Notas iniciais
Resolvi já soltar esse, pois tenho muitos capítulos prontos. To doida pra ver o pau quebrar...ando muito boazinha nessa fic hahahahaha The war is coming...

—Você só pode estar brincando, pai. Meu senhor, eu voltei há apenas poucas semanas! Não pode estar falando em sério em me mandar de novo para aquele lugar estranho e gelado.

—Você tem de ir e buscar informações sobre o clima em Winterfell, e não mais discutirei sobre isso, Arthur! Pedi para o Mesitre Gerold elaborar uma cela especial para o menino Stark. Um corvo chegara essa manhã com a notícia de que ele acordou, mas virou um aleijado. Você levará esse projeto para o menino Stark e ganhará a confiança do filho mais velho de Stark, que agora brinca de ser Senhor do Norte. Talvez precisemos dos Starks...

Arthur pensou “ Se Robb a essa altura já soubesse do beijo roubado no bosque sagrado, teria sorte em sair de lá com a cabeça em cima do meu pescoço”. Não ousou citar o acontecimento ao pai.

—Quando partirei? – Disse em tom aborrecido.

— O mais rápido possível, quando voltar de Porto Real quero que você esteja aqui. Usarei o torneio da Mão para visitar Ned Stark sem provocar burburinhos ou desconfianças...

— Posso ao menos levar Lancelot?

— Faça o que quiser, mas não leve muitos homens, quero uma viagem rápida. Seja discreto e faça teu dever.

=^=

A muito contragosto, Arthur partiu com Lancelot e Lion rumo ao Norte. Dessa vez, a viagem não fora tão desagradável, eram apenas três homens na estrada. Eram velozes e avançavam muito bem pelo percurso.

Quando chegou em Winterfell, foi barrado na cidade baixa. Apesar de compreensível a desconfiança do chefe da guarda, não deixou de achar estranha a atitude hostil de todos com ele. Com muito custo, conseguiu uma reunião com o então Senhor de Winterfell. Era estranho voltar àquele lugar, e ainda ter de olhar para Robb Stark como o protetor do domínio do Norte.

Entraram no salão principal do Castelo com uma escolta com rostos não muito amigáveis, diferentes daqueles rostos gentis da última visita.

Após um período de espera que lhe pareceu rude, Robb entrou no Salão. Estava com um ar mais velho, com barba por fazer, e trajando roupas pesadas e escuras de um Senhor. Sentou-se na cadeira destinada a ele, enquanto os três permaneciam em pé, em sua frente.

Em seguida, Elaene entrou no salão e se posicionou em pé ao lado de Robb, nunca se atrevendo a olhar diretamente para Arthur. Trajava um vestido de veludo verde, e seus cabelos estavam soltos.

Robb lhe lançou um olhar gélido e sombrio, e por uns instantes imaginou que ele soubesse sobre Elaene.

—A que devo a “honra” de suas visitas, senhores de Camelot?

Arthur avançou, e fez um reverencia educada, mas a expressão no rosto de Robb continuou gélida e intocável.

—Lorde Stark, com vossa permissão, viemos para ver seu irmão Bran Stark.

—Meu irmão? O que queres com ele? – Disse Robb desconfiado.

—Trazemos uma cortesia em nome da amizade entre Winterfell e Camelot.

Robb estudou as feições de Arthur por uns instantes e chamou Theon para lhe segredar algo no ouvido.

Em pouco tempo, surgiu o maior homem que Arthur já viu na vida, carregando o pequeno lorde em seu colo. Naquele momento Arthur soube que era verdade, o menino ficara aleijado. Podia perceber suas pernas magras e frágeis balançarem com o movimento. Mortas.

— Então é verdade...

—Por que você está aqui? — Acusou Robb.

Arthur acenou para que Hodor se aproximasse, para melhor falar com o pequeno.

—Você gosta de cavalgar, Bran?

—Sim, mas nunca mais poderei.

— Meu irmão perdeu os movimento da perna, Sor. Arthur. Não entendeu ainda?

—Com a sela apropriada até um aleijado pode cavalgar, meu senhor.

—Eu não sou um aleijado.

Arthur preferiu ignorar a negação do menino. Já havia rispidez suficiente contra ele ali.

—Trouxemos um presente para você de Camelot, Bran. – Disse Arthur enquanto retirava um papel enrolado de dentro de sua capa.

Quando Bran abriu, viu em detalhes um projeto de sela para cavalo, adaptada especialmente para seu tamanho e sua necessidade atual.

—Entregue para seu mestre dos cavalos e ele saberá como adaptar para você. O projeto é bem claro e simples. Basta encontrar a égua certa e você poderá cavalgar como qualquer outro, meu pequeno!

—Conseguirei? É verdade?

—Sim, os meninos Dothraki aprendem a cavalgar e atirar flechas ao mesmo tempo desde muito crianças. Porque você não iria cavalgar?

—Porque você faz isso Sor Arthur, é algum tipo de truque? Que trama pretende com esses favores a meu irmão e a mim?

Arthur se sentiu irado com tamanha hostilidade.

—Não é nenhum truque, Lorde Stark. É apenas uma cortesia, uma gentileza. Você como um Senhor, certamente ainda se lembra o que isso significa.

Robb sentiu como se um tapa fosse dado em seu rosto e nesse momento Elaene não conseguiu desviar o olhar e acabou por encontrar os olhos de Arthur que a examinavam com cuidado.

— Receba a hospitalidade de Winterfell, Senhores. Em forma de agradecimento pelo presente a mim e meu irmão. — Disse Robb com escárnio.

—Não se incomode, Lorde Stark. A pousada em Vila do nevoeiro certamente servirá. Além disso, não faço isso por você, Senhor. – Disse encarando Elaene.

=^=

Estava junto de Lancelot e Lion no pátio recolhendo os cavalos para se retirarem, quando Elaene veio correndo em sua direção, e atrás de si, chamou o teu nome.

— Arthur? – Dirigiu-lhe, o fazendo olhar para trás.

Elaene olhou sem graça para os dois outros homens desconhecidos, e então os dois entenderam o recado.

—Te encontramos mais a frente, irmão. – Disse Lancelot, puxando seu cavalo.

—Queria lhe agradecer, Arthur. Não faz ideia do quanto essa cela será importante para Bran. Há tempos não o via sorrir daquele jeito.

— Não tens que me agradecer, Elaene. – Disse a olhando profundamente nos olhos, fazendo ela olhar para o chão, desviando olhar. – Mas me alegra saber que o jovem Lorde poderá ter uma melhora na sua qualidade de vida. Foi um prazer trazer essa cortesia.

—Você veio de tão longe apenas para trazer isso, Arthur... és muito gentil, obrigada!

—Desculpe-me por ter voltado assim, Elaene. Já entendi que não sou mais bem-vindo aqui...

—Não penses assim, por favor. Winterfell enfrenta tempos difíceis. Aliás, desculpe-me pelo... tapa, e pela ameaça...

— Eu mereci. Fui desrespeitoso contigo e me odiei por isso, Elaene. Depois do que fiz, eu não te julgaria por pensar o pior de mim, mas quero que saibas que eu realmente sinto muito.

—Tudo bem, Arthur. Isso é passado.

—O que é isso em teu braço? – Arthur disse assustado quando viu o curativo em seu braço, fruto do corte que teve em defender Lady Catelyn do agressor desconhecido, mas ela não poderia revelar à Arthur. Ele era um aliado dos Lannisters. Lembrar disso fez com que ela puxasse seu braço imediatamente evitando o contato de Arthur e fechando o semblante.

—Não é nada, Arthur. É melhor ir embora.

Arthur lhe lançou um olhar um pouco magoado.

— Adeus, Lady Elaene.- Disse antes de subir no cavalo, e passou pelos portões do pátio a tempo de olhar uma última vez para trás procurando o olhar dela.

=^=

Haviam se instalado em uma estalagem simples em uma vila próxima à Winterfell. Era modesta, porém, aconchegante.

Já estavam no salão para a ceia e pediram carne de javali ao mel, um pouco de pão e queijo e um vinho para empurrar. O salão estava cheio, mas não em sua capacidade máxima. Homens e mulheres nortenhos cantavam e bebiam na mesa ao lado.

— Esse Robb Stark é um garotinho mimado, se queres saber. – Disse Lancelot.

—Não seja estúpido meu irmão, fale baixo. Quer perder a cabeça antes de chegar ao Sul? – Disse Arthur

—Eu apenas não gostei da forma que fomos tratados. Somos homens nobres, senhores de Camelot. Não tivemos o respeito que nos é de direito.

—Esqueça isso, irmão. Stark deve ter os seus motivos...

—Então aquela é a tal Lady Arryn que cresceu no Norte? As especulações sobre sua beleza fazem juz. Pelos sete... que espetáculo de mulher. Maravi- dizia Lancelot com um olhar malicioso, interrompido por Arthur que bateu com o punho na mesa de madeira.

—Lancelot, seria possível manter essa língua maldita dentro da tua boca?

—Eh... calma aí, Arthur. Não me digas que não reparou também na beleza da moça. Eu vi a forma que vocês se olharam. O que ela tinha a te dizer, heim?

—Nada, Lancelot... esqueça-a.

—Pois se bem conheço tua fama, meu irmão, aposto que o teu calor do sul andou aquecendo a cama gelada da Lady Arryn.

Arthur se levantou de uma vez botando as mãos na gola do gibão do irmão, o inclinando sobre a mesa.

—Se ouvir qualquer outra insinuação desrespeitosa sobre Lady Arryn, esquecerei que és meu irmão e lhe darei uma surra que jamais esquecerás, aqui mesmo. Entendeu? – Disse-lhe com o olhar apertado pela ira, e os dentes semicerrados.

Lancelot lhe lançou um olhar assustado, mas logo retirou as mãos de Arthur de sua gola e se sentou novamente. Sabia que por mais que Arthur fosse um rapaz pacífico, nunca era agradável experimentar de sua fúria. Já a viu algumas vezes.

—Acalme-se meu irmão, estava apenas brincando. Não falarei mais sobre a tal Lady, se te incomoda tanto.

Arthur voltou para seu lugar tomando um longo gole de vinho. Apenas ele ali sabia do verdadeiro motivo de sua vinda ao Norte. Não pôde ficar em Winterfell, mas já colhera informações suficientes para o pai.

Seria isso traição? Estaria traindo Elaene? A possibilidade de alguma vez traí-la o deixava furioso, mas sabia que no fundo o teu desejo era de que a tal aliança entre Arryn e Pendragon ainda tivesse validade, e que Lady Arryn ainda fosse tua prometida.

Tinha esperanças. Por isso, cumpriu teu dever.

Olhou para o lado e viu que Sor. Lion lhe espiava de perfil. O homem era um pouco mais velho que ele, porém, um cavaleiro experiente e vivido. E acima de tudo, calado. Ele notou algo estranho naquela jornada ao Norte, mas não dizia nada. Apenas lhe lançara seus velhos olhares lotados de uma sabedoria silenciosa

=^=

Apesar da chuva irritante que ensopava suas vestes sem dar trégua, Arthur adorava aquele cheiro de terra molhada das Terras fluviais. Sor Lion que conhecia melhor do ninguém a região, os indicou uma estalagem bem próxima de onde estavam, bem a tempo de fazerem uma boa refeição, uma bebida para relaxar, e uma cama quente para dormirem.

Quando entrou no local, notou uma mesa lotada de soldados Freys batendo as canecas e cantando canções obscenas. Do outro lado, também notou outros soldados de várias casas das terras fluviais.

—Mal posso acreditar que dormirei com os pés enxutos essa noite! – Disse Lancelot quando sentou-se.

Em seguida, uma senhora que aparentava muito cansaço em seus 40 e poucos anos, se aproximou. A mulher mascava alguma erva e quando disse, mostrou seus medonhos dentes manchados pelo masco constante.

—O que vão querer, senhores?

—Um quarto para cada, e uma boa refeição.

—Temos apenas carne de porco, pão duro, mel e queijo.

—Mande tudo, estamos famintos! – Disse Sor. Lion

—E cerveja escura. – Disse Arthur.

Assim que a mulher virou as costas, notaram a presença de um homem vestido de negro da cabeça aos pés, e seu amigo Tyrion Lannister, que entrou com seu conhecido bambolear de pernas.

Quando o anão notou a presença do amigo, imediatamente desviou seu caminho para lhe cumprimentar. Arthur o recebeu calorosamente, e em seguida Tyrion lhe apresentou seu parceiro de viagem. Era Yoren, um homem da patrulha da noite em partida para Porto Real.

Quando Tyrion se preparava para pedir suas refeições para a estalejadeira, seus olhos se focaram em algo no fundo do salão da estalagem. Arthur olhou para trás, mas não conseguiu descobrir o motivo do olhar curioso do amigo.

Sem dizer nada, Tyrion se levantou e caminhou em direção ao fundo.

—Lady Stark, que prazer inesperado! — ele disse.

Só então Arthur notou, abismado, que se tratava de Catelyn Stark. Ali, naquela humilde estalagem tão longe de casa. A viu levantar, fingindo ignorar o anão e dar um olhar pela sala, olhando para o rosto dos cavaleiros em suas voltas.

— O senhor aí no canto — disse para um homem mais velho em uma das mesas ao lado, encostada na parede. — É o morcego negro de Harrenhal que vejo bordado em seu manto, senhor?

O homem ergueu-se.

— É sim, senhora.

— E é a Senhora Whent uma verdadeira e honesta amiga de meu pai, Lorde Hoster Tully de Correrrio?

— É, sim – Disse o senhor com o peito estufado.

Arthur não entendia o que acontecia, e pôde ver que nem mesmo teu amigo anão tinha certeza do que se tratava.

Notou que o homem ao lado de Lady Stark, um senhor de cabelos brancos, de rosto vermelho e forte, ergueu-se em silêncio e desapertou a espada em sua bainha. Arthur discretamente fez o mesmo.

— O garanhão vermelho foi sempre uma visão bem-vinda em Correrrio – Continuou Catelyn ao trio perto do fogo. — Meu pai conta Jonos Bracken entre os seus mais antigos e leais vassalos.

— Nosso senhor sente-se honrado pela sua confiança — disse um deles, hesitantemente.

Todos no salão estavam em silêncio e encaravam Catelyn.

— Invejo ao seu pai todos esses bons amigos – afirmou com cuidado o amigo Lannister- mas não compreendo bem o objetivo disto, Senhora Stark.

Ela o ignorou, virando-se para o grande grupo vestido de azul e cinza. No total eram mais de 20 homens.

— As torres gêmeas de Frey. Como passa vosso bom senhor, senhores?

Um homem carrancudo e com um enorme nariz, pôs-se em pé.

— Lorde Walder está bem, senhora. Planeja tomar uma nova esposa no nonagésimo dia do seu nome, e pediu ao senhor seu pai para honrar o casamento com sua presença.

maldito Lorde Frey”. Pensou Arthur com repugnância e notou que o anão não conteve um riso.

Lady Catelyn aumentou o tom de voz, apontando o dedo no rosto de Tyrion.

—Este homem chegou como convidado em meu lar. Bebeu do meu vinho, comeu do meu pão e deitou-se em uma cama macia e quente. Ali, conspirou para matar meu filho, de apenas 11 anos.

Nesse momento, o senhor que a acompanhava, desembainhou a espada e posicionou-se entre Catelyn e o anão.

Lady Stark continuou.

—Em nome do Rei Robert e dos bons senhores que servem, peço-lhes que capturem este criminoso e me ajudem a levá-lo para Wintefell, onde receberá a justiça do Rei!

A seguir, ouviu o cintilar de várias espadas serem desembainhadas, e apontadas em direção ao amigo. Arthur desembainhou a sua e quando girou o corpo para ir proteger seu amigo, Lancelot e Lion o seguraram pelo braço.

Olhou para Tyrion com uma expressão com misto de fúria e impotência e o anão lhe acenou negativamente com a cabeça, pedindo em silêncio que não arriscasse sua vida por ele.