Que a verdade do meu coração seja dita!
36 Encontros
Notas iniciais
Espero que gostem...
Estávamos no meio de uma estrada, isolada de tudo, você olhava para os lados e só via areia e alguns arbustos quase secos, a rua tão reta que nem víamos o final dela. Para disfarçar o tédio, escutávamos musicas do rádio.
Olhei para o lado e vi que Cinthia estava distraída olhando pela janela, olhei para o retrovisor e eu vi perfeitamente os olhos do Bill, que pareciam estar concentrados na pista. Mas essa concentração foi encerrada assim que ele decidiu olhar para o retrovisor e me ver olhando para ele.
Pega de surpresa desvio o olhar, mas Bill já tinha me visto e deu uma risada abafada.
Bill: — O que foi?
Paula: — Nada! – Olhei para Bill novamente pelo retrovisor, que ora olhava para a estrada ora olhava para mim.
Passamos por uma placa que dizia que estávamos perto de Fradesid.
Cinthia: — Parece que é nessa cidade!
Bill: — Então chegamos! – Ele pegou o celular que estava no bolso dele — Eu vou falar para ao Tom que já achamos a cidade e que eles podem seguir em frente.
Cinthia: — Certo... Paula!
Eu estava tão distraída que nem a ouvi me chamando.
Cinthia: — Paula!? – Ela me cutucou.
Paula: — Fala! – Olhei para ela, meio assustada.
Cinthia: — Não precisa ficar tão aflita! Você só vai conversar com os seus pais!
Paula: — Mas para mim, eles são uns estranhos!
Cinthia: — Mas fique calma! Vai dar tudo certo! Vai ser apenas uma conversa!
Paula: — Certo, vou tentar não ficar pensando muito nisso!
Bill: — “Tá... Até mais tarde...” ... Eu acho que tenho que virar aqui – Ele entrou em uma curva, já separando dos outros.
Paula: — “Bem vindos à Fradesid” – Li a placa que dava boas vindas.
A cidade parecia ser bem simples, não havia muitas pessoas andando nas ruas naquele horário. A cidade parecia ser bem simples, não havia muitas pessoas andando nas ruas naquele horário, apesar de ser quase hora do almoço. Em cada casa, pelo menos uma árvore, e isso tornava a cidade mais fresca, com brisas suaves. A cidade parecia ser bem tranquila um ótimo lugar para alguém quiser descansar.
Bill: — Cinthia! – Ele a chamou – Agora preciso da sua ajuda, preciso do lugar que eles moram.
Cinthia, que também parecia atraída pela cidade, se concentrou fechando os olhos, fazendo uma prevê pausa.
Cinthia: — Eles estão pertos... Vire essa rua agora à esquerda e logo em seguida a direita... O numero da casa é 89... Eles... Eles estão nos esperando na calçada em frente da casa deles!
Paula: — Como? –Olhei para ela, me surpreendi com a Cinthia falando isso, parecia que eles já sabiam que eu estava chegando.
Cinthia: — Parece que eles esperavam por esse dia á bastante tempo.
Bill: — Lá estão eles... Paula.
Olhei para a rua novamente, eles estavam do outro lado da rua, um do lado do outro. A aparência deles não mudou nada, mas eles pareciam bem aflitos com algo.
Bill estacionou o carro em um lugar vago e se virou olhando para mim.
Bill: — Pronta?
Tirei o meu olhar do outro lado da rua e fitei o Bill. Eu ainda não tinha certeza se estava pronta para vê-los, mas eu já estava aqui, não adianta eu voltar atrás.
Paula: — Acho que sim.
Bill: — Quer que eu vá com você? – Acenei com a cabeça suspirando logo em seguida.
Cinthia: — Eu fico aqui no carro... Podem ir tranquilos... E não precisem se apreçar.
Dei um sorriso ela.
Bill desceu do carro abrindo logo em seguida a porta para mim, desci logo em seguida, já olhando para os meus pais.
A expressão deles nunca mudava, aquela aflição deles já estava passando para mim. Esperamos um carro passar para começarmos a atravessar a rua, e quando chegamos do outro lado... Todos ficaram mudos, parecia que estávamos relembrando cada minuto das nossas vidas juntos.
Rosana: — Paula!! Quanto tempo minha filha! – Eu estranhei o jeito da minha mãe falar “minha filha” ela nunca se dirigiu a mim com esse termo.
Olhei para o Bill que também olhou para mim. Senti a mão dele segurar na minha, tentando me passar segurança.
André: — Entrem! – Meu pai sempre falava com uma voz seca. Eles se dirigiam até a porta, com eu e o Bill os seguindo, que pelo visto dava para a sala.
A casa parecia bem simples, porem eles não precisavam de uma casa grande só para os dois. Os móveis bem distribuídos, a maioria de cor branca ou marrom. Nas paredes algumas pinturas (minha mãe sempre gostou de pintar nos tempos livres), a casa parecia bastante antiga pelas suas decorações.
Rosana: — Sentem... Sei que tem algo para falarem e também temos várias coisas para falar a vocês!
Bill e eu sentamos no mesmo sofá um do lado do outro, meus pais sentaram no sofá da frente assim podendo ver uns ao outros.
Rosana: — Querem algo para comerem ou beberem?
Paula: — Não! – Respondi rapidamente.
Rosana: — Então tá, mas...
Paula: — Por quê?... Por que vocês me tratavam daquele jeito? Até hoje eu não entendo isso e...
Bill:- Calma Paula! – Bill chamou a minha atenção.
André: — Nos desculpa Paula, não queríamos te tratar daquele jeito, mas...
Paula: — DESCULPAS? EU QUASE MORRI POR CAUSA DE VOCES! SE NÃO FOSSE PELO BILL...
Bill: — Paula! Tenha mais calma! – Fechei os olhos suspirando.
Rosana: — Entendemos que foi duro para você, mas... Bem acho que devemos falar primeiro.
Se eu continuasse falando eu iria gritar novamente, então deixei eles falarem.
André:- Nós não tínhamos intenção de fazer tudo àquilo com você... Mas é que sabíamos que você era uma semideusa.
Rosana: — Tínhamos medo de algo acontecer com você e com nós. Além disso ficamos sabendo que semideuses têm poderes e tínhamos remorso da nossa filha ser diferente... Mas...
Paula: — Remorso... REMORSO DA PRÓPRIA FILHA! – Senti a mão do Bill na minha perna, percebendo que iam vim mais coisas graves.
Rosana: — Mas depois conhecemos o Bill.
Olhei para o Bill que estava de cabeça baixa.
Paula: — Bill?
Bill: — Eu já disse para você que investigava a sua vida antes de nos conhecer, quanto te salvei... – Ele olhou para mim- Quando vi que você quase se matou, eu resolvi conversar com os seus pais e chegamos a um acordo que eles comprariam uma casa para você.
Paula: — Não creio... Quer dizer que a metade da minha vida... Foi você que a direcionou... Não tive uma vida própria... Não vivi a minha própria vida... Eu...
Bill: — Não Paula... Eu só pensava no seu melhor, não podia deixar você morrer...
Paula: — Na verdade você não podia perder uma semideusa! Isso lhe causaria um grande problema!
Bill: — Não Paula, eu não podia te perder por que a amo!
Encarei o Bill por alguns instantes tentando segurar as lágrimas.
André: — Nós também queríamos apenas o melhor para você, Paula!
Rosana: — Paula... Nós também queremos falar outra coisa – Minha mãe encarou o meu pai, que afirmou com a cabeça, falando que ela podia prosseguir – Nós sabemos como popularizar um novo planeta.
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