Que Deus Me Proteja
1 Capítulo Único
Notas iniciais
- Por favor, Levi!
- Não.
- Por favor?
- Não.
- Ah, Levi, faz isso, vai!
- Não.
- Leevii!
- Posso fazer isso o resto da vida, Hanji. Não, não, não, não, não e não.
- Ah, Levi, faz isso por mim... – Hanji pediu, manhosa – Você não tem nenhuma missão pra fazer, Eren está ocupado e os outros estão descasando, então o que custa fazer isso?
- Eu não vou passar o dia todo com você. Vai que eu pego sua loucura. – Rivaille contestou, andando rapidamente para seu quarto, com a mulher em seu encalço.
- Espera! Leviiiii!
- Não! – Ele exclamou, entrando em seu quarto e batendo a porta atrás de si.
Infelizmente, esquecera que sua colega não se importava com o espaço dos outros. Pelo menos o espaço dele. Ou seja, ela entrou logo em seguida, fechando a porta delicadamente.
- Hey... – Zoe começou, cautelosa. Sabia que o moreno era difícil, mas também não desistiria tão fácil – Levi...
- Seja lá o que você for pedir, a resposta é não. – Ele resmungou irritado, se largando na cama. De algum jeito mirabolante, ele conseguia fazer isso sem desarrumar os lençóis.
- Mesmo se eu pedir um abraço? – Questionou, parando ao lado da cama.
- Mesmo. – Respondeu, com apenas um olho aberto. Lógico que estranhara aquela pergunta, mas achava melhor apenas concordar.
- Mesmo se eu te pedir... Um beijo? – Provocou, sentando-se na beira da cama e se aproximando dele.
- Mas que raio de pergunta é essa?! – Indagou, abrindo, finalmente, o outro olho.
- Você não me respondeu, Levi.
- E o que beijos e abraços têm a ver com o seu trabalho?
- Eu apenas quero saber...
- Você está ficando cada vez mais louca, sabia?
- Você ainda não me respondeu.
- Se isso é para me convencer, saiba que não vou mudar minha decisão, não importa o que me peça.
- Eu devia ter arrumado um namorado enquanto tive chance. – Hanji resmungou aborrecida – Pelo menos, eu teria quem me acompanhar na minha pesquisa. E uma companhia agradável... E, provavelmente, do meu tamanho... – Tocou na ferida. Estava, praticamente, chamando-o de baixinho – Já sei! Vou chamar o Eren... Não, a Mikasa vai me matar... O Armin? É o Armin tá de bom tamanho... Apesar de ele ser do seu tamanho, mais ou menos.
-... Ei, ei...
- Ah, eu preciso encontrar alguém pra passar o dia comigo! É chato ficar sozinha...
- Ei... – Levi chamou, sentando-se.
- De preferência um garoto bonito. E do meu tamanho.
- Tá bem, tá bem, eu vou. Feliz? – Aquela conversa já estava dando nos nervos dele – Agora pode parar de falar da minha altura?
- Kyaa! Obrigada, Levi! – Agradeceu, se jogando nele, fazendo os dois caírem no colchão – Obrigada mesmo! – Exclamou agarrada ao pescoço do moreno – Vamos então? – Questionou se levantando num pulo, tanto para esconder os batimentos repentinamente acelerados, quanto para desistir da ideia de deitar ali com o baixinho.
- Agora? – Indignado, Levi sentou-se na cama. Droga. Aquela mulher precisava sempre bagunçar tudo!
- E por que não? Vamos, Levi, vamos! – Chamou, puxando-o pela mão, num esforço vão de tirá-lo dali.
- Espere. – Pediu, na verdade mandou, se levantando – Tenho que arrumar os lençóis.
- É sério isso? – Levi simplesmente lhe deu aquele olhar frio que dizia com todas as letras que não desejava ser questionado, e Hanji se calou.
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- Isso não é lindo?! – Hanji questionou com os olhos brilhando do mesmo modo que sempre brilhavam quando o assunto era titãs – Um vai se chamar Samy e o outro Sam! – Disse, apontando para um titã fêmeo e o titã macho, respectivamente.
- Eu ainda não entendi o motivo de você dar nomes a eles. – Levi resmungou, olhando os seres gigantes fixarem o olhar indecifrável na cientista. Um calafrio percorreu sua espinha. Mau sinal. Não que ele fosse supersticioso, longe disso. Apenas sabia que aquilo não daria certo. "Que Deus me proteja. O que raios eu estava pensando quando aceitei o pedido? Ah, é, não estava.", ele matutava com seus botões.
- Eles existem! Se você existe, recebe um nome. Por que eles não?
- Eles têm um nome. Titãs.
- Então eu vou começar a te chamar de humano. Homem. Homenzinho. – Parou por um segundo, para depois começar a rir – Isso! Vou te chamar de Homenzinho!
- Você quer parar de implicar com minha altura, quatro olhos louca? – Aquilo estava irritando-o de uma maneira inimaginável.
Mas, pelo menos, percebera a tempo. Um dos titãs, Sam ou seja lá qual for o nome daquele ser, projetou-se para frente, com a bocarra aberta. Hanji estava de costas, não percebendo o movimento, porém Levi pensou ainda mais rápido. Ou melhor, agiu, pois não havia pensado. Num simples, porém de extrema rapidez, movimento, segurou a gola da camisa da mulher e puxou-a para si, longe do alcance do titã. Tamanha fora a força que usara, os dois caíram no chão assim que Zoe chegara até ele. O ser bizarro, parecendo decepcionado, voltou para seu lugar, onde outros soldados adicionaram mais cordas e pregos. Uma mera, no entanto poderosa, precaução.
- Você, além de louca, é desligada demais. – Ele resmungou, com o corpo da moça pesando sobre o seu. Pelo menos, ela estava salva. Era o que importava.
- Obrigada, Levi. Quase morri dessa vez. – A castanha agradeceu, levantando-se e ajudando o moreno a se pôr de pé.
- Acha mesmo que foi só dessa vez? Quer que eu te lembre de quantas vezes você quase foi comida por um titã, fosse ele uma cobaia sua ou não?
- Cale a boa, Levi.
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Estava um silêncio desagradável. Pelo menos para Zoe. Agora era o momento em que se trancava no quarto, ou dela ou de Levi, e escrevia suas teorias, descobertas e oura qualquer coisa na qual tivesse vontade. Falando em Levi... Depois de um dia rotineiro, apesar dos resmungos incessantes do moreno, finalmente Hanji resolvera dar um descanso para ele, alegando ter que ficar sozinha para pensar em suas teorias. Ele simplesmente acenou em concordância e foi-se embora. Mas, também, o que ela queria? Provavelmente o Heichō tinha mais o que fazer, como limpar toda a face da Terra. E mesmo se estivesse ali, seria difícil começar uma conversa, já que ele era sempre frio e distante. Ou talvez seja só com ela. "Talvez Levi tenha uma mulher com quem é um pouco mais carinhoso", pensava com seus botões.
- Fala sério, Hanji! – Exclamou balançando a cabeça vigorosamente de um lado para o outro, tentando esquecer o assunto – Você está falando de Levi! O homem mais frio, calculista, sarcástico e baixo do mundo! – Zoe sorriu com a imagem do Heichō – E muito bonito, legal e atraente também... – Murmurou para si mesma, levemente corada.
- Fico lisonjeado, apesar de "mais baixo do mundo" estar no meio. – A mulher reconheceu a voz grave e baixa no mesmo minuto e corou feito pimentão.
- L-L-Levi?! – Exclamou aturdida. Desde quando ele estava ali? Aliás, por que diabos ele estava ali? Geralmente, seu Heichō evitava aquele quarto assim como o Diabo evitava a cruz, já que Zoe nunca tinha paciência ou calma para arrumá-lo.
- Tem outro? – Perguntou se aproximando da mulher que estava paralisada na cadeira.
- O que está fazendo aqui?
- Pegando minha recompensa. Você não achou mesmo que eu ia te acompanhar um dia inteiro sem pedir nada em troca, achou? – Levi se aproximou da moça lentamente, se divertindo ao ver os vários tons de vermelho que o rosto dela adquiria – Você é mesmo uma idiota, quatro olhos.
- L-Levi... – Ela sussurrou, ainda estática. O moreno inclinou-se, deixando os rostos extremamente próximos, e segurou o queixo delicado com uma das mãos – Levi, o que você...?
- Cale a boca, maldita louca. – Resmungou, tomando os lábios rosados num beijo calmo como ele. Hanji arregalou os olhos, tamanha sua surpresa.
Depois de alguns segundos processando aquilo, finalmente a cientista entreabriu os lábios e correspondeu ao beijo. Levi não perdeu tempo. Assim que sentiu que a mulher o correspondia, enlaçou a cintura dela e, num só movimento, colocou-a sentada na mesa que havia ali. Isso sem nunca quebrar o contato, lógico. Aquela dança era simplesmente viciante. Sincronia, essa pequenina palavra definia o beijo deles. Se adicionar "amor" à receita, aí fica perfeito. E foi perfeito.
É lógico que Levi sabia o que aconteceria depois daquele beijo e da declaração muda. Agora sim, ele pensava:
"Que Deus me proteja da minha maluca."
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