu as duas mãos dela sobre sua cabeça. Após encostar a testa na dela, a olhou sinalizando para parar os movimentos que fazia.

—Elaene... olhe para mim.

Ela suspirou em protesto, mas o olhou.

—Devemos parar. Agora.

—Não precisamos parar, meu Stark. Iremos nos casar, eu não me importo. Quero você agora, você não me quer?

—Claro que quero, como você pode não perceber o quanto eu desejo isso?

—Então, continue, me tenha essa noite. Eu quero você. Aqui. Agora.

Robb fechou os olhos. Estava em um limite que poderia resultar em atos impensados e posteriores arrependimentos.

—Não podemos. Vamos fazer da forma certa, eu lhe peço. Quero honrá-la.

—Como disse? Honrar-me?

—Elae...

Antes que Robb completasse seu nome, Elaene se sentiu invadida por uma súbita ira. Havia frustração pela rejeição e acima de tudo, fúria pelas palavras ditas. Girou seu corpo para o lado na tentativa de soltar seus braços. Robb percebeu e mudança brusca de humor e a libertou, saindo de cima dela.

Elaene sentou-se na cama e fechou os olhos na tentativa de acalmar os nervos quando Robb a tocou nos ombros.

—Está tudo bem?

—Não, Stark. Não estou bem! – Disse olhando para trás despejando as palavras com fúria, enquanto retirava a mão do amado de seu ombro, se levantando da cama. Foi até a janela, e se virou para encará-lo.

—Como você ousa? Honrar-me? Quem você pensa que é para ter tamanho poder?– vendo que Robb iria protestar, continuou fazendo gesto para manter-se calado -Sou muito honrada, Stark, não preciso que se case comigo para garantir minha honra.

Robb levantou-se e se aproximou de Elaene.

—Ei... por favor. Você me interpreta mal. Jamais pensaria isso de você, Elaene.

Disse passando a mão pelos cabelos de Elaene que estavam bagunçados pelo momento na cama.

—Elaene, apenas quero seguir a tradição moral de minha família. Por favor, não me entenda mal.

Elaene sentiu um bolo no estômago, com a rejeição. Estava envergonhada de ter sido rejeitada por ele. Ao menos, é assim que se sentia. Não entendia o autocontrole que Robb tinha. Sentiu-se fraca.

—Eu me sinto uma idiota. É melhor ir para o meu quarto, Robb.

Robb a segurou antes que chegasse à porta.

—Não irei deixar você sair daqui chateada comigo.

—Não estou chateada com você, Stark. Estou envergonhada.

—Porque se sente assim?

— Porque sou fraca, Robb. Porque não consigo controlar meus impulsos, meus sentimentos, como você faz. Porque tudo o que mais queria, era que quisesses me jogar em sua cama agora, e fazer amor comigo até os raios de sol baterem em sua janela... Estou envergonhada porque sinto que tu pensas mais em minha honra que eu mesma... Queria poder viver esse momento, porque daqui a algum tempo, quando enfim nos casarmos, pode ser que eu não o deseje tanto quanto o desejo agora. E não há nada nesse mundo que eu deseje mais do que ser sua!

—Meu amor, por favor, me perdoe. Não imaginava que você se sentia dessa forma! Não me entenda mal, você é a pessoa mais forte, íntegra e brilhante que já conheci...

Robb se ajoelhou abraçando a barriga de Elaene, beijando o seu ventre.

—Perdoa-me... Quero-te tanto que chega a machucar. Faço tudo por ti, mas, por favor, não me peça para ir contra a honra de minha família. Eu não posso!

Elaene sentiu sinceridade nas palavras do amado. Soube que Robb não fizera por mal, e se sentiu péssima por forçá-lo daquela forma. Esses encontros noturnos teriam que acabar.

Esperaria por Robb, afinal, não era nenhum animal no cio que não pudesse controlar seus instintos mais primitivos.

Com um suspiro triste, continuou em pé e acariciou os cabelos de Robb.

—Está tudo bem, Stark. Não deveria lhe pressionar dessa forma. Sinto muito, também.

Robb se levantou a beijando sutilmente, a abraçando pela cintura.

— Você diz que tenho autocontrole, mas não tens ideia do quanto é difícil domar esses instintos!

Querendo amenizar o clima no quarto, Elaene deu um sorriso sapeca.

—Acho que tenho ideia. Teu instinto está bem evidente agora encostado em mim enquanto me abraças.

Robb arregalou os olhos atônito, se afastou um pouco do abraço e sentiu o rosto lhe queimar de vergonha, enquanto frases não conseguiam ser formuladas.

—Elaene, não sei o que está acontecendo comigo. Perdoe-me se te insulto, mas às vezes não consigo controlar isso... — dizia enquanto passava a mão nos cabelos, nervosamente.

Elaene o puxou de novo ao abraço, colando os corpos e sussurrando com sua boca bem próxima à dele.

—Não se afastes de mim, adoro ver você assim. Não me insultas, me alegras quando sinto que me queres tanto.

Robb suspirou fechando os olhos, se permitindo desfrutar o momento enquanto beijava a testa de Elaene.

—Você será minha destruição, Elaene.

=^=

Saiu do bosque sagrado a passos largos e irritada! Como esse cavaleiro cheirando a verão teve a audácia de lhe beijar? Se Robb soubesse, as coisas não ficariam mais nada amistosas entre os dois.

Decidira então, não contar nada ao noivo, afinal, o rapaz iria embora para o Sul e nunca mais teria que pensar nele. Ele já estava invadindo seus pensamentos, a deixando dispersa, e isso a irritava.

Por fim, quando entrou em seus aposentos, fechou os olhos para controlar o turbilhão de sentimentos que surgiu. Sentia simpatia pelo rapaz, mas não sabia definir o sentimento que se seguiu.

Sentiu-se traída pela confiança que depositou nele, mas não podia negar a si mesma: ele a intrigava. Mais do que seria prudente.

Resolveu esfriar a mente, pois o dia estava apenas começando. Se despediria de Jon e de Arya. Sansa nunca foi próxima de si, mas também sabia que sentiria sua falta. Além disso, Ned Stark também iria para Porto Real, tomar o cargo que era de seu pai.

Tudo estava mudando, e rápido.

Sentiu um enjôo com a ansiedade que a invadia.

Depois de todas as despedidas, chegara a hora da mais cruel de todas. Abriu a porta e Arya estava lutando para fechar um dos baús de roupa. Observou por um tempo sem fazer barulho. Quando a garota se virou, Elaene estava com lágrimas que teimaram em cair no rosto.

Era por momentos assim, que Elaene a amava tanto. Comunicavam-se pelo olhar, sem dizerem nenhuma palavra. Ficaram se olhando por alguns instantes e Arya correu para o seu colo e lhe abraçou fortemente, fazendo Elaene a levantar tirando os pés da garota do chão.

—Vou sentir tanto a sua falta, minha lobinha.

Ficaram abraçadas por um tempo que parecia ser uma eternidade, em silêncio.

=^=

Não teria forças para mais despedidas no pátio. Ficou em seu quarto, os observando partirem pela janela.

Viu o olhar arrependido e triste de Arthur Pendragon, o olhar quente de Jon Snow, o brilho da empolgação em Sansa, a sabedoria sóbria de Ned Stark, e viu acima de tudo, a si mesma em Arya.

Aquela menina estava excitava e com medo do desconhecido. Iria para um lugar longe de casa, longe do resto de sua família, de seus amigos, de seu povo. Elaene sabia. Conhecia de perto aquele sentimento.

Sentiu mais uma vez que não iria controlar o choro, enquanto Robb lhe abraçava por trás, depositando um beijo sôfrego no ombro.

—Eles ficarão bem, meu amor.

Um pensamento não dito surgiu em sua mente: “Mas e eu? Ficarei bem sem eles?

=^=

Os dias seguintes da partida de parte da família Stark foram dias de adaptação. Robb agora estava diferente, parecia-lhe mais maduro e menos risonho. Com sua mãe à todo tempo vidrada em cuidar de Bran, Robb assumiu os encargos de ser o futuro Senhor de Winterfell.

Estavam sem mestre de armas, sem intendente. E Robb estava sem o pai, e sem a mãe, completamente absorta em seu sofrimento. Tentava ao máximo que podia auxiliar o noivo. Até mesmo Theon provou ser um bom amigo naquele momento difícil.

Além disso, Rickon estava sofrendo, pois não era mais que um bebê e teve de lidar com muitas perdas familiares de uma vez só. Com Catelyn a ficar no quarto de Bran todo o tempo, o menino passava a maior parte do tempo pedindo colo para Robb, que nem sempre o podia atender. Tentava consolar, e lhe dar atenção, mas o menino tornara-se arisco e até mesmo agressivo. Corria junto de seu lobo, Cão felpudo, e se escondia por um tempo pelo castelo. Até novamente procurar por Robb.

Ao final do dia, estava cansada após ajudar Robb na recontagem dos suprimentos do castelo, após a visita da comitiva real. Sentia uma dor aguda no músculo entre a nuca e ombro. Quando estava na porta de seus aposentos para o repouso, Robb a chamou no corredor.

—Cansada, não é?

—Bastante... — soltou um riso frouxo

—Obrigada por tudo, meu amor. Por segurar essa barra junto comigo. Sinto-me forte ao teu lado.

Elaene o beijou, fazendo um carinho dócil nos cabelos de Robb.

—Boa noite, Stark.

Robb entendeu o recado implícito. Ela queria descansar e não correrem o risco de outra noite de atitudes desmedidas.

—Boa noite, minha noiva.

Ambos riram com a sonoridade daquilo. Esqueceram os problemas e os novos limites impostos por um momento, e trocaram um beijo profundo.

Robb a laçou pela cintura, trazendo-a mais próxima de si, enquanto Elaene levou suas mãos aos cachos vermelhos e macios de Robb. Em um impulso, Robb a prensou contra a parede, arrancando um suspiro de Elaene em sua boca, e um puxão em seu cabelo. Quando já estavam sem ar, ouviram um uivo de lobo muito alto, que se seguiu pelos latidos dos cachorros no canil.

Robb colou sua testa na dela, e esperaram controlar ambas as respirações. Então, Elaene lhe sorriu.

—É melhor que vá ver como a senhora sua mãe está. Rickon não está bem e sente muita falta da mãe. Temos que trazer sua mãe de volta, Stark.

—Eu sei, meu amor...

Com um beijo na testa, Robb girou os pés em direção ao corredor.

=^=

Elaene andava sobre cinzas recém apagadas, de pés descalços. Ouviu um uivo triste de lobo bem no alto de uma colina e percebeu que estava em um bosque recém-queimado.

Quando olhou para o lado, notou uma rosa azul intocada e charmosa entre as cinzas, mas quando a acariciou espinhos doloridos lhe bicaram. Levou o dedão à boca, e chupou sentindo o gosto metálico do próprio sangue.

Viu o vulto de um corvo lhe passar muito rente à cabeça e se assustou. Quando o corvo voltou, lhe acerto o bico no meio da testa, fazendo-a cair sobre as cinzas.

Pousou sobre sua cabeça, e mesmo tentando debilmente tirara ave de cima de si, o animal lhe abriu um grande buraco na testa, e continuava a lhe bicar, arrancando pedaço da carne e perfurando como um prego no crânio.

Acordou com uma incrível dor no meio de sua testa e sentou na cama, ainda recuperando do susto e aflição vividos no sonho. Estava suada e tonta com sua respiração áspera. Só então se deu conta do pandemônio que virou o pátio.

Ao ouvir gritos, correu para a janela a tempo de localizar um ponto vermelho que tomava conta da ala oeste da torre da biblioteca. O fogo a consumia, e não deixou de sentir um enorme pesar em pensar em tantas raridades que estariam perdidas se o fogo chegasse a beijar todo o local.

Vestiu seu manto de peles e calçou sua bota.

Quando chegava quase ao final do corredor, ouviu barulhos que vinham do último quarto perto da escada. Era o quarto de Bran.

Em um impulso entrou correndo pela porta e ficou imóvel. Catelyn estava lutando com um homem no quarto de Bran. O homem, em torno de seus 40 anos, estava com roupas simples e sujas, e em sua mão, brilhava uma adaga de um brilho estranho. Quando o homem empurrou Catelyn, que bateu as costas em um armário de madeira, Elaene avançou e aplicou-lhe um mata leão, o fazendo soltar a mulher.

Mas o homem não havia enfraquecido o suficiente. Com uma mão segurava o braço de Elaene em seu pescoço, evitando o sufocamento, e com o outro em que estava a adaga, lhe aplicou um corte no braço, a fazendo soltar o golpe e gritar de dor.

Estava deitava no chão, com a mão no local do sangramento um pouco acima de seu punho, olhou pra cima e viu o homem empunhar a adaga em direção à Catelyn, mas não a tempo.

Vento Cinzento havia entrado no quarto e em um salto, pulou sobre o homem antes que ferisse novamente a mãe de Bran.

A seguir, foi uma cena de horror. O lobo em uma só mordida, arrancou parte da garganta do homem, e continuou a mascar no local, enquanto uma enorme quantidade de sangue jorrava pela artéria, e o homem sufocava com seu próprio líquido vital.

Elaene ficou imóvel, tal como Catelyn.

Quando o homem deu seu ultimo suspiro sufocante e com muita agonia, soltando uma última bolha de sangue e ar, o lobo subiu para a cama onde estava o adormecido Bran.

Deitou ao seu lado sentindo seu calor e lambeu os beiços retirando grande parte do sangue do agressor.