24 de dezembro de 2018

Depois de voltar ao Japão, Suga focou-se totalmente no trabalho na confeitaria. Daichi andava muito ocupado e, depois daquela despedida, sentia que as coisas não eram mais as mesmas. Ainda mantinham o contato frequente. Sawamura ainda era extremamente carinhoso, porém algo estava errado. Talvez fosse a sensação de algo faltando ou o vazio no estômago que nunca passava.

Com a chegada do Natal, a tendência era que o movimento de clientes aumentasse. O Kurisumasu keki era encomenda primordial, mas outros doces também eram solicitados. Asahi também permanecia até tarde no estabelecimento para assim darem conta de todos os pedidos. Não que estivessem reclamando, longe disso, mas uma folga cairia bem.

Era 18 horas quando os últimos clientes saíram. Suga foi até a porta e girou a placa para 'fechado', suspirando profundamente antes de se alongar.

— Meu deus, nem na época do vôlei eu sentia tanto cansaço nas pernas — lamentou.

— Minhas costas estão me matando — Asahi reclamou. — Vamos arrumar tudo para fechar?

— Sim, por favor.

Trabalharam juntos, movendo-se ligeiramente. Suga combinou de jantar na casa de Asahi e Noya mais tarde, por isso quando ouviram a buzina na frente da loja Asahi retirou o avental e cruzou o balcão.

— Não fique até tarde. Vamos te esperar para a ceia. Shimizu e Tanaka também virão. — O mais alto disse enquanto se aproximava da porta.

— Tudo bem. Vou passar em casa apenas para tomar um banho. Até mais tarde!

— Até!

Asahi saiu, deixando o outro ajeitando as últimas coisas na cozinha. O silêncio era quebrado apenas pelo barulho dos utensílios sendo guardados, até que Suga ouviu o sino da porta.

— Estamos fechados! — Gritou da cozinha.

— Ainda consigo uma Lótus de Cristal?

Sugawara quase deixou cair a colher que tinha na mão. Correu para fora, encontrando Daichi que segurava um buquê de cravos brancos e amarelos.

— Daichi?

— Olá...

O silêncio se estendeu mais do que deveria.

— Eu não sabia que você chegaria hoje... Quer dizer... Você não disse nada...

— Sim... Eu não tinha certeza se conseguiria... — desculpou-se. — Fiz mal?

— Não! Eu estou um pouco chocado — riu, aliviando a tensão. — Sinto muito, mas não há nenhum doce para te vender.

— Um Sugarwara, você teria? —Koushi nem acreditava no que estava ouvindo.

— Você está usando uma cantada? — riu abertamente. — Por deus, Daichi!

— Funcionou?

— Não. Mas as flores talvez.

— Você sabe, eu sou um amante à moda antiga.

— Percebo — sorriu mais uma vez.

— Suga... — o moreno se aproximou devagar — eu senti sua falta.

— Daichi...

— Espera. Escute tudo, ok? — Quando o mais baixo assentiu, ele continuou — Eu finalizei o trabalho na Coréia. Estou voltando definitivamente para o Japão.

— Daichi! Eu te disse que não queria-

— Suga, escute. Eu recebi uma proposta... Para ser professor na Universidade que me solicitou a pesquisa. Eu aceitei e-

— Daichi-

— Suga — Daichi pousou suas mãos no rosto dele — por favor, fique quieto e me escute. Eu aceitei porque não quero ir mais embora. Quero ficar com você, Suga, se você ainda me quiser ao seu lado.

— Você tem certeza? — questionou com certa emoção na voz.

— Sim. Eu... Mesmo que eu vá para o Alasca... Meu coração e minha mente me imploram para voltar...

— Você é tão clichê — o mais baixo riu passando os braços ao redor de seu pescoço.

— Não vou me desculpar por isso.

— Nem deveria — fitaram-se sorrindo — senti sua falta. Todos os dias.

— Eu já não aguentava mais ouvir sua voz e não te tocar — o moreno sussurrou — era como se algo-

— Faltasse? — completou — parecia que algo estava errado.

— E estava mesmo. Você faltava. Suga, eu realmente não quero ir embora dessa vez.

— Então não vá. Fique aqui, para sempre dessa vez.

Daichi o beijou. O beijo tinha gosto de saudade, paixão e promessas. Sugawara entregou-se como se não houvesse passado meses que tinham se visto. Era como se eles sempre tivessem pertencido um ao outro.

— Você vai mesmo ficar? — o mais baixo sussurrou com medo de quebrar o momento.

— Depende. Você aceita namorar comigo? — Daichi também sussurrou.

— Não posso resistir a tanto charme — brincou.

— Então pretendo ficar. Até que você me peça para te deixar.

— E eu se eu não pedir?

— Estou contando com isso. — O beijou mais uma vez.

Permaneceram ali, agarrados enquanto a neve caía lá fora. O natal seria perfeito, assim como outras épocas que estavam por vir.

— Você perdeu o jantar em comemoração do casamento de Asahi e Noya — Suga apontou.

— É, eu sei. — Daichi lamentou. — eu estava me esforçando para finalizar o trabalho de vez e acabou não dando tempo de vir.

— Eu entendo. Mas seria bom se você os recompensasse pela ausência. Por que não vem jantar conosco?

— Claro, eu adoraria.

— Ótimo! — comemorou. — Agora meu querido namorado, poderia me soltar para que eu termine logo de arrumar isso aqui?

— Você quer ajuda?

— Adoraria.

— Eu não vou mesmo conseguir um pedaço de torta? — Daichi resmungou enquanto limpava o balcão.

— Infelizmente, não. Mas...

— Mas?

— Mas se você me quiser coberto de chantilly mais tarde... Eu posso providenciar.

— Koushi, você ainda vai me matar qualquer dia — Daichi riu.

— Por quê? Você tem diabetes?

— Não? — Daichi arqueou as sobrancelhas.

— Então um pouco mais de doce não vai te matar. — Riu.

— De fato — gargalhou — mas você coberto de chantilly é demais para meu autocontrole. Não sei se meu coração aguenta.

— Bem, se você não aguenta o tranco... — debochou.

— Eu sempre posso fazer um esforço. — Sorriu malicioso.

— Estou contando com isso.

Ambos continuaram com as provocações até deixarem a confeitaria. A sorte realmente estava ao lado de Sugawara e Sawamura.