Quase Normais
19 Você quer laiser pra que?
Notas iniciais
Notas iniciais, pfvr ;u;
Diário da Nick
Aposto que ‘sas coisas não acontecem com a Nana...
~~
Já estamos na quarta feira. Estou nas quartas de finais e tenho só um jogo hoje, que vai ser por volta das cinco horas.
De qualquer forma, ainda é de manhã e só quero saber de dormir agora.
Me abracei mais no que deveria ser meu cobertor, mas sentindo um calor mais forte que o normal. Ignorei aquilo e me concheguei mais pra frente, sentido o cheiro do meu shampoo de morango. Coloquei minha perna de cima mais pra frente e me virei um pouco de barriga para baixo.
Senti-me ser abraçada pela cintura e uma respiração leve perto do meu pescoço. Sacudi um pouco a cabeça e voltei a me endireitar. Abri um pouco os olhos, podendo ver o quarto meio sem iluminação, os lençóis e cobertores brancos e...
Uma pessoa?
Tirei meu braço de baixo do garoto, coçando meu olho esquerdo e retirando a franja desalinhada do rosto de belos traços que eu reconheceria em qualquer lugar — Pedro...?— murmurei baixinho, tentando me afastar, mas não conseguindo.
Senti a parte de trás da minha coxa ser acariciada, me deixando vermelha e tentando sair de lá mais uma vez. Não consegui de novo.
Minha blusa folgada estava em baixo dos seios e o shorts havia subido mais durante a noite, como meu pijama sempre desalinha não achei isso estranho, então comecei a cutucá-lo na bochecha e a murmurar seu nome.
— Hum? Nick?— perguntou com sono, subindo a mão de minha coxa para minhas costas. — Por que está na minha cama?
— Sou eu quem deveria perguntar... — respondi no mesmo tom de sonolência. O moreno olhou para o lados, para o resto do quarto e voltou a olhar em meus olhos.
— Não, na verdade sou eu quem pergunto mesmo, já que você realmente está na minha cama — declarou novamente, trazendo sua mão das minhas costas para a cabeça, fazendo uma espécie de carinho lá. Aproximei mais minha cabeça de seu corpo e fechei os olhos.
Ouvi um barulho de câmera e despertei rapidamente, abrindo meus olhos e me virando para a parte de cima da beliche, indo de encontro com um garoto descabelado com uma câmera digital preta, olhos castanhos, um moletom branco e cueca box preta, nos olhando com um sorrisinho estampado na cara.
— Logan... — declarei, entendendo o porque de eu estar na cama do Pedro. Me levantei com pressa, deixando o moreno com sono sob os cobertores e me dirigindo à beliche, subindo na cama do Log.
O emo recuou até bater na parede — B-bom dia Nick, dormiu bem?
— Quando foi que você me colocou na cama do Pedro? — perguntei sentando de pernas cruzadas e pegando a câmara de seu pescoço e passando as fotos.
— Q-quem disse que fui eu? — declarou. Olhei-o ironicamente. — Certo, talvez eu tenha colocado você lá noite passada, mas isso não vem ao caso. Você tem jogo hoje? — fiz que sim e continuei a olhar as fotos. Praticamente tudo que tinha lá éramos nós dois dormindo. Passando mais as fotos, vi a imagem do presidente do clube com uma garota bem bonita de cabelos tingidos de azul, olhos verdes e óculos pretos não muito quadrados. Apontei pra ela.
— Quem é? — ele se aproximou de mim para poder ver a tela.
— É a Becky. Ela é minha melhor amiga e é do clube de Ping Pong. Foi ela que tirou a foto do beijo da Nana no lual — disse com um sorriso.
— Mano, vocês são algum tipo de clube stalker? — ele ficou vermelho e começou a rir.
— C-clube stalker?! — indagou — Claro que não! Por que em sã consciência eu montaria um clube secreto stalker sem a permissão do presidente do corpo estudantil? — franziu as sobrancelhas, cruzando os braços e tentando esconder algo que eu já sabia. Ele colocou a mão na base da cama, descendo com uma espécie de mortal e caindo agachado no chão, juntou as duas mãos em formato de arma — Sou um ninja! — e correu para o banheiro.
O que acabou de acontecer aqui?
Logan saiu do banheiro — Esqueci minhas coisas... — pegou algumas roupas e voltou para o banheiro.
E eu repito, o que acabou de acontecer aqui?
Suspirei e me joguei na cama do Log mesmo, mas acabei batendo a cabeça na parede. Voltei com pressa e passei a mão lá, amaldiçoando baixinho a puta da parede.
— Nick... — ouvi Pedro murmurar alto. — Como foi parar aí em cima tão rápido...?
— Só vai dormir, vai — respondi com mau-humor devido à batida.
— Você se machucou? Espera aí — o moreno saiu da cama, só com uma bermuda cinza e subiu no beliche. Recuei um pouco. — Vem aqui, deixa eu ver o que você fez agora.
Fiquei vermelha e inclinei minha cabeça até a testa encostar no peitoral dele.
Merda. Não consigo olhar em seus olhos e não me lembrar da semana passada.
Quero abraçá-lo, mas o que ele vai pensar? Provavelmente vai achar que eu sou estranha. — Ei, tá doendo tanto assim? — sua voz me acordou de meus devaneios, mas não levantei a cabeça, que logo foi acariciada me fazendo pular de susto. — D-desculpa, foi meio que um reflexo... — declarou e retirou sua mão de lá.
— Se peguem logo! — Logan falou com a porta um pouco aberta e fechou-a em seguida. Me afastei com pressa e acabei empurrando-o da cama. Resultado? Ele caiu do segundo andar de um beliche.
— Desculpa... — falei olhando pra baixo.
— Ai... — respondeu. Suas costas e cabeça estavam inteiras no chão, mas as pernas estavam em cima da cama de baixo. — Quero um beijo...
— Que? — mandei um olhar estranho para ele.
— Na cabeça... Onde eu bati... — manhou. Fiquei vermelha e taquei o travesseiro do Logan na cara dele. — Ai... Eu disse beijo, não travesseiro. Assim você me machuca, me tratando desse jeito.
— Cale-se — falei com um revirar de olhos e descendo da cama com um pulo. Bem mais fácil que descer pela escada. Andei, direcionada ao armário onde deixei minha mala, mas senti uma mão no meu tornozelo. Olhei para Pedro com uma cara estranha que minha irmã faz toda hora. — Pedro!
— Meu beijo! — reclamou como uma criancinha.
— Certo, certo — falei revirando os olhos. Dei um beijo nos meus quatro dedos da mão direita e um tapa na testa do moreno.
— Não desse jeito! — reclamou. Sacudi meu pé até ele soltar e depois segui rapidamente até minha mala. Peguei um shorts não muito curto já que o clima ainda não está frio, uma camiseta do Batman que fica grande em mim e all stars brancos que tendo a usar em qualquer lugar.
Esperei Logan sair do banheiro e entrei em uma ducha quente, que é uma das poucas formas de me revigorar pela manha. Fiquei lá por uns trinta minutos, só cantando e lavando o cabelo. Me troquei no banheiro e sequei meu cabelo, o que não demorou, por que ele é curto.
Saí, coloquei minha roupa suja em um bolso especifico da mala e fui tomar café da manha sem esperar os outros dois.
Peguei pouca coisa, ovos mexidos, bacon, um prato com duas panquecas e calda de chocolate e um capuchinho. Me sentei sozinha em uma mesa e comecei a tomar minha bebida quente de olhos fechados, mas senti minha cabeça levar uma dor aguda. Coloquei a caneca/taça ou seja lá o que aquele negocio de vidro seja na mesa, me virando com raiva e vendo Logan com a mão acima de minha cabeça.— Era pra você esperar a gente.
— A fome falou mais alto — dei de ombros e voltei a comer. Geralmente eu não como ovo, mas, ovos e bacon é tipo, vida!
Eles voltaram logo depois, com seus pratos cheios de comida, e sentaram, Pedro na minha frente e Logan do nosso lado. — Ainda to esperando.
— Esperando o que? — perguntei colocando um pedaço de bacon na minha boca.
— Meu bezo — o moreno falou. Olhei estranho.
— Pra que você quer um laiser? — perguntei virando a cabeça
— Laser? Nick, da onde você tirou laiser? — Logan falou com a mão na cara.
— Ué, ele disse lazer.
— Eu falei bezo! Tipo, beijo! — Pedro ficou vermelho e colocou um pedaço de bolo de morango na minha boca. Comecei a fazer barulhos pra ele tirar o garfo da minha boca. — Fica quieta Nick! — ouvi um barulho de câmera e olhei para o Logan. O moreno ficou mais vermelho e tirou o garfo da minha boca.
— Precisamos ter mais cuidado enquanto conversamos com um stalker — pensei em voz alta.
— Oi gente — Julio disse, colocando o prato no ultimo lugar vazio.
— Quem disse que você pode sentar aí? — Logan perguntou fazendo o gesto de diva com o indicador. Sei lá, aquele que as garotas fazem, fazendo uma espécie de S no ar e...
Ah, você entendeu!
O ruivo colocou a mão no peito com uma cara de falsa indignação. — Ai...
— Mentira, putinho, senta aí — Logan sorriu e puxou o presidente pro colo dele.
— Logan, me solta — o ruivo falou serio, virando o olhar para o emo, que estava mostrando a língua. Ele soltou o ruivo, que sentou na cadeira normal em seguida. Olhei para Pedro que estava mais vermelho ainda, e com as sobrancelhas franzidas, me fazendo começar a rir.
— Q-qual é a relação de vocês? — Pedro perguntou encabulado.
— Ah, eu gosto dele, mas ele só tem olhos pra princesa do reino stalker.
— Em primeiro lugar — Julio começou, serio, sem demonstrar vergonha. — Rebeca é só minha amiga. Em segundo, Logan, você gosta de todo mundo.
— Isso não deixa de ser verdade... — Log falou com a mão no queixo, olhando para cima. — A culpa não é minha de querer beijar pessoas bonitas!
Comecei a rir mais. Esses dois devem ser melhores amigos, que legal. Ficamos nós quatro conversando e comendo, até acabarmos. Depois disso, voltamos para nossos quartos e eu fui arrumar minha bolsa para ir pro jogo de xadrez.
Só meu celular, fones de ouvido, caneta preta e um caderninho de desenhos que levo em todos os lugares.
Chegando no lugar, no caso um campo de futebol com várias mesas de xadrez espalhadas pelo território e caixas de som com musica (graças a Deus) boa, fui olhar a tabela de horários. Agora ainda são onze horas da manha e eu tenho que esperar aqui até as quatro da tarde para poder jogar, e depois pegar o ônibus da equipe às sete horas, chegar às sete e meia e ir comer.
O pior, eu fui burra.
Eu esqueci meu dinheiro!
Vou ter que ficar até as sete e meia sem comer?
Eu vou morrer...
Comecei a andar pelo campo, vendo várias pessoas jogando. No placar principal, em primeiro lugar estava eu, seguida por um nome que eu reconhecia de muitos anos de jogo de xadrez.
Charllote Johnson.
Cabelos loiros e olhos castanhos, muito bonita e um ano mais velha que eu. Compito com ela desde uns seis ou sete anos de idade. Sem querer me gabar, mas, ganhei todas.
Meio que ela pegou uma raiva de mim e, em todos os anos, ela tenta me ultrapassar nas finais. Coitada, nunca conseguiu.
Coitada nada, odeio essa menina. Tomara que perca pra alguém antes de ir pras finais, não aguento mais jogar com essa coisada.
Em terceiro lugar está o Logan, em quarto o Julio, em quinto uma menina que eu não conheço, em sexto o Pedro e depois mais outras duas meninas.
Comecei a rir sozinha. — Coitado, vai ser eliminado hoje...
— Eu ouvi isso, Nicole — Pedro falou bravo, brotando do meu lado e me fazendo pular de susto.
— Da onde você veio?! — perguntei recuando.
— Eu tava no mesmo ônibus que você! — falou bravo. — Além disso, eu tenho jogo hoje.
— Contra quem? — perguntei cruzando os braços.
— Uma tal de Charl... — ele mal falou o nome inteiro e eu já comecei a rir de novo, colocando uma mão no ombro dele.
— Certo, você vai sair hoje mesmo.
— Como pode saber disso? Eu não sou tão ruim assim!
— Eu sei, mas a diferença é que, você “não é tão ruim” e ela “não é tão boa”, entendeu? — falei apontando pra cabeça dele, depois pra minha. — Sem querer ser chata, mas ela é a melhor jogadora que eu conheço, vai ser um milagre se você ganhar.
— Eu vou ganhar! — falou batendo o pé no chão. — E se eu ganhar, eu vou querer um beijo.
— É? Um laiser? — falei com tom de pergunta falsa.
— Agora eu falei direito!! Para de bulling! — ele empurrou minha cabeça para que eu parasse de rir.
— Certo, só por que eu sei que você vai perder, eu te dou um beijo — falei sorrindo e sem pensar. Ele ficou me olhando enquanto seu rosto ficava corado. Dei-me conta do que tinha falado.
Espera, o queeee?
O que foi que eu acabei de prometer?!
Mas espera, ele é o Pedro e ela a Lote Johnson. A probabilidade dela ganhar é tipo, 95.8%.
Olhei melhor para o Pedro e ele estava sentado no chão, mexendo em seu celular. Ouvi o barulho do som de vitoria em um jogo de xadrez. — Eu definitivamente vou ganhar... — sussurrou com o olhar flamejante.
Deus, nunca pensei que desejaria isso, mas faça-o perder. Por favor, faça-o perder.
–-
Horas vendo os jogos e o placar de Lote subindo se passaram. Também ouvi o som de vitória do jogo de xadrez várias vezes ao longo disso. Falta uma hora para meu jogo começar e eu acho que vou morrer de fome!
— Que fome! — Pedro reclamou, deixando o celular de lado. — Você não sente fome não?
Maldito, mal sabe que estou sofrendo com a fome desde que cheguei aqui. — Sabe, eu to com fome. Só não falei nada.
— Eh? Por que?
— Porque eu esqueci o dinheiro! — choraminguei.
— Por que não falou antes? — perguntou ajeitando os óculos. Bem, foi só agora que eu percebi que ele estava de óculos...
— Não achei necessário — respondi desviando o olhar.
— Você poderia desmaiar no meio do jogo e ser desclassificada! — falou bravo, guardou seu celular no bolso do moletom do Doctor Who e saiu me puxando pelo pulso. — Vem, vamos comer.
— M-mas não precisa — falei vermelha pelo gesto. Ele me olhou com um olhar assassino. — T-ta bom! Vamo, vamo lá... — respondi com falsa animação. — Acho que vou querer uma piza de q-quatorze pedaços...?
— Haha, muito engraçado — fomos passando em vários estandes de comida. Churrus, pastel, cachorro-quente, acabamos passando em um de hambúrguer. Parei na frente dele, fazendo Pedro sofrer uma espécie de baque e parar do meu lado. — Você quer daqui? — fiz que sim. — Ta bom. Quer pedir do que?
— X-burguer bacon e batata frita — falei olhando para ele, que revirou os olhos.
— Um X-Bacon e um X-Calabresa, os dois com batata frita e uma coca de lata — Pedro falou, fuçando na carteira.
— Quem disse que eu quero coca? — falei mostrando a língua.
— Meu dinheiro — respondeu dando uma nota de 50 reais do bolso e dando para o caixa.
— Sai em cinco minutos — O caixa disse e apontou para as mesas com a cabeça. — Já levo para vocês — assentimos com a cabeça e fomos para uma mesa aleatória. Nos sentamos nas cadeiras de plástico, tirei meu caderno e minha caneta da bolsa.
— O que vai fazer agora? — o moreno me perguntou com um sorriso. Olhei diretamente para seus lábios meio finos.
— Fica assim! — falei. Ele fez uma cara de duvida. — Ah, deixa! — o vento bateu em meu braço e acabei ficando com frio e tremendo um pouco.
— Eu sabia! — exclamou para si mesmo. Dei-lhe um olhar de dúvida enquanto ele caçava algo na bolsa preta que eu só tinha percebido agora.
Eu realmente não estou nem um pouco perceptiva hoje.
Enquanto pensava em coisas aleatórias, ele jogou um moletom preto GAP na minha cara, o que me fez ir pra trás e voltar. — Ai... Nem é meu... — falei, olhando o tamanho da roupa.
— Eu sei. Você estava meio avoada hoje e eu imaginei que você não ia trazer um moletom descente, e como aqui faz um pouco de frio no outono eu acabei trazendo — Uma garçonete chegou com nossos lanches e a coca com um só canudo. — Traga mais um, por favor? — Pedro perguntou sorrindo. A moça revirou os olhos, voltou no balcão e entregou o canudo para nós.
— Obrigada — murmurei enquanto ela saia. — Certo, mas por que você não pegou o meu? — perguntei colocando o moletom.
— Quando estava abrindo sua mala, Logan falou que eu estava mexendo nas suas roupas intimas e começou a gritar me chamando de pervertido e dizendo que ia tirar foto, então eu peguei um meu mesmo pra ele calar logo a boca — estiquei os braços, percebendo que o moletom ficava surpreendentemente grande em mim.
É confortável, mas estranho...
Agora eu sei como a Nana se sente...
Queria que fosse maior, sabe, pra ter a experiência completa.
— É grande — falei surpresa, olhando para as mangas do casaco.
— Você queria o que? Eu sou maior que você!
— Cheira a Pedro... — agora cheirei a manga de seu casaco enquanto ele ficava vermelho. Soltei um risinho.
— Para de rir! — exclamou colocando uma batata em minha boca.
Começamos a conversar e comer, sem nem perceber que o tempo passava. Uma hora aí o Pedro decidiu olhar o horário no celular e...
—UHG! Dois minutos pro jogo! Corre Nick! — declarou, me puxando pela mão até o local que você tem que se apresentar pra jogar. Chegamos lá e tinha mais duas garotas, a Lote e uma que eu não conheço, que aparentava ser mais velha também.
— Ah, se não é a Nicole Branca — a loura falou, cruzando os braços e ajeitando seu vestido azul escuro. Ela estava bem vestida, como sempre. Vestido rodado até os joelhos, meias brancas três quartos, sapatilhas pretas e uma presilha preta segurando a franja longe dos olhos.
— Oi Lote, não cansou de perder ainda? — cheguei dando um abraço nela. Ah, eu não gosto dela, mas ao mesmo tempo também gosto, acho que tenho problemas. É que ela parece uma bonequinha de porcelana toda pomposa assim.
— Eu não perderei dessa vez! — concluiu dando um sorriso com covinhas. Apertei as bochechas dela.
— Você é tão fofinha, uma pena que não é contra mim hoje! Eu adoraria te esculachar antes das finais — soltei-a. Ela esfregou as bochechas com as mãos de luvinhas pretas. — Boa sorte, Pedro, ela é toda sua. Tente não perder — empurrei o garoto para perto dela. Ele, que estava com o moletom do DW, calças pretas, óculos e all stars verdes rabiscados, estava quase que como um mendigo perto dela.
— C-com licença? — senti um toque no meu ombro e me virei para e menina de pele morena, cabelos castanhos cacheados e olhos verdes escuros. — Nicole Branca, certo? Já vi você no jornal uma vez, fico realmente feliz de poder jogar com uma campeã nacional como você!
— Igualmente...? — entortei a cabeça em sinal que não sabia seu nome.
— Annalice, ou Anna, como queira chamar — dei um sorriso pra ela, que estava com a blusa do acampamento meio-sangue, jeans brancos rasgados e tênis pretos.
— Então, acho que vou contra você, Anna. Bom jogo — falei apertando a mão dela com um sorriso.
— Igualmente — piscou um olho para mim.
–Duas fucking horas depois-
— XEQUE MATE! — gritei com alegria. Só tinha mais meu rei, o rei dela, minha rainha, minha torre, um peão e uma torre dela.
— Esse foi o jogo mais demorado da minha vida! — Anna declarou, jogando a própria cara na mesa. Eu estava suando e ela também.
— Já tive mais demorados com a Lote, mas você joga muito bem! Algum dia temos que marcar um amistoso. Que cidade você mora?
— Curitiba... — declarou cansada.
— Eu moro em Florianópolis, se der, cola lá algum dia nas férias — começamos a rir e nos levantamos. Lote e Pedro ainda estavam jogando também. Ela estava com o rei e duas torres, já ele com a rainha, o rei, um cavalo e uma torre.
Não acredito, Pedro está ganhando da Lote.
Como? O que foi que eu perdi?
— Xeque... — Pedro declarou baixinho, com as mangas arregaçadas e o suor escorrendo pelo rosto.
— PARA DE ME DAR XEQUE SEU INUTIL! — Ela gritou com raiva. Já tinha tirado suas luvas e até prendido seu cabelo em um coque sem amarrador. Ela mexeu seu rei para a direita, encurralando-o sem querer.
— XEQUE MATE! — ele moveu a rainha para o mesmo lado, e assim, Lote perdeu. — ISSO EU GANHEI!
— O que?! Não! — ela gritou, batendo o pé no chão.— Como? Por quê? Você roubou!
— Eu nem sei roubar no xadrez — ele falou cansado. — Talvez eu tenha ganhado por um motivo. Sabe qual é ele?
— Qual? — a loura perguntou, com cara seria.
— Você é ruim! — ele falou, fazendo Lote abrir a boca sem emitir nenhum som e esbugalhar os olhos. — Mentira, ta? É que se eu ganhasse, alguém em especial teria que me dar um beijo, então eu não poderia perder essa, mas você joga muito — ele deu um abraço na loura, que tem uma estatura entre eu e Nana, soterrando a cara dela no peitoral dele.
Oh Shit, esqueci desse detalhe...
— Merda, com você, três pessoas já me derrotaram! — ela falou chorando. — Se mais alguém ganhar de mim, papai ficará bravo e os meninos também! — ela se soltou do moreno e virou para mim. — Se você não chegar na final, Nicole, eu te seguirei até que possamos jogar uma partida! Adeus.
Ela pegou as luvas de cima da mesa e foi até uma limusine preta que a esperava.
— Esse é o tipo de pessoa que você conhece quando é rico? — o moreno me perguntou.
— Mas você também é... — respondi meio derrotada.
— Não tanto quanto vocês... E quanto ao meu beijo? — perguntou se aproximando de mim.
— Ah, então você é esse “alguém” — Anna declarou, cruzando os braços e me deixando vermelha.
— Ehh... — beijei meus dedos e bati na testa dele igual eu fiz mais cedo.
— M-mas esse era na boca — reclamou com cara de manha.
— Você não especificou! — fiz a mesma coisa, só que na boca dele.
— Não assim! — reclamou.
— Fico em dívida... Então, Anna, até quando vai ficar aqui?
— Ah, eu tava em ultima, então já fui desclassificada, mas vou ficar aqui até as finais, quer sair pra algum lugar outro dia? — falou com um sorriso.
— Pode ser, passa seu telefone — passamos nossos dados e fomos cada uma por um lado. Ela é legal, que bom que joguei com ela.
~~
Eu e Pedro voltamos de van para o hotel, já que só nós dois da nossa escola estávamos lá e tinham deixado ela pronta. Ele passou o caminho todo me irritando para beijá-lo, mas eu não quero fazer isso agora, sei lá... Talvez eu faça isso no dia livre, se tudo der certo...
Aaah! Que vergonha! É isso, tchau!
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