Quase Sem Querer

29 Capítulo 29 - Algo sobre papo e dia.


Não, não e não. Isso não podia. Simplesmente não podia.

Qual é o problema do pessoal lá de cima comigo?

Eu não fiz nada de cruel nessa vida. Tirando aquela vez que eu joguei aquela nojentinha da Estephany da escada. E foi bem merecido, ok? Defendo mesmo. Aquela garota era insuportável e gostava de provocar. Um braço quebrado e ela correu de mim o resto do ano. Até que minha mãe me tirou do colégio. Ok, voltando ao presente...

Meu plano era simples. Estava surda, a música tá alta e eu estou muito ocupada falando com meu irmão mais velho que coincidentemente era o noivo da festa. Bebi um gole grande do coquetel e meus olhos lacrimejaram.

-Você não é de beber, né? – Matt riu baixinho.

-Cala a boca e me ajuda.

-Relaxa.

-Ele foi da parte dos convidados dela, não foi? – Eu tentava disfarçar, brincando com o paletó de Matt. O mesmo não me respondeu. Diego vinha na minha direção. – Será que eu corro?

-Porque você não conversa com ele?

-Ele não quer conversar comigo.

-Como você sabe? – Eu não respondi – Se passou um ano, certo?

-É, mas o que ele fez comigo parece que foi ontem.

-Supera isso, amiga! – ele fez voz de gay e por um momento questionei se o raciocínio da Gabi estava mesmo certo.

-Não faz isso de novo aqui na festa. – Sorri torto.

-Estou brincando. Pode perguntar para a Manu sobre minha masculinidade se...

-Eu definitivamente não quero saber da sua vida sexual, Matthew – resmunguei. Que mania dele.

-Então vai lá falar com ele.

-Eu estou falando sério.

Só meu irmão para parar de cumprimentar a lista gigantesca de convidados em sua festa de casamento para me dar conselho.

-E eu também. Ou você acha que eu brinquei na frente do padre? – Ele virou-me pelos ombros. – Agora, bebe um pouquinho mais desse seu coquetel e vai lá falar com ele antes que eu tenha que te acompanhar até lá.

Eu corei ferozmente quando notei que nossos olhares se encontraram. Eu pensei que tinha esquecido a forma ou da cor de seus olhos. Legal quando você se engana.

Olhei desesperadamente para trás, mas Matt sorria para outro convidado.

-MATTHEW! – Eu não ia deixar barato. Ele e mais metade de seus amigos me olharam – Não se esquece de levar sua cueca box do bob esponja pra lua de mel.

E provavelmente ele ainda deveria estar me xingando quando eu andei de cabeça baixa até Diego e ele veio também até mim.

-Oi.

-Oi – sorri, ou tentei. Acho que saiu uma careta, era o que costumava acontecer. Passaram alguns segundos até ele notar que eu não responderia mais nada.

-Hm e ai... Passou para jornalismo? – Uma imensa esperança que ele viesse me espionando durante todos esses meses de maneira platônica me deixou maravilhada. – Ouvi a mãe da Gabriela comentando.

-Ah é. Pois é. – Esqueçam os pensamentos anteriores.

-Parabéns – ele esticou os dois braços e a única coisa que eu fiz foi beber mais um longo gole da bebida.

-Brigada. – Brinquei com meus dedos espalmados. Lembrando do que eu tinha pensado há algum tempo, eu nunca tinha perguntado a Diego o que ele fazia da vida ou o que ele queria. – E você... Hm... Já acabou a faculdade?

Ele soltou uma risada sonora e sonoramente irônica.

-Faculdade? Não, não! Eu desisti disso, estou fazendo coisas por mim agora – Como se não fosse só isso que ele se importasse. Bebi um longo gole. – Estou trabalhando algumas vezes na semana, quando o trabalho surge. Junto com uns amigos.

-Deve ser divertido... Se você faz o que gosta, lógico. – Eu estava nitidamente encabulada e numa tentativa solidária dele, Diego relaxou sua postura e sorriu de leve. Aqueles sorrisos que amigos sabiam usar, aqueles de ‘você está aí, apresentado o trabalho na frente do colégio inteiro, mas eu estou te dando um apoio aqui’. – Bem, só não desista, ok? – Ele sorriu de lado e assentiu, quase batendo continência – Faça o que você gosta, seja quem você quer ser. Essa seria a receita de um bolo perfeito.

Ele sorriu, seus olhos se perderam em algum canto e depois de alguns segundos eles voltaram para mim. Mudando, quase desesperadamente de assunto.

-Como vai o Dougie?

-Ótimo, arranjou uma cadela labrador do vizinho, está num romance só, a coisinha mais fofa eles juntos. Formam casal de cachorro de filme infantil, sabe? Não chega a ser tipo... – E quando ele riu baixo eu notei que estava tagarelando mais do que o devido. – Desculpe.

-Dá pra notar que você gosta dele.

-Nota até no satélite do Google – soltei uma das minhas piadinhas e ele riu, acho que por educação mesmo. Nossa. Cadê aquelas risadas mega contagiantes do fundo de seriado de comédia?

-Como você vai? — Ele perguntou por fim. Sem rodeios. Opa, mais um gole aqui por favor. Minha bebida MARAVILHOSA já tava acabando. Todos fazendo caras tristes aqui, por favor.

-Vou bem, apesar de a gravidez acabar com qualquer pessoa. – Eu ri leve, massageando a barriga.

E a careta que ele fez foi impagável. Foi melhor que propaganda da Itaú. Não teve preço.

-Hã... Parabéns, er... – Bagunçou os cabelos, olhou para minha barriga, depois para mim, sorrindo estranho e por fim olhou em volta. – O pai está aqui?

-Ah não – balancei com a cabeça – Deve estar me trocando pela vizinha. Mas não posso culpá-lo fazem um casal fofinho mesmo. E ela é um labrador adorável.

No começo ele riu de nervoso, então passou a me olhar estranho e depois eu gargalhava pra quem quisesse ouvir e pra quem não quisesse também. Dane-se. Minha bebida fazia efeito e meus pés doíam, todos iam sofrer por isso também.

-Você não mudou muito – confessou, rindo baixo.

-Só algumas coisas.

Ele me fazia sentir leve. Como se eu estivesse à base de brigadeiro num dia inteiro sem dor na consciência. Ou talvez fosse só a bebida. Eu não me dou com bebidas.

-Tipo o quê?

-Agora aprendi a fazer lasanha. – Dei de ombros. – E você?

-Eu estou indo bem – Franzi o cenho de leve, e ao notar consciência de tal ato, instantaneamente suavizei com o mesmo sorriso que ele usava antes.

-E a Laura?

-Tagarelando feito... você.

Eu corei e quase obriguei a mim mesma a ficar calada depois dessa. Olhei para o grupo que já se acumulava no centro da pista de dança, aparentemente teria alguma atração ao vivo. AI MEU DEUS! Se eu não achasse a Gabriela logo, ela provavelmente estaria pulando no palco daqui a pouco. Fora isso que ela ameaçou a fazer no ultimo show que nós fomos.

-Então... – Limpei a garganta avistando a loira quase debruçada no balcão dos drinks – Foi bom te ver.

Ele não precisava saber que eu estava apavorada há dias atrás por essa conversa forçada, que cheirava a “nós nos pegamos há um tempo, mas somos melhores amigos agora”.

-Marina... – ele sorriu torto. Puxei o ar. Limpou a garganta, bagunçou um pouco os cabelos, que incrivelmente estavam arrumados. – Desculpe.

Soltei o ar.

-Eu sei que não é o que você queria ouvir. – Ele não olhou em meus olhos. – Mas é o que eu tenho que dizer. Desculpe por isso.

-Isso o quê? – insisti mesmo sabendo do que ele se referia.

-Por tudo isso. – Finalmente olhou em meus olhos.

-É passado – eu dei um meio sorriso tentando não demonstrar o quanto meu passado refletia no presente. – Não daríamos certo. – Concluí, sentindo-me tão bem por pronunciar minha fala decorada e notá-la, que assim como os livros de auto ajuda tinham garantido, ela estava realmente funcionando.

-Talvez... – Respondeu com um simples levantar e abaixar de ombros, acabando com minhas horas de leitura. – Dizem que ainda não dá pra mudar o passado, só construir um futuro.

Bebi o último gole do coquetel, sentindo minha cabeça mais leve.

-Vou pegar mais um desses – eu já estava correndo como o Salsicha e o Scooby quando sua mão gelada (Uy! Edward Cullen) segurou meu punho.

-Não exagere como da ultima vez.

-Eu não vou procurar pelo Renato – garanti, sorrindo por conseguir ainda soltar uma das minhas piadinhas sem graça.

Então ele soltou meu punho e sorriu travesso. Eu agradeci mentalmente nosso pequeno afastamento.

-Olá crianças – Maria limpou a garganta, sorrindo em minha direção. Cumprimentei-a com um abraço e disse o quanto ela estava “arrasando o coração do titio Ronald”, seu marido que tinha ficado em casa cuidando do filho dos dois de apenas 3 anos. Mas eu me surpreendi quando ela se virou para Diego – É sua vez agora, querido.

Meu queixo quase caiu. Meu Deus! Será que ele trazia... sei lá, o carro pra lua de mel? Ou então ele era responsável por distrair as moças na hora do buquê para não rolar briga? Ou melhor, será que tinha barraca de beijo e eu não tinha notado?

-Já estou indo, Maria. – Ele assentiu num tom profissional e eu só faltei cair do sapato alto de 4 metros de altura.

Cadê minha mãe mesmo?

Ele estava me ultrapassando para acompanhar Maria, uma mulher baixinha e com passos apressados, quando em um momento de total loucura e impulso, eu procurei ouvir uma resposta para uma última pergunta.

-Diego! – ele virou e minhas bochechas coraram sem motivo aparente – Nós não daríamos certo. – Conclui. Era agora ou nunca. – Nós nunca demos certo. E sinceramente? Acho muito difícil você amar alguém que não seja você próprio e talvez sua mãe.

Isso definia a personalidade a qual eu tentava encaixá-lo. Se ele risse histericamente, eu certamente me sentiria melhor e sossegaria, Diego estava longe de ser um dos caras certos (prestem bem atenção, CERTOS e não PERFEITOS). Se ele apenas desse de ombros, o que era comum para qualquer resposta dele, seria a indiferença que transbordava ali e mais uma vez eu me sentiria melhor. Se ele desse uma resposta fofa e... Não, ele nunca responderia assim.

Não bagunçou os cabelos, como eu achava que faria, eles estavam organizados e domados, ao invés disso mexeu os lábios de uma maneira que só ele sabia fazer. Então seus olhos vidraram em mim e sorriu:

-Eu amo minha mãe, se você tiver alguma dúvida sobre isso.

E com isso, eu concluí que estava perdendo-o, não só de vista pela multidão, mas como perdendo a ótima oportunidade de me gabar para minha tia-avó encalhada que eu tinha pegado um cara que tinha (lá nas montanhas) seu lado incrível. E eu tinha o perdido. Novamente. E provavelmente acabaria que nem a titia.

Notas finais
Att de manhãzinha, junto com o barulho de obra que tá tendo aqui do lado.
Olivia Benson, Nathalia, JessicaMoraes, Adriana Morais, ameblifls_smart, JuliaTenorio, Sonhadora00, Thefcs, BelleDiniz, allison, Luu Amorim, iMitch e Mandii.
Obrigada a todas vocês por comentarem, continuarem comentando e por aparecerem.
Desafio de hoje: dizer uma música com a palavra "CACHORRO" no meio.
Vamos lá, vale desenterrar música, criar música, traduzir também. Pode ser em inglês, mandarim, alemão e tals.
Em homenagem ao Dougie :3
Comentem.
P.S.: minha criatividade com os desafios tão decaindo né. SOS idéias de desafios são aceitas.