Quase sem querer
6 Vocês vão ter de conviver
Notas iniciais
Fiquei me revirando na cama a noite toda, não preguei os olhos por um minuto sequer. Olhei no relógio do celular e eram exatas 3 horas da manhã.
Eu não estou grávida. Não estou.
Era a trigésima vez que eu repetia aquela frase na minha cabeça.
Enfim amanheceu. Saí da cama e tomei um banho frio. Assim que me vesti parei em frente ao espelho e decidi que eu deveria mesmo usar um corretivo na parte inferior dos olhos, minha aparência estava terrível devido à noite em claro.
Quando estava para sair a campainha tocou e eu estranhei alguém aqui à essa hora da manhã, mas eu sabia as opções de quem seria porque não me interfonaram da portaria
– Fabi? Que cê tá fazendo aqui? – Perguntei surpresa ao abrir a porta e ela entrou
– Toma – Jogou uma sacola plástica em mim
– O quê é isso?
– Tem cinco. Vai fazer – Ela ordenou
– Quê? Não, eu já disse que não vou fazer nenhum teste porque não estou grávida.
– Então faz e me prova
– Isso é ridículo
– Vamos K. Eu sei que você está em dúvida, é pro seu bem.
– Olha eu tenho que estar na agência em 20 minutos, lá eu prometo que faço ok? – Eu não iria fazer nada. Não precisa, eu sei.
– Eu vou com você
– Isso tá ficando chato, cara. Sério
– Chato tá essa sua teimosia. Vamos – Bufei e acabei cedendo. Ela tinha pego o carro da mãe emprestado então me deu uma carona. Deixaram ela subir comigo, então fomos de elevador até minha sala e entramos.
Joguei minha bolsa em cima da cadeira. Fabi apoiou o peso do corpo em seu lado direito e cruzou os braços.
– Anda, Karina.
– Mas agora? Ó eu tenho o dia todo pra fazer isso e... – Ela me interrompeu
– Agora, K – Disse séria e eu acabei cedendo. Se ela queria que eu a provasse que não estava esperando um filho do mané do Pedro, eu provaria. Peguei minha garrafa térmica de 500ml de água e bebi de uma vez, foi o suficiente pra mim. Arranquei as embalagens de sua mão e me tranquei no banheiro. Li na bula que tinha que esperar dez minutos. Fiz os cinco e lavei as mãos, depois saí do banheiro e coloquei todos no colo de Fabi que estava sentada me esperando e esta me olhou com cara de tacho.
– Você olhou os resultados?
– Claro que não, não preciso.
– Ok – Ela pegou os testes em seu colo e levantou olhando cada um deles e a cara que ela fez não foi uma das melhores.
– Que foi?
– K... Deram positivo. – Ela disse e me olhou. Senti meu estômago dar um mega mortal e um frio percorreu todo o meu corpo.
– Isso só pode estar quebrado – Peguei os testes de suas mãos – Olha esse, deu negativo, eu te falei
– Esse deu negativo mas os outros quatro deram positivo.
– E como você pode saber que o erro não está nesses dai? — Eu estava nervosa
– K, não adianta fugir, a maioria deu positivo, você está sim grávida e eu acho que deve contar pro Pedro, ele tem que saber.
"Contar o que pra mim?" Meus olhos quase saltaram do meu rosto quando vi ele parado na porta. Por pouco acho que meu coração não saiu pela minha boca. Eu e Fabi trocamos olhares.
– Quantas vezes eu já te falei pra não entrar na minha sala sem bater? – Eu gritei
– Calma ai senhorita toda esquentadinha, eu deveria ter batido mas fiz bem em não bater, vocês estavam falando de mim. O que você tem que contar pra mim? O quê eu tenho que saber? – Ele entrou por completo na sala. Lancei um olhar perdido para minha amiga eu sinceramente não sabia o que dizer, na verdade, eu não queria dizer, queria que tudo fosse apenas um grande equivoco.
– E-Eu... Hãm eu só estava... É que eu... Ela disse que... – Me enrolei pra inventar alguma coisa
– A Karina está grávida – Fabi soltou e eu quase voei em seu pescoço
"O QUÊ?" Ouvi o berro de Pedro se misturar a outro. Olhei para a porta e Bianca estava lá parada me olhando.
Oh meu Deus, isso não pode estar acontecendo.
– Karina você tá... – Bianca começou a dizer mas não terminou. Sua expressão era de incredulidade assim como a de Pedro
– É, eu tô. – Falei de uma vez e coloquei uma mão na testa, comprimindo os olhos e bufando irritada
– Como isso aconteceu? – Pedro disse de uma forma bem noiada
– Ai meu Deus Pedro, como você acha que foi?! Será que foi pela cegonha? Ou eu engoli um embrião? – Falei da forma mais sarcástica e grosseira possível, esse cara só não é mais anta porque não tem espaço. Misericórdia!
– Isso só pode ser zoeira – Ele disse
– Antes fosse. Urgh, essa coisa tinha que vir bem agora? – Falei indignada
– Karina isso não é uma "coisa" – Bianca fez aspas – É um bebê!
– Que só veio pra atrapalhar minha vida
– Não fala assim, K – Foi a vez de Fabi
– Eu devo estar pagando por todos os meus pecados. Um filho, com a mulher mais esquentada do universo
– Faço das suas palavras as minhas. Um filho, com o cara mais mané da face da Terra! AI QUE ÓDIO – Berrei e precisava extravasar. A porta era a coisa mais perto.
– Chega Karina! Chutar porta não vai resolver o problema.
– Então o quê vai? Uma clínica de aborto talvez?!
– Você não seria capaz de... – Percebi Pedro assim como minha irmã e Fabi me olharem assustados
– Não... Claro que não. Mesmo que isso seja pior do que enfiar agulha nos meus próprios olhos – Respondi
– Eu sou tão jovem e tão lindo pra estar passando por isso – Resmungou o babacão
– Só fingir que não é com você. Vai ser o maior prazer do mundo se você sumir das nossas vidas e me deixar criando essa criança sozinha. Eu digo que o pai morreu em um trágico acidente.
– PAROU A PALHAÇADA VOCÊS DOIS – A ex gordinha encrespou – O ASSUNTO AQUI É SÉRIO! JÁ DEU DE TROCAR ESSAS OFENSASINHAS RIDÍCULAS, VOCÊS NÃO SÃO MAIS ADOLESCENTES, CARAMBA! JÁ QUE FORAM IRRESPONSÁVEIS O SUFICIENTE PARA BEBEREM E FAZEREM COISAS AGORA CRIEM JUÍZO E RESPONSABILIDADE PARA ARCAR COM A CONSEQUÊNCIA DA FESTINHA DE VOCÊS. JÁ PASSOU DA HORA DE AMADURECEREM! – Estávamos embasbacados e perplexos com tudo aquilo que ela despejou sobre nós. Fabi nunca na vida tinha agido assim e no fundo no fundo eu sabia que ela tinha razão.
– Concordo com tudo o que ela disse. – Minha irmã começou – E acho que agora mais do que nunca vocês tem que conviver um com o outro
– Eu já aturo esse idiota há quatro anos
– Eu já aturo essa serial killer maluca tempo suficiente
– Cala a boca vocês dois. Eu não terminei de falar – Ameacei rebater mas me contive – Como eu ia dizendo: Vocês vão ter que conviver um com o outro, de verdade. Pedro, a partir de hoje, você recebe uma nova moradora no seu apartamento
"O QUÊ?" Berramos juntos
– Você só pode estar de brincadeira – Falei rindo ironicamente
– Surfando nas ondas da ilusão
– Não estou brincando, eu falei sério e muito sério.
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