Queen
1 Who made you the Queen?
Notas iniciais
Fiz essa one shot inspirada em "Queen" do Shawn Mendes, completamente UA, num contexto super diferente do que geralmente tô acostumada para o James e a Lily.
Espero que aproveitem!
Seis meses atrás
Evans @redheadedgirl: quem aposta a vergonha que vai ser eu com os amigos malucos da Lene @alenemckinon mais tarde???
SeaLene @alenemckinon retweetou Evans @redheadedgirl: o drama de quem sabe que será amada por todos
Almofadinhas @blaackStar seguiu você. Almofadinhas @blaackStar curtiu seu tweet.
Devia ser, no mínimo, proibido obrigar alguém a mudar de cidade no meio do ano letivo. Não sendo suficiente o caos que é estar no ensino médio, fazer uma mudança inteira, de uma cidade para outra, em um final de semana, é covardia. Principalmente se você precisa estar às sete da manhã em sua nova escola.
Talvez tenha sido por tudo isso que minha mãe decidira me deixar sair com Marlene, a única das minhas amigas de infância que tinha continuado em Manchester e que eu ainda tinha contato.
— Estou saindo para o três vassouras, mãe! – gritei da porta, tentando sobrepor minha voz ao barulho de furadeira e caixas sendo abertas
Três Vassouras era um dos poucos lugares que não mudara mesmo depois de eu ter ficado 10 anos fora. Era minha lanchonete preferida, perto do parque em que Lene e eu costumávamos andar de bicicleta anos atrás.
— Divirta-se! Mande abraços à família da Lene e não volte tarde!
++++
— AI MEU DEUS QUE BOM TE VER!!! – Lene me agarrou com tanta força que eu precisei de uns segundos para voltar a respirar bem. – O seu cabelo!!! Tá perfeito, Lily! Ai que saudade!!!
Fazia apenas uns dois meses que Lene tinha ido me visitar em Dublin, na minha antiga casa.
— Exagerada! – dei um abraço apertado. – Podemos entrar? Estou congelando.
— Claro! Meus amigos ainda não chegaram, mas não devem demorar, Remo é bem pontual.
— Remo? Remo Lupin? – perguntei
— Sim! Ah, é verdade! Esqueci que você conheceu Remo quando fomos para Brighton! Ele mesmo! Tem um ano que a família dele mudou para cá... meus tios acharam que era melhor depois de tudo.
Remo Lupin era primo de Marlene. Tínhamos nos conhecido em uma viagem de férias, dois verões atrás, mas ele dissera que morava em Cambridge. Claramente não mais.
— Tudo?
— Foi um escândalo no colégio de Remo quando souberam que ele era, bom, é na verdade, gay. Imagina! Um colégio tradicional como Durmstrang. Meus tios pediram transferência para Hogwarts. Até então não teve nenhum problema.
Então, como que para confirmar a história, Remo entrou no Três Vassouras, acompanhado de três outros garotos que eu não conhecia. Um era bem corpulento, outro usava o cabelo comprido e o último usava óculos e parecia despenteado.
— Aqui, Remo! – lene acenou e os meninos vieram em direção à nossa mesa. – Lily, esses são Peter Pettigrew, Sirius Black e James Potter. – apresentou-os na ordem em que eu os vira entrar na lanchonete. — O Remo você já conhece. Meninos, essa é a Lily, ela começa em Hogwarts amanhã.
— Ei, prazer em conhecer! – disse para Potter, quando ele adiantou-se para me cumprimentar
— Então essa é a famosa Evans! – o tal Sirius brincou, me dando um abraço. – Animada para Hogwarts?
— Um pouco. É que ainda tem muito para arrumar da mudança e eu tô meio perdida.
— A gente podia colocar ela no grupo do terceiro ano, não é? Assim ela já chega sabendo das coisas. Que matérias você vai pegar? – Peter comentou, me fazendo ter uma instantânea simpatia por ele. Eu ia começar a responder quando Sirius interrompeu.
— Melhor! Que redes sociais você tem Evans?
— Uhm... Snapchat, Instagram, Twitter...
– Ah o Twitter eu sei, vi que anda falando da gente por lá. – Sirius riu, me fazendo rir também, já que afinal descobrira quem era meu novo seguidor misterioso. – Pronto! Mandei o link das nossas redes, você já pode seguir.
— Espero não ficar perdida por lá amanhã. – comentei em algum momento da conversa
— Bom, não acho que será um problema. A gente procura por um acendedor laranja nas nossas aulas e você não fica só. – Potter respondeu, contendo um riso.
Ri com gosto. Eu não imaginava mesmo que me enturmaria tão fácil.
Atualmente – Terça Feira (3 semanas para as férias)
— Seria bom se o Sirius parasse de atrasar! – murmurei, na entrada de casa.
Sirius estacionou no portão quando faltavam sete minutos para a aula. Fui até o carro pisando duro, de péssimo humor.
— Bom dia, fósforo! Não penteou a juba hoje? – Sirius não se aguentou, me fazendo chamar um palavrão
— Não me estressa! E vai logo que eu tenho aula com a Minerva logo no primeiro horário! – fechei a porta com um pouco menos de delicadeza e torci logo o bico.
Sirius e Dorcas, uma outra amiga que costumava pegar carona, riram com gosto.
— Vai esperar a gente sair do ensaio hoje ou vem de ônibus?
— Vou ficar. Preciso ver umas coisinhas do meu ponto extra em física. Aparentemente, só com muito milagre eu não ficarei em recuperação.
— Eu posso ajudar você se quiser, Lily. – Potter comentou do banco da frente, virando-se para me olhar.
— E desde quando você é bom em alguma coisa, Potter – impliquei, ao que Sirius riu
— Sou bom em tantas coisas que você nem imagina, Lils. – ele sorriu com um tom de malicia, ao que Dorcas gargalhou e eu revirei os olhos
— Só se for em levar foras de mim. Obrigada, mas eu me viro sozinha. – sorri, mostrando que eu claramente não tinha paciência para ele. Sirius ainda ria quando estacionou em Hogwarts.
Potter e eu vivíamos uma pseudo-amizade. Uma relação passivo-agressiva que existia por todos nossos amigos serem em comum. Depois que Lene começara a ficar com Sirius, há coisa de dois meses, se tornou impossível evitar a onipresença de Potter. Ignorar, no entanto, não. Que era justamente a minha estratégia.
Ignora que vai embora.
De algum modo, Potter simplesmente insistia, desde que me conhecera, em cantadas idiotas. Sempre que tinha oportunidade estava se oferecendo para alguma coisa, embora eu bem soubesse que havia segundas, até terceiras intenções em sua generosidade. Então eu apenas a recusava. Além disso, ele inventava mil apelidos para mim, diariamente. Eu me reservava o direito de o chamar de Potter. Afinal, era um bom sobrenome, não é? Não precisava chamar pelo nome.
Tirados esses pequenos inconvenientes, que não chegavam a ser realmente problemas, a vida ia bem depois de voltar a Manchester. Eu nem mesmo teria imaginado quão fácil seria para me enturmar em uma nova escola. Hogwarts era simplesmente incrível, uma escola com professores maravilhosos (à exceção de Slughorn, que era definitivamente o interesseiro homofóbico), e que sempre dava oportunidade de seus alunos exporem habilidades e talentos.
Logo de cara eu havia sido convidada para compor a liga acadêmica, dado meu histórico impecável em ciências humanas e literatura. Lene trabalhava na equipe de teatro, como contrarregra (ou será que era figurinista?), Dorcas jogava no time de lacrosse, e, por mais irônico que pudesse parecer, os meninos tinham uma banda.
Sim. Peter, Remo, Potter e Sirius tinham uma banda. Os Marotos, de pop rock. Eles até não eram ruins, e suas canções eram quase sempre autorais, o que me fazia dar algum crédito a eles. Por isso, três vezes na semana eles se reuniam para ensaiar após as aulas. Geralmente Lene me arrastava para assistir, o que era bom porque me permitia ser uma critica excelente, já que eu os vira evoluir de babuínos arranhando instrumentos para uma banda aceitável de ensino médio.
Aparentemente haveria show d’Os Marotos no encerramento do ano letivo, em três semanas, por isso agora eles ensaiavam todo dia.
Três meses atrás
Evans @redheadedgirl: pelo amor de Newton! Alguém fecha a torneirinha de asneira que é a boca do Potter?
Pontas Potter @jamesFleamP curtiu seu tweet
Pontas Potter @jamesFleamP respondeu Evans @redheadedgirl: só sabe falar em mim né ruiva? Quer sair sexta?
Evans @redheadedgirl respondeu Pontas Potter @jamesFleamP: Ah, me erra, Potter! Como se eu saísse com o seu tipinho... vai pentear o cabelo!
Pontas Potter @jamesFleamP curtiu seu tweet
Pontas Potter @jamesFleamP respondeu Evans @redheadedgirl: mas é aquela música de b99, minha ruiva... I want it that way... meu charme
Evans @redheadedgirl respondeu Pontas Potter @jamesFleamP: Acredite, a única coisa que fica é uma completa desordem. Um porco espinho eriçado
Pontas Potter @jamesFleamP curtiu seu tweet
Superando todas as expectativas, na quinta de manhã Potter não só não pegou carona comigo, Lene, Dorcas e Sirius (o que me deu alguns segundos de sossego e paz a mais) como também apareceu no almoço com o cabelo penteado, e com uma textura até interessante. Tinha passado pomada de volume? Ou seria um musse de cabelo?
— O que houve com seu cabelo, Potter? – perguntei enquanto me sentava à mesa com meus amigos
— Só para te agradar, minha Lilyndinha, hoje eu dei uma atenção especial ao porco espinho. – e me deu um sorriso nº 23, aquele que eu chamo de “eu sei que está apaixonada por mim”
Porém não.
— Se você gosta... – dei de ombros, tirando meu sanduíche da embalagem
— E o que você acha, heim? Seria um bom penteado para usar no nosso primeiro encontro? Vamos, Lírio, não se precisa se fazer de difícil...
— Claro, Potter! – sorri amplamente. Ao que ele pareceu chocado que eu estivesse aceitando seu convite. – Por que também não se fantasia de unicórnio? E ai podemos tomar chá com a Fada do dente, no dia de São Nunca! – emendei, revirando os olhos. Dorcas e Peter riram.
Se eu não estivesse ocupada almoçando e tivesse dado meio segundo de atenção ao Potter depois de respondê-lo, poderia achar que tinha visto ele parecer meio desapontado. Mas era óbvio que não. Potter já nem devia se estressar com todas as minhas demonstrações públicas de desinteresse.
Evans @redheadedgirl enviou uma mensagem privada para Lene @alenemckinon: isso foi uma indireta para mim ou eu estou imaginando coisas?
Evans @redheadedgirl enviou um tweet como mensagem privada para Lene @alenemckinon
Pontas Potter @jamesFleamP: de onde vocês tiram que ela é boazinha e meiga? Meu deus ela é muito grossa quando quer! Vão achando que a ***** é inocente...
SeaLene @alenemckinon enviou uma mensagem privada para Evans @redheadedgirl: poderia ser. Mas desde quando você se importa com a opinião de James a seu respeito?
Atualmente – Sexta Feira (1 semana para as férias)
Haveria uma festa na casa de uns garotos de outra escola, e Os Marotos iriam tocar. Lene já era presença garantida, porque estava sempre ajudando Sirius com a organização e os instrumentos da banda. Dorcas iria porque era amiga dos donos da festa. Para Lily sobrava ir acompanhando a amiga para não perder a sexta-feira sozinha em casa.
— Se tudo der certo segundo meus planos, vou conseguir ficar com Amos Diggory hoje. – Dorcas comentou de dentro do banheiro enquanto se vestia
— Amos Diggory? Ele não estava namorando?
— Estava, Lene. Do verbo não está mais. Faz quase um mês que terminou com a Emmeline Vance. Apagou todas as fotos, deixou de seguir em todas as redes sociais... foi bem triste na verdade. Para ela, no caso. Eu estou super feliz que ele esteja solteiro.
— Ai meu Deus, você é péssima Dorc. Que você nunca queira nenhum ex ou pretendente meu! – brinquei, rindo enquanto me calçava
— Fica tranquila, amiga. Jamais fiquei ou ficaria com James... – Lene riu e eu torci a cara.
Elas nunca paravam de insistir nesse ship absurdo que éramos James, digo, Potter e eu.
— Para não te estressar Lily, mudando de assunto sem mudar... com quem pretende ficar hoje? – Lene jogou para mim a conversa
Eu não pretendia ficar com ninguém. Não era de planejar com que queria ter algo. Apenas deixava acontecer, e se fosse um momento legal eu ficaria com a pessoa. Achava menos burocrático. Se bem que, tirando pela última vez que eu tivera um rolinho com alguém, aparentemente estava se saindo ainda mais burocrático ultimamente.
— Hum.. ninguém em específico. Mas também não estou recusando ninguém... – sorri de cantinho
— UUUUUUU... Nem mesmo o Jaaaames! – Dorcas cantarolou, mas logo emendou quando me viu irritada – Okay, parei. Era brincadeira.
Tudo estava até tranquilo, divertido. Dancei alguma das músicas cover d’Os Marotos, e até cantei as autorais. Dorcas tinha sumido mais de hora atrás, e há pouco eu a vira passando com a mão entrelaçada na de Amos Diggory em direção à cozinha. Já passava das 23h, então os meninos já estavam desmontando os instrumentos antes que algum vizinho chamasse a polícia. Tinham colocado música eletrônica alta e todo mundo continuava dançando ali no quintal.
Estava batendo papo com um garoto até legal, Severo Snape, mas ele dissera que ia pegar mais bebida e até então não voltara.
— Sozinha, ruiva? – ouvi Potter perguntar alto, tentando sobrepor a voz ao som, olhando para mim enquanto guardava os instrumentos.
— Não que seja muito da sua conta, mas não. – berrei em retorno – Estou esperando uma pessoa.
— Severo Snape? Não acho que ele vai voltar tão cedo, Lily... – e apontou para algum lugar atrás de mim.
Na frente da porta da sala, Snape agarrava uma menina, estilo loira de odonto, e parecia pouquíssimo preocupado com a bebida que dissera que ia pegar. Okay, doeu um pouquinho, não sou de ferro. Mas não que eu fosse demonstrar. Especialmente não na frente do Potter.
— Sinto muito, Lily. – ele parecia irritado com Snape. – Bem, a festa começou agora para mim... podemos ficar juntos e dançar um pouco.
Eu não queria impedir Marlene de ficar com Sirius, nem iria atrapalhar Dorcas. No entanto, também não queria ficar só, e como Potter realmente falou sério e com educação sobre o convite de companhia, seria extremamente deselegante simplesmente responder o não que eu gostaria no meu tom de sempre. Comecei a esquadrinhar as pessoas ao redor dele para ver se encontrava algum conhecido que fosse mais legal que passar a noite com Potter.
— Você poderia simplesmente negar, sabia? Não precisa procurar alguém mais interessante para me dispensar.
Merda! Ele percebeu. Tentei disfarçar, dizendo que estava só tentando descobrir de onde vinha um som específico, e então ele riu.
— Você já foi melhor, Lily. Não é surpresa para ninguém o quanto você não me suporta e nem mesmo se esforça para ser legal comigo. Gratuitamente! Mas não precisa agir assim, se colocar acima de mim, sabe? Você se acha boa demais para todo mundo! Deixa eu contar... eu sou uma pessoa como você, e eu também me magoo. – dessa vez, Potter parecia genuinamente chateado, de modo que eu, embora ofendida, não tive coragem de rebatê-lo.
Então ele pegou a mochila e a bolsa da guitarra, além da caixa com os microfones e foi embora. A festa dele nem tinha começado e já tinha acabado.
De certa forma a festa acabou ali para mim também.
Pontas Potter @jamesFleamP: o que eu mais gosto de ficar com raiva é a qualidade das músicas que eu componho depois... wow!
++
Passei o final de semana em casa, com as coisas que James me disse ecoando na cabeça. Ele fora realmente grosseiro, mas me deixara um conteúdo muito relevante para refletir. Eu me colocava acima dele? Eu me achava boa demais para todo mundo?
De fato, eu exagerava, às vezes, um pouco em minhas ironias e retrucadas para Potter, mas afinal ele enchia minha paciência. Porém, talvez eu realmente me excedesse. Talvez eu devesse tratá-lo com um pouco mais de cortesia, dado que éramos “amigos”.
Certo, Potter merecia desculpas. Eu falaria com ele segunda.
Quando Sirius estacionou no meu portão na segunda-feira de manhã (atrasado como sempre), no entanto, James, digo, Potter, não estava no banco da frente. Lene estava lá. E Dorcas atrás. Estranhei mas não tive coragem de perguntar para não ser zoada.
Potter e eu tínhamos a terceira aula juntos, literatura. E ele estava lá, sentado, rabiscando alguma coisa. Passei por ele para me sentar e desejei bom dia, ao que ele respondeu, sem tirar o olhar do que escrevia.
— Bom dia, Lily.
De algum modo que eu não saberia dizer, esse bom dia pareceu o mais seco que eu já recebera. Potter não fez gracinhas, nem me cantou durante todo o resto do dia, e no ensaio da banda estava totalmente concentrado. Parecia até meio robótico. Estranhei.
— Ei Potter, tem um minuto? – chamei-o quando guardava suas coisas
— Uhm, foi mal... eu preciso resolver umas coisas antes de ir. A gente se fala amanhã, pode ser? – mas saiu antes que eu respondesse. Claramente ele ainda estava irritado por sexta-feira à noite
Na terça-feira de manhã Sirius comentou que James decidira ir de ônibus para a aula naquela última semana.
— Ele disse que não queria ficar de vela para Lene e eu, mas aquele veado não perde uma oportunidade de me irritar, então eu acho que tem coisa aí no meio... – explicou simplesmente, dando de ombros e estacionando na escola.
Naquele dia, na quarta, e até na quinta, James não conversou muito comigo. Ele estava sempre junto com todo mundo, mas eu simplesmente não era mais o foco das conversas dele. Não houve apelidos, e até uma ou outra vez ele me chamou de Evans, o que incomodou mais do que eu pensei que faria. Eu sentia falta de ser procurada por James.
O dia seguinte seria a festa de encerramento do ano. De manhã eu teria o último debate da liga acadêmica, junto com todas as demais competições esportivas. A peça de teatro de Lene começava as 18h, e as 19h30 Os Marotos tocariam. Era uma programação cheia, e eu não teria oportunidade de falar com Potter para me retratar. Já fazia quase uma semana, e cada dia que não nos falávamos eu me sentia pior e mais culpada.
Eu era um ser humano terrível.
Evans @redheadedgirl: a 3ª pior coisa do mundo é saber que estar errado e ficar convivendo com a culpa. A 2ª pior coisa do mundo é perder um amigo. A 1ª pior coisa do mundo é perder um amigo, sabendo que você está errado por isso e ficar convivendo com a culpa.
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Almofadinhas @blaackStar: alguém está sentindo falta do Pontaaaaaas
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Tudo correu bem na manhã de sexta. Perdemos o debate contra outra escola, mas o time de Dorcas ganhou na competição de Lacrosse, de modo que saímos para almoçar no Pizza Hut, para comemorar. Dorcas e eu ficamos na casa de Marlene para nos arrumarmos e chegarmos cedo em Hogwarts para assistir à peça, enquanto os meninos foram para a casa de Remo para se prepararem.
A peça na real foi um sucesso, apesar do desespero de Lene. Eles haviam feito uma releitura de Romeu e Julieta de forma satírica e comediante, o que se provou a chave para arrancar risos de todo mundo. Quando acabou, Dorcas e eu corremos para o camarim para dar parabéns à Lene, e, enquanto isso, o cenário foi desmontado e Sirius e Peter ficaram preparando os instrumentos no palco.
Alguns alunos saíam de suas cadeiras e vinham ficar em pé na passagem em frente ao palco, para poderem dançar e aproveitar a banda, e logo ali se qualhou de gente, de modo que Lene, Dorcas e eu ficamos em pé perto às portas para os camarins.
— Fala galera! Eu sou o James, James Potter. – alguns riram pela referência a 007. James era o vocalista e segundo guitarrista. Peter ficava na bateria, Sirius na guitarra e Remo tocava baixo. – Esse é o Peter, Sirius e Remo, e nós somos Os Marotos!
E então o show começou com um cover de uma música do Imagine Dragons. Eles tocaram várias músicas autorais, que tinham uma batida realmente boa. Lene morria de orgulho, e cantava todas as músicas a plenos pulmões. Curiosamente as pessoas da escola sabias algumas letras, e eu me perguntava se os meninos haviam colocado as músicas no Spotify.
Remo pegou o microfone para uma sequência de covers do Maroon 5 e James foi para a guitarra. Antes que eu me desse conta, já tinha tweetado.
Evans @redheadedgirl: só eu nunca havia reparado como ele fica gostoso tocando guitarra. Oh shit, não pode ser não!
— Gente, muito obrigado. De verdade! Vocês são incríveis, Hogwarts, e é um prazer tocar para vocês essa noite. Obrigado por terem ficado, por curtirem nosso som, e ano que vem tem muito mais. Essa vai ser nossa última música de hoje, é uma música autoral inédita e que a gente espera que vocês gostem, e hoje, em especial, ela vai ter dedicatória. – a voz do Potter estava ofegante e um pouco rouca, mas quando a escola começou a berrar em histeria ele esperou a gritaria diminuir para falar. – Não é uma música sobre flores, mas a gente vai dedicar ela para todas as Rosas e todos os Lírios. Ela chama Queen!
Do momento em que Potter falou lírios eu já fiquei levemente desconcertada, mas quando ele começou a cantar olhando para mim, meu coração acelerou de uma maneira que cardiologistas achariam perigosa.
It's hard to believe you don't remember me at all
Am I hard to recognize?
You say nice to meet you everytime, yeah
And I made you laugh, I still remember what I said
Guess I shouldn't be surprised
You say nice to meet you everytime
I know we got a lot of mutual friends
Don't say my name, don't come up in your conversations, yeah!
Who crowned you queen of
You think you're too cool?
Making beautiful look ugly
The way you put yourself above me
You treat me
Like I got nothing on you
Making beautiful look ugly
You ain't the ruler of no country
Who made you the queen?
Não. Não não não não não não! James Potter não tinha escrito uma canção sobre mim! Não tinha colocado tudo que me dissera em uma letra, tinha? Ele continuara a cantar sem estar mais me encarando, mas frequentemente virava os olhos em minha direção. Ah pelos céus, Potter!
I shouldn't stress about the fact that you're not impressed
Are you playing hard to get
Or maybe you're not interested
I don't understand why everybody thinks you're sweet
Não ia aguentar aquilo. Sai do auditório necessitada de ar fresco, minha cabeça em parafuso. Potter tinha escrito uma música para dizer exatamente como se sentia sobre mim. E, na real, eu era horrível! Eu era a pior personagem que um eu-lírico poderia criar! Eu não era assim, era?
Sentei no corredor, colocando a cabeça contra a parede, olhando para o teto e segurando a vontade de chorar. Ah, meu Deus! Sim, eu era! Eu era uma megera com Potter!
Pior que tudo isso? Eu realmente não estava interessada nele? Ou só gostava de bancar a difícil e de que James amaciasse meu ego?
Eu já estava lá fora há uns dez minutos, ou eu achava que era isso, quando algumas outras pessoas saíram do auditório, me levando a concluir que a programação lá dentro acabara. Então, uma das pessoas que saiu foi Potter, com o cabelo suado grudando na testa. Queria me camuflar na parede, de tanta vergonha. Não queria vê-lo.
— Então, você tá furando o olho da Marlene ou realmente acha que eu sou gostoso? – Potter brincou, agachando em minha frente.
Bosta! Eu precisava aprender a parar de me expor nas redes sociais. Ainda assim, eu ri.
— Uhm, mas que droga eim? Não era para você ter visto esse tweet. – devolvi a brincadeira. Houve um silêncio constrangedor. – Desculpa, James! Desculpa! Desculpa por ter sido uma babaca sexta-feira passada, desculpa por ser uma pessoa horrível com você! Eu não tinha a intenção de me colocar acima de ninguém... eu só... acho que eu só gostava de você ficar me adulando, e isso é horrível!
— Pera! Você realmente me chamou de James? Nada de Potter? – ele estava genuinamente aturdido, mas parecia nas nuvens. James só prestava atenção no que queria!
— Chamei! Aff! Você prestou atenção no que eu falei? Porque era mais importante do que...
— Óbvio que prestei, Lily! Só não me importo... – e riu, me deixando dividida entre irritada e confusa. – Não me interessa porque eu te conheço, Lily! Claro que desculpo por sexta passada, mas você não é horrível comigo. Falei aquilo porque estava chateado... Lily, você tinha passado a noite de papo com o seboso do Snape, que eu odeio! Claro que eu estava muito irritado!
James se interrompia, rindo terrivelmente da situação.
— Você não é horrível comigo, Lily. Você é difícil, é mandona, é arisca, e até meio brava. Mas é disso que a música fala! Dessa mulher difícil que o cara quer conquistar. Que eu quero conquistar. – e me deu o sorriso nº 3 “estou sinceramente feliz”
— Então não está bravo comigo? – perguntei, ainda confusa
— Claro que não!
— Mas me evitou a semana toda...
— Eu estava compondo uma música sobre seu lado agressivo, não podia ser gentil com você, Lily. E quando disse que queria conversar, eu sabia que era sobre sexta. Então eu fugi, porque sabia que não escreveria a música se conversássemos. Eu gosto demais de você para o meu próprio bem, Lils... – James explicou com simplicidade, ainda agachado em minha frente.
— Você me promete que não está bravo? E que ainda vai falar comigo? – perguntei, sabendo que era infantil
— Eu não desistiria tão fácil, ruiva. – ele piscou para mim, ainda sorrindo. – Mas e a gente, vai sair quando eim, Queen?
Eu ri e dei de ombros.
— Canta para mim de novo que a gente vai vendo isso aí, Jay... – dei um beijo em sua bochecha e levantei, deixando James Potter totalmente atônito no corredor.
Notas finais
Beijos!
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