Queen of ice and fire
54 Despedidas
Notas iniciais

Quando encontrou com Oberyn, notou que o dornês tentava esconder que mancava de uma perna.
— Foi brutalmente ferido pela princesa, grande guerreiro Dornês? – perguntou Arthur, provocando-o.
Oberyn fungou, mas respondeu com bom-humor
— Sua mulher é mais forte do que aparenta, dragão! Pobre Nimueh... – disse cinicamente.
— Como ela está? Ficou enfurecida com Elaene?
— Aquela mulher é fria como um White Walker, não há como dizer. Entretanto, creio que não esteja feliz com os tapas que levou de Elaene.
Arthur bufou passando a mão nos cabelos, nervosamente.
— A sacerdotisa exerce uma estranha influência sobre meu pai. Tenho medo de que ela o use contra Elaene.
— E com certeza usará. Talvez não tão diretamente como fez contigo na arena, pois o povo não ficou muito satisfeito com a atitude do rei para com o filho. Vocês dois possuem um inegável apelo popular agora. Elaene já era idolatrada como a bela princesa Targaryen, e agora você é idolatrado como o bravo e dourado príncipe Pendragon. Sussurros já dizem que a “nova era dos dragões” chegou... – disse acenando com as mãos para dar um ar de teatralidade à expressão, e sorrir com deboche. – é hora de você e sua mulher se unirem e contra-atacarem.
— Não vou desistir dele. Não irei trair meu pai, Oberyn.
— Quem falou em traição? Eu me refiro à sobrevivência. Você tem um herdeiro a caminho, deveria pensar nele.
— Meu pai nunca deixaria Nimueh fazer mal ao seu neto!
— É mesmo? – perguntou Oberyn provocando e plantando uma terrível dúvida em seus pensamentos. Em seu íntimo, Arthur sabia que ele estava certo.
— Como estão os relatórios sobre a fuga de Tywin? Alguma novidade? – perguntou Arthur, desviando do assunto
— Não... mas prometo que irei encontrar esse infeliz, e terei a cabeça da serpente em Dorne. – disse balançando a cabeça para esquecer o ódio que sentia – O duende? Você confia nele como protetor do Oeste?
— Sim, confio.
— Tantas despedidas... – suspirou ironicamente Oberyn — O Rei do Norte em breve levará a rosa para florir no norte. Imagino que você deva estar arrasado com a partida dele...
Sabendo que não haveria como competir com o deboche do amigo, Arthur devolveu o sorriso enquanto se afastava do Dornês.
=^=
Quando Arthur entrou nos seus aposentos, Elaene percebeu que sua aia corou e abaixou a cabeça nervosamente.
“Pobre Lucy” pensou em silêncio com um discreto sorriso de lado, notando a paixão platônica de donzela da sua doce aia, pelo príncipe.
— Desculpe incomodar tão cedo, Elaene. Posso falar com você um instante?
— Claro. – disse em um tom formal. – Poderia nos deixar a sós, Lucy? Obrigada.
Enquanto a jovem aia saia do quarto, Arthur não conseguiu mais evitar e olhou diretamente para Elaene, que ainda estava com suas vestes de dormir. Usava uma curta camisola de seda azul transparente, coberta apenas por um robe de linho, parcialmente aberto.
— Se você preferir, eu posso esperar lá fora e dar privacidade para você se trocar. – disse constrangido quando foi pego no flagra a encarando.
Elaene caminhou em direção ao biombo já retirando o robe e bufando.
— Não seja hipócrita, Arthur. Não há nada aqui que você já não tenha visto várias e várias vezes... mas não se preocupe, lhe pouparei a visão. – concluiu atrás do biombo, jogando a camisola para cima, fazendo Arthur suspirar baixo em alívio, tão concentrado em seu autocontrole que não percebeu o tom ressentido que ela usou, ainda pensando no beijo que ele recusou.
— Diga... o que queres de mim, Pendragon? – perguntou Elaene do outro lado do biombo, enquanto se trocava.
— Eu vim propor uma trégua entre nós, Elaene. Ou melhor, uma aliança. – disse enquanto instintivamente tentou espiá-la através dos buracos do biombo. Quando a luz da janela demarcou as curvas do seu corpo.
Elaene soltou um pequeno riso irônico e Arthur fechou os olhos, evitando espioná-la mais uma vez. Já havia notado as mudanças do corpo dela. Sua barriga estava começando a dar sinais, e seus seios estavam mais fartos. Queria poder conferir de perto e tocá-la, mas sabia que não poderia, então se reprimiu.
— É mesmo? Em que mais eu poderia ser útil à você, além de ser sua princesa Targaryen?
Arthur ignorou a provocação com um riso frouxo, e continuou.
— Creio que ambos concordamos que Nimueh é perigosa, e a queremos longe de Porto Real...
Elaene saiu de trás do biombo, agora vestida com um simples vestido roxo, e franziu a sobrancelha em curiosidade, agora que ele finalmente havia lhe dado ouvidos sobre a sacerdotisa.
— O que você sugere?
— Que deixemos nossas diferenças de lado, por enquanto, e nos unimos contra Nimueh.
— Como?
— Talvez seja a hora de jogarmos o jogo dos tronos, Elaene. O povo lhe idolatra e minha influência cresceu quando derrotei aquela aberração. – continuou um pouco mais a vontade, e se aproximando dela – o Reino ainda é frágil. Ainda existem focos de resistência, e não se sabe do paradeiro de Tywin ou Stannis, e meu pai nunca fez o tipo “líder carismático”. Ele precisa de nós para manter o povo ao seu lado, e manter suas alianças. Temos de nos manter indispensáveis à ele.
— Não acho que isso seja o suficiente para impedi-los, Arthur...
— Eu sei – disse suspirando – mas pelo menos teremos tempo para pensarmos em algo, enquanto eles se sentem acuados para agir tão diretamente. Aquela mulher tem um ponto fraco, e eu irei olhar bem perto e descobrir qual é...
— Ela é perigosa, Arthur. Eu já lhe alertei! Por favor, não quero que você se meta com ela... – disse angustiada com a magia negra que a mulher dominava. Era mais fraca que Elaene, porém, mais maligna.
— Não se preocupe comigo. Além disso, eu preciso. Sinto muito... – disse Arthur arrastando as palavras finais, tendo um estranho déjà-vú, que lhe fez sorrir.
— O que foi? Isso é engraçado?
— É que esse diálogo me fez lembrar um sonho que tive na noite anterior ao combate. – disse com um sorriso, para dar um tom de descontração — Você estava em meu quarto me pedindo para não lutar com Robert Strong, enquanto eu rebatia dizendo que era meu dever. Você sabe... o que fazemos toda vez!
Elaene sentiu um frio na barriga ao perceber que ele se lembrava da noite em forjou Excalibur com magia, mesmo que ainda imaginasse tratar-se de um sonho...
— ...e então, você me beijou. – continuou enquanto se aproximava perigosamente dela. – exatamente como sempre faz, quando tem medo de que eu não volte para você...
— Hmmm, é mesmo? E dessa vez não se acovardou e desviou o rosto, Pendragon? Ao menos em sonho... – provocou-o com um sorriso de lado, fazendo Arthur morder o lábio para controlar o sorriso que queria brotar com a gostosa provocação dela.
— Um sonho saboroso, sem dúvidas.
Elaene piscou enquanto ele lhe devolvia o sorriso torto que tanto gostava, e então ofereceu a mão, fazendo Elaene franzir a sobrancelha.
— Amigos?
Elaene apertou os olhos com a ironia do pedido, tentando ler o que havia por detrás daquele gesto, enquanto mordia o próprio lábio para conter as palavras e esconder a frustração da proposta.
— Claro! Amigos...
Não era só o jogo dos tronos que jogavam.
=^=
Tyrion já estava pronto para a partida. Arthur havia tratado de providenciar tudo pessoalmente, com medo de que alguém sabotasse os alimentos que Tyrion levaria, ou a sela de seu cavalo.
— Creio que esse seja o momento em que dizemos “adeus”, nos abraçamos, e você chora implorando o meu perdão – disse Tyrion com um sorriso sincero, e com seus estranhos olhos brilhando.
Arthur não pôde deixar de notar as cicatrizes do amigo e lembrar automaticamente das suas. Ambos marcados para sempre.
— Se você quer que eu o abrace, senhor protetor do Oeste, deveria pedir com mais educação. – disse Arthur, arrancando uma gargalhada do anão. – E não irei lhe pedir perdão, já o conquistei quando enfrentei aquela criatura na arena!
— Obrigado por aquilo, Pendragon. Você sabe, eu sou um homem de uma mente e memória brilhantes. Você matou meu irmão, o que compromete nossa amizade – disse tranquilamente, mas mesmo assim Arthur fechou o semblante em culpa – mas você salvar minha cabeça, fez-me nutrir um razoável afeto por você. Não faça essa cara de culpa, Arthur! Vamos por um ponto final nisso, de uma vez por todas.
— Você sabe que pode não ter uma recepção calorosa em Rochedo Casterly, não é? Além disso, a estrada não é segura.
— Por isso estou levando Podrick comigo. Quem ousaria contra um escudeiro tão eficiente? – disse enquanto observavam o desajeitado garoto derrubar os pertences de Tyrion, enquanto tentava colocar no lombo do cavalo, arrancando um sorriso dos dois.
— Creio que essa seja a última vez que dividimos um bom vinho, durante um longo tempo... – disse Arthur entregando o odre para Tyrion beber.
— Passamos bons tempos juntos aqui em Porto Real, não é mesmo? Dividimos vinhos, histórias, mulheres...
— Bons tempos, sem dúvidas... mas sou um homem diferente agora...
— Como está a doce Targaryen? Seu coração de escamas de dragão, enfim, amoleceu?
Arthur sorriu ao pensar que sim.
— Elaene é teimosa e herdou o orgulho dos Targaryen, não irá facilitar para mim, mas possui um coração puro e generoso, e é mais forte do que qualquer nobre cavaleiro que já conheci. Passou por tanta provação, e mesmo assim jamais se quebrou. Não importa o quão forte a derrubem, ela sempre se levanta. Será a melhor rainha que Westeros já viu. – disse orgulhoso, enquanto Tyrion lhe analisava – vocês teriam sido bons amigos, se tivessem a oportunidade.
— Eu não tenho dúvidas, apesar de ter notado que quando você anunciou que seria meu campeão, ela me olhou como se pudesse arrancar minhas vísceras através daquele vívido verde de seus olhos. – disse Tyrion, fazendo ambos sorrirem – mas eu compreendo sua reação. Uma reação desesperada, de uma mulher desesperadamente apaixonada. Vocês ficarão bem, é questão de tempo... – disse pousando a mão nas costas de Arthur e chamando Podrick para partirem.
Seu escudeiro lhe ajudou a subir na montaria enquanto Arthur observava melancolicamente.
— Adeus Arthur... – sussurrou Tyrion enquanto girava o cavalo para frente.
— Adeus...
E Arthur soube que jamais veria o amigo novamente.
=^=
Dividiram a liteira enquanto se dirigiam para o Septo de Baelor, cumprindo a agenda de aparições em público.
— Você está bem? Eu sei que tem uma relação próxima com Tyrion. – perguntou Elaene, analisando o semblante preocupado dele.
— Estou bem – disse sorrindo com a gentileza dela em perguntar – só um pouco preocupado com o que ele verá na estrada, ou até mesmo em sua própria casa.
— Ainda sem notícias de Tywin?
— Sim...
— Há outro paradeiro que me preocupa mais do que Twyin. – disse atraindo a atenção dele, lembrando-se do sonho que teve – Stannis. É sabido que ele andava sob as asas de outra sacerdotisa vermelha, aquela que conheceu em Ponte Amarga, quando Renly morreu. Algo me diz que Nimueh tem alguma ligação com ela.
Arthur sabia que Elaene estava certa, mas não quis preocupá-la revelando os eventos no oeste, onde um jovem matou seu irmão Gwaine, por engano, pensando se tratar dele, ao comando de Melissandre.
— Eu irei protegê-la, Elaene. Prometo!
Elaene sorriu com a ingenuidade dele. Ele não tinha noção dos poderes que ela possuía, e nem poderia imaginar que seria ela quem o protegeria contra a magia delas. Tocou o anel que Merlin havia lhe dado como amuleto, e o mostrou para Arthur.
— Arthur, eu gostaria de lhe dar isso, com duas condições. – disse Elaene, lhe entregando um anel trabalhando em prata envelhecida, com estranhas runas desenhadas.
— O que é isso?
— A primeira é que você jamais o tire, e a outra, é que jamais faça perguntas. – Arthur sorriu franzindo a sobrancelha.
— Você está levando a sério mesmo isso de fingir que estamos casados... esse tom que usou agora, ninguém questionaria que és minha esposa de fato. – Elaene sorriu de lado em retorno, e arqueou a sobrancelha esperando uma resposta – Sim, senhora! – respondeu Arthur colocando o objeto no dedo enquanto sorria.
=^=
— Sinto muito pelo que aconteceu no pátio, aquele dia. Peço desculpas em nome de minha senhora.
—Pois me diga, doce Arthur, porque a princesa não veio se desculpar pessoalmente? ... – perguntou Nimueh, o encarando com os estranhos olhos gélidos e sugestivos.
— Por favor, entenda. A gravidez está alterando o humor de Elaene...
— Pobre Dragão... – sussurrou Nimueh enquanto aproximava-se dele e o rodeava, roçando os dedos no dorso, ombro e costas dele – sei que vocês tentam manter as aparências, mas passarinhos me disseram o quanto a princesa é fria com o príncipe. Um homem tão honrado e leal como você... é uma pena que a mulher que tanto ama não lhe dê atenção, e não lhe toque como merece...
Arthur retesou ao toque dela, mas controlou-se para não cair na tentação de retrucá-la.
— Não se preocupe com minha vida amorosa, Sacerdotisa...
— Quanta ingratidão por parte da princesa! Você a salvou e és tão dedicado e apaixonado... – disse tocando o rosto de Arthur e o encarando de perto – tão belo... poderia ter a mulher que quisesse, e ela daria tudo o que você quisesse, com muito prazer.
Ele franziu a sobrancelha com as sugestões dela, mas não se afastou em curiosidade.
— Eu saberia lhe tratar bem, príncipe. Você se sentiria melhor se me deixasse aproximar de você, te tocar... – sussurrou Nimueh próximo ao rosto de Arthur, tocando seus lábios com a ponta dos dedos, tentando enfeitiçá-lo com o toque e a voz, porém o anel que ganhou de Elaene o protegia contra a magia da sacerdotisa vermelha, que travou a mandíbula em raiva quando Arthur segurou seu pulso firmemente, e a afastou.
— É assim que enfeitiça meu pai, Nimueh? Com artes do amor? – disse caminhando em direção à porta – Da próxima vez que provocar Elaene, talvez eu não esteja lá para impedir que ela esmague sua garganta com os dedos...
=^=
— Estou incomodando, Vossa Graça? – perguntou timidamente Elaene da entrada da tenda do Rei do Norte.
— Deixe de besteiras, entre... – respondeu com um sorriso acolhedor
Assim que ela entrou, Robb não pôde deixar de notar que estava com um semblante melhor. Sabia que as aparições sociais ao lado de Arthur eram encenações para a corte, mas agora notava que ela não mais carregava aquela mágoa no olhar, e a gravidez parecia estar a deixado mais radiante.
— Você está esplêndida, Elaene. A maternidade lhe deixa ainda mais bela.
— Obrigada...
— Você deu uma bela surra naquela feiticeira no pátio. Não pude deixar de notar que ela usava teu amuleto. Não sei como te pedir desculpas, Elaene! Não tenho ideia de como foi parar nas mãos daquela mulher. Eu nunca mais o tive, desde quando lhe devolvi.
— Está tudo bem, Robb. – Elaene sabia que aquilo seria obra de Catelyn Stark, pois Brienne havia entregue o amuleto à ela em Correrio, mas resolveu ignorar o assunto. – O que importa é que ele não está em mãos erradas agora. – disse sorrindo junto com ele – Margaery é uma boa mulher, vejo que está encantado.
— Uma mulher bela e espirituosa, sem dúvidas. Creio que estou feliz pela aliança. – disse sentindo-se desconfortável em tratar do assunto com Elaene — Walder Frey teve uma certa relutância em aceitar as desculpas formais e um novo acordo, mas creio que tenha sido melhor dessa forma. Eu nunca teria perdoado minha esposa Frey por ter me feito perder você, mesmo que ela fosse inocente por esse crime.
— E Jeyne, Robb? Culpará Margaery por abrir mão de Jeyne? Ou continuará com a ideia de levá-la para o Norte consigo? – disse com um ar interrogador
— Jeyne deseja ir para o Norte por conta própria, Elaene. Eu já ... encerrei qualquer envolvimento que eu tive com ela. Não sou um traidor. – disse com um olhar magoado.
— Desculpe, Robb. Isso não é da minha conta... Venho apenas pedir para que tome cuidado. É um longo caminho até Winterfell, e não confio no paradeiro de Tywin e Stannis, muito menos no perdão de Walder Frey!
— Não se preocupe comigo, Elaene. A guerra chegou ao fim e está na hora do inverno voltar para o Norte. Além disso, Vento Cinzento sofre com o calor do sul.
Surpreendentemente Elaene chorou.
— Elaene? Você está bem? – perguntou Robb tentando consolá-la, ajeitando seus cachos.
— Desculpe, mas... por que sinto que nunca mais o verei novamente?
Robb a abraçou e aninhou contra o peito, enquanto continuava acariciando seus cabelos, a acalmando.
— Você também é filha de Lyanna Stark, Elaene. Você também pertence ao Norte. É um longo caminho até lá, mas Winterfell sempre será metade de seu lar. Nunca se esqueça disso.
=^=
— Sor Humfrey é um arrogante! — disse Arthur observando o cavaleiro Hightower, do outro lado do salão.
— Eu o acho bem atraente, embora a arrogância seja uma característica dos cavaleiros sulistas... — respondeu Elaene, notando que Arthur tentava esconder o pequeno sorriso que teimava em brotar.
— Você herdou a arrogância de seu pai também? ou apenas a atração que sua mãe tinha por sulistas, já que se casou com um? — respondeu com audácia enquanto se afastava, e Elaene sorria torto com a provocação.
— Seja sincera comigo, Elaene. Até que ponto o seu relacionamento com Arthur é encenação? — disse Gwen, a retirando dos devaneios.
— Não sei o que queres saber, Gwen. Você sabe que agora temos uma aliança. Pelo bem de todos.
— Você acha que sou estúpida, não é? Vocês não conseguem trocar meia dúzia de palavras sem provocar um ao outro. Sabe o que é isso? Tensão sexual!
Elaene sorriu.
— Deuses, olha esse sorriso bobona sua cara. Vocês já se reconciliaram? Conversaram sobre isso?
— Não... e nem irei se queres saber. Tentei beijá-lo no dia do combate com a criatura, e ele me rejeitou.
— O quê? Arthur recusou teu beijo? Pelos Sete... será que enfim está deixando de ser um paspalho?
— Obrigada por se sentir feliz com minha rejeição, Gwen...
— Elaene... não é isso. É que, você sabe... você não é do tipo que assume seus sentimentos facilmente, e é teimosa como uma rocha. Acho que um pouco de rejeição por parte de Arthur fará bem aos dois.
— Arthur sentia-se culpado por me trair e queria que eu o dominasse, mas agora estamos quites. Ele errou, e eu também. Não há culpa nele e nem dentro de mim, portanto estamos finalmente livres de remorsos – olhou para ele do outro lado do pátio, que retribuiu com um sorriso sedutor – Mas eu confesso que estou gostando desse jogo. Vamos ver quem irá ceder primeiro.
=^=
— Isso é oficial, Sor Loras? – perguntou Arthur, durante a reunião dos cavaleiros da távola redonda, agora que o cavaleiro das rosas integrava o Conselho como novo membro da guarda real.
— São fontes confiáveis, Alteza. Stannis está morto! – disse com serenidade diante do Conselho, e Arthur notou o sorriso trocado entre Uther e Nimueh.
— O que aconteceu? – perguntou Elaene.
— Ao que parece Stannis sofreu um acidente em Pedra do Dragão.
— Creio que deva ter caído, acidentalmente, em cima da fogueira da Vermelha que anda ao seu lado. Criaturas nada confiáveis... – sibilou Elaene em direção à Nimueh, que apenas sorria cinicamente.
— Elaene... – sussurrou Arthur, e tocou sua mão por debaixo da mesa, para controlá-la.
— Stannis era um falso salvador, princesa. R’hllor mostra apenas verdades nas chamas, mas sacerdotes podem interpretar errado o que vêem. Tenho certeza de que Melissandre estará disposta a servir ao verdadeiro rei de Westeros, Vossa Graça. – disse olhando estranhamente para Uther.
Durante muito tempo Lancelot permaneceu no Conselho como um fantasma. Nada dizia. Sua depressão e melancolia eram evidentes, e apenas se sentia melhor quando estava com Gwen. Mas naquele momento, algo reacendeu dentro do irmão de Arthur.
— Se essa mulher botar os pés em Porto Real, eu quebrarei seu pescoço com minhas próprias mãos. Ela e essa prostituta que caminha ao lado de meu pai, e o enfeitiça com palavras ao pé do ouvido.
— Lancelot! Como ousa? – disse Uther enfurecido.
— O que você se tornou, pai? Aquela mulher matou seu filho, seu cretino! Eu segurei as tripas de meu irmão nas mãos. Como você ousa?
Todos se sentiram assustados com as acusações lançadas, enquanto Uther levantou da cadeira após Nimueh cochichar em seu ouvido.
— Prendam Lancelot! – gritou a ordem, mas Arthur levantou-se e gritou.
— Não! ... – disse Arthur batendo na mesa — Sobre qual acusação você quer prender meu irmão, Vossa Graça? O Conselho votará!
Uther acalmou-se, e Arthur continuou encarando os seus olhos frios. Pareciam olhos sem vida e sem propósito. Dominados por uma vontade superior à ele. Talvez realmente aquele não fosse mais seu pai, apenas um fantoche.
— Quando acreditar estar inteiro novamente, eu a arrancarei de seus braços, e só terá cinzas para amar... – ameaçou Uther, e Arthur sentiu um frio na espinha. – Reunião encerrada. – disse saindo do salão como um trovão.
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