Quebrando Correntes.
1 Capítulo único – Seguindo em frente.
A vida realmente é um jogo de escolhas, um passo em falso e o abismo não parece ter fim.
Eu não suportava mais ser sufocada e acorrentada por mim mesma. Já estava cansada de tirar todo o sentido da minha existência e deixar de criar planos para o futuro e ,assim, viver no escuro com medo de acender a luz. Eu só queria poder ter a chance de amar e ser amada.
Já estava ficando louca e o que mais me deixara inquieta era não saber se toda essa loucura era interna ou externa. Sentia-me como uma criança aprendendo a dar os primeiros passos, porém sem saber para onde seguir. Na verdade eu já sabia, todavia a estrada era recoberta de placas escritas “NÃO”.
Atravessar uma ponte sobre um rio parece fácil, quando não se pensa nas consequências. Na possibilidade de pequena probrabilidade dela se romper no meio da trajetória e você ser levada pela correnteza. Ultimamente, parece que todos esses pequenos riscos passaram a fazer parte da minha história e junto a isso um sentimento macabro de morte me rondava como uma sombra perseguidora.
Ás vezes, sinto saudade dos sentimentos infante e de viver a fantasia inocente de uma criança. Lembro das férias de verão quando eu e meus pais íamos para a fazenda dos meus ávos e lá ficavamos em torno de duas semanas. Eram os melhores dias do ano, ainda mais por sempre reencontrar uma amiga de infância, Hannah. Eramos como irmãs inseparáveis. Nossa brincadeira favorita era usar a imaginação e nos vestir de princesas. A fantasia ultrapassava os limites da realidade nos fazendo sonhar. Por outro lado, cansadas de esperarmos por um principe resolvemos nos casar nós mesmas, pois, assim, saberiamos que nossa amizade seria para sempre.
Contudo, os anos foram se passando e ficamos mais velhas, mas acredito eu que a criança sempre estive viva dentro de nós. Foi, então, que numa madrugada Hannah bateu no vidro da janela do meu quarto me convidando para ir até um festival da cidade, onde so adolescentes acima de dezeseis podiam entrar. Tinhamos no máximo uns trezes anos na época, porém Hannah disse que entrariamos por traz do evento e que não era para me preocupar. Troquei de roupa; Ajeitei o cabelo e saí pela janela e juntas fomos andando até o local. Quando chegamos o lugar estava cercado por um ritmo animado com muita música, comes e bebes e as pessoas se divertindo no que seria uma pista de dança. Não entendia como pessoas mais nova podiam estar sendo excluídas daquilo.
Aproveitamos a festa dançando junto com as pessoas, músicas típicas da região, e também experimentamos de algumas bebidas proibida para nós. Tudo lá estava muito animado, mas depois de nos cansarmos, sentamos um pouco afastadas da multidão e começamos a conversar sobre as nossas experiências. O assunto transcorreu até que avistei um casal de jovens se beijando num outro canto de onde nós estávamos, era uma visão tão romântica deles junto que o amor se empregnou no ar. Hannah notou meu estado apaixonada e como eles me beijou. Um beijo quente, leve, inocênte e assim como os deles repleto de amor.
Estar em seus braços com seus lábios postos ao meu tivera a sensação de estar num refúgio protegida de todo o mal, mas quando nos afastamos e tudo aquilo acabou, senti a maior vergonha do mundo e só queria ir embora dali. Ela me levou até em casa e no caminho ficamos em silêncio pelo resto da noite. Não dormi aquela noite com um turbilhão de pensamentos na minha cabeça, por isso contei tudo a minha mãe, estava confusa e era apenas uma adolescente sem respostas. Ela me aconselhou a me afastar de Hannah, como todas as outras mães disse que tudo era uma fase, porém essa fase até hoje não passou.
Depois de tudo aquilo só voltei até a fazenda mais uma vez para resolver toda a história, na época eu estava consciente do que eu estava fazendo, afinal éramos jovens. Entretanto a minha decisão não foi bem aceita por Hannah e com isso brigamos, hoje eu compreendo seus sentimentos, pois eu desisti e escolhi deixa-la, mas no momento aquela era a única saída ao meu ver. Cresci e minha vontade inssasseavel de voltar a vê-la latejava em meu peito. Era como se perdesse uma parte de mim. Porque além de perder uma paixão, acima de tudo perdi uma amiga.
Tentei me comunicar por mensagens, cartas ou coisa parecidas, mas todas eram ignoradas. Depois de algum tempo, descobri que ela havia se mudado para outro estado e nunca mais nos veriamos. Entrei em depressão profunda e frequentei Pscicólogos, Psiquiatras e todos os outros “Psis”. Até que minha mãe contou ao meu pai e ele arranjou-me um namorado, Gregory. Ele era filho de uns amigos da familia e parecia ser uma boa pessoa.Dei uma chance de amar, mas nada daquilo se quer foi igual ao que aconteceu com Hannah, mesmo assim me forçava a tentar. Demos nosso primeiro beijo e era como se eu não sentisse absolutamente nada. Seis anos de namoro e a familia esperava pelo grande evento. Fugi do sexo até o casamento e mesmo depois ainda continuava a me esgueirar com desculpas, porém numa noite qualquer, aconteceu. Ele estava embreagado e como um animal partiu para cima de mim. Tentei fugir, mas dessa vez sem sucesso. Eu sentia dor, raiva, medo e desespero, contudo por algum instante eu simplesmente cansei de lutar e me senti culpada de tudo aquilo.
Eu nunca esqueci aquela noite, os berros em minha mente ainda me assombram. Entretanto, das coisas mais horripilante em que passei, tive meu maior triunfo, George, meu filho. Aquela criaturinha doce e meiga não tinha culpa de nada. Talvez George ainda seja o elo entre mim e Gregory, mesmo assim eu ainda sei que depois daquilo meu marido me traía quase todas as noites, mas não o culpo e pelo o pior que seja o mais estranho é que eu não me importava.
Depois que George já pode ir para escola eu voltei a trabalhar em um escritório, talvez trabalhar era melhor do que ficar em casa com uma vontade louca de sumir e com arsenal de tortura logo ao lado na cozinha. Depois de alguns meses de trabalho na empresa conheci Lola, minha colega de sala. Dividiamos uma sala no trabalho e lá eu passei uma das melhores fases da minha vida. O carisma de Lola encantava qualquer um,muito falante, desinibida e amigável. O que mais me adimirava nela e a sua vontade louca de querer viver a todo instante.
Deixei de ir ao pscicologo porque agora eu tinha uma amiga e toda a minha loucura era compartilhada. Nesses altos e baixo da noancia da vida novamente me apaixonei por outra mulher. Não há como negar o que eu sou. Todavia, uma proposta de viagem surgiu de repente e meu mundo desabou, Lola teria de ir embora e se mudar para outro estado também, parecia que estava revivendo a mesma história, pois minha paixão por ela também me fez retomar meus traumas, mas ao contrário de tudo eu não queria errar de novo. Ela insistiu para que eu fosse junto, mas ao mesmo tempo eu não tinha certeza sobre o que fazer. A vida passa muito rápido e precisamos agarrar as oportunidades, mas como seria com meu casamento? Meu filho? Minha familia? Será que tudo isso iria valer a pena. Eu só queria recomeçar.
Estava cansada de sofrer e de ser infeliz. Eu tinha uma decisão a tomar e não sabia o que fazer. Foi então que na mesma semana numa das reuniões em familia encontrei meu irmão mais novo Henry, ele me ouviu, contra argumentamos alguns fatos e chegamos a conclusão de que aquele era um caminho de uma possivel libertação. Eu seria livre acima de tudo. Logo depois do jantar corri até a casa de Lola e essa era a minha vez de decidir. Aceitei seu convite e partiriamos a alguns dias.
No grande dia de Fuga deixei George com Henry e, assim, que ajeitassemos tudo eu voltaria para busca-lo. Era uma manhã enssolarada, e colocavamos as malas no carro, depois de tudo ajeitado, entramos no carro; abrimos a janela; ligamos o som e partimos rumo a uma nova vida. O vento da estrada bagunçando os cabelos, o sol queimado nossa pele, como tudo aquilo poderia ser ruim e errado?! Era como se eu estivesse quebrando correntes. Tudo aquilo parecia um sonho antes do pesadelo chegar. Eu não lembro bem o que aconteceu, mas o carro deslisou na pista na curva de um motanha, quebrou a mureta e o carro rolou ladeira abaixo, a cada rodopio um sonho se partia, quando o carro chegou no sopé da montanha começou a pegar fogo, consegui tirar Lola de lá, porém já não havia mais o que fazer, ela já estava morta.
Como isso tudo foi acontecer?! Queria me jogar no fogo, mas as labaredas refletiam o rosto de George, eu não podia morrer. Naquele momento eu havia desistido de finais felizes, pois estava cansada de sempre perder e apanhar da vida. Um lenhador ao escutar um estrondo veio me socorrer os arranhões e as hemorragias me fizeram desmaiar antes mesmo que eu chegasse ao hospital. Quando recobrei a consciencia estava em um leito, monitorada por diversos equipamentos e um quarto completamente branco.
O que eu fiz com a minha vida?! Por que eu não morri? Não tinha mais forças para continuar. Queria chorar, mas minha lágrimas e meus lábios estavam secos. Pressionei um botão ao lado da cama para chamar uma emfermeira, e quando a porta se abriu eu não consegui acreditar que era ela, Hannah.
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