Que Se Dane O Mundo.
3 Sem ar
Ponto de vista Letícia —
- Oi, diga.- Falei tentando parecer normal, mas aquela altura do campeonato meu coração queria sair pela boca.
- Eu te amo.- Ela disse com aquela doce voz.- Mas eu te amo mesmo, não só como uma amiga, eu te amo, Letícia.
Meu mundo parou por um instante, ela sempre fazia isso comigo, meus passos eram lentos até a cozinha, eu precisava de água, não consegui dizer muita coisa.
- Eu também te amo.- Foi só o que consegui dizer.
O resto dos meus dias se passaram normalmente. Chegou o aniversário da minha irmã e eu convidei minha melhor amiga, depois iríamos pra casa dela, e buscariamos Iasmim, passei o aniversário inteiro nervosa.
- Tchau mãe, até mais.- Eu disse beijando a bochecha da minha mãe e me sentando no banco de trás do carro, tentei não parecer tão nervosa.
- Então, nós vamos buscar a Iasmim e depois vamos pra casa?- Julia perguntou a seus pais.
- Sim, estamos a caminho, ligue pra ela.- A mãe de Julia disse virando uma rua desconhecida.
- Iasmim, estamos chegando, espera lá embaixo.- Julia desligou rapidamente.
Depois de passar por caminhos desconhecidos chegamos a um grande condomínio, a garota -que agora tinha cabelos negros- estava parada de cabeça baixa, ela vestia uma calça jeans e uma camisa xadrez rosa, meu coração queria pular do meu peito, mas me controlei colocando os fones de ouvido. Julia se sentou ao meu lado esquerdo e Iasmim ao meu lado direito, não troquei nenhuma palavra com ela, o nervoso não deixava, olhei de canto e ela sorria.
- Ju, escuta essa música.- Coloquei os fones no ouvido de Julia, estava tocando uma música que eu sempre ouvia e lembrava de Iasmim, era recíproco.
- Ah essa música é realmente linda.- Ela disse.
Senti que Iasmim estava se sentindo um pouco deslocada do assunto, voltei a colocar meus fones e deixei em uma altura que eu não ouvia absolutamente nada, elas conversavam e de vez em quando me olhavam sorrindo, me senti envergonhada, mas continuei ouvindo minhas músicas..
Chegamos na casa de Julia, que logo trancou a porta do quarto dando espaço para eu e Iasmim conversarmos, mas as palavras não saíam.
- Ei Julia, abre a porta.- Ela disse.
- Não.- Julia riu.
Peguei meu celular e escrevi "Ju, ela vai ficar comigo?", Julia riu e logo respondeu: "Acho que sim, vou ver." , pegou um outro celular, o de Iasmim e começaram a trocar mensagens. Logo o meu voltou "Ela vai.", deitei ao lado de Iasmim, mas sem intenções, Julia colocou um macaquinho de pelúcia em nosso rosto e sorri para Iasmim, ela segurou meu rosto e nos beijamos, a partir dali não era mais a gravidade que me mantinha no chão, era ela, somente ela, aquela garota tão perfeita, senti seus lábios macios nos meus e ela logo deu passagem para minha língua, ficamos um tempo ali, paradas, apenas nos beijando, de vez em quando parávamos o beijo sorrindo e logo voltavamos; Era tão perfeito.
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