Notas iniciais
Hey, xuxus. Ainda irei postar mais capítulo essa noite, dentre eles o primeiro pov da Annabeth. Mas até então fiquem com o Percy. Bjs!

POV Percy


Quando saí da escola, nuvens carregadas começavam a se formar no céu, engolindo o sol do fim de tarde. Caminhei até o estacionamento e subi na moto. Ao sair, notei Annabeth outra vez no ponto de ônibus. Provavelmente a detenção estava fazendo ela perder as caronas e o transporte da escola.


Eu sabia que seria escorraçado se fosse até ela. Mesmo assim, estava disposto a conseguir dois minutos da atenção de Annabeth Chase — ainda que não fosse do jeito que eu queria.


Parei a moto em frente a ela.


— Carona? — perguntei, já imaginando a resposta.


Annabeth me encarou com os olhos semicerrados.


— Nem se eu estivesse louca.


— Tem certeza? Acho que vai chover — apontei para o céu.


— Nem ferrando, Jackson — ela respondeu, desconfiada. — Qual é a sua com essa história de carona? Tá querendo me sequestrar?


— Nem se eu estivesse louco — retruquei, imitando seu tom, mas sorrindo.


— Então é melhor ir — disse, cruzando os braços.


Fiquei observando Annabeth por alguns segundos a mais do que devia. Meu coração insistia em sentir algo por ela enquanto a parte racional do meu cérebro gritava que eu estava enlouquecendo.


— O que foi? Vai me perseguir até fora da escola agora? — ela perguntou, irritada.


Ri baixo.


— Vejo você amanhã, sabidinha.


Não esperei pela reação dela. Dei partida na moto e fui embora. Não queria deixá-la ali sozinha, mas também não queria apanhar. Embora, no meu estado atual, talvez eu nem ligasse tanto.


Enquanto dirigia, o azul do céu dava lugar ao cinza. O vento frio batia no meu rosto cada vez que eu acelerava. Era um bom jeito de tentar esfriar a cabeça depois de um dia inteiro pensando demais.


Assim que abri a porta do apartamento, a Sra. O’Leary — grande demais para um apartamento em Nova York — correu até mim, saltitante.


— Ei, garota. Também senti sua falta.


Acariciei seu pelo enquanto ela tentava lamber meu rosto. Ri da empolgação. Um cheiro inconfundível de cookies tomou o apartamento inteiro, o que só podia significar uma coisa: Sally Jackson estava na cozinha.


Segui até lá e ouvi minha mãe e Paul conversando em tom baixo. Quando me viram, pararam imediatamente.


— Ei, querido! Você chegou… — minha mãe disse, forçando um sorriso.


— Tá tudo bem com vocês? — perguntei.


— Mais ou menos… quer dizer, estamos ótimos, mas… — Paul começou.


— Precisamos conversar com você — minha mãe completou.


— Fiz alguma coisa? Porque eu juro que tô me comportando — me defendi.


— Claro que não — ela disse, me guiando até a copa. — Vamos sentar um pouco.


Sentamos à mesa redonda da sala de jantar. Paul e minha mãe ficaram à minha frente.


— Vocês estão estranhos. Vão se divorciar ou algo assim? — perguntei.


— O quê? Não! — minha mãe negou rápido.


— Então você tá grávida?


— Paul, querido, por que você não pega os cookies? — ela disse, ignorando minha pergunta.


Paul obedeceu, e eu suspirei.


— Vocês estão me deixando confuso.


— Percy, para de tentar adivinhar, por favor — ela pediu.


Paul voltou com uma fornada de cookies azuis. Aquilo me arrancou um sorriso. A comida azul era uma tradição nossa desde que eu era pequeno, foi o jeito da minha mãe me incentivar comer usando minha cor favorita como incentivo.


Havia tanto corante azul na minha comida que não sei como não virei um Smurf.Felizmente, ela havia parado com o macarrão azul.


Paul se sentou ao lado dela, e minha mãe segurou sua mão.


— Querido, o Paul passou no programa de pós-doutorado.


— Aquele da Inglaterra? — perguntei. Eles assentiram. — Isso é incrível! Eu sabia que você ia conseguir.


— Obrigado — Paul respondeu, tímido.


— Vou sentir sua falta — falei, sincero. — Então seremos só nós dois por um tempo de novo?


Notei a expressão da minha mãe mudar.


— Na verdade… eu vou com o Paul — ela disse com cuidado. — Conversei com seu pai. Não posso te levar no meio do último ano escolar. Eu sinto muito, meu amor.


— Como assim?


— As circunstâncias mudaram — continuou, com os olhos marejados. — E vou precisar muito do apoio e da ajuda do Paul.


— Eu poderia ajudar também…


— Percy — ela respirou fundo — eu estou grávida.


A informação me pegou de surpresa. Ainda assim, sorri.


— Mãe, isso é ótimo!


Abracei os dois.


— Não sabíamos como você reagiria — Paul disse.


— Eu sempre quis um irmãozinho.


— Ou irmãzinha — ela corrigiu.


— Aposto minha moto que é uma menina.


Rimos, mas minha mãe logo ficou séria.


— E sobre ficarmos separados por um tempo?


Demorei a responder. Doía, mas eu a conhecia.


— Vou sentir muito a sua falta — admiti, com a voz embargada. — Mas eu entendo. Nao posso te prender aqui, mãe, já sou quase adulto.


— Sabia que entenderia — ela apertou minha mão. — Vou ligar todos os dias.


— Quero mensagens, fotos, vídeos, tudo — apontei para os dois.


— Prometo tentar ser mais conectado — Paul brincou.


— E eu vou morar onde? Aqui sozinho?


— Com seu pai — minha mãe disse. — A casa dele é cinco vezes maior que esse apartamento.


Suspirei.


— Achei que você não confiasse nele com crianças.


— Você não é mais criança — ela sorriu. — E tá na hora de vocês dois aprenderem a se virar sem a grande Sally Jackson.


— E seu pai está ótimo desde que começou a sair com a… — Paul começou.


— Paul! — minha mãe o interrompeu.


— Espera… vocês conhecem a namorada do meu pai?!


— Sim, mas, por favor, não comece a me encher de perguntas de novo. Ele vai contar quando achar que deve — disse ela. — Que tal pedirmos pizza e vermos o jogo dos Yankees?


Entendi o recado. Sem mais perguntas.


Assistimos ao jogo juntos, eu praticamente grudado na minha mãe, tal qual fazia quando era criança. Eu amava meu pai, mas minha mãe era minha pessoa conforto. Meu porto seguro. Esperava conseguir me virar bem sem ela.


Quando fui para o quarto, a tempestade já caía forte.


Subi pela janela até a escada de incêndio e segui para o telhado. A chuva fria batia na minha pele, ajudando a acalmar o turbilhão dentro de mim.


Mesmo assim, não consegui conter as lágrimas. Tudo parecia estar mudando rápido demais.E, pela primeira vez, eu não fazia ideia de como acompanhar.


Em menos de dois dias, tudo havia mudado. Annabeth Chase ainda me odiava. Embora eu não soubesse dizer se ainda sentia o mesmo. Minha mãe estava indo embora. E, pela primeira vez, eu sentia que estava perdendo o controle das coisas que sempre achei que entendia.


Talvez aquela não fosse só uma tempestade qualquer.


Talvez fosse o começo de algo que eu ainda não sabia nomear.