Queen Charlott

1 Capítulo 1 - 16 anos


Notas iniciais
Primeira Fic, espero que gostem :)

— Corra, Charlott! Corra mais rápido!- minha mãe repetia enquanto eu fugia de princesas revoltadas querendo me matar, e era só o que conseguia dizer.

— Não posso, mãe, desculpe-me! — Respondi, quando percebi que meu salto havia quebrado, meu vestido estava rasgado e eu tropeçava nele repetidamente.

— Você pode tudo, Charlott, você é uma rainha!

BAM! Ouvi um barulho muito alto em meu quarto e acordei instantaneamente, percebendo que havia caído da cama. Logo entraram minha mãe e meu pai para ver o que tinha acontecido.

— Nada, só tive um pesadelo.

— Minha filha, é normal você ter um pesadelo no dia em que completa 16 anos e está prestes a ter seu primeiro dever de rainha! — minha mãe disse, levantando-me do chão.

— Estou com medo.

— Medo? Rainhas não têm medo, Charlott. Nunca diga isso! — meu pai falou bravo, olhando-me com uma cara muito assustadora.

— Eu ainda não sou rainha, se quiser saber. Ainda tenho esse dever idiota que não sei nem o que é.

— Olha, minha filha. — minha mãe começou, lançando olhares de "vou te matar depois" ao meu pai — Eu não ficarei brava porcausa do seu medo, até porque eu também passei por isso quanto completei 16 anos. Mas é melhor você ficar confiante e com a cabeça erguida, como você sempre faz em situações de aperto. Eu também não sei o que você terá de fazer, mas tenho certeza de que vai superar isso facilmente!

— Qual foi o seu dever mesmo? — perguntei confusa, por ela nunca ter me contado essa história antes.

— Bem. Eu preferia não te contar. Guardei isso pra mim para que você não ficasse ou esperançosa demais, achando que seria moleza, ou achasse que não iria conseguir, que sentisse mais medo de enfrentar seu dever. Aliás, é como dizia seu avô...

— Já sei, já sei! "Seu único exemplo é você mesmo, não se baseie na história dos outros quando tiver que enfrentar algo sozinho".

— Ah. Isso mesmo. É... Isso. Bem, saiba que eu estarei sempre aqui para repetir as frases de seu avô, afinal, elas se encaixam a todos os momentos.

— Tudo bem, mãe. Agora me deixem trocar de roupa, escovar os dentes e cuidar da minha higiene matinal, afinal, já são nove horas! Precisamos nos apressar. — falei, lembrando-me que meu pai ainda estava ali.

— Ok, filha. — responderam os dois num uníssono.

— Ah! Charlott! — gritou minha mãe, antes de sair.

— Sim?

— Parabéns. Apesar de tudo, hoje ainda é seu aniversário.

— Obrigada.

Fechei a porta. Sentei-me no chão, ainda com o que minha mãe havia me dito na cabeça. Ela me deixou mais aflita, mas o que me incomodava era a ansiedade. “... para que você não ficasse ou esperançosa demais, achando que seria moleza, ou achasse que não iria conseguir, que sentisse mais medo de enfrentar seu dever". Afinal, o que eu iria sentir? Aquele ar de mistério em suas palavras... Seria isso algum tipo de dica? Ou ela estava querendo me confundir ainda mais?

Ah! Como sou distraída! Esqueci completamente de apresentar-me. Enfim.

Meu nome é Charlott Dillingham e sou a princesa de Büchen. No meu país, é tradição que, quando a sucessora ao trono completa 16 anos, tem de superar três tipos de treinamentos para se tornar rainha e, bem, hoje é meu aniversário de 16 anos.

Por toda a minha vida, estive sujeita ao esnobismo de reis, rainhas e princesas metidas. Mas eu nunca fui assim. Sempre respeitei as pessoas de todos os tipos.

Meus pais sempre me disseram para eu ser uma princesa educada, com postura, classe e coisas do tipo. E aqui estou eu: do jeito que eles queriam. Mas eu gosto de ser assim, até respeito meus professores, que me ensinaram a comer, sentar e falar como uma princesa. Apesar de eu achar que todas as pessoas são iguais por dentro, tenho a consciência de que vou ser julgada de um modo diferente pelos outros, então não posso perder a classe. Ah! E também aprendi a falar 14 línguas diferentes, além de é claro, inglês (língua oficial em Büchen): espanhol, português, russo, chinês, japonês, Híndi, Bengalí, árabe, Francês, Alemão, Ucraniano, Italiano, Cantonês, Coreano e Javanês. Isso em 16 anos!

Tenho uma irmã de 12 anos, Clarisse, que dá graças a Deus por não ter que virar rainha, pois eu sou a mais velha. Ela é meio rebelde, vive brigando com meu pai e adora moda. O sonho dela é estudar moda em Milão. Ela até já fugiu de casa umas duas vezes para ir pra lá! Espertinha, ela? Magina!

Meu melhor amigo chama-se Ulisses e é sobrinho do rei da Camboja, um país que tem muita rivalidade com Büchen, porcausa de um briga de milhares de anos atrás entre o antigo rei daqui e o antigo rei de lá. Ou seja: meu pai não gosta nada da ideia de meu melhor amigo ser da Camboja. Mas mesmo assim, nunca deixarei de falar com Ulisses, pois ele é muito engraçado!

Ulisses sempre me ajudou a esquecer que, desde que nasci, sou cobrada porque "vou ter que me tornar rainha um dia". Mas agora que completei meus 16, não há como fugir. Para onde quer que eu vá, para onde quer que meu dever de rainha me leve, sei que não há possibilidade de ficar perto de Ulisses. Não sei quanto tempo durará, ou onde estarei, sempre me lembrarei de meu melhor amigo e de quando ele me disse as palavras mais doces que já ouvi:

— Chartt, minha linda... Eu sei que as pessoas estão sempre esperando o melhor de você. Mas nunca se esqueça que eu, seu amigo, gosto de você desse jeitinho encantador que você é, e que, pra mim, você não precisa melhorar em nada, é perfeita assim mesmo.

— Ah, Ulisses! Obriga...

— Shhhh! Deixa eu te contar uma coisa. Mas prometa que isso não vai mudar em nada nossa amizade, ok?

— Prometo.

— Eu... Bem, Chartt. Eu sempre gostei de você, desde que a vi, com 10 anos de idade. Na verdade, isso foi se intensificando cada vez mais, até virar... Amor. Sim, eu te amo de um jeito diferente do qual você pensava. E, fique tranqüila, sei que não é recíproco.

— Ulisses... Como prometido isso não vai interferir em nada na nossa amizade. Quer dizer... Continuaremos amigos, certo? Melhores amigos. Como sempre foi. Desculpe-me, tá?

— Tudo bem, Charrrrrrrrrlooooott!

Na verdade, esse Charrrrrrrrrlooooott é um jeito de ele zoar Helg, a criada do castelo que eu tenho mais intimidade. Quando ela vai me chamar, sempre puxa o 'r' e o 'o' de meu nome.

Essa é uma das coisas que eu gosto mais em Ulisses: conseguir sempre ver o lado mais engraçado das coisas, fazendo-me sentir melhor. Quando ele vê que estou em uma situação embaraçosa, logo acha um jeito de me fazer rir, relembrando momentos engraçados em que rimos muito.

Quando Ulisses disse-me aquilo, eu tinha 14 anos e ele 15. Definitivamente, nada mudou entre nós, só o fato de eu pensar naquelas palavras todas as noites. Sentia-me culpada pelo fato de o sentimento dele não ser recíproco. Eu queria, sinceramente, sentir tudo aquilo por ele, mas o vejo como um irmão.

Não sei porque, mas hoje estou começando a lembrar de todos que fazem parte da minha vida. Quando me dou conta, percebo também que ainda estou sentada no chão do quarto e já são nove horas e quinze minutos! Fiquei 15 minutos pensando naquelas coisas, quando deveria estar tomando café da manhã. Aliás, quando pensei nisso, minha barriga roncou.

Depois de minha higiene matinal (lavar o rosto, escovar os dentes, passar meus cremes para o rosto, para as mãos, trocar de roupa, pentear o cabelo, etc...), já são nove e vinte e eu finalmente adentro a copa.

— Charlott, querida! Preparei um café da manhã bem especial, hoje, com tudo o que você gosta. Afinal, hoje é o seu grande dia! — Helg disse, enquanto beijava minha bochecha e puxava a cadeira para eu sentar.

— Obrigada Helg! Você é demais! — falei, enquanto tentava disfarçar o nervosismo. Até porque ela disse que era o meu grande dia. Parece que Büchen inteiro está mais animado do que eu mesma.

Depois de comer muitos Wafers Büchen (bolachinhas de chocolate com gotas de baunilha e um pouco de morango, típicas de Büchen) e beber muito Lassi (bebida indiana feita com iogurte), finalmente termino meu café da manhã. Helg tinha razão: só comi coisas que amo!

Depois de esquecer-me por três segundos que hoje era o grande dia, Helg entra na copa acompanhada de muita gente, como meu pai, minha mãe, minha irmã e todos os criados do castelo, segurando um bolo enorme e simplesmente maravilhoso! E de chocolate com doce de leite, meu sabor favorito!

— Ah, gente! Muito obrigada, mesmo! Mesmo, mesmo! Sinto-me honrada por ter uma família como vocês. Bom, muitos de vocês não são meus parentes, mas considero todos parte de minha família!

— Que isso, querida! Você merece. E é melhor a gente cantar logo os parabéns, senão esse bolo vai acabar antes! — disse Helg, meio sem graça.

Happy Birthday to you!

Happy Birthday to you!

Happy Birthday Princess Charlott!

Happy Birthday to you!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.