Queen.
1 Capítulo 1.
Notas iniciais
Point of view: Carter.
– Todos saúdem a rainha Carter Mason!
– VIVA!
Segurei a mão que me foi oferecida por um dos guardas e levantei-me do trono no ponto mais alto localizado no primeiro andar do palácio. Caminhei por entre os súditos agradecendo em gestos afirmativos com a cabeça e permiti-me dar um suspiro quando finalmente pisei no térreo.
– Tem certeza que quer fazer isso, minha rainha?
– É necessário, Bull. Os povos de Costa Estrella e Costa Luna desejam isso há anos, e se isso é um desejo do meu povo eu irei realizá-lo custe o que custar.
– Carter. – sorri ao soltar a mão do guarda que me acompanhava e segurei a do meu pai –
– Minha rainha, Major Mason, vossa permissão para me retirar. – o homem alto e musculoso fez reverencia –
– Concedida, Bull. Pai, o helicóptero está pronto?
– Sim Carter, está. Ainda acho que deveria pensar um pouco mais sobre isso, Rosalinda não é uma rainha muito amigável.
– Farei o que for preciso para ver a minha gente feliz, e meu trato não será com Rosalinda, será com Sophia.
– Mas a rainha de Costa Luna é Rosalinda. – as sobrancelhas grossas vincaram na testa do meu pai –
– Não se preocupe, logo estarei de volta com uma trégua. Vou provar a Costa Estrella que sou uma mulher de palavra. – segurei meu vestido com as duas mãos logo que soltei a mão do meu pai – Mandarei notícias.
– Não saia do palácio real de Costa Luna, Carter. Sophia tem autorização para me chamar em qualquer situação de emergência que envolva você ou Rosalinda.
– Estarei segura, Major.
Os braços fortes envolveram-me em um abraço apertado me passando segurança antes que eu subisse no helicóptero e seguisse até Costa Luna. Planejava aquela viagem desde que havia sido nomeada rainha quando tinha apenas 16 anos, e por incrível que pareça, o mesmo acontecia em outro país vizinho com Rosalinda, uma jovem com exatamente a mesma idade que eu. Sempre quis visitar o país e conhecer as realezas pessoalmente, porém o real motivo que me levava até lá era totalmente diferente. Hoje com 20 anos estou indo até lá buscar um tratado de paz. Nossos países são colados um no outro e por serem muito pequenos os povos se misturam, entretanto há dois anos a rainha Rosalinda decretou que quem cruzasse a fronteira do país deveria morrer. Cruel, não? No começo ambos os povos concordaram com tal insanidade e eu não me opus, afinal havia sido coroada rainha por sempre pensar no melhor para o país, porém pessoas estavam morrendo sem necessidade e não concordava com tal atrocidade. Que mal há em cruzar fronteiras de um país tão pequeno apenas para visitar a família ou amigos? Ao perceber o helicóptero aterrizar no palácio de Costa Luna voltei a segurar meu vestido e desci lentamente alinhando na cabeça a coroa que me foi oferecida por Bull. Dei o braço ao meu guarda real e em silêncio seguimos atrás do anunciante. Quando a enorme porta de vidro foi aberta, o homem soltou a voz forte como um trovão no alto da escada.
– Vossas excelências , rainha Carter Mason se apresenta!
Fardados aproximaram-se de nós fazendo reverencia enquanto eu descia a escada do palácio concentrada para não tropeçar na barra do meu próprio vestido. Observei atentamente o rosto de Sophia, reverenciando-a antes de mirar a mulher ao lado dela, repetindo o gesto.
– O que veio fazer aqui, Carter? – a fala procedeu da mais nova –
– Vim para tratar com a senhora, rainha Sophia. Se é que me permite. – ignorei-a –
– Vou pedir a cozinheira que prepare um chá para que possamos conversar mais à vontade. Rosalinda irá acompanhar-te até o quarto que mandei preparar para você. Rosie, por favor.
– Certo mãe.
Rosalinda era a mulher mais elegante e bonita que já havia visto em toda a minha vida. Pedi a Bull para que fosse buscar minha mala enquanto continuei a seguir a rainha pelo palácio até estarmos de frente para uma porta enorme no segundo andar.
– Saiba que se está aqui para pedir que volte atrás com minha ordem, jamais conseguirá isso! – a voz da mulher soou forte já dentro do cômodo –
– Como disse, não estou aqui para tratar com você. – tornei a ignorá-la, o que pareceu aflorar a ira dela –
– A rainha de Costa Luna sou eu, Carter! O que eu disser é o que irá ser.
– Por isso irei falar com sua mãe. O que ELA disser é o que IRÁ ser. Ou você vai contrariar sua mãe e todo o seu povo?
Sorri vitoriosa em pé diante da figura transtornada de Rosalinda. Achei que se afastaria, porém fui surpreendida ao ver que se aproximou, segurando-me pelo rosto.
– Está me desafiando, Carter?
– Jamais, vossa majestade. Não sou tão atrevida.
– Me parece que sim. Mas deixarei que crie esperanças somente para destruí-las depois.
– Você é uma pessoa muito triste e estranha, Rosalinda. Agora se me permite, desejo ficar sozinha.
Esperei que ela se retirasse para livrar-me de toda aquela roupa que usava. Por baixo do vestido havia saias e mais saias para mantê-lo formal como deveria ser. Deitei-me na cama de bruços apenas de roupa íntima e pisquei com firmeza ao observar o sol a pino refletindo no chão da varanda do quarto. Há muito tempo observava Rosalinda de uma forma diferente, desejosa. O que mais me chamava a atenção eram os seios que pareciam grandes demais para os vestidos justos que usava, e fazia propositalmente. Contornei meus lábios ao senti-los secos diante da lembrança de vê-la trajando um vestido completamente sensual em um jantar oferecido no palácio assim que fomos coroadas. Simplesmente encantadora. Fui despertada por batidas na porta.
– Quem é? – deixei a formalidade de lado –
– Sou eu, minha rainha! – Bull – A rainha Sophia aguarda vossa majestade na sala de jantar em dez minutos!
– Já estou indo, Bull!
Decidi que não precisaria ser tão formal diante do fato de ambas as rainhas estarem trajando vestidos simples e decidi colocar algo simples também, porém sério. Não estava ali para brincar. Segui de braço dado com Bull até a possível sala. Era tão grande quanto a do meu palácio, com uma mesa repleta de cadeiras, muitas poltronas espalhadas pelo ambiente, quadros pendurados nas paredes com fotos dos reis e rainhas do passado, velas, lustres, tapetes entre outras coisas. Sentei-me na cadeira que me aguardava, de frente para Rosalinda. Sophia estava na ponta, e nós duas estávamos dos lados.
– Sei para que veio, Carter. – a rainha tomou um gole de seu chá –
– Quero o melhor para o meu povo, Sophia. – segurei a xícara, levando a mesma até a boca e provando do liquido – Pessoas morrem todos os dias sem necessidade. Tanto de Costa Luna quanto de Costa Estrella.
– Gostaria de deixar bem claro que concordo com a trégua. Por mim o tratado seria assinado hoje, porém a rainha de Costa Luna é Rosie e a decisão pertence somente dela.
Encarei o rosto sorridente da mulher a minha frente. Deveria levá-la para a cama e aproveitar para fazer com que assinasse o tratado. Isso beneficiaria ao meu país e a mim, que há tanto desejava um contato mais íntimo com ela.
– Você pode convencê-la, Sophia. – rebati o argumento usado – É a mãe dela afinal.
– Rosie já é uma mulher e tem idade o suficiente para agir por conta própria. Infelizmente não cabe mais a mim dizer a ela o que fazer.
– Pensarei sobre isso. Se me dão licença, preciso me retirar pois Elegante está esperando para fazer a medida de meu novo vestido.
Ao contrário da filha, Sophia era uma mulher simpática e feliz, e passar o resto da tarde conversando com ela e tomando chá foi extremamente agradável. Quando começou a anoitecer ela pediu para retirar-se pois dormia cedo e gostaria de tomar banho e fazer sua leitura diária. Voltei para o meu aposento provisório e novamente fiquei de roupa íntima aproveitando o vento que corria livre pela porta da varanda que estava aberta. Observei a lua que movia-se lentamente pelo céu repleto de estrelas e permiti a mim mesma tirar um cochilo antes de tomar banho e colocar meu pijama. Acordei um tanto quanto assustada ao ouvir a porta do quarto bater violentamente.
– Olhe aqui, Carter. – Rosalinda aproximou-se de mim e apontou o indicador na direção de meu rosto – Quem pensa que é, ahn?
– Pensei que era educada, rainha. Não aprendeu a bater antes de entrar? – franzi o cenho porém não fiz a menor questão de cobrir meu corpo semi nu –
– Estou no meu palácio, não se esqueça. Não mude o rumo dessa conversa! Pensa que pode vir até aqui e simplesmente passar por cima da minha autoridade indo falar com a minha mãe para me convencer a assinar esse maldito tratado? De que planeta você é? – levou as mãos pálidas até as laterais da cabeça em sinal de frustração –
– Em momento algum quis passar por cima da sua autoridade, só quero que acabe com todas essas mortes desnecessárias que vem acontecendo antes que isso vire uma guerra, Rosalinda!
– Saiba você que seu povo medíocre estava fazendo comércio ilegal no meu pais. – as mãos agora estavam no quadril – A única medida que me veio a cabeça foi expulsá-los e proibir que qualquer um cruzasse as fronteiras.
– Acha que violência resolve algo, Rosalinda? – levantei-me da cama, ficando próxima dela –
– Em alguns casos somente apelando para violência.
Num movimento rápido segurei-a pelos dois pulsos e virei o corpo bem definido de costas para mim, guiando-a com velocidade até a parede onde pude pressioná-la de frente e empurrei meu corpo despido contra a costa nua pelo vestido ser frente única. Antes de começar a falar, soltei os pulsos lentamente.
– Vamos fazer de conta que sou Costa Estrella e você Costa Luna, certo? – sussurrei com a boca próxima ao ouvido dela –
– Me solte! – rosnou entre os dentes – Chamarei os guardas!
– Não te deixarei gritar. Quem está no comando aqui, Rosie? – pressionei ainda mais meu corpo contra a costa dela –
– Nunca direi isso. – debateu-se com dificuldade entre meu corpo e a parede – Solte-me, Carter!
– Em alguns casos, somente apelando para violência. – voltei a sussurrar antes de morder a orelha vulnerável –
– Pare com isso imediatamente! Louca! – o tom de voz estava diferente, mais baixo –
– Quer que eu te solte, Rosie? – beijei uma pequena parte descoberta do pescoço quente –
– Agora! – ela não se moveu um centímetro –
– Suas mãos já estão soltas desde o começo dessa conversa.
Afastei-me da garota que tinha o corpo colado a parede e sorri ao ver o choque atravessar o rosto ruborizado. Sem dizer mais nem uma palavra ela atravessou o quarto com passos lentos, olhando algumas vezes para mim antes de deixar o cômodo em silêncio. Tomei banho e vesti-me adequadamente para jantar, e segui novamente para o quarto, adormecendo depois de escovar os dentes e colocar o pijama. Rosalinda não jantou naquela noite. Ao acordar na manhã seguinte resolvi caminhar pelo gramado verde limão que cercava toda a região do palácio e assim o fiz, esbarrando com um homem alto de cabelo bem aparado e um sorriso brincando na face. Parei diante dele, que fez reverencia e apresentou-se.
– Vossa majestade, permita que eu me apresente. – ele tomou minha mão, beijando-a – Sou Elegante.
– Ouvi falar de você, Elegante. – sorri – É um prazer. Conseguiu terminar o vestido de Rosie ontem?
– Sim, consegui, e se não for muita intromissão da minha parte, sabe por que Rosalinda estava tão irritada? Minha rainha é sempre tão sorridente. – dei o braço a ele enquanto caminhávamos através do jardim –
– Problemas com um tratado. Ela não quer que Costa Luna e Costa Estrella sejam povos livres para ir e vir. Vim até aqui para fazer sua rainha mudar de idéia, mas pelo visto o peso da coroa deixa ela cada dia mais cabeça dura.
– Rosie se preocupa muito com o país e acha que essa facilidade para ir e vir pode gerar problemas futuros. – avistei a mulher de beleza inigualável vir em nossa direção com um olhar furioso –
– Me incomoda o fato de ela tratar Costa Estrella como um país desonesto. Nunca roubamos nada de ninguém, e nem precisamos.
– Tenho certeza disso, Carter.
Soltei o braço de Elegante conforme nos aproximamos da mulher de cabelos longos. A coroa dourada refletia o sol e fechei os olhos virando-me de costas para acabar com o contato direto da luz em meus olhos.
– Como ousa me dar as costas?
Revirei os olhos rogando a Deus por paciência e auto controle para não matá-la ali mesmo. Minha dúvida era se mataria antes de beijá-la ou depois. Voltei a ficar de frente para ela dando um pequeno passo para trás quando percebi a proximidade de nossos corpos.
– Sua coroa me incomoda. – dei de ombros com um sorriso no canto do rosto –
– Não vejo a hora de você voltar para o seu país! – o olhar profundo pareceu me despir –
– Dê-me a sua linda assinatura e irei hoje mesmo, rainha.
– Nunca. – um sorriso rápido formou-se e quase que no mesmo instante se desfez –
– Então nunca irei embora.
– Irá abandonar seu povo por uma rixa idiota, Carter Mason? – a sobrancelha esquerda ergueu-se –
– Estou aqui unicamente por eles, Rosalinda Montoya. – repeti o gesto –
– Melhor você preparar uma roupa, teremos um baile a fantasia hoje. – disse indiferente –
– É mesmo? E para que? – cruzei os braços –
– Para que eu ache um marido. Para que mais seria?
O pronunciar da palavra “marido” atingiu-me diretamente. Então ela iria dar um baile a fantasia para encontrar o príncipe encantado que não era corajoso o suficiente para dar as caras e precisava esconder-se sob máscaras? Que clichê. Andei de volta até o palácio, juntando-me a rainha Sophia para o almoço que novamente foi muito agradável. Perguntei-me de quem Rosie havia herdado aquele gênio tão explosivo e caloroso. Retirei-me da mesa pouco depois de Sophia e segui para o meu quarto, pedindo a um dos guardas que chamasse Bull e não demorou muito até que ouvisse as batidas na porta.
– Entre, Bull.
– Minha rainha. – ajoelhou-se ao lado da cama – Estou as suas ordens.
– Preciso de um favor. – fiz sinal para que o homem de cabelos dourados se levantasse – Tem uniformes extras?
– Um monte deles. – franziu o cenho –
– Me traga um. No menor tamanho que encontrar para não ficar muito grande. A insuportável da rainha mais nova irá dar um baile a fantasia hoje para encontrar o príncipe encantado. Se é que o mesmo existe.
– Irá se fantasiar de guarda real, minha rainha? – um sorriso divertido apontou no rosto másculo –
– Ria Bull, sei que é engraçado. – rimos juntos – Não estou com paciência para procurar algo melhor do que isso, e não é do meu interesse ficar mais do que meia hora nesse baile inútil.
– Tudo bem, providenciarei isso agora mesmo. Mais alguma coisa?
– Hm, na verdade sim. Seja meu acompanhante. – sorri –
– Acompanhante? – os olhos esverdeados pareciam querer saltar da face – Seria uma honra, minha rainha. Mas não seria estranho?
– Na verdade não é acompanhante, é como um parceiro. Ninguém precisa saber que serei eu naquela roupa, certo?
– Certo. Com sua licença.
– Claro Bull.
Deixei-me cair sentada na cama macia e permaneci ali com o pensamento distante. Por um lado estava feliz de estar ali longe de toda a pressão que era comandar um país aos 20 anos sem a ajuda de ninguém, e por outro lado sentia vontade de correr através daquele palácio e mostrar a Rosalinda que uma mulher poderia muito bem exercer o papel de um homem na vida dela. Eu não a amava, mas estava de fato apaixonada há tanto tempo que havia perdido a conta. Lembrar da sensação de ter a pele macia do pescoço em meus lábios me fez estremecer e dei um grito frustrado socando a cama com frustração. Ao decorrer da tarde permaneci na varanda do meu quarto lendo um livro enquanto ambas as rainhas pareciam ocupadas organizando todas as arrumações para a festa. Foi divertido ver Rosie completamente atrapalhada. Deixei para me arrumar assim que o primeiro candidato chegasse e assim foi. A farda parecia engolir-me, mas por um lado agradeci pois assim meus seios não ficariam tão visíveis e eu seria facilmente confundida com um homem. Escondi todo meu cabelo dentro do quepe, coloquei a máscara que tomava quase todo meu corpo e desci incomodada com a espada presa em meu quadril. Por força do hábito recebi uma reverencia do meu acompanhante e sorri.
– Espero que minha rainha volte intacta dessa festa. Cuidado para Rosalinda não escolher você. – a expressão pervertida no rosto dele me fez dar uma gargalhada –
–Vamos logo, Bull. Quanto mais cedo formos mais cedo voltamos.
Ao chegar no salão pude ver diversas ascendentes a rainha e muitas das próprias conversando e bebendo de um lado do espaço enquanto os homens estavam do lado oposto apenas observando e aguardando a verdadeira dona da festa aparecer. Tomei para mim um copo de ponche e virei todo o conteúdo em um só gole. Um dos homens aproximou-se de mim cutucando-me pelo ombro. Olhei-o com indiferença permanecendo de braços cruzados ao lado de Bull.
– Aquela princesa não para de te olhar. – a voz grave dominou meu ouvido direito –
– É mesmo? – engrossei a voz o máximo que consegui, passando despercebida pelo príncipe –
– Sim. Por que não vai até lá?
– Estou aqui para ser escolhido por Rosalinda.
– É, todos nós estamos. Sou o príncipe Edwin St-Paul De Vince. Você é? – a mão grossa foi estendida para mim –
– Sou o príncipe Donny Imperattóri. – disse o primeiro nome que me veio a cabeça antes de apertar a mão dele –
Mantive o silêncio agradável enquanto tomava um segundo copo de ponche apoiada na mesa repleta de bebidas. Se Rosalinda demorasse um pouco mais eu sairia dali e dane-se o comprometimento. Poucos minutos depois do meu pensamento ela desceu simplesmente perfeita. A fantasia de pirata parecia cair como uma luva para ela, e os cachos meio dourados em seu cabelo realçaram ainda mais a beleza, fazendo-me engolir a seco enquanto um sorriso despontava na face da rainha.
– Você está quase babando, cara. – Edwin cutucou-me novamente dando uma risada debochada – Ela está linda demais, céus!
Esperei até que os ânimos masculinos estivessem mais calmos para me mover por entre eles, mas fui parada no meio do caminho por dedos finos e delicados que tocaram meu braço.
– Ei príncipe, por que tanto mistério debaixo dessa máscara? – a loira de cabelos cacheados passo os braços ao redor do meu pescoço – Qual o seu nome?
– Donny. – limitei-me a dizer isso –
– Bonito nome, Donny. Sou a princesa Chelsea.
O tempo inteiro em que fui obrigada a dançar com a garota meu olhar ficou preso em Rosalinda, que também me olhava diversas vezes enquanto falava com príncipes de verdade. Bull provavelmente estava se divertindo com alguma princesa enquanto eu me metia em uma verdadeira encrenca. Chelsea aproximou os lábios rosados dos meus e meu reflexo de afastar o rosto foi inevitável.
– Com licença, Chelsea. Posso falar com esse príncipe um minuto?
– Ele está comigo, Rosie. – os braços não saíram do meu pescoço –
– A noite é minha. Saia.
Engoli a seco quando os braços da garota deixaram meu pescoço dando espaço para que os braços quentes de Rosalinda envolveram meu pescoço e sua boca aproximou-se do meu ouvido.
– Você realmente se parece com um homem nessa farda. Até que a idéia não foi ruim, mas é melhor você voltar para o seu quarto antes que alguma princesa ataque você.
– Está preocupada se alguma princesa vai me atacar, Rosie? – levei as mãos até a cintura fina, apertando-a suavemente –
– Não. Não mesmo.
– Parece que está. – aproximei ainda mais nossos corpos –
– Já chega, me solte.
As mãos antes envolvidas em meu pescoço tocaram meus ombros, afastando apenas a parte de cima de nossos corpos. Olhei-a ainda alguns segundos antes de usar a mão esquerda para segurar o rosto avermelhado e aproximei-o do meu, deixando que nossos lábios se tocassem por um longo tempo. Esperei que um tapa ou até mesmo um soco fosse acertado em meu rosto, porém fiquei em êxtase quando os dedos de Rosalinda percorreram meu pescoço e seguraram minha nuca. Quase desfaleci quando a língua quente pediu passagem entre meus lábios antes de encontrar-se com a minha, provocando uma descarga elétrica que pareceu atravessar ambos os corpos: o meu e o de Rosie. O beijo tornou-se sólido e aproveitei para envolver a cintura dela novamente com os dois braços, apertando nossos corpos um contra o outro deixando transparecer no beijo e no toque toda a vontade que sentia de tê-la ali mesmo. Admito que não estava entendendo o motivo de não estar sendo espancada, porém não iria nem ao menos questionar. Uma mordida violenta fez meu lábio inferior arder.
– Vamos sair daqui. – a voz rouca me fez estremecer –
– O que? E para onde nós vamos? – afastei o rosto outra vez –
– Você não sentiu? – balancei a cabeça em tom negativo e senti minha mão esquerda ser levada até o coração acelerado da rainha em meu braço – Meu corpo está chamando pelo seu nome, Carter!
Respirei fundo antes de tomá-la pela mão livre e guiá-la até onde Sophia estava. Fiz uma reverencia totalmente desordenada devido ao fato do meu corpo estar visivelmente tremulo e dominado pelo desejo.
– Majestade, peço permissão para me retirar com a rainha por uma hora ou duas no máximo. – não forcei a voz, tinha a desculpa perfeita – Vamos conversar sobre o tratado.
– Oh, que ótimo! Podem ir, demorem o tempo que for necessário, a festa não vai acabar tão cedo.
Manter a calma num momento como aquele era definitivamente impossível, contudo eu não queria deixar transparecer o quão ansiosa eu estava. Não precisei manter a calma por muito tempo.
– Ah que inferno! Vamos correr.
Quase não consegui acompanhar o raciocínio de Rosie antes de perceber que estava sendo arrastada pela mão e quando entramos em meu quarto a porta foi trancada pela própria rainha, que tomou meu rosto entre as mãos iniciando um beijo mais apressado do que o primeiro. Guiei-a até a cama, fazendo com que o corpo de Rosie deitasse lentamente sendo coberto em seguida pelo meu. As pernas bem torneadas envolveram meu quadril forçando-o para baixo ao mesmo tempo em que as mãos ágeis retiravam a jaqueta que fazia parte da farda. Manter a concentração no beijo não era difícil, nós estávamos quase nos devorando pela boca para ser sincera. Usei as mãos para empurrar as pernas dela e romper o laço que faziam em meu quadril e sentei na barriga de Rosie, retirando dela toda a parte de cima da roupa que usava, deixando a mostra os seios que tanto me chamavam a atenção em diversas situações e naquele momento não foi diferente. Aproveitei a posição em que estava para livrar a mim mesma da minha camiseta e deixar minha barriga nua, porém respirei fundo ao constatar que ainda estava morrendo de calor. Abaixei-me e tomei a boca de Rosie outra vez, apoiando o peso do corpo em um dos braços enquanto minha mão livre percorria a lateral do corpo quente debaixo do meu. Pressionei os dedos na região da cintura/quadril antes de levar os mesmos até a coxa que novamente envolvia e pressionada meu corpo. Um gemido foi abafado pelo beijo quando minha mão adentrou a lateral da saia com facilidade e minhas unhas arranharam o inicio da coxa de Rosie. Eu tinha tudo para travar naquele momento, era minha primeira experiência sexual com uma mulher, mas a voz sussurrou um incentivo no meu ouvido parecendo saber o que estava acontecendo.
– Eu preciso de você, Mason.
Suspirei ao passar a mão pelo meu próprio rosto e constatar que ele estava queimando. Com dificuldade consegui desencaixar meu corpo das pernas da rainha e ao mesmo tempo em que minha mão retirava a última parte de pano que me impedia de ter Rosie por completo escorreguei os lábios pelo pescoço ardente depositando no limite entre o pescoço e a nuca um chupão. Precisei parar por um segundo para registrar na minha memória o gemido que preencheu o quarto. Adiei o máximo que pude o caminho de volta da minha mão, mas quando finalmente toquei o ponto mais pulsante do corpo dela quem quase foi ao céu fui eu. Aos poucos ia ficando claro o que exatamente eu deveria fazer e onde deveria fazer até estar dentro. Totalmente dentro. O ritmo dos meus movimentos era guiado pelos gemidos da rainha. Quanto mais altos, mais rápidos. Quanto mais longos, mais intensos. Observei os seios rígidos diversas vezes com o rosto corado decidindo se deveria ou não fazer aquilo, porém decidi deixar a timidez de lado e contornar o seio direito de Rosie com a ponta da língua, mordendo o bico exposto em seguida. Engoli a seco quando meu cabelo já solto foi puxado violentamente e meu ombro direito foi mordido profundamente enquanto o corpo inteiro dela se contorcia em espamos torturantes até mesmo para mim. Os dois dedos que eu mantinha em movimento perderam a facilidade para deslizar indicando que ela havia atingido o ápice. Encostei nossas testas dando um selinho demorado nos lábios avermelhados e permaneci assim por um tempo até perceber um sorriso leve se formar no rosto satisfeito da mulher.
– Temos um tratado de paz, minha rainha? – enfatizei a palavra minha –
– Temos um tratado de paz, minha majestade. – e tornou a beijar-me –
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