Quebrável

1 A Criofênix e o Yordle


Notas iniciais
Olá, só queria dizer que essa ideia tava divagando pela minha cabeça faz um tempo, e eu tinha de escrever. Afinal, são meus mains no LoL ♥ Perdão se não entenderem nada desse texto caótico. Ah, e antes de mais nada, lá nas notas finais está um resuminho da lore original do jogo, pra você que não lembra, nunca leu e ficou mais perdido do que o normal. Boa leitura o/

Eu vi.

Não era fraco.

Eu presenciei.

Não era frágil.

Eu senti.

Era quebrável.

— Anivia, o que é aquilo? — Perguntou, curioso, apontando para as grandes elevações cobertas de neve branca no horizonte.

— São as montanhas, Gnar.

— Meu papai sempre diz que um dia caçaria lá em cima, e que quando voltasse, teríamos tanta comida que conseguiríamos passar o inverno inteiro! — Ele sorria. — Me diz, o papai foi embora porque decidiu ir lá no alto?

— Sim. Ele está lá no alto. Junto com seus irmãos e sua mãe.

— E quando vão voltar?

— Não sei. Talvez demore, talvez...

— Eles não vão voltar, não é?

— Pode ser que não, pequeno. Mas, um dia, você vai encontrá-los de novo.

— E você pode ir comigo? Eu quero que você conheça a mamãe, o papai, meus irmãos, e conte um monte das suas histórias para eles!

— Eu não posso.

— Por quê? Vai ser tão divertido!

— Não é que eu não queira, meu pequeno. Eu não consigo ir lá para cima, do jeito que seus pais e irmãos foram.

— Mas você tem asas, não tem? E pode voar até lá...

— As minhas asas não são o suficiente.

Porque eu posso voar alto, mas não o bastante para alcançá-los.

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O sopro do vento. O frio, a nevasca. A tempestade, o gelo. Eu.

O dia em que eu o encontrei. O sopro do vento. O frio, a nevasca, a tempestade, o gelo. Não era o que ele merecia. Por ele, parei tudo o que sou.

Não era justo; não é justo.

Entrei na caverna. Ela estremecia com rugidos e pancadas que a ameaçavam de desmoroná-la.

— Eles foram embora. — Falei, frente à frente com a fera. — Eles foram embora. — Repeti.

E repeti mais uma, duas, três vezes. Quantas vezes fosse necessário para que eu não precisasse mais ver o sofrimento nos olhos do “monstro”, no qual tal palavra não o classificava nem de longe.

Era fúria, era raiva, era ódio. Era tristeza, era angústia, era dor.

Era quebrável.

Era gelo, era frio. Era o que restou do coração dele.

— Eles foram embora.

Despedaçava-se. Despedaçava toda a fúria, raiva e ódio.

Somente restou a tristeza, a angústia e a dor.

— Eles foram embora...

A criatura tão temível agora já não passava de um pequeno amontoado de pelos. Ele murmurava, entre soluços. Eu me aproximei, ao passo em que o pequeno estremecia ao frio que meu corpo emanava. Ao início, ele se afastou, com medo. Mas, ao olhá-lo nos olhos, ele percebeu. Eu não o machucaria.

— Eles foram embora...? — Perguntou, vendo-me assentir. Ele falava em uma língua anciente, e eu entendia cada palavra. — Meu papai e minha mamãe... também foram embora?

Assenti, mais uma vez.

— Meus irmãozinhos...? Não vão voltar?

Uma pontada de dor percorreu meu coração. Eu não conseguiria assentir mais uma vez.

Porque ele, sem receio, encostou-se em mim, e me abraçou. Não me movi, sentindo as lágrimas dele, e cada um dos soluços. Naquele momento, pensei que poderia derreter.

Meu gelo não era nada comparado ao quanto aquelas lágrimas queimavam. Dilaceravam. Eu sabia.

Seus olhos mostravam um dos porquês de eu, de agora em diante, querer protegê-lo. Os olhos de quem perdeu tudo, os olhos sofridos e angustiados, que não se recordam. Não se recordam do motivo a deixá-los assim.

Aquela criaturinha era igual a mim. Ela não se recorda do passado. Mas ficou com toda a amargura presa dentro dela.

Devolvi o abraço.

Não chore. Eu estou aqui.

— Quem é você...? É gelada... — Perguntava, e apesar de reclamar, apertou os bracinhos um pouco mais forte em volta de mim.

— Sou quem vai te proteger.

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Tantas horas eu passei naquela caverna, a conversar com ele. Contá-lo tantas coisas sobre o mundo, ouvi-lo me pedir para levá-lo para todos aqueles lugares. Dia após dia. Eu chegava até a brincar com ele, se ele assim quisesse.

Partia o meu coração quando tremia de frio. E eu nunca podia fazer nada. Mas ele sempre dizia que estava tudo bem.

Uma paz que durou o bastante para que eu pudesse vê-lo sorrir.

Porém, a hora chegava. O caos viria de novo. Eles voltariam. Era inevitável.

— Anivia? — O pequeno me chamava, enquanto eu me perdia em pensamentos ao contemplar a passagem túndrica que cercava a caverna. — Eu fiz uma coisa pra você, vem aqui ver!

Ele me puxava pela asa esquerda, para que eu o seguisse aos fundos da caverna. Uma fogueira estava acesa, da qual eu me afastei um pouco para não apagar com minha friagem. Ele apontou, animado, para a parede rochosa em que estávamos perto.

Ali, machada com pigmento avermelhado, residia um desenho. Era simples, mas bonito. Não pude evitar meu olhar deprimido.

— Não gostou? — Perguntou, as orelhas abaixando.

— Gostei muito. — Sorri, abraçando-o. Ele animou-se, e também sorriu.

Enquanto o segurava nas asas, vi outro desenho na parede. Logo entendi o que era. Ele, seu pai, sua mãe e seus irmãos. Acima, um monstro de um olho só. E uma gigante e frustrada marca de garras que atravessava tudo. A pedra, a tinta, tudo.

— Gnar.

— Sim?

— Eles voltarão.

— Eles...?

— Eu te protegerei.

— Mas você vai embora também!

— Eu preciso. Mas independentemente disso, te protegerei.

— Por favor, não... Fica aqui comigo... Não vai embora...

— A hora está chegando. Eles virão.

A fogueira apagou-se.

O gelo começou a cristalizar-se.

— Não me abandona... Não me deixa aqui sozinho...

O ar gélido dominava.

— É preciso. Um dia, eu voltarei. — Minha garganta arranhava-se ao falar.

— Por favor... É tão frio...

Vacilei por um momento. Senti, pela primeira vez em todas as minhas vidas, algo quente. Escorria pelo meu rosto.

— Ouça. Eu posso te congelar.

Queimava.

“Eu posso congelar meu coração. Minhas memórias. “

Ardia.

“Eu posso congelar até mesmo o mundo inteiro. “

— Mas eu não posso congelar minhas lágrimas.

Não ouvi resposta. Estava terminado; o gelo álgido e cruel tomou conta do seu corpo.

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A presença. Eu tinha total consciência de quem era. De quem eram.

— Olá novamente, Criofênix. — A voz suave e familiar ecoou em meus ouvidos. Sempre etérea e calma.

— Anivia... Quanto tempo desde a última vez que te persegui... — Em contraste, a voz profunda e impaciente que ansiava por uma presa.

A Ovelha caminhou até mim, seguida pelo Lobo.

— Terminaste o que pretendia fazer? — Perguntava ela.

— Sim.

— E quem escolhes, desta vez? A mim, ou ao Lobo?

— Ambos.

— Virá conosco, os dois? — A Ovelha parecia surpresa. — Sempre és interessante, Criofênix.

— Mas se já aceita seu destino, porque está relutante? Quer correr? — O Lobo sorria ao farejar minha alma que exalava agonia. — Ou será...

— Sim, Lobo, ela preocupa-se com o Yordle. Acalme-se, Criofênix. Nós não vamos o tirar a vida. Os tempos dele ainda se prolongarão.

A afirmação cessou a exaltação dentro de mim. Eu, afinal, o veria de novo.

— És a única amiga que tenho além do Lobo. Portanto, a promessa que fizemos não será quebrada.

E o Lobo repetiu; a promessa não será quebrada.

— Agora vamos, a hora está a chegar. — A Ovelha se dirigia para fora da caverna junto ao Lobo.

Antes de segui-los, parei em frente àquele desenho na caverna. Aquele que Gnar tinha feito para mim.

— Posso pedir mais uma coisa, antes de irmos?

Eles pareciam já saber minhas próximas palavras.

— Como queira. Tu te lembrarás. — Disseram, em uníssono.

Os acompanhei.

Nunca fiquei tão feliz em acompanhá-los.

Pois eu lembraria.

Lembraria que não sou só o frio. Afinal, lágrimas queimam.

Eram quebráveis.

Notas finais
Bem vindo de volta! Posso imaginar sua carinha de "wtf" depois de ler isso. Perdão aí. Resumão da lore original do jogo: Anivia é uma criofênix de gelo, e luta contra os Observadores (criaturas, monstros do Vazio). Ela, quando morre, renasce, mas nunca leva consigo as memórias das suas vidas passadas. Gnar é um Yordle que perdeu a família pra um desses Observadores. Ele se transformou em "Mega Gnar" e conseguiu espantar o Observador. Vendo isso, Anivia o congelou em gelo verdadeiro pra ele poder ajudar quando os Observadores voltassem. A Ovelha e o Lobo são mais conhecido como "Kindred", e eles são a representação da morte. A Ovelha é a que traz uma morte pacífica, e o Lobo é o que traz uma morte sofrida; a morte que eles trarão depende da pessoa aceitar ou fugir do destino. Acho que é só isso. Até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!