Que os ventos nos separem
2 Capítulo 2
Notas iniciais
No dia seguinte ao da sorveteria, Léo, Mila, Soph e Edu, decidiram faltar à aula extra e se divertir o dia todo. São acostumados a fazer isto, é muito frequente a escola ter aula extra, e por vários motivos.
Aquele sábado era especial, eles iam viajar para uma cidadezinha ali perto, com poucos quilômetros de distância. Léo ficou encarregado de levar a bebida, que sim, era alcoólica, e devia ser levada escondida, pois seus pais não poderiam saber disso. Mila, mesmo indo, não gostava de bebida alcoólica, então levara a comida e os refrigerantes. Soph, sempre com o jeito sorridente de falar e encantar as pessoas com seu jeito espontâneo, convenceu todos os pais a deixarem ir, inclusive convenceu sua mãe, por onde comunicou-se por telefone. Edu dirigiu até o destino, e mesmo não tendo idade suficiente, ele dirigia bem, logo seu pai depositou confiança nele e lhe entregou o carro.
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Fazia tempo que não viajava, só os meus pais, pois querem que eu não perca nenhum dia de aula, mas agora, nesse final de semana, meu pai estava em casa e me deu o carro para que eu viajasse com meus amigos. Soph fez um ótimo trabalho em convencer eles, estavam até sorridentes quando me despedi, parecia que eu ia viajar a trabalho, ou sei lá, algo relacionado à escola.
– Edu, foi ótimo teu pai ter emprestado o carro, cara! – Exclamou Léo, feliz da vida, parecia que já estava bêbado, mas não, era assim mesmo que ele falava.
– Verdade. Se não fosse meu charme e carinha de anjo, ninguém estaria aqui agora. Agradeçam-me eternamente! – Soph estava repleta de felicidade, e bonita – seus cabelos loiros estavam voando aos ventos; ela vestia um short jeans, uma blusa regata escrito “Summer everywhere” e calçava sandálias rasteira, além dos óculos escuros que escondia seus olhos verdes.
– Gente, vocês não devem exagerar na bebida. Tipo: vamos voltar para casa ainda hoje, tenho dever de casa para segunda-feira, preciso fazê-lo. – Mila falou séria, parecia que estava impondo uma ordem.
– Ah não Mila, nem vem! Nossos pais ficaram em casa... – Léo emburrou a cara, de pirraça.
– Edu, você concorda com ela? – Soph me perguntou.
Pode-se dizer que, depois da Mila, eu era o mais racional de nós quatro. E a Mila estava correta, porém, que mal faria se a gente voltasse amanhã?Já que ela não vai beber, não teria ressaca e daria tempo para fazer seu dever de casa.
– Acho que tanto faz. Na verdade, gostaria muito de aproveitar esse momento raro: meu pai emprestou o carro dele para mim. Logo não devo bater ele, e, provavelmente, o faria se estivesse embriagado.
– Exatamente! – Exclamou Mila.
– O que eu quero dizer é que a gente poderia passar o dia todo curtindo, dormia em alguma pousada e voltava amanhã, já caídos na real, entendeu? – Expliquei.
– E meu compromisso?! – Mila estava com voz de quem começaria a chorar, talvez, fazendo isso de propósito.
– Amiga, me escuta, dever de casa não é compromisso, é enchimento de saco! – Falou Soph, ainda muito feliz.
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Não me atreveria a beber, nem se quer um pingo, de bebida alcoólica. Já meus amigos bebem, e respeito isso de certa forma, não vou obrigá-los a parar. Às vezes me sinto a “enfermeira” deles, pois sempre que estão bêbados, eu os ajudo a fazer tudo: desde encontrar algo até levar ao banheiro. Dessa vez eu queria para ser diferente, mas sou forte, e aguento mais essa, tirando o fato de que, meus pais, se descobrissem, iam me mandar para um internato rigorosíssimo. Na verdade, nossos pais não sabem, e todos ficariam uma fera.
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Quando chegaram à pequena cidade litorânea, eles pararam o carro numa festa na areia, bem perto da maré. Infiltraram-se lá dentro. Dançaram, bebeu quem beberia, paqueraram etc. Tudo isso até o fim da noite.
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– Léo, vem cá. – Ouvi Soph me chamar com a pronúncia rastejada. Aproximei-me com dificuldade. – Caiu alguma coisa no meu olho?
– Deixa-me ver... – Falei. Soph arregalou os olhos. – Não estou vendo nada. Talvez porque eu esteja muito bêbado e minha cabeça está girando e não consigo... – Parei de falar. Veio-me a escuridão.
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Quando acordei, minha cabeça estava girando a mil, fiquei piscando várias vezes, a luz do Sol entrava nos meus olhos com uma enorme intensidade, achei que ficaria cega. Sento-me. Percebo que estou numa praia, na areia. Lembro-me de uma festa. Pessoas em todos os lugares. Lembro-me do Edu, do Léo e da Mila nessa festa. Olho para o lado: vejo o Léo deitado, estava dormindo na areia. Olho para o outro lado: vejo a Mila estirada na areia, estava com os olhos fechados. Com dificuldade, viro-me para trás: olho o Edu também deitado na areia. Pergunto-me: Por que estamos aqui? Cadê todo mundo? O que aconteceu?
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