Queen.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Point of view: Carter.
Antes de voltarmos para a festa eu fui até meu quarto e vesti-me a caráter do que realmente era: uma rainha.
– Vossa majestade é encantadora dessa forma, mas estava sexy com farda. – sorri ao ver Rosie abraçar-me por trás –
– Não lhe agrada dessa forma, minha rainha? – virei-me para ela com a sobrancelha esquerda apontando na direção do céu –
– Se me permite dizer, me agrada de qualquer forma.
– Não dou esse tipo de intimidade aos meus súditos, vou pedir a Bull que te leve para a guilhotina.
– O que fará com meu corpo se não tiver minha cabeça? – o sorriso que vi nascer em seu rosto foi pervertido –
– Nem queira saber, majestade.
Demos as mãos para sair e nos dirigimos até a porta, porém antes de girar a maçaneta recebi um selinho demorado e uma pergunta foi sussurrada em meus lábios.
– O que direi quando minha mãe perguntar quem escolhi?
– Ninguém. Diga a verdade: foi escolhida.
Ao voltar para o salão não demorou muito tempo até que Bull estivesse disposto a minha esquerda erguendo uma almofada que suportava minha coroa dourada reluzente. Ajustei-a de forma que não incomodasse e subi em um tipo de palco ao lado de Rosie e Sophia. O microfone foi estendido para ela com uma reverencia e a voz sexy tomou conta do local.
– Gostaria de aproveitar a ocasião para anunciar algo. Pode não ser importante para a maioria aqui, mas é importante para Costa Luna. Nós agora temos um acordo com Costa Estrella outra vez.
As vozes começaram a confundir-se ao mesmo tempo em que Rosie, Sophia e eu descíamos do lugar sempre acompanhadas por nossos guardas.
– Bull, Dom, Patrick, a festa está perfeita, não?
– Com certeza, majestade. – o guarda mais alto que protegia Rosalinda pronunciou-se –
Observar Rosalinda totalmente imponente ao meu lado fez meu corpo arrepiar-se da cabeça aos pés. A pose da rainha era simplesmente adorável. Será que eu andava tão sensualmente quanto ela? Sorri com o rosto corado ao ser pega em flagrante.
– Rosie, quem era o rapaz que você estava beijando mais cedo? Ele era um dos seus guardas, Carter!
– Você viu? – olhei rapidamente para Rosalinda, que parecia alarmada –
– Sim, todos vimos. Tantos príncipes para escolher e você beijou um guarda. – Sophia balançou a cabeça negativamente – Na verdade ele usava uma farda exatamente igual a que Carter estava usando, com uma espada empenhada na cintura! Quem era aquele rapaz, Carter?
– Na verdade, majestade... – tossi para ganhar mais tempo – Ele...
– Se me permite, minha rainha. – Bull puxou-me para mais perto de si fazendo com que eu me calasse – Aquele rapaz era eu.
Nossa caminhada foi interrompida quando Sophia parou de andar e olhou-nos como se analisasse cada expressão facial. Olhou de Rosie para Bull, de Bull para Rosie, de Rosie para mim, outra vez para Bull, outra vez para mim e sua pequena análise terminou em Rosie novamente. Ela havia visto Rosie beijando alguém fardado, e em seguida Rosie apareceu comigo, em uma farda de guarda real, nós desaparecemos por duas horas. Ela sabia de tudo.
– Uma boa escolha, querida. Tenho certeza que é um rapaz direito, ou então não seria guarda de Carter desde a adolescência. Agora que sua escolha está feita irei para meus aposentos, preciso ler ainda hoje antes de dormir, estava apenas esperando a decisão de ambas com respeito ao tratado! Aproveitem o resto da festa, crianças.
Aguardei que Sophia desaparecesse com Patrick e soltei todo o ar que incomodava meus pulmões por estar preso há algum tempo. Bull manteve sua posição ao meu lado enquanto Rosalinda afastou-se com Dom e ambos pareciam irritados com alguma situação.
– Deseja pegar um ar enquanto espera, majestade?
– Sim, Bull. Acho que temos muito o que conversar.
Saí sem que Rosie percebesse. Ela parecia ocupada tentando convencer Dom a fazer algo que ele simplesmente se negava. Meus pés reclamaram dolorosamente quando os primeiros passos foram dados na grama, o que exigiu um pouco mais de esforço para manter o caminhar ereto e firme que eu fazia questão de exibir mesmo estando em um salto que era dez vezes maior do que o necessário.
– Então... Disse que precisava tomar cuidado para que Rosalinda não escolhesse a minha rainha e veja só, ela escolheu! – Bull conteve uma risada –
– Pare de prender o riso, Bull. Não precisamos disso. – ele deu uma gargalhada divertida –
– Rosie sabe que por baixo de toda aquela roupa estava a minha majestade? – balancei a cabeça em tom afirmativo – Hora hora hora, então foi uma escolha consciente! Muito inteligente de sua parte, rainha.
– Inteligente? – franzi o cenho desnorteada pelo rumo da conversa –
– Não foi o que vossa senhoria planejou? Para conseguir o tratado, digo...
Como se o choque travasse meu corpo eu estacionei no mesmo lugar em que estava e Bull olhou-me um tanto quanto confuso. Corri para dentro do palácio onde a festa aparentava estar chegando ao fim e avistei a rainha séria outra vez, olhando diretamente para mim como se estivesse controlando o desejo de perfurar meu corpo por inteiro com a espada presa na cintura do guarda a seu lado. Aproximei-me lentamente com Bull temendo uma reação violenta de ambas as partes e parei diante da figura sempre imponente de Rosie.
– Podemos conversar, alteza?
– Não.
Permaneci no mesmo lugar observando atentamente o olhar que me era dado. Parecia queimar-me por inteira, de ponta a ponta. Decidi que era melhor deixá-la sozinha para que pudesse ficar mais calma e segui para o meu quarto sempre acompanhada pelo meu segurança. Já dentro do meu quarto peguei o aparelho eletrônico que havia levado apenas por segurança para falar com meu pai caso fosse necessário. Eu odeio coisas eletrônicas.
– Mason.
– Olá major. – deitei-me na cama de barriga para cima – Adivinhe quem tem um tratado com uma assinatura novinha em folha.
– Está falando sério?
– Sim.
– Como conseguiu que Rosalinda assinasse?
–Conversaremos sobre isso depois. – suspirei ao lembrar-me da cena – Voltarei para Costa Estrella amanhã.
– Ótimo. Quanto menos tempo fora de casa melhor. Estarei esperando por você aqui, Carter. Até amanhã.
– Até.
Antes de dormir, certifiquei-me de que o tratado estivesse seguro dentro da minha mala. Se Rosalinda estava tão furiosa quanto aparentava o único lugar seguro era ali, sob a proteção de um cadeado e é claro de Bull, que vigiava a porta cada segundo enquanto eu estivesse lá dentro. Logo nas primeiras horas da manhã os gritos estridentes vindos do lado de fora do quarto acordaram-me.
– A MINHA RAINHA DESEJA FALAR COM CARTER! – Dom –
– A MINHA RAINHA NÃO QUER SER INCOMODADA, E ELA NÃO SERÁ!
Levantei-me num salto colocando o primeiro vestido que encontrei e abri a porta ainda zonza. A espada de Dom estava encostada na garganta de Bull, e a espada do meu guarda fazia a mesma coisa. Rosalinda estava com os olhos assustados diante da cena.
– Cavalheiros, abaixem essas espadas, eu já estou aqui. O que está havendo?
– Majestade. – Bull ajoelhou no chão, ficando de pé novamente em seguida – A rainha Rosalinda deseja ter com a senhora, mas eu disse que não tinha permissão para deixar que ninguém entrasse no quarto.
– E fez certo. Bull, me acompanhe por favor. O que deseja, Rosalinda? – abri a porta do quarto novamente e segui até o móvel onde estava minha coroa e a escova que usava para desembaraçar meu cabelo –
– Quero que me devolva o papel que assinei ontem. – olhou-me através do espelho –
– Não o farei. – depois de ajeitar os fios que insistiam em cair sob meus olhos eu coloquei a coroa na cabeça – Deseja algo mais?
– Será que esse maldito guarda pode se retirar? – ela rosnou entre os dentes – Precisamos conversar em particular.
– Ele fica, não escondo nada de Bull.
– Ótimo, ele sabe que você usou sexo para conseguir a porcaria do tratado que queria? – as mãos delicadas apoiaram-se no quadril coberto pelo vestido rosa que marcava cada curva do corpo sensual –
– Bull sabe sobre o que aconteceu, mas eu não usei sexo para conseguir nada Rosalinda. – levantei-me da cadeira seguindo na direção do banheiro, onde lavei o rosto e comecei a escovar os dentes enquanto a mulher atrás de mim dava um ataque –
–Ah não, não usou mesmo. Você usou a mim, não foi? Me mata saber o quão estúpida eu fui! – uma das mãos esfregou o rosto como se pudesse arrancar um pedaço do mesmo – Eu exijo que você me devolva isso! Agora! Diga-me onde está ou eu irei virar esse quarto de cabeça para baixo até encontrá-lo! Diga Carter!
– Hm... – virei-me para ela já com a boca limpa e sorri com toda a calma do mundo – Vá em frente, majestade. Faça isso. Quem sabe fará você sentir menos vontade de me beijar.
– Mas o... Coloque-se no seu lugar! Para mim você não passou de uma experiência! – as bochechas pálidas tinham um tom vermelho indicando que o sangue fluía com mais firmeza por aquela região –
– Não é isso que seus olhos dizem, Rosalinda. – segurei-a pela cintura com o rosto inclinado levemente para baixo pelo fato dela ser menor do que eu – Muito menos o seu corpo.
– Solte-me. – a voz foi baixa porém firme – Ou eu não permitirei que saia desse país viva.
– Se não tiver você comigo não faço a menor questão de viver.
– Você conta demais com a sorte, majestade. – senti a mão acertar um tapa em cheio na minha face esquerda levando meu rosto a virar de lado – Será que agora entenderá meu desejo? Ordeno que me solte.
– Bem, eu tenho uma novidade para você, Rosalinda. – virei o rosto de frente para ela novamente – Você não pode ordenar uma rainha a fazer nada.
Soltei-a com revolta e parei ao lado de Bull, que já tinha minha mala pronta e o braço estendido. Comecei a caminhar com ele pelo quarto quando em certo momento, antes mesmo de alcançar a porta, a ponta de meu cabelo foi puxada para trás fazendo com que um grito alto escapasse de minha garganta devido a dor.
– SOLTE-A! – Bull retirou a espada e apontou na direção dela –
– ABAIXE ESSA MALDITA ESPADA! – Rosalinda estava puxando cada vez mais meu cabelo, eu apenas tentava puxar o braço dela para cima –
– SOLTE MINHA RAINHA! – ele aproximou-se um pouco mais e eu arregalei os olhos –
– Bull, tudo bem! – ele ameaçou atacá-la quando ela puxou-me ainda mais e eu sentei no chão – TUDO BEM CARAMBA! VAMOS FICAR TODOS CALMOS! – fechei os olhos ao dar impulso para colocar-me de pé novamente, dessa vez de frente para Rosalinda – Você não vai soltar?
– Não terminamos essa conversa. – dessa vez a mão estava presa a minha nuca –
– Como quiser, alteza.
Prendi minha mão da mesma forma que a dela, entre o cabelo na altura da nuca.
– Não sou mulher de puxar cabelo, Carter. Vamos lutar esgrima. – quando os dedos soltaram-se de meu cabelo, Bull puxou-me para trás e colocou-se entre nós –
– Por que eu lutaria com você sabendo que as chances que tem de ganhar são mínimas? – aproveitei que ela não estava vendo para massagear o local onde meu cabelo havia sido puxado, estava dolorido –
– Eu não estaria tão certa disso,majestade.
– Certo, então iremos lutar esgrima. Bull, traga minha mala por favor. Me ensine o caminho, Rosalinda.
Durante todo o percurso pelo palácio eu não consegui tirar os olhos da mulher a minha frente. Encontrar uma forma de convencê-la de que não havia sido usada e que minha intenção de ter um relacionamento sério com ela era real. Ao receber o uniforme das mãos de Dom, troquei-me rapidamente em um dos aposentos que me foi oferecido pelo mesmo. Sophia aproximou-se de nós um tanto quanto confusa.
– Carter?
– Majestade. – fiz reverencia enxergando com dificuldade o rosto da mulher através da máscara –
– Onde está Rosalinda? – o semblante estava sério e franzido –
– Estou aqui.
Agradeci mentalmente por estar com uma máscara que não permitia a Rosie que visse minha expressão. Aquele uniforme de esgrima deixou-a inúmeras vezes mais atraente pelo fato de que todas as curvas do corpo bem definido ficaram marcadas pela roupa justa. A forma como parou ao lado de Sophia, com a espada apoiada no chão, uma perna esticada e a outra levemente dobrada suportando o peso do corpo que se apoiava ali, engoli em seco.
– Vamos, Carter.
– Qual a finalidade dessa luta? – Sophia –
– O tratado. Eu o quero de volta.
– Pensei que haviam entrado em um acordo.
– E entramos, mas Rosie é muito mais desequilibrada do que pensei. – ao afirmar isso, a espada da mulher foi empenhada e apontada na minha direção violentamente –
– Ei! Acalmem-se, certo? Se querem resolver desta maneira não vou interpor, são grandes e sabem o que fazem, mas pelo menos façam na arena.
Dom parecia estar alerta o tempo inteiro enquanto Rosie, Bull, e eu seguíamos até a arena. Era a céu aberto, com algumas arquibancadas pequenas e uma cabine que provavelmente era de locução, o chão era de areia e haviam vestiários no subsolo. Bull ficou de um lado afastado com minha mala e Dom do outro, com o semblante feio como sempre. Rosalinda estava tão perto que preciso admitir, eu estava amedrontada. Ela tinha uma espada, muita raiva e meu coração na mão.
– Eu odeio você por fazer com que eu me sinta uma idiota apaixonada. – o rosnado dela pareceu invadir minha mente –
O som de um apito anunciou o inicio da luta. Afastei-me rapidamente com a espada ainda abaixada. Procurei manter o olhar fixado no ferro afiado na mão da mulher a minha frente e desviei de um ataque encima da hora, quase sendo acertada na cintura. Começamos a lutar de verdade quando senti que a intenção dela era realmente acertar-me pelo menos um corte. Ela atacava e eu defendia freneticamente até sentir que a espada talhou-me na coxa esquerda e o sangue começou a manchar o uniforme branco. Fiz sinal com a cabeça para que Bull não se aproximasse e comecei a revidar cada ataque que me era dado, porém desviada encima da hora várias vezes ao perceber que ia acertá-la em cheio. Pisei em falso quando minha coxa reclamou com o corte e trombei para trás porém consegui levantar-me rapidamente fazendo com que Rosalinda prendesse metade da espada na areia com um golpe que possivelmente seria dado em minha perna. Aproximei-me dela escorregando a espada ligeiramente pela garganta coberta e sorri, jogando-a para longe. Segurei os braços de Rosie para trás enquanto a mesma debatia-se falando palavrões em alto e bom tom.
– Que feio, Rosalinda. Uma rainha não deveria dizer palavras tão feias. – sorri –
– Eu quero uma revanche! Eu exijo!
– Sinto muito, não combinamos isso antes. Porém, podemos fazer um acordo e devolverei o tratado a você.
– Não quero fazer nenhum maldito acordo com você, infeliz! – debateu-se novamente, roçando propositalmente a coxa em meu machucado –
– Então pelo menos escute! Eu vim aqui apenas para conseguir esse tratado, mas se tiver você não preciso do mesmo. Fique comigo, Rosalinda! Seja minha e eu te darei o tratado e tudo mais que desejar.
– Como sei que está falando a verdade? – instantaneamente o corpo pareceu relaxar, entretanto não soltei-a –
– Olhe para mim. – permiti que ela virasse de frente, soltei-a caminhando até a espada caída na areia e voltei, entregando a mesma na mão dela – Mate-me.
– Não o farei.
– Por que não? – ergui a máscara jogando-a para longe e franzi a testa quebrando o contato do sol com meus olhos –
– Não quero ter a culpa de sua morte nas costas.
– Diga que não me quer, Rosalinda. – segurei-a pela mão livre porém a luva impedia que nossas peles tivessem contato – Diga e eu devolverei o tratado e irei embora, sem mais.
– Não posso dizer isso. – meu olhar acompanhou o caminho que a espada fez até o chão antes de observar a máscara ser arremessada para longe da mesma forma como a minha –
– Sinto-me na obrigação de perguntar novamente. Por que não? – ousei dar um passo para frente e sorri quando ela não recuou –
– Não é da virtude de uma rainha mentir.
– Então me quer?
– Não! Não menti quando disse que odeio você.
– Odeia tanto que não consegue resistir muito tempo perto de mim. Está escrito em seus olhos o quanto gostaria de me beijar agora, Rosie.
– Cale a boca! – ordenou com o rosto avermelhado –
Permaneci apenas segurando-a pela mão enquanto Rosie parecia pensar se deveria ou não fazer o que desejava. Quando senti meu pescoço ser envolvido pelos braços da mesma, abracei-a pela cintura fazendo com que os pés da rainha parassem de tocar o chão e juntei nossos lábios em um beijo que diante das circunstancias deveria ser calmo, contudo foi ainda mais intenso do que o primeiro que havíamos trocado no dia anterior. Parecendo não importar-se com a presença de ambos os guardas ali, Rosalinda envolveu as pernas em meu quadril e minhas mãos seguiram rapidamente até as coxas, suportando o peso da mulher em meu colo. A luva grossa deslizou através da lateral esquerda do meu rosto enquanto nossas línguas continuavam a buscar-se fielmente em nossas bocas. Senti uma terceira mão tocar meu ombro e afastei-me com dificuldade do beijo, olhando o rosto de Bull ruborizado.
– Rainha Sophia aproxima-se. Achei que deveria avisar.
Em dois segundos Rosalinda já estava no chão e eu rapidamente caí sentada, tapando o machucado com a mão.
– Oh céus! Rápido, Bull e Dom, chamem um médico! Corram! – os fardados dispararam através da arena enquanto Rosie colocava-se sentada ao meu lado com a mão afagando meu ombro – Rosalinda! Não acredito que acertou-a dessa forma!
– Não era minha intenção, mãe. – a voz inocente quase convenceu-me – Pensei que ela conseguiria desviar.
– Que imprudência, Deus! – a rainha mais velha observava a cena de pé – Major Mason nunca mais irá proteger você, Rosalinda! Você cortou a coxa da rainha!
– Ela irá ficar bem.
– CUIDADO! – gritei ao sentir que Rosie apertou inconscientemente a mão em minha coxa –
– Perdão. – ao olhar para mim, percebi o arrependimento em seus olhos e assenti, beijando-a na face –
– O que temos aqui? – um homem alto com cabelos negros aproximou-se de nós e ajoelhou ao meu lado com uma maleta, Rosie ficou de pé e deitou o rosto no peito de Dom, que acariciou-a na face lentamente – Um belo corte. Daremos 10 pontos no mínimo.
– Não existe outra forma de fazer isso? – reclamei ao sentir a água oxigenada queimar a ferida aberta –
– Infelizmente não.
Durante todo o processo de consertar o estrago que a espada de Rosie havia feito em minha coxa ela ficou ali, observando em silêncio sem nem ao menos desviar o olhar do médico por um segundo. A calça que usava precisou ser rasgada ainda mais para que o médico pudesse ter acesso a carne rompida. Quando a agulha com a anestesia perfurou minha pele pensei que ia desmaiar diante da dor, entretanto Rosalinda abaixou-se ao meu lado e segurou minha mão, sempre em silêncio. Aquele pequeno contato me trouxe de volta a realidade e suportei tudo acordada. Depois de todos os pontos terem sido dados e a receita estar devidamente assinada, Sophia e seu guarda Patrick seguiram na frente escoltados por Bull, Dom e o médico. Eu estava atrás seguindo em passos lentos com o braço envolto no pescoço de Rosie.
– Eu sinto muito por isso. – a voz emocionada tinha um leve tom de choro –
– Não sinta-se culpada, majestade.
– Pare de me chamar assim, Carter. – ordenou –
– Tudo bem Rosie... Em um mês isto estará bem. – afirmei –
– Pensei sobre sua proposta. – a mão que segurava em minha cintura apertou-me ainda mais e o frio que senti na barriga fez meu estomago revirar – Quero você, Carter. Eu aceito.
– O que exatamente você aceita, rainha? – encolhi-me por conta da forma como a ferida latejava, e também para sentir o calor que o corpo de Rosie tinha –
– Ser sua, majestade. Com a condição de que seja minha, e diga olhando em meus olhos que não me usou para conseguir o tratado.
Continuamos caminhando em silêncio até a porta do castelo. Rosie olhou-me como se esperasse uma resposta, eu retirei nossas luvas e segurei-a pelas mãos, trazendo uma até meu peito na direção do coração. O mesmo batia acelerado enquanto eu falava olhando-a nos olhos da forma como queria.
– Não usei você para conseguir o tratado. Eu sou apaixonada por você, Rosalinda. Sente esse coração? – ela balançou a cabeça afirmativamente – Não vai parar de bater assim nem por um segundo enquanto você estiver ao meu lado. Tenho idade suficiente para saber o que quero, e quero paz para nossos países, mas se for preciso abrirei mão disso para ter você.
– A única coisa da qual precisa abrir mão é do seu coração. Eu o quero todo para mim. – ela sorriu com lágrimas nos olhos – Como faremos para manter nosso relacionamento?
– Teremos um castelo próximo a fronteira. Moraremos juntas, daremos um jeito. Distância não irá impedir nosso amor de acontecer.
Sophia observava tudo de longe, então apenas pudemos nos abraçar e seguimos de mãos dadas até o banheiro privativo do quarto de Rosalinda. A ajuda durante o banho foi além da necessária e fizemos amor na banheira mesmo que minha perna não estivesse em condições de permanecer muito tempo dentro da água com sabão. Depois de enrolar-me em um roupão, esperei que Rosalinda viesse com minha mala e vesti-me adequadamente, permitindo que minha coroa fosse colocada pela mulher a minha frente.
– Sua assinatura é devidamente bonita, majestade. – observei o tratado nas mãos da mesma –
– A sua não fica para trás. – o papel foi colocado novamente na minha mala e Rosie sentou-se lentamente em meu colo –
– Sabe... Que tal colocá-la em uma certidão de casamento? – fechei os olhos temendo a resposta negativa –
– Está me pedindo em casamento, rainha? – a risada baixa foi seguida por uma mordida em meu pescoço –
– Estou.
Pela demora imaginei que Rosalinda teria outro surto, pegaria a folha e sairia correndo, deixando-me sair do país de mãos abanando, porém fui surpreendida quando a voz aveludada sussurrou em meu ouvido.
– Mal posso esperar para fazer amor com a minha mulher. Oficialmente. Eu aceito me casar com você, Carter Mason.
– Você acabou de me fazer a rainha mais feliz do mundo. – sorri antes de beijar demoradamente os lábios rosados –
– Não mais feliz do que eu, majestade.
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