Quase Um Segundo
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Ela foi minha canção constante até minha voz cessar.
Sua face ainda me assombra, me persegue, por ser tão pura, tão casta, contrastando com seu nada de coração.
Hoje novamente a vejo sem poder tocá-la, incrível como um desejo pode tornar-se maior que qualquer vontade de vida, que qualquer sonho, anseio.
Penso em tentar novamente tê-la, esqueço de sonhar, lembro da dor do fim
E esqueço do sim.
Prefiro não lhe ter.
Casado com três filhos, pai e marido perfeito. Este é Rui.
Arruma-se sempre sem olhar-se no espelho. Regina, sua mulher, separa suas roupas no dia anterior e põe-nas no encosto da cadeira solitária encostada à parede do quarto.
Hoje começa seu novo trabalho dele... Com ELA.
Lena Guérrios. Morte aos cabelos loiro-tingidos, eu sei – e aos olhos castanhos profundos estes que foram desenhados e pintados à mão...
Não! Você não é mais um adolescente super-desenvolvido, Rui.
Coitado. Este sofre o penar de eternamente amar uma confusa mulher, das que não se decidem se amam, se vivem ou desistem.
Olhou para a roupa na cadeira e decidiu que vestiria algo que gostasse naquele dia, nem que fosse calça de moletom e camisa de time.
Amava sua mulher, mas unicamente como amiga a essa altura do campeonato,admitia que não é e nunca foi o tipo de pessoa fiel, mas procurava alguém por quem ser fiel.
Vestiu-se e foi trabalhar.
Se ao menos tivesse tido coragem de lutar por ela, mas nunca teve coragem para lutar por nada. Covarde!
A comodidade, é e sempre foi mais forte que qualquer coisa, SAIA DESSA INÉRCIA.
Melhor explicar desde o começo da encrenca.
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