Quatro Doses

2 Beijos, déjà vu e uma dose de reciprocidade


Notas iniciais
Segundo tema do Desafio de Maio ♥ — Despedida de solteiro

O restaurante era muito bonito, apesar de ser próximo a minha casa eu nunca tinha entrado. Sentamos em uma mesa para dois e o garçom veio nos trazer o cardápio, tinham algumas porções e lanches diversos. Shikamaru pediu uma porção de batatas-fritas e cervejas para nós.

— Eu pensava que você não viria. – Shikamaru disse entregando o cardápio para o garçom e desviando o olhar assim que terminou de falar.

— Sou Delegada, não posso ficar devendo para as pessoas, é contra os meus princípios. – Respondi e o garçom trouxe as cervejas.

— Delegada... – Ele disse colocando a cerveja no meu copo e depois no dele, e continuou. – Com essa cara de brava... faz sentido.

— Cara de brava? – Perguntei sem entender.

— Mas é uma bela cara de brava. – Ele respondeu-me e tomou um gole de sua cerveja.

Eu fiquei com vergonha na hora, tomei também um gole de minha cerveja e comecei a perguntar:

— E onde você mora?

— Em Konoha, conhece? É um bairro meio longe daqui. – Respondeu e o garçom trouxe nossa porção.

— Nossa, e o que estava fazendo aqui em Suna? – Pergunte.

— Estava visitando um cliente. – Pegou uma batata e voltou a falar. – Você mora por aqui certo? – Eu apenas afirmei com a cabeça também pegando uma batata e ele continuou. – Eu imaginei por ver que estava com uma compra grande.

— Então você só apareceu no supermercado para me ajudar mesmo? – Perguntei e sorri.

— Mais ou menos. – Ele deu um sorriso de canto e continuou. – Na verdade eu parei para comprar um maço de cigarros...

— Ah sim... – Respondi e tomei mais um gole da cerveja.

Ficamos conversando por um bom tempo. Falamos sobre nossos trabalhos e como lidávamos com a vida, descobri que Shikamaru possivelmente morava próximo a um amigo de Gaara, mas não perguntei. Percebi que Shikamaru era bem sossegado, muito inteligente, pensava rápido, excepcional para alguém de exatas.

Já eram mais de 1h da manhã e era incrível como eu me sentia à vontade com alguém que acabei de conhecer. Nós éramos opostos de personalidade, eu era vendaval e ele calmaria, mas tínhamos gostos parecidos.

Eu não iria trabalhar no outro dia, porém estava bem cansada, então olhei no celular e Kankuro havia me mandado uma mensagem.

“ Não venha muito tarde, Sasori, nosso vizinho, foi assaltado na rua de trás de casa, ele queria conversar com você, se puder vir logo, ele está desesperado. Tome cuidado e me avise qualquer coisa. ”

Assim que visualizei a mensagem pensei que realmente era hora de ir para casa. Então disse a Shikamaru:

— Meu irmão me mandou uma mensagem. Disse que um de nossos vizinhos sofreu um assalto próximo a minha casa. Consequentemente, próximo daqui também, e me pediu para não chegar tão tarde por que meu vizinho ele está desesperado pelo jeito, deve querer conversar comigo ainda hoje. – Disse guardando o celular. – Já são mais de 1hora da manhã, acho que vou indo, pelo jeito terei de leva-lo até a delegacia ainda hoje.

— Que saco em. Bom, deixa eu te acompanhar até sua casa, pelo menos. – Shikamaru sugeriu.

— Não precisa, você mora do outro lado da cidade. Pode ficar sossegado. – Respondi e Shikamaru pediu a conta para o garçom.

— Tem certeza? – Ele disse em tom de dúvida. – Não irei trabalhar amanhã, posso acompanha-la sem problemas.

— Eu tenho porte de arma e uma carregada comigo, pode ficar tranquilo. – Eu disse sorrindo.

— Pelo menos me avise quando chegar em casa, ok? – Shikamaru disse preocupado.

O garçom apareceu e entregou a conta para Shikamaru. Eu saquei meu cartão e Nara disse:

— Não, deixa que eu pago.

— Nada disso, eu tenho como me bancar. A minha parte, pelo menos, irei pagar sim. – Disse e dei meu cartão para o garçom. – Divide a conta em dois, ok?

Não deu tempo de Shikamaru contestar e o garçom fez o que lhe sugeri. Pagamos, levantamos e fomos para fora do bar, então Shikamaru me pediu:

— Posso, então, acompanhar você até seu carro?

— Ok, isso pode. – Respondi dando um sorriso, fomos andando e eu continuei. – E onde você deixou o seu?

— Pelo o caminho que estamos fazendo... no mesmo estacionamento. – Ele respondeu.

E realmente estávamos, de novo, com os carros lado a lado. Quando vimos, acabamos rindo disso. Me despedi dele, e fui entrando no meu carro. Shikamaru foi rápido e parou a minha porta antes de eu a bater. Então ele perguntou:

— Poderíamos nos ver de novo, né?

— Você tem meu telefone, certo? – Respondi e me abaixei para colocar minha bolsa no chão do carro, assim que levantei Shikamaru me beijou sem eu nem conseguir raciocinar.

Depois de um selinho demorado e com muita vontade, Shikamaru colocou a mão em meu pescoço, e me beijava com força, eu me sentia quente e surpresa com aquilo. Ele mordia de leve meu lábio e depois chupava, foi descendo para o meu pescoço e então pedi baixinho:

— Eu preciso ir. – Mas não conseguia deixa-lo e Shikamaru não parava.

Meu celular começou a tocar, na hora sai dos laços de beijos em que Shikamaru me envolvia e peguei meu celular na bolsa. Era Kankuro.

— É meu irmão, preciso ir. – Disse sofrendo já com a partida.

Shikamaru se distanciou de mim e me viu atender o telefone.

— Oi Kankuro, o que houve.

— Viu minha mensagem? Que horas você vem, Tema? Sasori não sairá daqui de casa enquanto você não chegar. – Kankuro parecia de saco cheio do vizinho e continuou. – Ele não para de falar do que houve no assalto, já sei a história de cor e de trás para frente.

— Vi sim, estou chegando Kankuro, estava em um barzinho próximo de casa, estou no carro. – Eu disse.

— Ok, venha logo. Já já ele vai querer mexer na minha coleção de marionetes. – Kankuro disse e bufou.

— Ok, tchau! – E desliguei.

Coloquei o celular no console do carro e puxei meu cinto. Shikamaru fechou a porta e eu abri o vidro.

— Desculpe-me, não queria ir embora assim, ainda mais agora. – Disse a ele.

— Tudo bem, eu tenho seu nome e seu telefone, pode ter certeza que irei te achar. – Shikamaru disse e colocou as mãos no bolso procurando um cigarro.

Sai com o carro e vi ele coçando a nuca. Dei uma buzinadinha de “tchau” e fui embora. Chegando em casa, meu vizinho, Sasori, me contou o que houve e fomos direto para a delegacia. Fiquei até 5horas da manhã resolvendo tudo, deixei meu vizinho em sua casa e fui para a minha. Assim que peguei o celular na mão, vi algumas mensagens de Shikamaru.

“Você não me avisou, estou preocupado. ” – Primeira mensagem.

“Espero mesmo que tenha se esquecido de me mandar mensagem. ” – Segunda mensagem.

“Eu sei que estou sendo chato, é que realmente fiquei preocupado com tudo. ” – Terceira mensagem.

Eu sorri com aquela demonstração de afeto e então o respondi:

“ Desculpa, realmente esqueci de te enviar mensagem, meu vizinho estava desesperado, tive que ajudar. Mas gostei muito de tudo. Obrigada! ”

Finalmente eu iria dormir e amanhã estava de folga.

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Acordei depois do meio-dia com Gaara me chamando.

— Temari? – Acordei abrindo um olho só.

— Hmmm... – Não respondi direito mas queria saber o que acontecera.

— Kankuro e eu sairemos para comprar o almoço. E não esqueça que a noite iremos para a despedida de solteiro de Naruto. – Gaara disse e eu pulei da cama.

— O quê? Despedida de solteiro? – O que Gaara estava falando?

— Sim, eu te avisei mas deve ter esquecido. Naruto e Hinata vão se casar e vão fazer uma despedida de solteiros juntos. Sakura sugeriu a eles, afinal Hinata é super tímida e Naruto não queria deixa-la preocupada também, você sabe como são despedidas de solteiro, certo? – Gaara disse já próximo a porta de meu quarto.

— Nossa, eu não lembrava disso. – Disse colocando meus chinelos. – Vou tomar banho. Vocês precisam de algum dinheiro para comprar comida?

— Não... – Gaara respondeu. – Só queríamos um carona mesmo.

— Ah, tudo bem vai. Vou lavar meu rosto e colocar uma roupa, mas não quero sair do carro, ok? – Eu disse e Gaara afirmou com a cabeça.

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Compramos comida, voltamos para casa e comemos juntos na mesa. Kankuro lavou a louça e eu dormi mais um pouco, estava realmente cansada. Quando foi lá para as 17h acordei tomei banho e me arrumei para a tal despedida dupla de solteiros. Ia ser em um barzinho lá em Konoha, quando pensei nisso olhei para meu celular, Shikamaru também era de Konoha e ele tinha me respondido.

“ Fico feliz que esteja segura agora. Também gostei da noite passada. Espero te ver logo. ”

Pensei em responder, mas não sabia o que dizer, decidi então, me arrumar e, quem sabe, eu mesma chama-lo para sair. Afinal, tinha saído apressada da outra vez.

Depois de algum tempo, estávamos todos arrumados e fomos para o bar. Chegando lá, deixei o carro no estacionamento e avistei um cara fumando do lado de fora do estabelecimento, parecia até um déjà vu, quando ele virou eu tive a certeza... era Shikamaru. Eu congelei na hora, não sabia nem o que falar, nossos olhos se encontraram e Kankuro percebeu.

— O que houve, Temari? Porque parou? – Kankuro disse parado ao meu lado, olhou para a mesma direção que eu e continuou falando. – Você conhece Shikamaru?

Shikamaru veio em nossa direção e jogou longe o cigarro que já estava no fim, cumprimentou meus irmãos e disse:

— O- oi... problemática. – Shikamaru coçou sua nuca.

— Nossa, de onde vocês se conhecem? – Kankuro perguntou antes de me deixar cumprimentar Shikamaru.

— É... Oi. – Corei e continuei a falar voltando minha fala a Kankuro. – Longa história, depois falamos disso.

— Veio para a despedida de solteiro de Naruto e Hinata? – Gaara perguntou para Shikamaru.

— Sim, vamos entrar então? – Shikamaru respondeu e coçou de novo a nuca, percebi que ele fazia isso quando ficava nervoso, ou ansioso, ainda não sabia definir.

Entrando lá, um dos caras que trabalhava no bar, viu que a mesa reservada do casal era no andar de cima. Assim que subimos vimos Naruto, Hinata, Sakura, Sasuke, e alguns outros que eu não conhecia. O lugar era lindo, com uma iluminação amarelada, paredes e chão de madeira, tinha uma grande mesa e sofás enormes ao redor da mesa, com estofado vermelho vivo.

Shikamaru sentou ao meu lado e Naruto ficou nos olhando maliciosamente.

— Ué! Se conhecem? – Naruto perguntou.

— Pois é, também não sabia disso. – Disse Kankuro indignado e Gaara dava risada baixinho.

— Que saco vocês... Temari fez eu molhar meu cigarro porque a ajudei com as compras na chuva. Foi isso. – Shikamaru disse bufando.

— Ué mas isso é motivo para saber o nome e tudo mais? ... – Uma mulher com enormes cabelos loiros, cujo qual eu não conhecia, disse isso, seu namorado estava do lado e deu um sorriso estranho.

— Acho que a despedida de solteiro é do Naruto e da Hinata... – Falei cortando todos, eu já estava sem graça com tudo isso.

— Garçom! – Um homem gordo disse isso e continuou. – Traga para nós 3 baldes de cerveja, uma porção de batatas-fritas e uma de frango a passarinho para começar. Alguém vai pedir mais alguma coisa?

Cada um pediu uma bebida e eu pedi uma Pina Colada. Conversei bastante com todos, ri muito tambpem, pelo jeito já estávamos todos alterados. Fiquei com vontade de pedir mais algum drink diferente no bar que havia no andar de baixo e fui sozinha. Mas assim que encostei no bar, Shikamaru encostou também pedindo uma cerveja. Eu o olhei e dei um sorriso tímido. Pedi também uma cerveja e ele me pediu para acompanha-lo enquanto fumava.

— Não imaginava que você é a irmã mais velha de Gaara e Kankuro. – Shikamaru disse soltando a fumaça de seu cigarro.

— E quando eu imaginaria que você era amigo de Naruto, um dos grandes amigos de Gaara. Que mundo pequeno. E de quebra conhecia meus irmãos já – Respondi dando um gole em minha cerveja.

Shikamaru me deu um selinho de surpresa de novo e eu fiquei desnorteada. Já estávamos bêbados e eu não conseguia mais esconder que era isso mesmo que eu queria também. Eu sorri com a atitude dele e começamos a conversar sobre o que houve com o meu vizinho.

Terminou seu cigarro e continuamos ali conversando, até o momento em que ele colocou a mão em meu cabelo e gelei. Então ele começou a dizer:

— Eu quero te beijar agora, que saco. – Ele disse olhando para os meus lábios.

Eu, sem pensar muito, beijei-o. Ficamos na área dos fumantes por muito tempo nos beijando. Quando voltamos para a mesa, todos voltaram o olhar para nós.

— Esse cigarro molhado rendeu em Shikamaru? – Disse Naruto dando uma risada maliciosa e Sakura deu um beliscão nele. – Ai, Sakura! É verdade dattebayo!

Kankuro já estava dormindo em um canto, então chamei Gaara.

— Vamos embora?! Kankuro já está mamado.

— Vamos sim!

Nos despedimos de todos e Shikamaru se ofereceu para ajudar a levar Kankuro no carro, antes de sair tomei duas garrafas de água e levei mais algumas para o carro, eu não estava mal, mas mesmo assim, não estava 100% sã.

Shikamaru e Gaara levaram Kankuro para o carro o colocando deitado no banco de trás do carro. Gaara se despediu de Shikamaru e sentou-se no banco do passageiro. Me despedi de Shikamaru com um selinho e entrei no lado do motorista.

Kankuro acordou no meio do caminho, meio desnorteado e perguntou:

— Ué, estou no carro.

— Sim, você apagou lá. – Gaara disse enquanto dava uma garrafa de água para o do meio.

— Você está bem? – Perguntei a Kankuro.

— Sim, meio tonto, acho que estou bêbado ainda. – Kankuro respondeu e voltou a se deitar.

Chegando em casa, tomei outro banho, coloquei meu pijama e me deitei. Olhei para o meu celular e Shikamaru tinha me mandado mensagem.

“Quero te ver de novo, problemática. Boa noite! Me avise quando chegar. ”

Respondi rapidamente a mensagem:

“ Cheguei já, o que você acha que irmos ao cinema na quarta? ”

Não demorou muito e ele respondeu:

“ Ótimo, você escolhe o lugar e eu o filme, eu compro os ingressos e você a pipoca. Pode ser? ”

“ Por mim está ótimo! Boa noite preguiçoso. ”

Finalizei a conversa e fui dormir com um sorriso no rosto.