Queen of ice and fire

55 Dança dos Dragões


Notas iniciais
Capítulo dedicado à Chocolate, pelo review delicioso. hahaha mega fofa! E claro, para a MFredericks, pela maravilhosa recomendação da fic! AMEI

Elaene e Arthur caminhavam juntos pelo bosque sagrado da fortaleza, buscando privacidade para traçarem juntos estratégias a serem tomadas após as ameaças diretas de Uther.

— Ao menos Oberyn resolveu continuar na capital, e não seguir com os lanceiros de Dorne. Agora sem os nortenhos e a presença de Robb Stark, sinto que estamos cada vez mais cercados pelo meu pai. – disse Arthur desanimado.

— Ainda temos bons amigos por aqui. Jon já deixou claro que jamais me perderá de vista. Além disso, o povo está ao nosso lado – disse Elaene lançando um sorriso incerto para ele, tentando tranquilizá-lo. — Você realmente acredita que ele faria algo contra nós? Quer dizer, carrego o neto dele no ventre, e você é seu primogênito, seu orgulho. – perguntou Elaene em incredulidade.

— Eu não sei que tipo de influencia Nimueh exerce sobre ele, Elaene. Você estava lá quando ele me ameaçou. Temos que tomar cuidado com a sua segurança a partir de agora. Ele a usará para me atingir — bufou Arthur em frustração enquanto encostava as costas no tronco de uma grossa árvore – Me sinto atado. Não posso traí-lo, mas também não posso permitir que tente nos atingir. Não sei qual passo tomar!

— Talvez seja prudente nos anteciparmos às suas ações...

— Você quer dizer: espionagem! – disse Arthur em escárnio

— Eu quero dizer: autodefesa! – se aproximou e o encarou de perto para sussurrar – a guerra ainda não acabou, Arthur. Não para nós!

=^=

Jon Connington observou e estudou o comportamento de Arthur desde quando tomaram Porto Real. Analisou o Pendragon e mediu seu caráter para saber se poderia confiá-lo como consorte da princesa. Quando o viu desafiar o pai na arena, o mercenário experiente sabia que poderia confiar nele. O príncipe era um homem honrado e amava Elaene. A aparência e o carisma dele lembravam Rhaegar, seu príncipe prateado, mas os olhos do Pendragon lembravam Igraine, o outro amor de sua vida.

Arthur o aguardava ansioso no Bosque sagrado, e quando ouviu os passos do cavaleiro exilado atrás de si, virou-se para ele com ansiedade. Olhou mais uma vez em sua volta, para confirmar que tinham privacidade, afinal, aquilo poderia ser considerado traição e conspiração contra o rei.

—E então? O que descobriu?

— Meu espião conseguiu interceptar uma suposta mensagem de Melisandre ao rei.

— E o que diz? – perguntou Arthur, impaciente e Jon entregou o papel a Arthur

“Precisamos do sangue do dragão se ainda planeja acordar a pedra. Os inimigos conspiram.”

— Acordar a pedra? O que diabos isso quer dizer? É algum código?

— Existe algo ainda mais estranho sobre essa mensagem. – Disse Jon com o semblante sério e se aproximou de Arthur para dizer baixo – Ela não veio de Pedra do Dragão, como indica no selo.

— O quê? Não entendo, Connington. Se não veio de Pedra do Dragão, de onde veio?

— Daqui mesmo. – quando notou o olhar confuso de Arthur, continuou – Alguém quer que Uther acredite que essa mensagem partiu de Pedra do Dragão. É uma armadilha!

=^=

Elaene caminhava pelo corredor até seu quarto, distraída. Loras a interceptou a tocando delicadamente no braço, e ela teve um sobressalto com o susto.

— Desculpa, não quis assustá-la.

Ela botou a mão no peito enquanto suspirava, e lhe sorriu.

— Ando um pouco distraída. Você está bem?

Loras sorriu com sinceridade.

— Sim. Apenas preocupado com minha irmã. É um longo caminho até o Norte...

— Não fique. Robb é um dos homens mais honrados de Westeros. Se alguém puder fazê-la feliz, é ele! – disse tocando o rosto dele com a ponta dos dedos.

— Estou preocupado com você, desde a última reunião do conselho. – disse notando Elaene abaixar o olhar – Arthur sugeriu e eu assenti. Dobrarei a sua segurança, Elaene. Tome cuidado! Não cavalgue e nem caminhe sozinha.

— Ainda acredito ser um exagero de vocês, mas agradeço. Você é um bom amigo. – disse acariciando os cachos dele –. Boa noite!

Elaene entrou em seu quarto após acenar timidamente para os dois soldados à sua porta. Assim que entrou no quarto, fez careta pela forma com que todos ainda a tratavam como um cristal delicado. Mas quando pousou a mão no ventre, concluiu que todos os cuidados recebidos de quem amava, eram bem-vindos.

Quando vestiu sua camisola, atrás do biombo, pensou ter visto uma sombra andar pelo quarto e sentiu o coração acelerar. Terminou de se vestir e caminhou delicadamente para fora, procurando pelo quarto algum sinal de algo estranho.

Pegou a vela em cima da cômoda, ao lado de sua cama, e caminhou pelo cômodo procurando por evidências de que não teria imaginado o que viu, mas nada encontrou. Bufou e julgou estar cansada demais. Há muito tempo não desfrutava de uma noite completa de sono.

O sono aquela noite também veio com dificuldade, mas quando chegou, foi pesado e tempestuoso. Nele, estava nas costas de um enorme animal alado. Sentiu o vento bater forte em seu rosto, e pensou estar sonhando com dragões, seus antepassados.

Porém, notou que vestia roupas pesadas, e sua pele em contato com as escamas do animal não ardia em calor, e sim frio. Muito frio. Quando o dragão avançou em direção ao solo, surgiu uma grande bufada de sua boca. Não fogo, gelo.

Quando acordou assustada, notou o teto do quarto mais próximo do que o habitual. Ela arregalou os olhos e olhou para baixo, notando que agora estava muito acima da cama. Gemeu de susto e tentou se mexer, porém, uma grande sombra envolvia seu corpo, e a jogou contra a parede do outro lado.

Ouviu-se um grande estrondo e Elaene conseguiu girar o corpo no exato momento do choque, para que não batesse de frente com a parede, e protegeu o rosto e ventre com as mãos, mas caiu no chão de madeira, em um baque alto e oco.

Imediatamente ouviu batidas na porta e soldados chamavam seu nome. Usou a luz que emanava do fogo da vela e a expandiu por todo o quarto para espantar a escuridão embora.

=^=

Estava deitada na sua cama de onde observou Arthur conversando com o meistre. O Pendragon estava com uma feição carrancuda, e sinalizou para Loras acompanhar o meistre para fora do quarto e se retirarem.

Arthur caminhou em sua direção e se sentou ao seu lado na cama enquanto investigava se ela estava mais ferida do que aparentava.

— Estou bem, Arthur.

— Você se lembra do que aconteceu, Elaene?

Elaene sentou-se na cama enquanto acenava para ele em confirmação. Arthur arqueou a sobrancelha à espera de uma resposta.

— Eu fui atacada... – respondeu baixo.

Ele bufou e travou a mandíbula em raiva.

— Os guardas disseram que quando arrombaram o quarto, estava sozinha. Revistaram todo o cômodo e nada encontraram. – apertou a têmpora com a mão e controlou a voz para perguntar – Quem lhe atacou, Elaene?

Elaene não sabia o que responder

— Se eles dizem não terem encontrado ninguém, enquanto sabemos que alguém lhe atacou, significa que são cúmplices, e eu irei enforcá-los por isso! – disse determinado.

— Não! Não faça isso, Arthur... – disse enquanto segurou a mão dele e notou ele retesar com o toque repentino. – Você se lembra do que aconteceu com Renly, naquela tenda em Ponte amarga?

Arthur franziu a sobrancelha em confusão.

— Claro que me lembro...

— Eles não encontraram ninguém, pois não havia nada para ser encontrado. Foi magia, Arthur. Magia Negra.

=^=

Elaene havia ficado desconfortável com a escolta que Arthur havia lhe preparado e sentia-se uma prisioneira, porém, sentiu-se feliz com a atenção e preocupação que ele demonstrava.

Para o repouso noturno, Arthur selecionou homens confiáveis para vigiarem o quarto da princesa, entre eles seu amigo leal Sir Lion, e decidiu que deveriam dividir o quarto. Depois do ataque, sabia que separá-los seria a melhor forma de subjugá-los.

Elaene ainda estava confusa sobre o que tinha acontecido. Chegou a imaginar que o ataque foi apenas uma forma do inimigo testar o poder dela, mas tudo ainda era perigoso e uma incógnita.

Quando Arthur entrou em seu quarto, Elaene estava encostada no parapeito da sacada. A brisa do mar balançou seus cabelos enquanto ela se virava para olhar em direção à ele. Arthur sentia-se desconfortável com a situação, e viu Elaene sorrir quando notou que ele corava, tão às avessas de quando era ela quem era a moça tímida, e ele, o caçador...

— Desculpe por atrapalhar sua privacidade, Elaene.

— Você sabe que isto é um exagero, não é? – disse caminhando para ele, enquanto o encarava e sua fina camisola de seda dançava no seu corpo.

— Você foi atacada em seu próprio quarto enquanto dormia, com dois soldados do lado de fora. Não é exagero.

Elaene havia diminuído ainda mais a distância, e sorriu torto para ele.

— Não está inventando desculpas para dividir o quarto comigo e me seduzir, não é, Pendragon?

— Não se gabe, Elaene.

— Não se irrite, estou apenas te infernizando, Pendragon... – disse vendo o sorriso dele brotar em rosto.

— Creio que seja teu esporte predileto. Mas não tente me enganar, Elaene. Sei que está preocupada também. – disse segurando o queixo dela para analisar seu semblante.

Arthur a encarou antes de abaixar a alça da camisola dela, para verificar os hematomas que ali estavam, no ombro direito.

Elaene tencionou quando sentiu o toque dele na sua pele, abaixando sua alça. Ele caminhou para suas costas e ela fechou os olhos quando o sentiu empurrar o cabelo dela para o outro lado, deixando o local livre para inspecionar melhor, e passando a mão levemente sobre a pele alva dela.

Ele contornou os roxos que agora surgiam nas costas dela e não resistiu à vontade de beijá-la ali, provocando um arrepio.

— Desculpe por isso. Eu irei te proteger agora. Prometo!

— Pare de se culpar por tudo que foge do seu controle, Arthur. – respondeu Elaene em um sussurro tenso com a aproximação dele.

Sem controlar direito os instintos, Arthur passou a ponta do nariz pela extensão do ombro e pescoço, até encontrar a orelha dela, aspirando o aroma que tanto amava.

Quando ouviu o suspiro fraco dela, afastou-se rapidamente, andando para o outro lado do quarto. Ajeitavou o tapete para seu repouso, em silêncio.

Elaene levantou a alça, ainda sem saber como agir e sem poder encará-lo, e caminhou para a cama. Depois que se deitou, tomou coragem.

— Você não precisa dormir no chão. É uma grande cama, Arthur. Há bastante espaço para nós dois aqui.

Arthur fechou os olhos com força, sabendo que a tensão já estava insuportável por dormirem no mesmo quarto, tão próximos, e seria impossível deitar ao seu lado sem resistir em tocá-la e beijá-la.

Então virou-se para o outro lado, virando as costas para ela.

— Estou bem aqui, Elaene. Boa noite.

Ela se sentiu frustrada com a resposta que recebeu, então suspirou antes de responder de volta, e também virar para o outro lado.

— Boa noite, Arthur.

=^=

O Castelo era de pedras negras como a noite e desgastadas pela ação do mar. O som das ondas se misturou ao som de pedras que se quebravam de seu topo, e rolavam para cair na água. Um tremor fez a terra tremer e uma grande sombra formou-se sobre o chão, onde um lobo ferido corria alucinado. A sombra deslizou pelo chão e devorou o animal, lançando um triste e alto uivo pelas colinas.

Elaene acordou com um susto e sentiu como se estivesse segurando a respiração. Buscou o ar desesperadamente quando levantou o dorso e sentou na cama.

Arthur, que desfrutava de um leve sono de um soldado em alerta, acordou com o suspiro dela e levantou caminhando em sua direção, sentando na beirada da cama para verificá-la, enquanto ela ainda tinha um olhar assustado no rosto.

— Você está bem? – perguntou tocando seu rosto, como sempre fazia para convidá-la à realidade.

Ela sentiu uma pequena corrente elétrica percorrer o local onde ele lhe tocou, mas fechou os olhos com força enquanto controlava a respiração.

— É só um pesadelo...

— Você está pálida e gelada! – disse ainda com o rosto dela nas mãos

— Há muitas semanas não tenho boas noites de sono. – sorriu tímida – desacostumei-me a dormir sozinha...

Arthur retirou a mão do rosto dela, se levantando da cama, enquanto ela o encarava seu dorso nu e mordia o próprio lábio com um olhar que só poderia significar desejo.

Arthur continuou a encará-la enquanto sentia a faísca irradiar entre eles. Seu olhar foi para a boca entreaberta dela e ele sabia que só precisava ceder, e a teria naquela noite mesmo, naquela cama.

Mas se ali cedesse, o orgulho dela venceria. Ela não confiou em sua inocência, e ela sim, traiu o amor dele ao duvidar de seu caráter mais uma vez. E as coisas não seriam sempre como ela queria.

— Mas você não está sozinha. Estou bem aqui ao lado. Descanse! — disse enquanto voltava para sua desconfortável cama improvisada no chão.

=^=

Elaene percebeu que Merlin andava distraído e melancólico nas últimas semanas, mas por mais que tentasse arrancar algo do garoto, suas palavras saiam em forma de enigmas, e logo desistia de tentar entender.

Naquela tarde caminhavam juntos pelo jardim, escondendo de olhares curiosos, enquanto Sor Lion a escoltava de longe, para dar-lhes privacidade.

— Agora sempre caminho com uma sombra extra ao lado. Quão irônico isso é, visto que fui atacada por uma? — suspirou Elaene.

— É para o seu bem Elaene. — respondeu Merlin.

— A sombra maligna, na verdade, não queria me matar aquela noite, não é?

— Por que diz isso?

— Ela se dissipou muito rápido.

— Era um teste.

— Teste para quê?

— Nimueh não colocou seu amuleto no pescoço apenas para lhe irritar, Elaene. Ela queria que você o tomasse de volta. Ela teve o amuleto nas mãos e acreditou que teu poder, ao derrotar a magia de Melisandre, veio dele. Porém, nunca conseguiu usá-lo, porque o poder nunca esteve nele na verdade. Quando a sombra lhe atacou, você tinha o amuleto, mas não o usou para derrotá-la, certo? Com isso ela descobriu que a magia não estava no objeto, e sim, em você.

— E isso é ruim?

— Nunca é bom quando o inimigo reconhece a nossa vantagem.

=^=

Havia chegado o dia do Festim da colheita anual. O salão nobre estava decorado elegantemente, e nobres desfilavam com sua arrogância sobre os tapetes de Lys.

Elaene entrou no salão, como sempre, escoltada por Loras. Vestia um belo vestido longo vermelho, fechado na frente, com um decote provocante nas costas, que ia até seu quadril. Seu cabelo estava penteado para o lado, e seus cachos desciam reluzentes sobre seu ombro. Usava uma coroa feita de dragão, em prata. Ela saía do topo de sua cabeça, por onde a própria cabeça do dragão escorria em sua testa, e sua cauda caía em seus cabelos soltos para o lado.

Arthur conversava com um cavaleiro das Terras Fluviais quando a viu. Ele amava quando ela vestia a cor de sangue, comum entre as casas que os dois pertenciam, e pediu permissão ao cavaleiro para se aproximar dela.

Porém, outro homem havia se antecipado e roubado a atenção dela.

— Nem todos os rumores seriam capazes de me preparar para sua beleza, princesa! – disse o galante Humfrey Hightower, beijando sua mão, e a encarando maliciosamente por baixo dos cílios.

— És muito gentil, Sor. – respondeu Elaene timidamente, enquanto Loras sorria discretamente com a ousadia do homem.

Mas quando olhou por cima do ombro de Humfrey, ela notou Arthur os observando, e o flerte do bonito cavaleiro parecia incomodá-lo.

— Apenas a pura verdade, Alteza. Seus olhos me deixam hipnotizado. Como pode existir um verde tão brilhante como o seu?

A fama de Humfrey o precedia, e Elaene sabia o efeito que ele provocava nas mulheres com sua beleza e charme. Ser flertada por ele, e ver Arthur o fuzilar com o olhar enquanto se aproximava, fez sua autoestima se elevar.

— Desculpe interrompê-lo, Sor. Humfrey, mas a princesa já tem companhia – disse com um semblante irônico, oferecendo o braço para Elaene, que aceitou o toque mas não escondeu o sorriso. – Loras... – Arthur disse, pedindo licença para o cavaleiro da guarda real, que acenou de volta.

Humfrey ainda lhe flertava com o olhar, ignorando Arthur, e negligenciando o perigo.

— Sinto muito por isso. Sinta-se à vontade, por favor. – disse Elaene, com um sorriso enigmático.

— Obrigada, princesa. Por favor, me conceda uma dança esta noite?

— Será um prazer. – disse enquanto Arthur já a puxava delicadamente pelo braço.

Quando já se distanciavam, Arthur disse sem encará-la.

— Humfrey é um mulherengo, Elaene. Não o incentive!

Elaene parou para encarar Arthur e perguntar, sem esconder a satisfação que sentia ao provocá-lo.

— Você está com ciúmes, Arthur Pendragon?

Ela esperava que ele negasse e já preparava uma risada satisfeita por isso, porém, Arthur diminuiu a distância entre eles, ficando perigosamente perto, e suspirou enquanto a encarava com intensidade.

— Absolutamente... Você tem ideia do quanto está atraente esta noite? Eu mal consigo manter minhas mãos longe de você agora, e não cometer uma loucura na frente de todos nesse salão...

“touché”

O sorriso de Elaene morreu, e sentiu-se sem reação enquanto ele se afastava, demorando a retirar o olhar do seu.

=^=

— Você irá encará-la de longe, a noite toda? — perguntou Oberyn divertindo-se com a tensão sexual entre eles.

— Eu não consigo tirar os olhos dela! — disse Arthur irritado e suspirando — mas eu não posso ceder...

— Há muita tensão entre vocês... acabe logo com isso! Vocês erraram e já pagaram. Já não importa mais quem dará o primeiro passo! — apontou para Elaene e o cavaleiro que se aproximava — Enquanto você está nesse sofrimento, Hightower está em cima da Targaryen, como um corvo.

— Sor Humfrey não aprecia ter a cabeça sobre o pescoço. Que se dane!

Arthur se aproximou, parando em sua frente, e ignorando o cavaleiro que a acompanhava. O sangue fervia em suas veias com o ciúmes que sentia ao ver Humfrey tocando a mão dela, deixando-a visivelmente incomodada com o toque.

Os azuis encararam o verde, e Elaene soltou a mão do Hightower, virando-se em direção à Arthur.

— Dance comigo. – disse com a voz rouca, porém firme, oferecendo à mão.

Elaene aceitou o seu toque e não desviaram o olhar um do outro enquanto se dirigiam para o centro do salão, e ignoravam todos ao redor.

Distanciaram-se apenas para a reverência, e andaram desenhando um círculo entre eles, se aproximando para tocarem uma mão, girando enquanto se encaravam de lado.

Não era nenhuma dança pela dominação. Era um ritual de entrega.

Arthur a puxou pela mão até que o corpo dela chocou-se contra o seu. As respirações se misturaram, e por instantes sentiram que o mundo parou de girar apenas para que aquele momento passasse devagar.

Ela pensou que ele fosse, finalmente, lhe beijar, porém ele depositou a mão nas costas dela e ela tremeu com corrente que sentiu com o toque dele na pele desnuda. Ele a conduziu para que a dança começasse, enquanto o olhar dela vacilava ora para os azuis brilhantes de seus olhos, ora para sua boca.

Arthur parou a dança e colocou as duas mãos na cintura dela, enquanto ela se inclinava para trás, fazendo-a traçar um círculo na vertical com o próprio corpo enquanto seus cabelos caiam em direção ao chão, se contorcendo lentamente, completamente entregue ao seu toque.

Quando Arthur a puxou para cima novamente, seus cabelos pareciam revoltos e selvagens, e combinavam com o olhar que ela lançava.

Seus olhos dilatados, o rubor em sua face, e sua respiração ofegante que batia no rosto dele, denunciavam que ela o desejava tanto quanto ele, então avançou sobre ela, a segurando pela cintura, e roçou os lábios desde o pescoço dela ate seu decote, deixando a língua raspar na pele gentilmente.

Nesse momento, ouviu e sentiu sob os seus lábios o baixo gemido contido no peito dela, então a rodopiou pela cintura, fazendo-a ficar de costas para ele, e a puxou novamente contra o próprio corpo, chocando-os. Ele mordeu o próprio lábio com força, contendo o gemido quando sentiu os quadris dela de encontro à própria ereção.

Arthur guiou as mãos dela para cima, para que se chocassem uma na outra em uma palma, e deslizou suas mãos pelos braços dela, lentamente, enquanto aspirava o aroma atrás de sua orelha.

Ele continuou descendo a mão pela lateral de seu corpo, usando a ponta dos dedos, provocando um arrepio e um movimento involuntário do quadril de Elaene contra ele, e ele mordeu o pescoço dela para abafar um gemido rouco.

Sabendo que não aguentaria aquela dança por muito tempo antes que ficassem escandalosamente obscenos, a girou novamente pela cintura, a fazendo virar o rosto novamente para ele.

Novamente as respirações se misturaram e se aproximou minimamente de sua boca para lhe dizer, enquanto pela visão periférica notava os olhares curiosos em direção aos dois, e Elaene ainda parecia alheia a tudo, exceto a ele.

— Vamos sair daqui! – a voz rouca dele domada pelo desejo, a fez gemer involuntariamente em resposta, e teve forças apenas para acenar com a cabeça em confirmação.

Não havia vencido. Não havia vencedor.

Os dois haviam desistido de jogar.