Quatro Doses
1 Chuva, cigarros e uma dose de impulsividade
Notas iniciais
Quarta-feira, 03 de Maio, e só o que tinha em minha geladeira era água gelada e uma forma de gelo vazia. Realmente, estava mais do que na hora de ir ao supermercado e eu que teria que ir sozinha, meus irmãos tinham feito compras das últimas vezes.
Me troquei, entrei no carro e parei em uma padaria próxima ao trabalho para tomar café-da-manhã. Enquanto tomava meu chá quente, vi na TV, que tinha na padaria, que logo hoje, provavelmente, choveria a tarde e sim, eu teria que ir ao supermercado de qualquer maneira, só de pensar em sair correndo do supermercado ao estacionamento, já desanimava meu dia.
Cheguei ao trabalho, e antes de entrar em minha sala, já percebi que o dia prometia. Eu Sabaku no Temari, era delegada da delegacia da mulher, e meus dias não eram nada fáceis.
Na minha mesa havia pilhas e pilhas de casos e relatórios que eu precisava analisar, algumas mulheres já estavam do lado de fora para falar comigo, e eu tentava atender o máximo de casos possíveis.
Apesar de tudo, não ocorreu nada fora do normal na delegacia, e acabei saindo relativamente cedo. Peguei meu carro e fui diretamente para o supermercado. Já havia feito a lista de compras, eram muitos itens.
Consegui comprar praticamente tudo, coloquei as compras em sacolas e coloquei-as no carrinho novamente, para leva-las ao carro. Quando fui até a porta do supermercado, estava chovendo, parecia que a previsão do tempo acertou dessa vez. Eu tive que sair correndo, pois o estacionamento do supermercado não era coberto, ou seja, eu pegaria toda essa chuva nas costas, mas não tinha jeito, precisava ir embora, tinha mais alguns relatórios para ler e queria termina-los ainda hoje. Corri até meu carro, abri o porta-malas apressada e fui colocando as sacolas com as compras ali dentro. Peguei as 3 últimas sacolas de compras de mal jeito fazendo com que as sacolas rasgassem, minhas compras caíram no chão e eu, já ensopada da chuva, xingava até a última geração do criador das sacolas de plástico.
— Maldito seja quem inventou essa merda de sacola de plástico.
— Calma, está tudo aqui! – Do nada, uma mão se estendeu e me ajudou a pegar as compras que ainda faltavam, pelo chão.
Quem era ele? Moreno, alto, cabelo preso e com um cigarro molhado na boca. Quando vi aquela cena, peguei as compras da mão dele, guardei-as no carro, fechei o porta-malas, virei para agradece-lo e comecei a rir baixinho sem querer.
— Oh... Obrigada! – Agradeci mas ria muito internamente com aquele cigarro molhado na boca dele.
— Tudo bem!... – Ele respondeu e coçou a nuca com uma mão e a outra estava no bolso, provavelmente procurando a chave do carro.
O carro dele era o que estava ao lado do meu, então cada um foi para seu carro. Quando liguei o motor, ouvi que ele havia buzinado do carro dele, olhei já pensando que não era pra mim, mas quando olhei, ele abaixou o vidro e parecia que pedia para eu fazer o mesmo. Então o fiz.
— Qual seu nome? – Ele me perguntou.
— Sabaku No Temari e o seu? – Disse sem entender.
— Prazer Temari, eu sou o Nara Shikamaru, e você me deve um cigarro! – Ele respondeu, pulando para o banco do passageiro. Ele estendeu a mão pela janela do banco do passageiro e me entregou um cartão. Eu não entendi muito mas achei engraçado, peguei o cartão e então ele continuou dizendo. – Vou cobrar o cigarro viu! Tá caro.
Pulou para o banco do motorista de novo e foi embora, enquanto eu fiquei ali, sem entender absolutamente nada. Fechei o vidro e li o que tinha no cartão. Pelo jeito ele era engenheiro de sistemas, havia também o seu telefone e email.
Guardei o cartão na minha bolsa e fui para casa. Chegando, Gaara, meu irmão mais novo, me ajudou a guardar as compras, fui tomar banho enquanto ele preparava o jantar. Saindo do banho, vi meu irmão Kankuro que também chegou em casa todo ensopado, ele não tinha carro, devia ter se molhado no caminho para casa.
Logo mais jantamos e eu fui para meu quarto. Na minha bolsa havia uma pasta com os relatórios, comecei a ler e os terminei antes da meia-noite. Fui guardar a pasta na bolsa e acabei vendo aquele cartão de Shikamaru, olhava e ria lembrando da cena.
O peguei na mão e fiquei encarando. Mandava mensagem ou não? Bom, eu não tinha nada a perder, então escrevi uma mensagem.
“ Pagarei seu cigarro, não sou caloteira! ”
A enviei e fui dormir, não olhei mais para o celular até ele despertar de manhã cedo, enrolei algum tempo para sair da cama, até ver que sim, eu já estava atrasada. Levantei, tomei café-da-manhã e fui para o carro, onde finalmente eu olhei para tela do celular e ele tinha me respondido.
“ Pode ser amanhã então? Está disponível? ”
Fiquei pensando e realmente eu não faria nada sexta-feira. Então lhe mandei outra mensagem.
“ Estou sim, onde levo seu cigarro? ”
Guardei o celular na bolsa de novo, e fui para a delegacia, só parei para almoçar, tive um dia cheio e nem lembrei de verificar o celular. Quando parei em um semáforo no caminho para casa que me lembrei da possível resposta de Shikamaru. Mas preferi chegar em casa para verificar.
Hoje era meu dia de fazer o jantar, então assim que cheguei em casa, levei minha bolsa até meu quarto e fiz um macarrão rápido. Meus irmãos e eu comemos e logo após tomei banho. Saindo do banho fui para meu quarto e peguei o celular. Shikamaru havia mandado uma mensagem marcando em um bar não muito longe daquele supermercado que nos encontramos pela primeira vez. Provavelmente ele deduziu que eu morava próximo ao supermercado e se fosse isso, ele estava certo. Então respondi confirmando o lugar e o horário.
Eu fiquei rolando na cama de ansiedade, não conseguia dormir de jeito nenhum, fazia muito tempo que eu não saia com alguém do sexo oposto que não fossem meus irmãos.
Abri o guarda-roupa e comecei a pensar na roupa que iria amanhã, decidi e coloquei em cima da cadeira que havia em meu quarto. Escolhi um vestido preto, não tem como ficar feio e um sapato também preto. Enfim, deitei novamente e dessa vez, consegui dormir.
Sexta-feira, acordei, me troquei e fui cedo para a delegacia. Não por que estava inquieta e sim porque hoje eu realmente precisava resolver alguns assuntos a mais. No final deu tudo certo, fui direto do trabalho para o encontro. Antes de chegar no bar, parei em um posto de gasolina e comprei um maço de cigarros que eu deduzi ser o que ele fumavra e fui.
Cheguei lá e antes de estacionar, vi Shikamaru. Ele estava do lado de fora do estabelecimento, fumando. Parei o carro no estacionamento que era do bar e fui de encontro a ele.
— Pronto, minha dívida está paga. – E entreguei o maço de cigarros para ele.
— Oh, você comprou mesmo. – Ele pegou e deu um sorriso tímido de canto, e continuou. – Bom, eu espero que você não tenha vindo aqui só no intuito de me entregar isso, porque eu estou com fome...
— Está preparado? Encontros comigo podem ser horríveis. – Respondi abrindo um sorriso.
Ele não respondeu mas ficou me encarando, uma das mãos foi até a cabeça e coçou sua nuca. Seu cigarro estava pelo fim já, então ele o apagou e jogou longe. Ele deu alguns passos à frente e disse:
— Vamos, problemática.
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