Notas iniciais
Gente, dei uma chance para o nosso querido personagem confuso contar um pouco mais sobre sua vida. Esse capítulo é inteiramente contado por ele, ok? Abram seus corações e dêem a chance de ele se explicar! Boa leitura!

Talvez você ache que eu sou o vilão da história. Pois é, você está errado. Eu e Jenny já nos amamos muito, muito mesmo. Quando ela se mudou para a minha casa, tive a melhor época da minha vida. Acordava todas as manhãs inundado pelo perfume de baunilha; a temperatura quente de sua pele consolava-me e protegia-me de todos os males que me perseguiam. Era a principal inspiração de minhas canções e minha única confidente. Eu a amava. E eu a amo. Bem... não do mesmo modo. Sou o único que um dia acordou, olhou para o lado e não sentiu nada? Nunca foi minha intenção enganá-la. Por isso terminei. Não queria tê-la longe. Apenas a queria como uma irmã.

Então Jenny saiu de casa: sem avisar. Não sei se ela sabe, ou se um dia saberá, mas, eu sofri. Sofri muito. E encontrei consolo nos meus vícios antigos, as queridas e tão apreciadas drogas. As mesmas que um dia eu abandonei por ela. Às vezes deitava ao lado em que minha doce baixinha-irritada dormia, apenas para exalar o que sobrou de seu aroma, misturado com o cheiro da maldita maconha que queimava em meus dedos. Meu estoque estava acabando e eu apenas usava cocaína em situações especiais. É, precisava de mais. Disquei o numero de Madson.

– Mas já? – ela não esperou nem o meu alô.

– Uhum... Estou indo aí.

– Venha – ela deu uma risadinha – tenho uma proposta a você.

Peguei meu carro logo que desliguei o telefone, o caminho até a casa dela já era automático. Essa vadia ainda me mataria. A garota era filha do maior traficante da cidade, e ela me dava belos descontos. As vezes até um pouco mais que isso.

Normalmente ela entrava no carro, pegava o que tinha que pegar, dava o que tinha que dar e ia embora. Ninguém sabia do nosso “caso”, eu até gostava por que primeiro: Jenny a odeia; e segundo: Madson era a rainha das vadias. Mas hoje foi diferente, recebi uma mensagem pedindo para entrar.

Deixei meu carro em frente à mansão; Era toda branca, com grandes portões que davam um toque antigo. Podiam morar cerca de dez pessoas ali, mas viviam apenas três. Bom, não posso julgar, afinal minha casa também não é pequena. Como somos fúteis...

Madson veio rebolando até o portão, que abriu automaticamente. Chamou-me com seu dedo indicador, em seguida virando e desfilando até o local. Usava uma saia curtíssima laranja, incentivando meus sentimentos carnais. A blusa comprida branca não a salvava da vulgaridade. Entramos num cômodo separado, encostei-me a parede, com uma expressão de tédio, enquanto ela trancava a porta e sentava numa mesa de jogos, maliciosa.

– Sábado é meu aniversário, e já combinamos que você tocará, mas quero propor algo mais – a loira de olhos verdes apontou para uma caixinha próxima a mim. Abri-a, deparando-me com uma quantidade de droga que me custaria cerca de dois mil reais. Daria para uns bons meses, com a minha frequência de uso. A cocaína era a mais cara, porém a melhor de toda São Paulo – Seja meu parceiro durante a festa, e as férias, estou carente – Seus lábios vermelhos e carnudos formaram um biquinho. Fui ao seu encontro, parando apenas quando estava entre as suas pernas, fazendo-a deitar na mesa de bilhar, já soltando um suspiro. Afundei meu rosto em seu pescoço, chupando-o com vontade, enquanto ela puxava os fios de minha nuca. A barbie arqueou o corpinho, para que eu tirasse sua blusa, e assim o fiz. Apertei com força seus seios, cheios e chamativos, em seguida descendo uma de minhas mãos até sua virilha. Sem precisar de muito, ela já sussurrou meu nome, dando-me o prazer de começar a masturbá-la diretamente com três dedos, sem gentileza alguma. Eu sou bom no que faço, principalmente com ela, com a qual não tinha preocupação alguma. Então minha blusa foi arrancada, e em milésimos de segundos depois, minha calça também se encontrava no chão.

O resto, eu deixo para a sua imaginação...

***

Meu coração palpitava forte. Não porque tocaria, afinal era a coisa mais normal do mundo; mas pelo fato de, depois de um mês sumida, veria Jenny. Não posso mentir que não a procurei desde que cheguei, mas a nossa querida barbie ninfomaníaca não me soltou. E bem, ela estava pagando por isso. Estou me sentindo como uma puta de luxo. Sorri, apalpando o baseado de emergência no meu bolso. Ok, tudo estava indo muito bem, até Madson parecer mais ansiosa que o normal. Antes que pudesse perguntar o porquê, recebi um beijo que denominaria exagerado, e quando me soltou, entendi o motivo. Ela nos encarava, boquiaberta. Minha pequena nervosinha, com as madeixas negras escondendo parte de seu rosto, sua roupa diferente de qualquer vagabunda dessa festa. Quem a via, sabia que era uma garota de valor, e como era... Agora seus lábios fecharam-se numa linha reta, seus olhos brilhavam enquanto nos aproximávamos, eu sabia que não era de felicidade. Ok, o que eu estou fazendo desse lado mesmo? Antigamente, era para eu estar ali, do lado da menina prestes a explodir. Mas hoje, eu sou o inimigo.

Foi então que ele apareceu. Meu sangue ferveu. Minhas mãos suavam frio e a vontade de socar aquele rostinho bonito até ficar irreconhecível me atingiu. Brian enlaçou as mãos na MINHA garota, sorrindo descaradamente para mim. Jenny estava corada. Por que caralhos ela estava corada? Não, não pode ser. Madson abraçou os dois, tão falsa e nojenta, enquanto eu os encarava, sério. Jenny, ao perceber o modo que eu os olhava, encolheu-se. Ela sabia que aquilo era pedir para o mundo acabar.

Então fui puxado, deixando-a com aquele traste. Pensei em beber, fumar, pegar aquela traíra pelos cabelinhos curtos, levá-la para fora daqui e castiga-la como uma criança. É, Jen, você pediu. Meus olhos insistiam em lançá-la um olhar de “você sabe que fez bosta”, mas, ao me virar, os dois pombinhos já estavam sentados. O filho da puta estava embebedando-a, passando a mão em sua coxa. Merda, ele percebeu que eu estou olhando. EU NÃO ACREDITO que ele sorriu. Brian é um cara morto.

Meus passos pesados levaram-me até a parte de trás do palco, onde Jason estava arrumando tudo. Comentou em como nossa pauta estava foda, enquanto eu bisbilhotava por trás da cortina, e vi os dois se beijando.

– Sabe... Vamos mudar essa pauta – minha voz saiu fria e decidida.

***

(alguns dias depois...)

A chuva caía sobre meu rosto, enquanto eu fugia daquele hospital. Meu carro estava estacionado tão longe dali, e minha irritação ficava maior a cada passo. Lembrei-me do fedor de verme que senti quando Jenny me abraçara na cama. Ela esteve com Brian. Me chame de psicopata, mas eu conheço –e muito bem – o perfume daquele traste. Não, eu não sou gay. Maldito seja esse filho da puta. Por que não morreu no acidente?

Finalmente entrei no carro e arrumei a fileira, eu precisava de mais. O que estava acontecendo comigo? Eu amo essa garota ou não? Sou amado, ao menos? Ou fui trocado por um idiota com aqueles olhos verde-bicha? Mas, independente de qualquer coisa, eu não deixaria que os dois ficassem juntos.

“Hallucinating, things are fine in my head”

Observei pela janela frontal de meu carro e as figuras já estavam distorcidas. Cocei o nariz, aquilo não era nada confortável, e de repente, uma mulher apareceu no banco passageiro, encarando-me, com os olhos inchados e vermelhos. Sua mão pálida tocou meu rosto, sua pele era gelada, fazendo-me estremecer. Sua boca era a única parte de seu rosto que havia cor (mesmo que muito pouco). Desci a visão, e sua roupa era hospitalar. Usava uma camisola branca, e na região da barriga, sangue.

Segurei a respiração ao piscar e ainda vê-la ali. Tentei me afastar, tonto. A moça, com madeixas dourado escuro fez uma expressão de dor, e sussurrou “não faça isso meu anjo, não faça”. Sequencialmente o vidro de cocaína rolou do painel de controle e parou rente ao meu pé. Ela se foi.

Encarei o lugar antes ocupado há segundos atrás. Não sabia se corria, ligava o carro e ia pra casa, mesmo que drogado, ou dormisse por aqui mesmo. Pensei em ligar para Jenny, a única pessoa para quem eu teria coragem de contar o ocorrido, mas depois de tê-la abandonado, sozinha naquele quarto, não era uma boa ideia. Suspirei, em seguida ligando para Adam, que muitas vezes quebrou meu galho.

Quarenta minutos depois, eu estava na porta de casa. Levei uma pequena bronca do meu amigo, mas nada demais, ele é tipo meu irmão mais velho. Ao entrar no quarto, o silêncio tomou-me por inteiro, a escuridão acolheu-me. A figura daquela mulher ainda vagava em minha mente, era muito familiar. Meu coração ainda batia rápido, e muito forte, e as sombras ainda pareciam se mexer, mesmo que pouco. Apenas uma alucinação. Apenas. Uma. Alucinação. Adormeci repetindo essas palavras incessavelmente.

Acordei cerca de 15 horas depois. Mas preferia não ter acordado. Minha cabeça latejava como nunca. Levei as mãos até ela, sem saber o que fazer. Chamei por Ceci, mas ela não estava em casa. Ratejei-me até o final do corredor, apoiando-me no corrimão para conseguir descer as escadas sem acidente. Bebi três copos de água, como alguém que espera um milagre. Posso tomar remédio para dor de cabeça depois de fumar dois mil quilos de cocaína? Acho que não farei esse teste.

Depois de meia hora escalando o Everest que tinha da sala para o meu quarto, joguei-me na cama, rezando para aquela dor acabar. Tudo me trazia raiva, esse quarto solitário, essa cama vazia, esse travesseiro cheirando Jenny. Peguei-o e arremessei longe, deparando-me com algo que não via há anos. Aquela foto. Esteve aqui por anos, e eu ignorei, esqueci, excluí. Trêmulo, toquei a foto, com receio, e apenas observei-a. Seu sorriso, seus olhos, seus cabelos...

Mãe. Era você.

As lágrimas escorriam de meus olhos, fazendo com que eu não conseguisse mais enxergar a foto. A dor de um filho que não reconhece, de que é ingênuo, inútil. Ao abaixar a foto, levando-a ao meu peito, deparei-me com ela, em pé, a minha frente, encarando-me, com a mesma expressão da noite anterior.

Seu olhar maternal pairava sobre mim, e por um momento, senti-me como uma criança, estendendo os braços e pedindo colo. Mas ela não se moveu, apenas levava uma mão na barriga, e outra nos lábios. Pedi perdão por tê-la matado, por ter nascido, por não ter ido em seu lugar.. se eu pudesse ao menos escolher... A angústia me tomava por inteiro, minha mãe tentava dizer algo, mas eu não entendia. O que ela queria me dizer? Tentei levantar, mas a fraqueza derrubou-me no chão frio, rente aos seus pés. Queria beijá-los, mas, ao mesmo tempo que estavam a centímetros de mim, pareciam longe, incrível e deploravelmente longe. Tentar tocá-la era inútil, e aquilo me corroía, eu ansiava pelo carinho que nunca tive, e sempre sonhei ter. Então me vi sozinho novamente.

***

Não conseguia entender. Não sabia o que pensar. Aquilo foi real? Estou entrando em crise? Estou ficando doido? Afundei meu rosto na cama. Eu precisava dividir isso com alguém, eu já não sabia o que era certo ou errado. Eu precisava da minha garota. Tomei coragem e levantei do chão, voltando para a cama. Puxei o celular para mim, e disquei seu numero, de modo privado, para não correr o risco de Jenny não atender. Mas ela não percebera que aceitou, afinal, nem disse "alô". Ela conversava com alguém, e eu sabia muito bem quem era. Fiquei atento às informações. Desculpe, mas não é hoje que você sairá com o seu garoto apaixonado.

Notas finais
E então, povo? PLMDD me digam, não quero escrever sozinha pra sempre :c Amo todos vocês (até vocês, leitores fantasmas) beijinhos, até o próximo cap