Que Droga, Cas!

15 Um Ponto Final


Notas iniciais
EU SEI, EU SEI. NOTAS FINAIS, MEU AMORES. NOTAS FINAIS. E eu tenho aquele problema de leitura, lembram? Eu sempre leio acerto as palavras erradas. Para vocês terem uma ideia, eu nem percebo quando alguém escreve ''mais'' no lugar de ''mas''. Sim, é serio.

Dean Winchester havia acordado cedo. Junto à sua filha Charlie, foram para o Hospital.

Era um dia frio. Pesadas nevascas cortavam o dia no meio. As luzes que no mesmo dia ano passado iluminavam as casas, hoje não passavam de enfraquecidos pontinhos coloridos debaixo de camadas e mais camadas de neve.

Nem mesmo as crianças saiam para brincar lá fora na neve. Não havia o cheiro de biscoitos saindo às casas. Não havia bonecos de neve em frentes as casas. Mal se via a fumaça das chaminés.

O Natal perdera a magia esse ano.

Dean entrou no quarto do homem já de idade avançada, deitado na cama inconsciente. Poderia ter se passado mais de 40 anos desde que ele o conhecera, mas o que Dean sentia por ele era exatamente o mesmo. Todos esses anos que viveram juntos, não fizera seus sentimentos diminuírem nem um pouco se quer.

O quarto simples do hospital da cidade era decorado com um leito no meio. A máquina que fazia Castiel ainda viver ocupava a direita toda da cama. A esquerda tinha duas poltronas, viradas de frente para a cama. E no fundo do quarto, um móvel de madeira com uma bandeja em cima. Paredes brancas sem vidas acompanhavam a decoração, que mesmo sendo clara, continuava sendo mórbida.

— Oi, pai... Viemos ver o senhor, não é Pequeno Bobby? Diz “oi” pro vovô Cas. — disse a mulher de cabelos pretos sentada à beira da cama. Em seu colo, tinha um garotinho de 6 anos, olhando curioso pro seu avô. Tentava entender porque seu avô estava ‘’dormindo’’ enquanto sua mãe falava com ele. Porque precisava de tantas máquinas perto dele e porque ele tinha um canudinho enfiado no nariz. O menino não sabia, mas seu avô estava morrendo. O pequeno menino de 6 anos levava o nome do pai de Dean. Escolhido pela própria Charlie, que ouvira desde cedo as historias do velho caçador bêbado e resmungão. Ela sabia que Dean não odiava John, mas desde que ele se entende por gente, Bobby foi a figura paterna em sua vida e na de Sam. John estava mais para um chefe, mesmo dando a vida por eles. Era Bobby que se importava com as notas dos garotos nas provas, mesmo sendo numa escola de duas semanas. Bobby era um escape da vida de caçador que lhes foram empurradas nas costas. Com John, eles aprenderam a atirar. Com Bobby, eles aprenderam a serem crianças.

— Oi vovô. O senhor não vem pra casa nesse natal? — Disse o menino por fim, com inocência nas palavras. Sua mãe estava às lagrimas atrás dele. Não aguentava ver seu pai daquele jeito.

— Ele não vai ir pra casa esse ano, garoto... Vovô está muito doente. — Dean respondeu no lugar de Castiel. Estava escorado na porta ouvindo a pequena conversa de sua filha e Castiel. Não relutava em conter as lágrimas. Não era a hora nem o lugar para bancar o machão. E certamente, não naquela idade.

— Pai, já estamos de saída... Pode ficar a sós com ele.

— Não vai querer ficar mais um pouco com o velho? É natal. Fora que pode ser a última... — Charlie o interrompeu, pedindo para parar de falar. Não aguentaria ouvir aquilo.

— O senhor sabe que eu não vou aguentar ouvir isso... Só passei pra trazer o Bobby e mostrar pra ele por que o vovô não passará o natal com a gente.

— Você é quem sabe, filha...

— Bobby, diz tchau pro vovô Castiel. A gente já está indo embora. — Bobby, que estava olhando os tantos botões que tinham nas máquinas ao lado de seu avô, nem ouvira o pedido de sua mãe. — Bobby, diga tchau pro vovô!

— Tchau vovô... Espero que o senhor venha lá pra casa para o Ano Novo. — Charlie sentiu o peito apertar ao ouvir aquilo. Ela sabia que seu pai não iria passar o Ano Novo em sua casa. Essa provavelmente, era a última vez que o via.

­— Tchau pai. Eu... Eu te amo muito. — beijou o topo de sua cabeça. Sem resposta.

Foi em direção a Dean, beijo-o e se despediu também, deixando Dean sozinho com Castiel.

O silêncio predominou no lugar. Dean continuava escorado na porta do quarto de hospital olhando com sua visão turva o homem de cabelos brancos à frente. Com os olhos fechados como se estivesse dormindo serenamente na cama de sua casa. Dean sabia que estava perdendo o amor de sua vida. Fazia dias que Castiel estava ali, e ele não saiu de seu lado nem por um minuto. Passava as noites acordado com medo de que ao abrir os olhos ele já ter ido.

Mas hoje, de algum modo, ele sabia que seria a última vez. Sentia como se escutasse um relógio no fundo de sua mente, marcando os segundos para que o anjo finalmente o deixasse.

Com um suspiro exageradamente alto, ele segue até a beira da cama e se senta na poltrona em frente à cama.

— Eu sei que está me ouvindo Cas. Assim como fez a sua vida toda, sempre ouvira minhas preces. — Dean segurava a mão de seu amado com certa força. Pois ele não queria que Castiel fugisse dele novamente, não antes de ouvir tudo que tinha para falar. Pigarreou antes de começar a falar novamente.

— Sammy queria que você soubesse que ele queria estar aqui também, mas ele não se recuperou da queda ainda... — Dean passou o olhar pelo anjo deitado a sua frente. Faltava uma coisa ali. E ele sabia oque era.

— Eu lhe trouxe isso. Achei que iria querer se despedir dele uma última vez. — Dean tirou de uma sacola o sobretudo marrom de Castiel. E cobriu o homem com ele. Castiel nunca se livrou de fato do sobretudo, sempre o deixou dentro de uma caixa cheia de tranqueira em seu guarda-roupa. E Dean havia o resgatado uma última vez. — Dean pigarrou mais uma vez para deixar um pouco mais livre sua garganta do choro e prosseguiu com seu monólogo.

­— Eu... Me lembro daquela vez, no meu aniversário se não me engano, em que você me trouxe flores e um pedaço de torta de maçã... — Um tímido sorriso triste apareceu nos lábios de Dean ao lembrar-se da cena. Castiel, parado à porta da cozinha, segurando um buque de rosas e uma caixa com torta de maçã da padaria perto de sua casa. — E eu gritei com você. Por que eu não era ‘’mulherzinha’’ pra receber flores... E eu pude ver em seus olhos, algo quebrando dentro de você. E logo em seguida, você correu pro quarto e se deitou e ficou em completo silencio... E eu passei a noite abraçado a você, dizendo que eu te amava e que não queria te machucar... Pois a última coisa que eu queria era te machucar Castiel. Você me perdoou depois desse dia, mas eu não me perdoei. Eu fui um total idiota com você e nem me lembro do por que! Eu sei que não é tarde pra dizer isso de novo, mas, me desculpa por ter feito aquilo com você. ­— Mais lágrimas brotavam de seus olhos. Ele nem se dava ao trabalho de contê-las. Pois ele queria chorar. Pois não ira aguentar segurar tudo aquilo dentro de si.

— Lembra da vez em que chamamos o Sammy e sua esposa para passarmos o Natal em casa? E ela levou a pequena Robin com ela? E a gente ficou todo eufórico com esse negocio de sermos pais? E no final daquele dia, quando Sammy foi embora e estávamos deitados em frente à lareira, eu disse que estava na hora de termos um pirralho? — Mais um sorriso manchado com lágrimas— e você me olhou com uma cara de confuso e disse ‘’ Eu entendo da anatomia humana, Dean. Nós não podemos engravidar’’ Sim... Eu me lembro dessa frase, Castiel... Pois foi ali que eu quis começar uma família com alguém. E esse alguém foi você.

— E como eu poderia esquecer-se das vezes que eu acordava e te via dormindo serenamente do meu lado? Depois de tanta confusão e sofrimento que você passou não só comigo, mas sua vida inteira... Ou das vezes que você acordava no meio da noite gritando meu nome. E eu fazia você deitar com a cabeça em meu peito e dizia pra você se concentrar nas batidas do meu coração. — Outro sorriso brotou nos lábios de Dean— Por que eu dizia que cada batida dele era por você...
—Graças a você seu anjo idiota, eu me tornei um apaixonado idiota. E eu não lamento isso nem por um segundo sequer. Se eu não tivesse fugido da vida de caçador, eu não estaria vivo hoje. Não veria nossa Charlie crescer. Ver o Pequeno Bobby... Aquele parece com o Sam na idade dele, sempre observando tudo... Ele vai dar um ótimo rapaz.

— São essas memorias que eu vou guardar eternamente comigo. Jantares românticos em todo nosso aniversario de casamento. A gente fez isso não é? Aquela tarde em que ensinamos a Charlie a andar de bicicleta. Claro, depois que ensinamos você a andar de bicicleta! A primeira palavra dela... Que nem nossos nomes foram...

— Eu vou te encontrar, Cas. Lembro do que Ash me disse uma vez, que há casos especiais que almas dividem o céu no paraíso. ‘’Almas gêmeas’’, acho que nos encaixamos nisso não é? Eu vou vasculhar aquele lugar inteiro até achar você. Afinal, um Winchester nunca desiste da família.

Um breve momento de silencio de novo. Falar aquela última parte o fez lembrar-se da vida de caçador. Mas era verdade: um Winchester nunca desiste da família. Seja ele caçador ou um velho aposentado no subúrbio. Dean sabia que tinha que ser rápido. O relógio dentro de sua mente gritava os últimos minutos. Dean devia continuar com seu monólogo.

— Eu queria ter dito que te amava mais vezes do que falei. Eu não gostava de demonstrar sentimentos e sempre condenei quem ficava com essa historia de ‘’eu te amo’’ pra cá e pra lá, chamando-os de bobos. Mas o bobo mesmo fui eu. Pois chega uma hora que a única coisa que eu quero, é que você saiba o quanto eu te amo. Eu sei que eu não fui o melhor marido que você podia ter tido, mas eu sempre soube que eu tive a maior sorte do mundo. Pois eu tive você. Mesmo que por pouco tempo. Então Castiel, antes de dizer adeus, eu quero que saiba que eu te amo. Amo mais que tudo que já amei. Amo com o que me resta de alma. Se teve uma coisa que manteve em pé todos esses anos, foi você. E eu sei que minha vida valeu a pena, pois eu a vivi junto a você. Eu te amo, Castiel — Aquelas últimas palavras saíram mais suaves que uma brisa. A verdade era tanta naquelas palavras que não parecia algo ensaiado para o leito de morte de alguém. Soou como um ultimo alento de um coração que aos poucos parava seus movimentos.

Dean sentiu uma leve pressão na mão que segurava a de Castiel. Agora, além de ele segurar firme a mão do outro, o outro tentava de maneira sútil responder. Olhou brevemente para a mão dele se esforçando em agarrar a sua. Ao voltar o olhar pro rosto do homem, encontrou uma coisa que o fez desmoronar por dentro.

Um lindo par de olhos azuis.

Castiel estava encarando-lhe como sempre fizera. Como se sorrisse com o olhar. Mas esse sorriso não tinha só alegrias, havia um pouco de dor neles. Mesmo que uma pequena quantia. Dor em deixar Dean sozinho. Em deixa-lo sofrer com sua ausência.

O olhar se manteve por alguns segundos, Dean sentiu que o olhar tinha uma última mensagem para ele. Ouviu a maquina onde monitoravam os batimentos de Castiel, fazer o tão temido ruído. As dançantes linhas verdes de outrora, agora jaziam mortas no fim do monitor. Pôde sentir a leve pressão nas mãos se esvaindo, junto com o olhar.

Ele pôde ver pela última vez, os olhos azuis pelo qual se apaixonou. Pôde sentir o ultimo toque de seu amado e pôde sentir o seu ultimo ‘’eu te amo, Dean’’.

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Mais tarde, naquela noite fria de natal, Dean se deitava na cama de sua casa. Estava exausto.

Tivera um dia horrível. Ver a pessoa que você ama partir não era fácil. E ter que ligar para sua família e amigos e avisar que ele se fora era pior ainda. Pois toda vez que ele pegava o telefone e pronuncia a frase “Castiel se foi”, matava aos poucos o pouco de esperança que tinha de que Castiel iria arranjar um jeito de voltar. Como ele sempre fizera. Sempre voltava para Dean.

Mas dessa vez isso não aconteceria. Graças a Deus, Castiel morreu como humano. Iria para o Céu agora. Não tinha nada que podia ser feito.

Talvez, transformar Castiel num humano não tenha sido um presente de Deus. Talvez uma maldição. Pelo menos era assim que Dean via isso agora.

Ter transformado Castiel em um ser humano para no final ele morrer, não parecia um presente. Parecia uma última maldição de Deus sobre eles. Os Rebeldes. Era melhor Castiel ter continuado anjo, assim, quando Dean morresse, ele só precisaria ir visita-lo no Céu. Não precisa de todo aquele teatrinho com Morte e sua bengala que atrai raios.

Mas Dean não estava zangado com Deus. Muito menos com Castiel por ter escolhido o que ele escolheu. Estava zangado com a situação. Estar deitado numa cama fria que costumava estar quente. Estar num quarto escuro sem aqueles olhos azuis para iluminar. Saber que quando ele dormir acordará sozinho. Isso dia após dia até a sua morte.

Não ver mais aquele sorriso quando estiver descendo pra tomar café. Ou em qualquer hora do dia. Pois Cas estava sempre sorrindo. Inclusive com os olhos.

Afundando na cama gélida, Dean estava passando os momentos felizes em sua cabeça. Tentando se prender em qualquer coisa alegre, onde pudesse ver Cas sorrindo novamente. Tentava ignorar a realidade e viver apenas de lembranças. Uma após a outra. Mas eis que a lembrança mais forte e vívida cruza sua mente, e ele tenta revivê-la.

O dia em que eles se casaram.

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Dean combinara com Sam de tirar Castiel do caminho o dia inteiro. Sam daria a desculpa de irem a um museu, para mostrar a ele a arte dos humanos, enquanto Dean arrumava tudo que precisava.

Dean tivera a ideia de fazer tudo aquilo no lugar onde eles se viram cara a cara pela primeira vez. O galpão todo pichado de Bobby. Foi lá que Dean viu aquele homem de sobretudo entrar e explodir as lâmpadas. Por que fodões sempre implicam com lâmpadas?

Só foi ao anoitecer que Sam chegou com Castiel. Ele sabia onde estavam, mas não fazia ideia do que estava acontecendo.

— Ideia do Dean... — foi tudo o que Sam disse, sinalizando para que ele entrasse.

Castiel entrou, olhando em volta todos aqueles símbolos de proteção. Que não o manteve fora naquele dia. Varias lembranças atingiam sua mente. Todas sobre Dean...

No final do galpão, rente a parede do fundo, estava Dean olhando para ele sorrindo. Estava vestindo um terno preto com uma gravata azul clara. Castiel admirou por um segundo como ele estava bonito. Não só pelas roupas, mas pelo lindo sorriso que ele tinha no rosto.

Continuou andando até chegar ao lado do loiro. Começou a sorrir, pois não entendia por que de tudo aquilo. Por que Dean estava tão arrumado num lugar isolado como aquele.

Então Dean pega em sua mão e fala suavemente:
— Cas... — Ele para e aperta a mão do moreno e sorri ainda mais. — Droga! Eu estou nervoso demais!

Dean estava ensaiando aquelas palavras fazia tempo. Não pensou que iria ficar tão nervoso assim. Ele pensou que seria só por um terno, dizer palavras bonitas—porém verdadeiras— e pronto. Mas como ele estava errado...

— Cas... Eu... Eu tenho pensado em nós faz tempo. Nós estamos juntos há bastante tempo. Como um casal nem tanto, mas nos conhecemos há anos. Você foi o cara que colocou em dúvida a minha heterossexualidade — riu— e como colocou. Mas ultimamente, ando pensando que está na hora de fazer algo mais permanente. Algo que nos conecte ainda mais. Além do sexo ou viver numa casa juntos. — Não era nada disso que ele havia decorado. —Queria que você experimentasse um dos ritos mais antigos da humanidade. Que simboliza amor, união e todas essas bobagens. — Castiel sabia o que vinha por ai. Já vira isso em tantos filmes diferentes, mas nunca pensou viver aquilo—.

— Eu mandei o Sam pesquisar um pouco na internet e em livros e descobri um jeito de fazer isso. Quer, por favor, ler o que está escrito naquela parede?

Castiel olhou para a parede atrás e viu uma frase pichada em vermelho. A tinta mais recente que as demais, chamava a atenção como fogo. Não sabia como não havia notado aquilo antes. Mas estava ali. Nitidamente e grande para se ler do outro lado no lugar. Embora ele pensasse que estaria de azul, pois Dean adorava fazer referencias aos seus olhos.

Leu e releu umas vezes. Não por incredulidade, e sim por felicidade. Não sentia o que os humanos costumavam ouvir ao ler aquilo, mas graças aos filmes que assistia de tarde com Dean, ele sabia o que vinha junto daquelas palavras. Um final feliz.

Exceto em alguns filmes, mas Dean não o deixava assistir sozinho. Principalmente à noite.

— ‘’Casa comigo?’’— Leu em voz alta. Dean estava tremendo de nervoso. Sabia que Castiel o amava, mas casamento era outra coisa bem diferente. Não sabia o que vinha depois. —Eu não sei Dean... Casamento é muito complicado. Não sei se posso lidar com isso agora... Me desculpe.

Dean soltou as mãos entrelaçadas. Seu olhar caiu para o chão. ‘’Ele disse não’’... ‘’Ele disse não...’’

— Você precisa ver sua cara, Dean. — Disse Castiel contendo o riso— É claro que eu caso.

— Nunca mais faça isso! — Exclamou Dean dando tapas no braço de Castiel— Nunca mesmo! Ou eu já peço o divórcio!

— Você que me ensinou a fazer brincadeiras de mau gosto.

— Eu sei... Nunca vou me perdoar por isso. — Ele tremia mais que nunca— Mas então quer dizer que você aceitou?— Cas quem entrelaçou as mãos agora.

— Claro. Depois daquilo, com certeza. — disse apontando com a cabeça para a mensagem na parede.

— Eu fiquei com medo de ter errado o enoquiano. É uma língua foda de se achar.

— Por isso existe o inglês...

Dean soltou as mãos entrelaçadas novamente, mas dessa vez para abraçar o outro. Sentindo o cheiro do cabelo do anjo. Ele o amava tanto que o seu peito doía.

— Me dê sua mão, Cas. — Dean pegou a mão esquerda de Castiel e tirou um pequeno pedaço de metal em formato de agulha do bolso. Era uma lasca do metal da faca dos anjos. E junto, um pequeno frasco de vidro resistente. Do tamanho de um vidro de esmalte.

Espetou com o metal a ponta do dedo anelar de Castiel. Em seguida, disse algumas palavras em uma língua antiga. Uma fina linha de uma fumaça azulada saiu do dedo do anjo e descia ao encontro do frasco de vidro, enchendo-o.

Ele estava com medo de não ter sobrado nenhum resquício de graça mais, mas por sorte havia. Pois se não tivesse, teria que ser o sangue do moreno. E isso seria meio... Eca.

Pelo visto, Morte não conseguiu mudar sua natureza por completo. Ele ainda tinha um pouco de anjo dentro de si.

Para curar o pequeno machucado, Dean depositou um beijo. Meio clichê meloso? Com certeza.

­Castiel acompanhou tudo em silencio. Confiava em Dean e sabia que o que ele estava fazendo tinha um por que, embora não soubesse ainda. E não ficou surpreso de haver resquícios de graça em si.

— Segure. —Dean entregou o pequeno frasco a Castiel. Ele notou que havia uma corrente grudado ao frasco, transformando-o em um colar. — Achei que alianças não seriam a nossa cara.

—Castiel, agora Winchester, aceita se casar comigo? — Tirou um colar do pescoço e segurou em frente a ele. Tinha uma chave dourada na ponta.

Castiel não tinha muito em que pensar para responder.

— Aceito. — Dean colocou o colar em volta do pescoço do anjo. E ajeitou a chave para que ficasse alinhada com a gravata do terno que Sam insistiu que Castiel usasse.

Castiel entendia o que o frasquinho com um pouquinho de sua graça significava. Era a sua aliança com Dean. Literalmente e não. E era a vez dele de fazer os votos. Um voto do jeito deles, sem um mestre de cerimonias ou seguindo a linha dos votos normais.

— Dean Winchester, aceita se casar comigo? — Castiel contemplava os olhos do loiro. Que conseguiam ser mais brilhantes que a porcentagem de graça ali em sua mão.

— Aceito. — E colocou o colar em Dean. Ajeitando para que sua graça também ficasse alinhada com a gravata.
Os dois se inclinaram para um beijo, mas Castiel parou de súbito e perguntou o que a chave abria.

A chave abria o Impala de Dean.

— Já pode beijar a noiva! — Gritou Sam do outro lado.

Um último alento de um coração cansado e duas almas no paraíso havia.

Por toda a eternidade.

Notas finais
Eu demorei um pouco? PARA CARALHO, podem dizer. Não ficou o que eu queria? COM CERTEZA! Mas(Olha o mágico ''mas'' aqui, gente), eu quase desisti da fic. Quase vim aqui e marquei 'terminada' sem o epílogo. O por quê? Bem, eu estava mais parecido com um limão espremido. Não adianta quantas vezes você volte a espremer, não sai nada daquela merda. Mas eu um dia fui para o quintal, deitei na rede e olhei as estrelas. E eu ainda tinha algumas gotas de imaginação. E eu depositei cada uma delas nas palavras acima. Eu sei que vocês esperam mais, assim como eu. Mas não saia nada, porém consegui colocar um ponto final. E sem deixar de lado, craru: UM BEXÃO NO CORE DE CADA PEZOINHA QUE ACOMPANHOU ESSA FIC. MESMO COM UMA ESCRITA HORRÍVEL, LÁ ESTAVAM VOCÊS, PESSOAS SEM VIDA SOCIAL QUE FICAM NA FRENTE DO PC 16h/dia, UM ENORME BEIXO MESMO. E acreditem, eu fiz um amigo com essa fic. Luis Guilherme(vulgo snow0498). E Luis, eu sei que às vezes pode parecer que eu não ligo muito pra você ou não considere você como algo bom em minha vida, mas é por que você não significa nada pra mim mesmo :3 E lembrem-se: Que a sorte esteja sempre a seu favor. ~assovio do tordo
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