Quatro Ases

3 Chama do Carvão


Ele arruma o chapéu e entra no bar. Empurra solenemente as clássicas portinholas do primeiro saloon que achou. E quem é ele? É o metido fedendo a cigarro que acabou de mutilar um sujeitinho qualquer do lado de fora. Além de ter colocado Dillon pra correr.

— Ele deitou o Dillon de cagaço? – Questionou um homem no balcão, sendo confirmado pelo colega de copo.

O homem do olho roxo bufando fumaça é mal recebido pelos olhares de desconfiança do pessoal, é claro, qualquer um de qualquer lado pode tentar te matar por qualquer motivo. Pelo menos é isso que se aprende quando anda por esses lugares infames sem Xerife. A rapaziada te mata por trocados, por maus olhados. Matar por mulheres virou luxo depois de certo ponto.

Ele, o tal Escorpião, ignora sumariamente. Sendo até meio frustrante para muitos. Que esperavam algumas reação ou desconforto do recém chegado. Entretanto também bem comum esses tipos fazerem graça e depois botarem panca de indiferentes. Carter se senta e fala ao garçom:

— Me dê um uísque.

O garçom entrega o pedido e pergunta sem compromisso, pelo menos é o que parecia gravado na sua cara desdenhosa e cansada. Um bigode castanho na cara e um copo sendo polido nas mãos.

— Você é novo aqui?

Escorpion não responde.

— Estranho, só aviso uma coisa, para você que me parece fazer negócios com a

morte... essa cidade é cheia de tipos como você.

Aquele tipo de conversa chata parecia estar saindo de um daqueles livros ilustrados sobre pistoleiros e cavaleiros andantes. O barman tinha plena noção de como estava soando.

— É mesmo? – Carter, o Escorpion, pergunta enquanto espera o barman encher seu copo.

— Cuidado com os Chacais. Muitos como você chegaram aqui e foram os primeiros à...

— "A" o que?

O barman aponta com a cabeça pro lado de fora, para o outro lado da linha, mostrando a quantidade de cruzes sem nome amontoadas. E também é fácil ver a quantidade de marcas de tiros espalhadas pelas paredes da cidade. Sangue manchando o chão, espirrado na areia.

Juan só toma um gole e responde confiante – Acho difícil! Meu sangue derrama, mas não esfria.

— Hehe! Tem um outro cara que costuma vir aqui que diz algo parecido – O barman ficou amigável de repente.

— Quem? – Escorpion ficou curioso, não era um ditado muito popular.

— Um tal de Alan... Mac... Macnamara eu acho. É um negro dos bem folgados.

Escorpion pensa logo "O Mac? Aqui?!". Não parecia muito feliz com a notícia, ou com qualquer tipo de esperança de que isso fosse acontecer.

— Parece que conhece ele – O barman lançou um olhar curioso, não percebeu reação de Carter. Passou apenas a olhar os outros clientes fazendo carranca para o homem de preto.

— Vocês têm quartos com banho? – Perguntou Carter, ignorando o comentário anterior.

— Sim custa $5 a diária.

Não teve muita conversa. O Escorpião apenas tomou sua dose e subiu pro seu quarto recém alugado. Passou ali o resto do dia, ninguém o viu pisar ou colocar o nariz pra fora da porta. Sim, teve gente bisbilhotando isso.

Na manhã seguinte ele sai para comprar munição para suas armas de estimação numa lojinha de armas da rua. No caminho deu para notar parte do espírito da cidade. Não exatamente algo belo e venerável.

Homens imundos de carvão circulam pra cima e pra baixo cuspindo toletes escuros que quicam na areia. Caravanas de asnos sobem e descem, uma diligência chega, vomitando passageiros cansados e suados para fora. Um ferreiro espanca uma ferradura ao fundo, camponesas fofocam dentro de uma mercearia. Pirralhos banguelas e ainda mais imundos que os funcionários das minas de prata rolam na terra e correm uns atrás dos outros.

Era uma cidade, afinal, do tipo com alta mortalidade, como é de se esperar dos clichês do Oeste selvagem. A coisa mais bonita ali, além do sol e céu perturbadoramente avermelhado, eram as finas moças com belos vestidos coloridos. Contudo essas eram as prostitutas locais, que costumavam se avolumar nas ruas ao fim da tarde, procurando clientes. No entanto, aquele horário também era movimentado para elas, sempre era. Sempre tinha homens ávidos dia e noite, uns iam, outros chegavam, outros morriam.

Mas a cidade tinha grande circulação. Aquele era uma espécie de mundo paralelo em algum lugar na fronteira do Novo México e o Arizona. Se Carter se lembra bem do mapa que viu, não ali, mas onde embarcou.

A cidade era viva. E no centro dela estava erguido o imponente "Saloon Silver Star". Um belo prédio de dois andares fora o térreo. A joia da cidade, pelo menos era o que os andarilhos diziam. A única coisa ali que aquele bando de arruaceiros pode se orgulhar.

Um bom prédio, pena que bem gasto pela areia e marcas de balas em todo lugar, mas nada pode destruir sua bela alvenaria avermelhada. Seja do barro, ou seja do sangue.

Dentro dele, logo ao entrar, o teto é alto, tem uma fornalha num dos cantos, no canto oposto fica um piano de salão. Logo ali, ao lado da escada para os outros andares, fica o balcão. Atrás dele, armários cheios da melhores e das piores formas alcoólicas destiladas ou não daquela era.

Escorpion ia comprar munição, no entanto parou para experimentar algo. Logo depois de pisar dentro, ele repentinamente ouve galopes ao longe:

— Peguem ele! – Grita uma voz distante.

Escorpion pede uma dose de uísque, para batizar logo a manhã, toma seu copo e vai até a ampla e alta janela do saloon para ver o que acontece na rua.

— Não o deixe fugir! Há Há Há! – Riam e cacarejavam um amontoado de vaqueiros no bolo montado que entrava na cidade.

Um bando de sujeitos a cavalo. Os moradores já viam como um estouro de bandoleiros que vinha na cidade de tempos em tempos. Dependendo da sede deles de seja lá o que for. Homens, todos armados, chapéus nas cabeças, testas suadas, barbas crescidas, expressões sanguinárias.

Aquela turba entra na cidade perseguindo um primeiro cavaleiro que veio na frente a galope sofrido. O cavalo já não se aguenta e o que o cavalga faz o que pode para se esquivar das balas, ziguezagueando com a montaria. Balas? Elas começaram a cantar logo quando ele entrou na cidade. Que se danem as baixas civis, eles queriam derrubar o maldito.

O fugitivo à diante morde a língua pensando em algo.E essas tais balas que zunem no seu ouvido não ajudavam muito. Seus perseguidores são todos visivelmente pistoleiros na fronteira, alguns brancos, mestiços e outros são mexicanos. Mas todos enfiados numa tentativa de uniforme informal. Tinham um lenço negro no pescoço. Quase todos também usavam cinturões entupidos de munição e armas de todo tipo. Cartucheiras cruzando o peito, repletas de balas cumpridas e cintilantes ao sol. E outros, por cima delas, vestiam coletes marrons.

Um dos que estavam na dianteira da turba, logo atrás do fugitivo uivou – Atrás dele!

Bang! Aponta e atira com seu revólver, fechando um dos olhos por causa da fumaça voando sobre seu rosto.

Teve sorte. O tiro atingiu o cavalo, e o homem fugitivo caiu rolando de cima de sua montaria.

— Peguei o pangaré! – Gabou-se o que ia na frente.

— Há Há! O coitado caiu! – Debochou o sujeito que vinha logo atrás.

O vaqueiro que estava rolando ao chão, parece ter feito isso de propósito, mesmo que seus adversários não tenham percebido. Uma manobra pra evitar e absorver o choque e impacto de cair dali de cima. O sujeito se levanta, os perseguidores vão chegando e o cercando. Se preparando para atirar.

Ali alguns tiram seus rifles do coldre na cela, outros pistolas, e outros; garrafas quase vazias. Já tinha armas demais, por que se importar?

Um homem barbudo, que se agrisalhava nas pontas gritou triunfante – Mac você está cercado!

— É mesmo? – Retrucou o fugitivo, que parecia atender por "Mac" – E o que mais? Água é molhada?

— Fica aí onde está – Respondeu o barbudo.

— O senhor Lorenzo vai gostar de ter ele amarrado numa corda na sala – Comentou um sujeito armado ao lado do líder, que deu a primeira advertência.

— Iria ficar lindo! Hahaha! – Completou um outro ao lado, risonho. O resto da turba parece ter começado a rir ou esganiçar de forma estranha.

— Seu paspalho! Você nem conhece o Lorenzo! – Comentou um outro.

— Eu conheço sim! Falei com ele mês passado!

— Sei... e o Abraham Lincon é meu cunhado!

— General Lee toma cerveja comigo toda quinta.

— Vamoshhh brincar com este malandrinhu! uhuhuaiihua! – Não é preciso dizer de novo que praticamente todos estão bêbados.

Quando a turba percebe, o cara já se jogou pra fora da rua e ia correndo pelos calçamentos de madeira, para o lado oposto em que eles se viravam e riam instantes atrás. O líder, que logo percebeu a fuga, deu dois tiros, acertando apenas o chão. O sujeito era muito rápido.

— Seus idiotas! Atira nele! – Gritou enfurecido o líder.

Eles foram girando os cavalos, um deles ainda rindo, outro deixando derrubar um pouco da pinga de sua garrafa no processo.

Eles ergueram as armas, mirando para atirar. Nesse instante Mac sacou sua arma, apontou para trás sem muita preocupação e deu três tiros. Um deles resvalou no chapéu de um dos sujeitos da turba, outra bala foi pro chão e a terceira foi pro céu.

— Droga! Peraí – Mac virou-se, andando de costas, encaixou a mão canhota no cão do revólver, a parte de trás que se precisa puxar para atirar novamente, e disparou rápido mais três vezes na direção dos seus perseguidores. Um dos tiros pegando no meio da testa do homem com um rifle ao lado do líder.

— Atirem nele! – Ordenou o líder não se intimidando – Esse bastardo descarregou a arma!

Bang! Os homens atiraram. Thung! Miraram. Bang! Tentaram. Mas o homem corria como se não houvesse amanhã. Mudando de rumo aleatoriamente.

— Ahhh desgraçado! Ele me acertou! – Disse um outro pistoleiro ao lado do líder, "parece ter sido atingido além do homem que cabeceou uma bala", pensou Mac –

Stan! Pega ele! – Gritou o pistoleiro ferido.

Não conseguem acertar nada. Sete homens atirando balas calibre quarenta e cinco e vinte e dois com fúria para cima de um homem, agora à cinquenta metros, e não conseguiam acertar nada.

— Mashh que Dimônhu!! – Resmungou um bêbado, que até sacou a arma e atirou, mas parecia só dar salves para o céu do que realmente disparar na direção correta.

— Esse miserável não para quieto! – Vociferou um deles, que pulou do cavalo, se ajoelhou segurando o rifle, mirou com cuidado e atirou duas vezes – Parado! – Sem sucesso.

Nisso o sujeitinho arisco rola no chão, o ajoelhado dispara de novo. O tiro pega na janela da loja ao lado. O homem em fuga corre para dentro de um bar seguido por tiros e ricochetes. Balas raspando a madeira e voando lascas dela perto de seus olhos. Estilhaços de vidro se espatifavam por toda parte também. O lugar em que ele entrou estava vazio, só havia um barman entediado ali, que rapidamente se enfiou para trás do balcão.

— Atirem! Dentro do bar! – Uivou o líder da turba.

As balas quebram o restante das vidraças e janelas enquanto aquele cara, Mac, tomba ao chão, se esconde atrás de uma espessa mesa de madeira. Havia duas mesas naquela pocilga, ambas eram grossas como portas. Deviam dar conta do recado. Mac pega novamente seu revólver e procura recarregar seu tambor. Catando as pequenas balas encaixadas no seu cinturão.

Enquanto isso a bala canta do lado de fora. As pessoas da cidade estavam divididas em duas, as que correram loucas de medo e as que ficaram à uma distância segura, fora do rumo das balas, para assistir. Os atacantes vão cercando todo o bar, que fica do outro lado da rua de Silver Star. Cinco pela frente, junto do líder e outros dois que estavam procurando uma maneira de ir pelos fundos. O líder deles grita:

— Mac! Se entregue e não iremos te enforcar!

— Não! A gente vai é te queimar! – Gritou o pistoleiro ferido no braço.

— Quem manda aqui é eu! E eu digo que o ele vai...

— Há! Vocês são bem legais aí decidindo como vão me esfolar vivo – Disse o fugitivo arisco, atrás de uma mesa dentro daquele bar – Mas podemos resolver isso logo, eu tenho uma hora marcada no...

— Cala essa boca! – Disparou Stan, o homem que havia se ajoelhado com o rifle. E agora vomitava tiros contra Mac, agora que sabia exatamente onde ele estava. As balas, calibre .45-70 Gov, faziam rombos na mesa de Mac. Que olhou assustado para os buracos do tamanho de punhos – Seu preto miserável! – Gritou Stan furiosos gastando todas as balas na mesa.

Parte dos moradores da cidade se assustavam a cada tiro, baixando a cabeça involuntariamente, outros só olhavam. Coisa de rotina. O barman parecia ter sumido, mas até onde Mac sabia, estava com o brioco tão trancado que não passaria uma agulha.

O alvo em questão ali. O tal Mac. Ele é um afro-americano, bem escuro, cabelo raspado, usando um colete de couro marrom por cima de uma camisa branca surrada com um lenço verde no pescoço. É claro um revolver calibre trinta e oito na cintura dentro dum coldre velho. Ele é famoso por sua esperteza, por ser ágil, ter um estilo de vida largado e por fazer mais inimigos do que pretende. Seu nome verdadeiro é Alan Macnamara.

— Passem fogo neste desgraçado! – Gritou o líder lá fora. Morgan, Mac o conhecia bem. O bastante para saber o tirar do sério, como já estava fazendo.

As balas vieram de novo, com força. Entrincheirado, Mac sabia que não esperariam nunca que ele revidasse, muito menos durante a supressão de tiros que estava fornecendo. Ele ergueu a arma para fora da cobertura, atirou mais ou menos na direção em que vinham os tiros.

Bang! – Ai! – Gritou um.

Parecia dar certo. Enquanto houve uma pequena comoção de como Mac trocou tiro e ainda acertou um. O sujeito colocou a cara rapidamente, esticou o braço e deu mais dois tiros. Um no homem que havia sido ferido no braço e que reclamava pro Stan fazer algo e mais outro no peito do rapaz que acabara de gritar por conta de um tiro na perna direita.

"Agora são cinco", suspirou Mac em seus pensamentos. Morgan correu e colou as costas na fachada do bar, olhando se soslaio para dentro, esperando algum vacilo do seu alvo. Ao seu lado um comparsa resmungou, esticando a cabeça e expondo ela enquanto choramingava.

— Chefe vamos morre... – Bang! Esse beijou uma bala e caiu ao chão como um saco de merda.

— Ah Seu preto miserável! – Grasnou Morgan ali ao lado. Mac atira para alguma direção que Margoan não identificou.

— Sobrouf sóh eu ii vocêeé chefe! – Desafinou um dos comparsas, de algum lugar que Morgan não conseguiu descobrir.

— Não seu idiota! Ainda tem o Stan! – Corrigiu Morgan – O Kurt nos fundos!

— Tá falando daquele logo ali? – Apontou o bêbado que Morgan infelizmente tinha como parceiro de turba. No entanto ele nem sabia onde o sujeito estava, menos ainda onde o tal Kurt caiu morto.

Mac vai rapidamente recarregando seu tambor, fazia isso de maneira quase mecânica de tão ágil que era. Ee enquanto soca os seis cartuchos no revólver, ele todo recostado atrás de sua proteção, pelo menos na parte menos esburacada pelos tiros de Stan, diz tirando sarro.

— Chega Morgan, Eu te perdoo! – Falou Mac tranquilo – Eu deixo você pegar a sua namorada e irem dar o fora daqui ilesos.

E um tiro, ou melhor, vários, servem de resposta. Os ditos Chacais não tinham medo de descarregar rios de grana em munição, pensou Mac. Mas ele também não tinha. E enquanto Mac, o negro amaldiçoado por todos, imagina o quanto aquela mesa é boa e firme, apesar dos estragos já feitos. Ao lado de sua cabeça por exemplo, ricocheteiam para todo canto. Morgan, o bêbado e Stan disparavam sem parar, intercalando entre a recarga de um e outro, soando sempre tiros por quase dois minutos inteiros.

Por essas e por outras que alguns do outro lado da rua dizem coisas como "Aqueles desgraçados ou não faziam força para acertar ou são uns inúteis mesmo" ou "Que bela sinfonia esses inúteis tão fazendo no meu buteco favorito".

— Eu vou te matar! – Ameaçou Stan, de frente para o bar e de pé empunhando seu rifle de alavanca – Seu crioulo desgraçado!

— São tantos apelidos carinhosos – Comentou Mac irônico.

Mac não reagiu até então, era muito fogo. No entanto percebeu, virado para a porta dos fundos, com a vista meio turva pela forte claridade vinda do lado de fora, que alguma coisa se aproximava.

Naquela forte luz, um sinistro andar firme irrompeu logo depois que os tiros pararam. E aquelas passadas lhe pareceram familiares. Um conhecido chacoalhar das esporas, um hálito de fumaça e presença carregada. Mac pensou "Ah, sério isso?", deduzindo a origem daqueles sons.

— Escorpion?! – Mac indagou para a silhueta vindo em sua direção pela brilhante porta dos fundos.

E ali, pelos fundos, por trás da "trincheira" de Mac. Mas com as duas armas no coldre, sem preocupações em se defender ou machucar à bala o perseguido negro, entra Carter.

— É! Seu bastardo – Resmungou Carter, pouco amigável.

— Nossa, hoje meu fã clube veio em peso!

Bang! Resvalou um tiro próximo de Carter, que foi ignorado por ele. Escorpion coloca o dedo no nariz de Mac:

— Miserável, você me deve duzentos dólares!

— Não cara! Esqueceu? – Respondeu Mac – Juntou uma cidade inteira pra me linchar!

— Hoje é o dia da cobrança? – Gritou o bêbado que estava na turba de Morgan – Eu Quero o minha pensão ó chefiaaah!!

— Cala a boca! – Retrucou Carter, sem paciência.

O bêbado levanta, coça o traseiro e vai embora dali. De pé mesmo, à vista. O bêbado levantou-se de seu abrigo do tiroteio e saiu andando. Abandonando Morgan e Stan, que pararam de atirar, em todo caso. Dado isso Mac continua rapidamente o raciocínio:

— É isso que eu tô te dizendo cara! Queriam me pegar!

— Sempre estão querendo te pegar – Lançou Carter, sério – Logo depois de passar a noite no saloon gastando meu dinheiro.

— Ah! Foi bom demais aquele dia em Baton Rouge, não foi? – Mac aparentemente mudando de assunto e falando de forma casual, como se ele não estivesse sentado atrás de uma mesa esburacada com dois homens ali perto querendo enfiar uma bala na sua cara e mais um outro seriamente pensado em fazer isso.

— Por que será que todo mundo tenta me lembrar daquele dia – Disse Escorpion desdenhoso.

— Você que não seguiu o plano e rodou a mesa, estragando tudo – Retrucou Mac para o cara de pé ali no meio do bar onde estava tendo uma troca de tiros instantes atrás

— A é! – Respondeu Escorpion rouco, como quase sempre – Tudo armado entre você o Stuart pra sumirem com a minha grana!

Stan, que estava na frente do bar, se aproximou de Morgan – Chefe, esse aí que está falando com ele é sangue ruim.

— Ouvi falar – Respondeu Morgan tentando esticar o pescoço e ver alguma coisa – Melhor irmos embora. Com sorte esse aí vai acabar com ele para nós.

Morgan e Stan saem dali cuidadosamente, pegam os oito cavalos que pertenciam a todo o bando e somem de vista. Stan não ficou nada feliz com a decisão do chefe, mas já tinham perdido seis parceiros naquela perseguição. Não era seu dia de sorte.

— O que? – Respondeu Mac chocado – Eu não combinei nada com ele não, e não peguei grana alguma – Alan se justificou por ter apenas abandonado a mesa de jogo com todo o pote nela.

— Então foi o canalha que nos passou a perna – Concluiu Escorpion daquele assunto estranho que ninguém ao redor conseguia entender e nem Morgan ficou para acompanhar. A maioria dos que vinham achavam que Carter entrou ali para dar fim no Mac, mas o que aconteceu foi ele se virar de costas pro negrinho.

— Eu lhe pago tudo, eu juro! – Disse Mac ignorando o raciocínio que lhe tirava boa parte da culpa – Vamos sentar e nos acertar – Foi falando Mac com um tom manso e apaziguador – Aqui não por que aqui não está muito bom. – Diz ele sobre o bar que ele acaba de destruir com o tiroteio.

— Não sei – Falou Carter coçando o queixo. Se aproveitando que Alan não percebeu que Stuart era o verdadeiro culpado – Eu deveria quebrar estes seus dentes de pérola – Resmungou algo baixinho e retomou – Quero o dobro da grana!

— Claro, claro! – Falou Mac rindo com canto de boca. Carter não se importava. No final das contas o Mac lhe devia bem mais que isso se fosse levar à risca, e também sabia que nunca veria grana alguma, apenas bom grado e disposição do Mac para lhe ajudar quando fosse preciso.

— Enquanto não me pagar – Carter se vira de volta para Mac – Preciso de uns favores, você conhece o pessoal.

— Pode deixar – Mac hesitou, olhou ao redor, enquanto se levantava e constatou –

Peraí, cadê o danado do Morgan?

Carter coloca um cigarro na boca e diz – Dane-se seus coleguinhas, precisamos conversar.

Alan Macnamara, que havia passado por maus bocados naquela manhã e de repente viu seus perseguidores evaporarem, deu de ombros. Escorpion, o Carter, foi na frente bufando fumaça, na direção do Silver Star. Lugar que Mac já conhecia e estava gostando de descobrir que seria o palco de suas negociações. Todavia, Mac não se importava. Sua filosofia de vida era simples e pelo menos seu rosto estava no meio da dezena de "cartazes de procurado" grudados na fachada da estação ferroviária. Na terra onde não só o sol morre.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.