Que a verdade do meu coração seja dita!
1 A Caixa
Notas iniciais
Uma noite fria com uma brisa que passava de leve, sem nenhuma estrela no céu e a Lua bem ao centro daquela imensa escuridão. Era nesse cenário que eu andava na rua com o Bill, com passos leves e calmos, sem nenhuma presa de chegar ao nosso destino, apenas aproveitando o momento. Estávamos conversando sobre qualquer besteira, com ele sempre me fazendo rir, então me fez um convite:
Bill: – Paula quer dormir na minha casa essa noite?
Paula: – Mas amanhã tenho aula...
Bill: – Por favor, faz tanto tempo que você não vai dormir lá... Só pensa nessa sua faculdade...
Paula: – Ciumento... Você sabe que o ano já está quase acabando!
Bill: – Ainda bem! Quero a minha namorada só para mim... Mas você aceita ou não? Prometo fazer nada que você não queira!
Paula: – Você já me fez essa promessa, e sabemos o que fizemos depois dela.
Bill: – Mas aquele dia eu estava com os dedos cruzados.
Paula: – Você é do mal!
Bill: – Por isso que você me ama.
Paula: – Ok, eu durmo essa noite na sua casa. Mas só hoje!
Bill: – Ótimo, vamos pegar os seu livros então.
Decidimos irmos a pé, já que a minha casa estava a uns três quarteirões.
Chegando à minha casa, ela não era muito grande, jê que eu morava sozinha, mas era bem aconchegante e bonita. Adentramos e Bill se sentou no sofá, eu subi as escadas para pegar as minhas coisas.
Entrei no meu quarto, vi as portas da minha varanda aberta, eu não me lembrava de tê-las deixado daquela maneira. Andei na direção da varanda, vi um vulto do outro lado da rua escondido atrás de umas arvores. Percebi que aquela pessoa olhava para mim, isso me causou arrepios, fechei as portas rapidamente. Fiquei com medo, mas não suspeitei de nada... Hoje em dia só existem pessoas loucas andando pelas ruas.
Acabei de arrumar os meus livros, guardei-os e coloquei algumas roupas também dentro de uma bolsa e uma mochila. Desci as escadas tentando lembrar se não tinha esquecido nada.
Encontrei o Bill no sofá concentrado no que vi na televisão, tão concentrado que não ouviu que eu falava com ele.
Paula: — Bill?? BILL!!
Bill: — Oi. Desculpa! O que você disse??
Paula: — Hahaha! Já podemos ir! O que você está assistindo?
Bill: — Ãhh... Nada, apenas um filme. – Ele desligou a televisão! – Vamos! – Levantou-se.
Paula: — Sim! — Fui na direção da porta.
Bill: — Mas pra que tanta coisa?
Paula: — Até parece que você também não leva várias coisas nas suas viagens!
Bill: — Mas... Mas... Aff, você sempre tem razão... – Fomos para a garagem.
Bill: — Eu dirijo!
Paula: — O carro é meu!
Bill: — Mas eu vou dirigindo! – Ele se apreçou e sentou no bando do motorista, o que me fez me dar por vencida e sentar-me ao lado dele.
O percurso até a casa dele fomos conversando sobre diversas coisas e como sempre rindo.
Chegamos à casa do Bill, foi tão rápido, acho que me distrai demais com a nossa conversa, algumas luzes estavam acesas, o que é normal, já que o Tom mora com ele. Bill guardou o carro na garagem e adentramos na casa. Fomos para a sala e encontramos a Ria assistindo televisão, ela parecia inquieta, pois balançava muito rápido os seus pés.
Paula: — Oi Ria
Ria: – Oi Paula, tudo bem?
Paula: – Tudo e você?
Acenei com a cabeça afirmando.
Bill – Oi Ria, cadê o Tom? – Bill jogou a chave em cima da mesa da sala.
Ria: – Não sei, ele saiu há quase duas horas, falando que ia comprar umas pizzas, e até agora não voltou...
Bill: — Mas como assim? Ele saiu para comprar pizzas?? Ele nunca faz isso, sempre ligamos para uma pizzaria vim trazer... Vou ligar para ele.
Ria: – Não adianta, eu já tentei ligar, mas o celular dele está desligado.
Bill: — Para que tem celular então?
Paula: – Bill, vai atrás do Tom! – estava meia preocupada.
Bill: – Não vou, ele já é bem grande, ele já sabe se cuidar sozinho. – O Bill olhou para a Ria, naquele momento senti que eles estavam escondendo algo. – Paula, você quer indo na frente, para o meu quarto e arrumar guardar as suas coisas?
Paula: – Certo, depois eu volto aqui... – Sai de lá sem querer muito.
Subi as escadas lentamente, para tentar conseguir escutar o que eles falavam, mas foi uma tentativa frustrante, pois eles cochichavam.
Fui para o quarto do Bill. Coloquei a minha mochila em cima da mesa, a abri e tirei as minhas roupas de dentro dela. Sentei-me na cama do Bill, amanhã seria um dia bem cheio na faculdade principalmente cansativo. Lembrei-me do vulto que vi em frente da varanda do meu quarto e me deu uma vontade de olhar para a lua, fui até a porta da varanda e a abri. Andei até as grades da varanda. A rua estava vazia, os ventos vaziam os galhos das arvores balançarem e a lua estava ali, tão linda e redonda, parecia que ela queria falar comigo... Que besteira, eu falando com a Lua, só eu par imaginar uma coisas dessas. Então vi um carro virar a esquina, era um Audi R8... O carro do Tom. Ele parou na frente da casa e esperou o portão abrir, percebi que o carro estava arranhado e com um amassado na traseira, o carro entrou na garagem logo em seguida.
Entrei no quarto, trancando a porta da varanda. Fui à mesa e comecei a abrir as gavetas, estava procurando uma que estivesse vazia para colocar as minhas coisas. Na terceira gaveta que abri, vi uma caixa de madeira, eu nunca tinha reparado nela. Peguei a caixa e me sentei na cama, a abri e comecei a mexer nos papeis que tinha lá dentro, fiquei assustada quando vi as informações que aqueles papeis traziam. Duas fotos minhas, quase todas as copias dos meus documentos, nomes, fotos e endereços de quase todos os meus amigos. Também tinha escrito os nomes dos meus familiares, e o nome de um homem que não conhecia, Ares... E mais outras coisas que não deu tempo de eu ler... Mas o que Bill fazia com tantas informações minhas?
Ouvi barulhos de passos se aproximando. Guardei aqueles papeis dentro da caixa rapidamente e a coloquei dentro da gaveta. Quando o Bill entrou no quarto, eu já estava guardando algumas das minhas roupas uma gaveta.
Bill: – O Tom chegou...
Paula: – Okay, eu já estou terminando aqui.
Bill: – Eu te espero então, quer alguma ajuda?
Paula: – Não, obrigada... Pronto, já acabei – fechei a gaveta.
Bill: – Vamos?
Fiz um sim com a cabeça, ele estendeu a mão, ri abafado, adorava quando ele se vazia de cavalheiro, dei a minha mão para ele. Descemos as escadas com as mãos dadas.
O Tom e a Ria estavam conversando sobre algo de mim, percebi isso, pois ouvi eles falando o meu nome, mas quando eles viram que eu e o Bill estávamos descendo as escadas, eles pararam de falar disfarçadamente. Foi naquele momento que confirmei que os três estavam escondendo algo de mim ou sobre mim. Fingi que não percebi nada, dei um “Oi” para o Tom e ele outro para mim. Percebi que os Kaulitz estavam se encarando, o Bill olhava para o Tom com uma cara séria, e o Tom estava muito agitado, mais que o normal.
Paula: – Cadê as pizzas? – falei meio impaciente
Os três se entre olharam e ficaram calados, não aguentei ficar quieta:
Paula: – O que vocês estão escondendo de mim?
Ria: – Nada... Por quê?
Paula: – Vocês estão estranhos, me digam o que está acontecendo?
Tom: – Paula fica calma... Não aconteceu nada, eu fui comprara umas pizzas, mas o transito estava ruim lá fora... Então resolvi voltar...
Paula: – E os arranhões e o amasso do carro?
Ria: – Você bateu o carro?
Tom: – Bati, como eu disse, estava um puto transito lá fora e em todo congestionamento, tem pessoas estressadas e com pressa. Fui passar em um cruzamento e uma moto passou e bateu no meu carro... – Ele acabou de explicar.
Bill: – Mais alguma pergunta senhorita Kaulitz? – disse Bill ironicamente.
Quando ele fez essa pergunta veio na minha cabeça à caixa, mas resolvi não falar nada dela por enquanto... Espera, ele me chamou do que?
Paula: – Senhorita Kaulitz? Dês de quando?
Bill: – Achei melhor te chamar assim, já que você é minha namorada e, quem sabe, no futuro, a minha esposa...
Tom: – Já estou imaginado o Bill na frente do altar e a Paula com um vestido preto e vermelho. — Tom ria muito...
Bill: – Cala a boca, comédia seria ver você se casando... — Ele se irritou.
Tom: – Quem disse que eu vou me casar?
Ria: – O que? Você não me ama a ponto de se casar comigo? – disse Ria surpresa
Tom: – É claro que eu te amo Ria, o Bill que fica falando asneiras...
Bill: – Eu não, foi você que disse que não ia se casar, ninguém falou para dizer tudo que pensa, você é muito idiota Tom.
Tom: – Não enche Bill, Viu o que você fez, agora a Ria esta brava comido.
Sempre é divertido ver os Kaulitz brigarem entre si. Mas eu estava com fome, então interrompi a briga...
Paula: – Bill, estou com fome...
Bill: – Que tal irmos para um restaurante?
Ria: – Perdi a fome...
Tom: – Vamos Ri... Perdoe-me vai? Eu te amo...
Ria: – Não vou...
Bill: – Então vou perdi para alguém ir buscar algo para nós– Bill pegou o telefone e começou falar com alguém
Ria se sentou no sofá e Tom se sentou ao lado dela. Parecia que eles estavam discutindo, então resolvi não atrapalhar. Lembrei-me do trabalho que tinha que entregar amanhã, subi as escadas e fui para o quarto do Bill, queria reler o texto, ver se não faltava nada e se não tinha nenhum erro. Abri a minha mochila e peguei o meu trabalho, mas na terceira página acabei adormecendo.
Senti algo relar, ou melhor, beijando a minha testa, era o Bill tentando me acordar.
Bill: – Bela adormecida, a “janta” já chegou.
Paula: – Obrigada por me avisar, só vou guardar o meu trabalho e... Cadê a minha pesquisa?
Bill: – Desculpe, peguei para ler, não achei nenhum um erro, nem uma vírgula fora do lugar...
Paula: – Obrigada, agora me devolva...
Bill: – Só se você falar, por favor!
Paula: – Para de graça Bill, me dê.
Bill: – Por...
Paula: – Por favor, Bill...
Bill: – Agora sim… Tome… E sobre os “nem uma vírgula fora do lugar” era mentira, achei umas cinco vírgulas perdidas por aí...
Paula: – Você é do mal.
Bill: – É a segunda vez que você me diz isso.
Paula – Porque é verdade.
Bill: – Vamos? O Tom já deve ter comido tudo, até a Ria...
Eu e eles rimos juntos, descemos as escadas e, realmente, o Tom estava “comendo” a Ria. Eles ainda estavam no sofá, deitados se beijando e não perceberam que eu e o Bill estávamos lá em baixo. O Bill fez coçou a garganta para chamar a atenção dos dois “pombinhos” e eles se assustaram, se levantando rapidamente do sofá. O Bill começou a dar risada da situação.
Bill: – Vamos jantar?
Tom: – O que tem de janta? – Tom falou meio envergonhado.
Bill: – Hambúrguer, que delicia... – Bill já estava com água na boca
Jantamos e ficamos conversando, na verdade Bill e Tom começaram a falar sobre as situações mais constrangedoras que eles já tiveram ao longo da carreira deles, mas já passava da hora de eu ir dormir.
Paula: – Eu vou dormir já esta tarde e amanhã tenho que acordar cedo...
Tom: – Ok! Boa noite Paulinha.
Ria: – Boa noite Paula
Paula: – Boa noite, se comportem essa noite vocês, hem! – disse olhando para os dois.
Bill: – HAHAHA... O Tom se comportar, só você mesmo Paula. Depois eu vou lá pra cima... Okay?
Paula: – Certo! Não demora
No quarto do Bill eu prendi o meu cabelo, tirei os meus brincos e vesti uma camisola confortável. Deitei-me na cama dele, mas não estava conseguindo pegar no sono... Ouvi o barulho de alguém se aproximar, então fingi que estava dormindo, nem sei o porque eu fiz isso...
Ouvi o Bill me chamando, mas não respondi, ele foi até a mesinha e abriu a gaveta. Eu acho que ele pegou aquela caixa e começou a mexer nos papeis. A minha vontade era de levantar e perguntar o que ele fazia com tantas informações minhas, mas deixei-o lá, quem sabe mais eu descobriria o que era aquilo... Ele guardou a caixa e se deitou do meu lado, acariciando o meu cabelo.
Bill: — Boa noite minha deusa...
Deusa? Ele nunca me chamou daquele jeito, hoje o Bill estava muito inspirado e estranho... Dormi com ele massageando o meu cabelo com aquelas mãos macias e suaves...
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