Que a verdade do meu coração seja dita!
4 Eu sou o que?
Notas iniciais
No quarto do Bill a Ria abriu a gaveta e pegou a caixa. Daquela vez ela estava trancada. A Ria deu a caixa na minha mão.
– Segura, já volto.
Ela saiu do quarto e depois voltou com uma chave na mão.
– Na onde você achou isso?
– O Tom tem a cópia da chave do cadeado.
Lembrei-me de ontem à noite quando achei a caixa, mas não me lembrava de nenhum cadeado. A Ria pegou a caixa e a destrancou, nos sentamos na cama e começamos mexer nela. Ria pegou o papel do homem que se chamava Ares.
– Você sabe quem esse homem é?
– Nunca ouvi falar...
Ria se levantou da cama e pegou o notebook dela. Ela digitou “Ares” em um site de pesquisa e logo saiu o resultado: Ares, filho do deus da Grécia Zeus. Ele era deus da guerra selvagem...
Fiquei sem entender nada...
– Eu conversei com o Tom sobre essa caixa, ele me fez prometer que eu não ia te contar nada, mas é sobre a sua vida. O Bill e o Tom descobriram que a sua família é a mesma de Ares, ou seja, você é uma semi-deusa.
Levantei-me da cama.
– O Bill e o Tom não são os únicos a saberem disso... Tem outras pessoas que sabem e algumas podem querer a sua “herança” de poder. Eu acho que o Gust e o Ge também sabem disso... Você deve tomar cuidado com as pessoas que você convive, pois...
Alguém bateu na porta.
– O que vocês estão fazendo – Tom entrou no quarto
Fiquei assustada e Ria também parecia estar
– Ria você não vez isso, vez?- Ele olhou para a caixa.
– É a vida dela que está em jogo e ela já tinha achado a caixa antes...
– Mas era o Bill que ia contar para ela
– Mas ele é muito ocupado, ele não ia contar nunca...
– Você não falou tudo, falou?
– Não!
– Tudo o que – Perguntei assustada.
– Não podemos falar agora.
– Ria você não fez isso- O Bill apareceu do nada. E ele sabia do assunto...
– Desculpa... Mas eu estava preocupada com ela...
– Vamos sair daqui Ria... Deixa os dois conversarem sozinhos...
Ria se levantou da cama, colocou o notebook em cima da mesa e saiu do quarto com o Tom. Bill ficou um tempo em silêncio, acho que ele estava procurando um jeito de começar a falar.
– Eu já entendi que sou uma semi-deusa. E que algumas pessoas querem me matar
– Mas não é só isso...
– O que pode ser mais absurdo do que eu ser uma semi-deusa?
– Eu, eu sou mais... ”absurdo” que você.
Bill se sentou na cama e me sentei do lado dele.
– Eu sou um vampiro...
– VAMPIRO?
– Um vampiro, digamos, avançado
Agora sim eu estava boiando...
– Isso não é nenhum tipo de brincadeira, né?
– Eu nunca falei mais sério na minha vida...
– Então me explica melhor essa história!
– Como eu disse, sou um vampiro avançado, eu posso sair no sol, mas por pouco tempo. Consigo controlar a minha sede de sangue. Eu não me transformo em morcegos e outras coisas... Antes que eu esqueça, o Tom, Gustav e o Georg também são.
– A Ria sabe disso?
– Sim...
– Há quanto tempo vocês estão vasculhando a minha vida?
– Dês de quando nos conhecemos.
Levantei-me da cama
– Por que você nunca me contou?
– Não sei, eu queria te proteger...
– Mas você poderia ter me contado antes.
– Paula, me entenda, não sabia como te contar!
Fiquei com um pouco de raiva, peguei a minha bolsa e sai do quarto do Bill, desci as escadas e estava indo para a garagem, mas o Bill entrou na minha frente.
– Você não pode sair assim!
– Claro que posso agora me dê licença.
– Paula você está muito estressada.
– Obrigada por me avisar, agora sai da minha frente.
– Mas você está de biquíni.
– Eu vou ficar dentro do carro.
– Eu te levo então!
– Eu sei me cuidar Bill...
– Paula...
– A deixe ir Bill- Gustav apareceu.
– Não posso a deixar dirigir do jeito que ela está!
– Eu a levo- Gerog propôs.
– Não, eu levo, vocês ao ficar falando na cabeça dela e ela precisa pensar um pouco...
– Então vamos Ria...
Peguei as chaves que estavam na minha bolsa, entramos no carro e a Ria foi dirigindo. Fui o caminho inteiro olhando pela janela, o movimento da rua e pensei “há uns dez minutos atrás, eu era como eles...”
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