Quebra-Cabeça
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Estou repostando a história com algumas alterações no enredo, espero que gostem.
Thalia Grace se encontrava sentada embaixo de um largo tronco de árvore, aproveitando a sombra que os espessos galhos infestados de folhas lhe proporcionavam.
Tinha um caderno de cartografia apoiado nas pernas dobradas. Estivera pintando as penas de um beija-flor em diversos tons de azul e verde há mais de meia hora, ele pousara perto dela uma hora atrás, a mulher que terminava outro desenho no momento, tirara uma foto da bela criatura e agora a observava enquanto terminava os traços com exatidão.
Depois de pronto ela fechou o caderno e o folheou página por página, como sempre fazia, encontrando ali desde o laço de cabelo de Silena até um esboço do Museu Beaux-Arts de Montréal.
Guardou o caderno dentro da velha bolsa que sempre carregava consigo, jogando a alça no ombro e tirando os resquícios de grama grudados no seu corpo e roupa, chegando a achar um pedacinho de casca de árvore grudado no seu cabelo. Caminhando por uma trilha que cortava metade do caminho que teria que fazer, saiu do parque e entrou na cafeteria que ficava do outro lado da rua.
Ao se sentar, observou seu irmão mais novo, Jason, jogando vôlei com seus amigos; pegou o cardápio que lhe foi oferecido e por fim escolheu um cappuccino de baunilha, um brioche e um croissant de chocolate. Quando o atendente se aproximou, ela podia ver que ele parecia um pouco nervoso, enxugando as mãos no jeans e batucando os dedos na perna, de modo que não estivera com os outros clientes. Ele podia estar assim tanto por estar indo atender Thalia, quanto por não ter uma carona para ir para casa na chuva que se aproximava.
Isso a deixou levemente divertida e incomodada, por isso fez o pedido rapidamente e pôs se a observar as pessoas ali presentes. Uma mulher em uma mesa próxima se encontrava com duas crianças pequenas e agitadas, tentava fazê-los se sentarem e comerem, não era ao acaso que ela parecia tão cansada.
Um casal de idosos se encontrava um pouco mais afastados com as mãos entrelaças sob a mesa, em silêncio, nenhum dos dois quebrava o contato visual. E ao fundo, um grupo de idosas, ria e conversava alto o bastante para os garotos do parque conseguirem ouvi-las.
Quando a sua comida chegou, Thalia a comeu rapidamente, a última vez que se alimentara, fora na hora do almoço, bebeu o café com calma apenas para não ter a língua queimada.
Observou novamente o jogo e viu Charles levantar a bola para Percy que a cortou, só que ela não caiu na areia como se era esperado, bateu na cabeça de um dos garotos que estavam sentados lá observando. Thalia não pode evitar soltar uma risadinha, quando ele foi pegar a bola que tinha quase caído na rua, ela o reconheceu, Nico Di Angelo, rindo e entregando a bola para o amigo de infância.
Thalia se lembrou dele indo embora de Montreal três meses antes de se formarem no colégio para ficar com a sua mãe que estava muito doente.
***
Quando terminou de comer, pagou pelo que consumiu e se dirigiu ao parque, com a intenção de chamar seu irmão.
Cumprimentou Piper, namorada de Jason, e Silena, sua meia-irmã. Piper conheceu o namorado graças à amizade de Thalia e Silena, o que fez as duas praticamente obrigarem a mais nova a agradecê-las prestando alguns favores.
— Ficou sabendo da festa que os Stoll vão fazer pro Nico esse sábado? — perguntou Silena com um biquinho. — Eles nunca fizeram uma pra mim.
Thalia riu.
— Nem sabia que ele tinha voltado. — falou observando o agora homem rindo ao lado de Clarisse.
Piper a encarou surpresa.
— Achei que você seria a primeira, a saber, que ele está de volta.
— É. — ela deu um pequeno sorriso, nem um pouco surpresa. — Eu também.
— Você queria que fizéssemos o que? Toda vez que falávamos com você, a senhorita estava ocupada.
Silena falou com a voz ainda mais aguda do que já era.
— É aposto que para a Annabeth, você deu noticias. — Piper concordou.
Thalia revirou os olhos, meio que ignorando as amigas e gostando do ciúmes que elas sentiam dela, apesar de todas serem muito próximas.
— Vocês falam como se eu tivesse viajado e passado vários meses fora.
Silena riu com o seu jeito gracioso e exagerado.
— Quase isso.
— Eu só entrei pra Universidade e me mudei, não podia viver na casa do meu pai para o resto da vida.
As amigas concordaram.
— O jogo acabou? — Piper perguntou.
— Espero que sim, quero ir pra casa, e ainda tenho que levar o Jason.
A mais nova se mostrou decepcionada.
Elas riram e foram em direção aos amigos que agora conversavam.
— Hey Percy — Thalia chamou o primo — Sabe onde está a Annabeth?
— Última vez que falei com ela, estava na Atena.
— Valeu. — o agradeceu e chamou o irmão.
— Se quiser carona, estou indo agora.
Ele riu, nem um pouco surpreso com a atitude da irmã, Jason estava com um sorriso relaxado, abraçando a namorada de lado. Piper tinha um sorriso satisfeito no rosto bonito.
— Vamos à pizzaria, para comemorarmos a volta do Nico. 'Tá afim? — foi Percy quem respondeu.
— Achei que os Stoll tivessem se encarregado disso.
— É, mas você conhece as festas deles, além de nós, vai termuitosdesconhecidos.
— Então, você vai? — Nico perguntou e Thalia percebeu que ele estava com uma barba rala.
— Não. — Ela tomou a decisão em questão de segundos. — Estou cansada.
Explicou ao ver a cara dele.
— Até mais.
Jason provavelmente iria embora com Leo, que Thalia só percebeu que estava ali quando saiu.
Achou até ter visto Percy falar:
— Vai falar com ela.
Dando uma cotovelada em Nico.
Mas ao chegar ao carro, ela ignorou essa imagem. Até ouvi-lo a chamando.
— Thalia.
Seu cabelo antes comprido, encaracolado e bagunçado, agora estava curto e arrumado em um topete, o que Thalia achou que ficou muito bem nele.
— Oi.
— É. — ele bagunçou o cabelo dirigindo o olhar para o céu. — Eu queria saber se você ia a festa dos Stoll.
— É. Acho que sim.
Ela respondeu abrindo o carro. Viu ele se afastando, agora a encarando.
— Acho que nos vemos lá, então. — ela falou.
— Nos vemos lá. — ele lhe lançou um sorriso aberto e piscou um olho.
Deixando a aquecida e quase sem ar, meio abobada. A porta do carro se bateu fazendo com que a sua perna quase ficasse para fora.
***
Só saiu do lugar quando ele já tinha chegado aos amigos. Dirigiu-se até o apartamento que comprou, o escolheu, pois além de ser perto da universidade que frequentava e da casa do seu pai, ficava a uma quadra da sua cafeteria preferida e de frente para o apartamento de uma das suas melhores amigas, Annabeth Chase.
O resto da semana se passou com muitos trabalhos, aulas e desenhos. No sábado, Thalia acordou cedo para pintar uma das paredes do seu quarto, desenhou desde a flor que ganhou do seu primeiro namorado, Luke, a símbolos de suas bandas preferidas.
Já eram seis horas da tarde quando Silena mandou uma mensagem no grupo, perguntando que roupa elas usariam. Com calma, ela empurrou sua cama novamente na direção da parede, sem deixá-la tocar na tinta e respondeu à amiga.
Tomou banho, secou o cabelo, fez a maquiagem e colocou a roupa que já deixara em cima da cama, um short jeans, uma blusinha que ganhara de sua madrasta, Hera, no seu aniversário e um coturno. Fez um lanche rápido e escovou os dentes.
Assim que sentou no sofá ouviu a batida na porta, ela e Annabeth tinham combinado de irem juntas, irritada por ter que se levantar novamente, abriu a porta e deixou a amiga que sem esperar por um convite, que sabia que não viria, já estava sentada no seu sofá.
— Achei que fossemos a festa. — Thalia a lembrou.
— Relaxa guria, senta ai. — Annabeth apalpou o lugar ao seu lado indicando para que a amiga se sentasse ali.
A outra se sentou no banquinho da bancada da cozinha. Teimosa.
— Ok, mas então. Lembra que eu te disse que sai com o Percy sexta à noite?
— Não. — falou Thalia indignada, mas não surpresa pelo encontro ter acontecido.
— Desculpa. — ela deu uma risadinha. — Então, ele finalmente me pediu em namoro.
Se Thalia falasse que não acreditava seria uma mentira. Percy era um lerdo e só não demorou mais para pedir Annie em namoro, porque ela praticamente esfregou na cara dele que era para fazê-lo.
— Bem, já estava mais do que na hora. — Falou sorrindo, feliz pelos dois amigos.
Annabeth abriu um sorriso enorme.
— Eu nem ia a festa, mas ele insistiu tanto que eu não pude negar.
Elas riram.
—Agora, nós podemos ir.
Thalia pegou seu celular e a jaqueta de couro, saindo do apartamento junto da amiga, que estava mais do que contente em compartilhar a novidade com ela. Quase como se fossem adolescentes novamente. Trancou a porta e entrou no elevador que era segurado para ela.
O relacionamento de Annabeth já estava completo, como um carro de Fórmula 1 pronto para a largada. O de Thalia, ainda precisaria de muitas outras peças para se completar e poder partir.
Notas finais
Beijinhoos.
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