Quebrando as regras - Extras
6 O que realmente interessa
Notas iniciais
Eu me divirto vendo como meus filhos acham que eu sou boba.
O primeiro foi Emmett na fase em que cada semana aparecia em casa com uma namorada diferente. Coitado, acho que meu primogênito ainda estava em fase de negação; e só o pai ainda não tinha percebido que nosso filho não tinha onde ser mais gay. O dia em que eu chamei ele para uma conversa foi um dos mais sofridos e divertidos da minha vida. Ele primeiro pareceu chocado, depois pensativo e por fim se jogou em meus braços, chorando como fazia quando ainda era uma criança e Alice implicava com ele por algum motivo bobo.
Falando em Alice, ela sempre foi muito mimada por todos. Pelo pai que via nela sua princesinha e também por Emmett e Edward que faziam todas as vontades da irmã, principalmente Emmett que cumpria bem o papel de irmão mais velho. Confesso que crescer comigo e com Carlisle de pais nem sempre deve ter sido fácil. Enquanto os outros pais levavam os filhos para a Disney, nós dois levávamos as crianças para museus de ciências e matemática pelo mundo. Vivíamos inventando experiências para distrair as crianças nas férias e fazíamos gincanas especiais de matemática em casa no final de semana, sempre com um prêmio especial para quem ganhasse. Mas em nossa defesa, achávamos que elas gostavam daqueles momentos tanto quanto nós. Mas ainda assim, quando chegou a época de cada um deles escolher a profissão a seguir, nunca tentei influenciar e nem deixei que Carlisle o fizesse. Eu tinha passado por aquilo com meus pais e sabia o quanto era horrível, o quanto podia ser sufocante.
Emmett seguiu nossos passos e parecia ter certeza daquilo. E então chegou a vez de Alice entrar na faculdade. As pessoas viviam perguntando para que Universidades ela ia se candidatar e ela sorria informando que tinha se inscrito para física em Columbia, Princeton e na Universidade de Toronto. Carlisle não entendia porque ela não queria estudar na Universidade de Nova York ou em Cornell e mais ainda porque ela iria querer ir para Toronto e ela parecia ter o discurso pronto na ponta da língua. Ela não queria começar uma carreira tendo que ser aluna do pai ou da mãe e vendo colegas de turma olhando desconfiados para ela. E quanto a Toronto, ela simplesmente dizia que seria bom ter uma experiência completa de universidade, com dormitórios e afins. E então começaram a chegar as cartas de aprovação. Primeiro a de Princeton e enquanto todos comemoravam, Alice parecia querer chorar. O mesmo aconteceu com Columbia. Eu só vi minha filha dar um sorriso genuíno ao receber a carta de aprovação de Toronto e, dessa vez, quem tinha lágrimas nos olhos eram Carlisle, Emmett, Edward e Garrett. E eu tinha a certeza de que minha filha nos escondia alguma coisa. Não é como se ela não pudesse sair de casa e ir viver em um dormitório em Princeton ou Columbia. Toronto era onde o seu verdadeiro sonho estava. Uma tarde aproveitei que estávamos apenas nós duas em casa e a chamei para uma conversa, onde ela finalmente me confessou que se inscrevera para biologia em Toronto, mas que ficou com medo de contar para a família e decepcionar Carlisle e os irmãos. É claro que de vez em quando todos brincamos com ela, dizendo que ela não tem voz na família por ser bióloga, mas até parece que nossa filhinha seria menos amada por ter escolhido outra carreira. Bem, talvez Carlisle não fosse tão compreensivo se ela tivesse escolhido engenharia, mas… brincadeira.
E então chegou a vez de Edward.
Assim como eu e Carlisle, a vocação de nosso menino estava em dar aula e ele era bom nisso. Muito bom na verdade. Mas nem sempre dar aula é fácil. Principalmente quando se é jovem, bonito e se dá aula para um monte de adolescentes cheios de hormônios. Mas até então Edward parecia estar se saindo muito bem. Às vezes ele fazia um ou outro comentário sobre como algumas alunas estavam passando do limite, mas ele sempre parecia ter tudo sob controle. Ou assim eu pensava. Até a tarde em que ele me ligou avisando que uma tal de Isabella Swan me ligaria em busca de aulas particulares e me implorando para que eu arrumasse um horário para atendê-la.
“Você nunca me enviou uma de suas alunas antes. Por que está abrindo uma exceção para essa?” — perguntei curiosa.
“A Srta. Swan é diferente. Eu vejo potencial nela. Ela apenas é… distraída” — ele disse depois de pensar um pouco.
Como ele avisara, Isabella ligou naquela tarde mesmo e marcamos a primeira aula para o dia seguinte e, para meu completo espanto e divertimento, Edward escolheu exatamente aquele dia para almoçar conosco. Tão previsível o meu filho.
Quando ele e Isabella entraram no escritório eu tive que me segurar para não rir. Eu não precisei de mais do que dois segundos para entender o que era a distração da Srta. Swan. E eu conhecia muito bem a determinação que eu via no olhar dela ao olhar para o meu filho. Coitado, podia nem saber, mas estava completamente perdido. E a forma como ele olhava para ela em resposta, principalmente quando ele achava que não tinha ninguém olhando, me dizia que em breve eu precisaria ter uma conversa com mais um dos meus filhos.
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