30 de outubro de 2018

A sorte parecia estar ao lado de Daichi e Suga. Nishinoya teria um amistoso contra um time de vôlei de Seoul, então combinaram de se encontrarem no local da partida. Asahi e Sugawara ficariam no mesmo hotel que o restante do time FC Tokyo, então na hora marcada já estavam pegando um táxi e indo em direção a arena.

Estava bastante lotado. Vozes animadas preenchiam o ar e Asahi, por ser mais alto, tentava localizar Daichi no meio do tumulto.

— Acho melhor irmos até a arquibancada — Kouchi comentou — sua poltrona é ao lado da minha, ele vai nos encontrar por lá.

— Você está certo e-

— Asahi! Suga! — Daichi gritou seus nomes enquanto desviava das outras pessoas.

O homem de cabelos prateados foi em sua direção e o abraçou calorosamente. O beijo entre os dois não durou muito, apenas o bastante para o mais baixo morder o lábio inferior do moreno em total promessa do que estava por vir.

— Olá — sorriu provocante.

— Porra — Daichi xingou baixinho, todavia também sorria. — Oi.

— Existem outras pessoas ao redor, caso vocês não saibam — Asahi alfinetou rindo. — Vamos logo, quero ver meu líbero jogar.

— Veja só, Daichi — Suga o cutucou — "meu líbero".

— Não se compara com o dia que escutei ele o chamar de pequeno coala — apontou o moreno.

— Calem a boca — o mais alto corava furiosamente.

Depois que se acomodaram em seus lugares, a partida logo teve início. O jogo foi bastante acirrado, tendo muitos rallys intensos e saques monstruosos. De certa forma isso trouxe uma sensação de nostalgia para os três homens, que trataram de marcar um dia para praticarem um pouco.

A vitória foi para o FC Tokyo. Conforme a Arena se esvaziava, Asahi os chamou para esperarem do lado de fora para se encontrar com Yuu. Koushi e Sawamura saíram de mãos dadas e Asahi sorriu com a cena, mas não comentou sobre. Sua atenção estava no homem baixinho que conversava animadamente com Tanaka e Kuroo.

— Babe! — Yuu pulou em seus braços. — Você viu como acabamos com eles?

— Oh sim, eu vi — Asahi riu. — Tanaka! Kuroo-san! — cumprimentou. — O que acharam do jogo?

— Difícil — Kuroo respondeu — Ainda bem que temos um ótimo fisioterapeuta — apontou para Tanaka.

— São seus olhos — Ryuunusuke riu. — Vamos logo! Temos que comemorar antes de voltar para o hotel!

— Babe — Yuu puxou a mão do noivo — eu quero comemorar em grande estilo!

— Só espero que não seja como no balcão da confeitaria — Sugawara murmurou.

— Suga... — Asahi pressentiu que aquilo não era bom.

— O balcão é maravilhoso, Suga-san. Você deveria experimentar! — Nishinoya era tão cara de pau que chegava a ser absurdo.

— Ah claro, obrigado por me dizer.

— O que houve no balcão? — Daichi indagou.

— Depois da vitória do FC Tokyo contra JT Thunders, flagrei Asahi e Nishinoya fodendo no balcão da confeitaria. — Sugawara contou a todos.

— Asahi! — Kuroo ria ruidosamente.

— Por favor, Suga... — pobre Asahi.

— Eu sei como é — dessa vez foi Daichi que murmurou — uma vez escutei barulhos estranhos no armário de equipamentos, quando fui verificar... Encontrei o Asahi-

— Basta! Pelo amor de deus! — Asahi estava a ponto de ter uma síncope, tamanho era seu constrangimento. Yuu e Tanaka riam como nunca. — Quando foi que isso saiu de uma comemoração para... Minhas aventuras amorosas como meu noivo?

— Quando vocês fazem isso em locais públicos — julgou Kuroo.

— Eu sempre digo ao Yuu que vai dar errado... ele nunca me ouve....

— Noya-san é um incubus e ninguém pode mudar minha mente! — Kuroo era genial. — Kuroo riu — entretanto, não te julgo. O amor faz isso com a gente...
— Sim. Te faz entrar em situações inusitadas. — Asahi pontuou — Tsukishima que o diga, não é?
— Com certeza! — Tetsurou e Yuu disputavam o pódio dos mais sem noção.

A conversa continuou animada até que chegaram no hotel. Asahi dividiria um quarto com o noivo, então Suga e Daichi ficariam no mesmo quarto. Depois que entraram no cômodo, Daichi logo o agarrou buscando seus lábios. A saudade e a vontade precisavam ser saciadas.

— Senti sua falta — murmurou entre beijos.

— Prove para mim, então. — E a noite só havia começado.

***

Na manhã seguinte, antes de Suga ir para o aeroporto, Daichi o acordou com café na cama.

— Bom dia! — beijou sua bochecha

— Eu poderia me acostumar com isso...— o mais baixo resmungou risonho.

— Bem, o mestre confeiteiro aqui é você.... Mas posso dar meu melhor — o moreno brincou — Suga, eu gostaria de conversar com você.

— Sobre o quê? — Questionou enquanto se sentava.

— Eu... Eu estou apaixonado por você. — disse sem rodeios. — Conversar com você se tornou a melhor parte do meu dia... Você quer namo-

— Daichi. — Suga o encarou sério — não faz isso.

— Você... — o arqueólogo não conseguiu encontrar seus olhos — eu achei que você sentisse o mesmo e-

— Esse não é o problema.

— Então qual é? — Daichi tentou manter a voz calma.

— O problema é que também me apaixonei por você.

— Eu não estou entendendo....

— Eu me apaixonei por você, Daichi. Mas não posso viver assim.

— Suga, por favor, seja mais claro.

— Não posso viver sabendo que não sei quando vou te ver de novo. Daichi, você mesmo disse que no trabalho antes desse, você ficou três anos sem pisar no Japão. Como vou namorar uma pessoa que eu mal vejo?

— Mas podemos continuar nos falando e-

— Não é a mesma coisa, você sabe. Desculpa, Daichi. Mas eu não posso — dessa vez foi suga que tentou manter a voz calma. — Você sabia que Asahi e Nishinoya namoraram à distância por um tempo, certo?

— Sim — respondeu em um muxoxo.

— Você não estava lá, então você não viu.... Mas... Eles sofreram muito, Daichi. Cansei de ver Asahi chorar antes de dormir e, Noya... Eu o consolei por telefone, porque ele não sabia mais como lidar com tudo aquilo.

— Eu entendo.

— Daichi — puxou suas mãos em direção ao seu coração — eu realmente gosto de você, gosto mais do que parece caber em meu peito.... Mas eu não posso mentir dizendo que conseguiria lidar. Também não posso pedir para que você largue tudo por mim. — Sorriu tristemente. — Por favor, tente entender.

— Eu te entendo, Suga. — Não resistiu e o abraçou para assim tentar conter as lágrimas que tentavam descer.

— Se um dia... Quem sabe, você passar por Tóquio... Você sabe como me achar.

— Isso é um adeus? — Daichi sussurrou — Koushi... faça amor comigo.

Pelas frestas das cortinas, raios solares iluminavam dois corpos que se adoravam sob os lençóis. Dois corações que temiam a despedida iminente, mas que naquele momento só queriam estar juntos para sempre.