Quase Normais
14 Stalkers Proficionais
Notas iniciais
Diário do Pedro
Se tem duas coisas que aprendi hoje elas são, é realmente estranho escrever num diário e que Lucas é, definitivamente perturbado.
~~
Estava deitado na cama do Lucas, e ele estava na cadeira da escrivaninha, sentado com as costas dela no peito. Enquanto isso, eu atirava uma bolinha de baseball para cima, pensando em algo para fazer e no que havia acontecido essa manha.
Thiago entrou na nossa sala e já esta sentando perto da Nana.
Mais precisamente, atrás dela.
Ele também atrai muitas garotas, então ele é um belo rival para o Lucas.
— O que fazeeeeer? — resmunguei, continuando a jogar a bolinha.
— É tão chato ficar sem elas — Lucas falou colocando a cabeça em cima dos braços.
— Elas são como drogas. Começamos normalmente e depois viciamos! — falei revirando os olhos e usando uma comparação não tão boa — Tipo seu cheiro!
— Que? — ele me olhou estranho.
— Eu que o diga “que”! Você tem um cheiro de baunilha que da pra sentir a cinco metros de distancia! — falei enquanto ele fazia uma cara de indignação — Não me admira que a Nana possa sentir seu cheiro do outro lado do mundo.
— Ah, me poupe! — ficamos em silencio um pouco. — Tive uma idéia...
Nesse momento, a bola que eu estava atirando para cima caiu em cima da minha cara e ouvi-o rir. — Não, não, não — falei virando de barriga para baixo na cama — Não vamos stalkea-las.
— Por que não? — ele exclamou — Qual é? Quer que aquele delinqüente tire a Nick de você? Porque, pessoalmente, ele tem mais chances que você.
— Isso não foi lá muito encorajador — revirei os olhos e me deitei na posição anterior.
— Eu não vou deixar nenhum estrangeiro de merda tirar minha baixinha — ele começou. — Então se não quiser que aquele delinqüente fique com a Nick, levante esse popozão daí e vamos logo pro shopping.
— Arg, ta bom! — me sentei na cama e olhei-o. — Mas e se elas nos encontrarem? O que a gente fala?
— Ah, fala que a gente foi comprar cueca! — ele falou enquanto estralava as costas. Serio isso Lucas? Cuecas?
— Isso não soaria muito bom sendo que seriamos dois homens indo comprar cuecas juntos — franzi o cenho com indignação.
— Certo, isso não deixa de ser verdade — ele observou olhando para cima. — Sei lá, fala que fomos comprar lingeries pra elas.
— Olha pra minha cara de quem falaria isso — disse fazendo uma careta estranha e rindo junto com ele. — Nem a pau que eu digo isso na frente da Nick.
— Aposto que eu conseguiria — ele se gabou. Vamos ver então.
— Aposto que não! — exclamei.
Desde pequenos, eu e Lucas fazemos apostas um com o outro. Elas podem ser bem idiotas, desde quem consegue colocar mais balas de jujubas na boca ou quem atravessa a rua primeiro, até coisas mais arriscadas como tomar banho antes do alerta do micro-ondas soar.
A cada grau de dificuldade, nós aumentamos o valor da aposta, que pode ser em dinheiro ou bens que queremos um do outro.
Nossa ultima aposta foi quem conseguiria dar um beijo correspondido primeiro.
E eu ganhei.
Mwahahahah *cof cof*
Meus prêmios foram dez reais e mais uma semana de bolo grátis. Melhor premio.
— O que vamos apostar dessa vez? — ele me perguntou.
— Vi um livro esses dias que parecia ser muito bom, mas era muito caro pra mim — me espreguicei. — e você?
— Jurema esta com cordas enferrujadas — ele falou passando a mão no seu baixo. — Jurema quer cordas novas... Claro que eu vou pedir cordas pra você Jureminha! — ele deu um beijo no braço do instrumento.
— Não véi... Você não fez isso — falei com a mão na testa.
— Fiz o que?
— Você não deu o nome do seu baixo de Jurema véi... Para mano, ta errado isso.
— Cala a boca mano, você deu o nome do seu óculos de Claudete!
— Shhhhh — falei passando a mão na armação dos óculos — Isso não vem ao caso.
— Certo, certo, vamos logo! — ele falou se levantando e escolhendo uma roupa — Vai lá pra sua casa e se troca, depois você volta aqui — assenti e sai da casa de Lucas.
–-
Chegamos no shopping. Lucas inventou de levar um chapéu e um óculos de sol, já eu fui sem essas coisas mesmo.
Fui com um jeans um pouco rasgado, um moletom do PacMen, tênis pretos normais, com Claudete e com uma corrente presa na lateral da minha calça. Já Lucas estava com uma jaqueta que era igual à parte de cima do uniforme do Capitão America, jeans petos, o chapéu, os óculos de sol, all stars vermelhos e um colar de identificação que o pai dele deu quando era menor.
Andamos até o Magic Games, onde consegui ver a Nick junto com o Rique em uma daquelas máquinas de bichinhos de pelúcia que eu odeio. Ele conseguiu pegar e deu pra ela um panda com uma cartola.
— Por que o presente que ela escolheu pra ele pegar é mais fofo que o que ela escolheu pra eu pegar? — murmurei com um pouco de ciú... qu- quer dizer, raiva.
— Pelo mesmo motivo da Nana estar no brinquedo do Looping segurando a mão do Thiago — ele falou no mesmo tom. Não é um bom dia para ser o Pedro ou o Lucas.
Os quatro ainda estavam de uniforme e foram no Burguer King pra comer. Tsk, pensar que eles tiveram tanta pressa pra vir aqui que nem se trocaram em casa antes.
— Vamos, eles estão se mexendo! — Lucas me puxou pelo braço até uma mesa que não dava para vê-los, mas dava para ouvi-los.
— What’s up, Nick? — Thiago perguntou.
— Ah, é que eu estava pensando no que Pedro e Lucas estão fazendo agora — ela falou. Consegui sentir um sorriso mesmo que pela voz — Sabe, todo dia ou eles vão em casa, ou a gente vai na casa deles. Fico pensando se eles têm alguma vida fora disso.
Olhei para Lucas.
Ele me olhou.
Dei de ombros. Ops...
— Nick — ouvi a voz do delinquente. Tsk, odeio esse cara... — Você gosta do Pedro?
Fiquei vermelho e me aproximei da meia parede que separava minha mesa da mesa deles. Ouvi Nick hesitando e gaguejando um pouco, para enfim dizer.
— Ele é um bom amigo!
Ai... Amigo... Nunca pensei que isso doeria tanto.
Lucas colocou a mão em meu ombros e sussurrou — Primeiramente, eu avisei. Segundamente, ela gaguejou, talvez tenha sido mentira.
Suspirei alto, e antes que percebesse, as conversas se cessaram. Coloquei o ouvido na meia parede para ver se escutava alguma coisa, mas nada.
— Eles saíram! — Lucas falou se levantando. — Quando perdemos eles de vista?!
— Isso é uma ótima pergunta, cuja resposta eu desconheço — falei derrotado. Lucas me deu um tapa na cabeça e começou a andar.
— Vamos conhecer a puta da resposta, então! — ele exclamou sorrindo e me fez levantar e segui-lo.
Andamos por várias partes do shopping. Ri Happy, Saraiva, Star Bucks, Ri Happy de pobre e outras que o nome eu não faço idéia. Estávamos quase desistindo, quando passamos em frente a Cacau Show e pude sentir um cutucão no ombro. Virei-me e dei de cara com as pessoas que mais e, ao mesmo tempo, menos queria ver.
— O que estão fazendo aqui? — Nick perguntou com sua voz doce... Merda, cada vez que me aproximo dela, mais pareço um passivo. Ao mesmo tempo que a via, um garoto de cabelos desarrumados estava atrás dela, se apoiando no ombro dela como se fosse baixinha.
— Nós... — comecei a falar, tentando me manter o mais realista possível — Viemos resolver um negocio do Lucas. Certo?
Olhei para ele, que estava simplesmente olhando dentro da chocolateria, observando Nana e Thiago pagarem os doces e saírem de lá. Vieram ao nosso encontro.
— Uai, da onde você surgiu? — Nana falou para Lucas.
— Estavam nos seguindo — Nick respondeu cruzando os braços.
— Não estávamos! — Lucas se defendeu — E eu vim resolver umas coisas.
— Que coisas seriam essas? — Nana perguntou ficando igual a sua gêmea.
— Nós... Bem... — ele falou, e depois olhou para o canto inferior esquerdo do olhar, como faz quando fica nervoso. Só sei disso porque conheço essa aberração há mais de um milênio, e ele continua com os mesmo hábitos de sempre. — C-comprar uma lingerie... — murmurou, ficando com a cara vermelha.
— Dafuq?! — Nana falou ficando corada — Pra que você quer isso?!
— Sei lá, as suas estavam todas velhas, largas e folgadas, não eram nada sexys! — Não acredito que ele disse isso mesmo produssaum! Sem or!
— Eu não preciso de lingeries sexys! — ela exclamou — Além disso, você nem sabe o meu número!
— Com o tamanho deles, não deve ser tão difícil — respondeu, olhando-a de cima a baixo.
Ele esta pedindo muito para levar um murro na cara. Depois vai parar na UTI e não sabe o porque.
Nana ficou ainda mais vermelha, e no combo Thiago ficou igual.
E acho que Thiago também esta querendo morrer, mas não pelas mãos de Nana. Pelas mãos de Lucas, já que o safrado deu uma espiadinha.
Percebi que Lucas cerrou o punho, dando um sorriso macabro, e decidi agir — Vamos logo, Lucas, temos assuntos a resolver — cutuquei-o com o cotovelo, dando um sorriso falso.
Ele assentiu com a cabeça e fomos andando por uma direção qualquer. Enquanto ele murmurava pragas para aquele gringo, eu peguei meu celular e acabei abrindo na foto que tirei da Nick sem ela perceber...
Droga, não posso perdê-la para aquele projeto de delinqüente-roubador-de-quase-namoradas.
Estava apenas andando sem prestar atenção em nada quando senti um puxão no meu braço. Quando levantei o olhar, Lucas estava me puxando para uma loja de sutiãs.
— Lucas?! O que você está fazendo?! — perguntei, ficando vermelho e sentindo olhares em cima de mim.
Ele parou em frente a uma estante com sutiãs rendados e, como ele qualificaria, sexys — Se eu não comprar, ela vai ficar achando que viemos mesmo para stalkea-las!
— Mas nós viemos para isso! — cruzei os braços e revirei os olhos. Não acredito que esse vadio me fez passar por tanta humilhação! — Além disso, você nem tem o numero dela!
— Posso não ter o numero, mas eu já saí com muitas garotas, então tenho um bom olho. Além disso — ele falou pegando um meio grande de renda vermelha e o entregando na minha mão —, eu tenho você.
Ele deu um sorriso sádico e eu o olhei com medo. Não, ele não disse isso.
Por favor, me diga que ele não disse isso.
Ele um puxou até o provador e me tacou lá dentro, tacando o sutiã também, e uma calcinha — EU NÃO VOU PROVAR ISSO! — taquei a calcinha por de baixo da porta, e quando fui tacar a parte de cima ele falou o que eu mais temia.
— Acho que a Nick se sentiria estranha se soubesse o tanto de fotos inconvenientes dela que você tem no seu celular.
— Puto chantagista do caralho! Você descobriu minha senha?! — gritei com as bochechas vermelhas. Notei que meu celular não estava no meu bolso e pensei no pior. Esta com o Lucas, e a Nick esta nos meus favoritos do WhatsApp... Merda.
— Velho, como foi que você conseguiu um ângulo que dava pra ver a calcinha dela?
— F-foi um acidente! Ela estava arrumando as coisas quando o vento soprou e...
— Se foi um acidente, por que não apagou? — fiquei ainda mais vermelho.
— OKAY, VOCÊ GANHOU, EU PROVO! — gritei, e logo vi ele deslizar a peça de roupa pelo chão. — Tenho mesmo que provar uma calcinha?
— Experimenta por cima da cueca — ele falou. — E também, você tem bunda grande.
— COMO VOCÊ..?! — gritei com vergonha. Pelo que eu saiba, a bunda pertence só a mim!
— É impossível não perceber. E a gente já se trocou um do lado do outro, sei que tinha as roupas intimas, mas tenho certeza que qualquer pessoa do mundo olharia pra sua bunda.
— Estou com medo do rumo que essa conversa ira tomar...— falei derrotado, tirando a blusa. Me olhei no espelho. — L-Lucas...
— Que foi?
— Pode me ajudar a ter tanquinho? — perguntei, novamente derrotado. Eu sou o único dessa buredesga que não tem tanquinho...
— Hum, pode ser. É por causa da Nick, né? Eu disse pra você se preocupar com isso mais cedo, mas não, precisava deixar ela ver sua falta de massa muscular para perceber isso — ele falou. Tenho certeza que esse resto de aborto esta revirando os olhos!
Coloquei o maldito conjunto e abri a porta do provador.
— Awwn! — Lucas falou com as mãos no rosto e fazendo biquinho — Parece uma menininha!
— Não quero ouvir isso de você — falei com raiva, cobrindo o máximo de mim que podia com os braços. — Posso tirar isso agora...? EI! — falei ao perceber que ele olhava para minha bunda.
— Ah, desculpa, é força do habito — ele deu de ombros. — Olho para qualquer bunda que me atraia.
— Novamente, esse não é o tipo de coisa que quero ouvir de você — dei meia volta e entrei de novo no provador. O Lucas definitivamente é mentalmente perturbado. Tirei aquela coisa que estava vestindo, e tenho que dizer que aquilo me aliviou. Mesmo estando em uma loja de lingeries, é bem mais confortante quando você não esta vestindo uma.
Tenho dó de todas vocês, garotas do mundo que têm que aguentar sutiãs o dia todo.
Lucas pegou aqueles números do conjunto, ajustou para o tamanho que julgava ser o da Nana e foi pagar aquela maldição enquanto eu esperava no banco do lado de fora. Se eu não morresse de vergonha, quem sabe até compraria um pra Nick.
Não.
Meu lado tímido jamais me permitiria fazer isso.
— Vamos logo achá-las de novo — Lucas falou, me dando um tapa na cabeça e me tirando de meus devaneios. Voltamos a andar, mas não queríamos ser pegos dessa vez.
Não foi tão difícil encontrá-las, já que os gritos de Nana e Nick, perante os livros caros da livraria, ecoavam por praticamente todo o shopping. Entramos lá sem que nos percebessem e fomos fazer alguma coisa para que não notassem.
— Nana — Thiago falou pegando Nana pela mão. Lucas alarmou — Você toca algum instrumento?
— Sim! — ela falou, provavelmente com os olhos brilhando.
— Vamos à loja de música? — ele falou já a puxando para fora.
— Ele vai querer estuprá-la — Lucas falou, soltando meus ombros e correndo porta a fora.
Revirei os olhos, mas permaneci no meu lugar. Não quero deixar o Henrique e a Nick sozinhos, e tenho certeza que essa era a intenção de Thiago.
— Nick — o delinquente falou, com a cabeça baixa.
Ah sim, não ligo que ele não seja um delinquente, mas enquanto estiver na minha área, eu falo o que eu quiser hahahahaha!
— Hum? O que foi? — Nick perguntou, desviando seu olhar da prateleira de livros.
— Lembra na sexta, quando eu pedi pra falar com você, mas a Gabi chegou te puxando e tal? — Quando foi que essapoar aí aconteceu? Me lembrem de agradecer a Gabi depois.
— Verdade! Era isso que eu estava esquecendo — ela falou estalando os dedos. Essa lerda, não tinha percebido isso até agora? Olha a menina que eu fui gostar...
— Bem, então, eu queria saber se você quer sair comigo algum dia desses... — Nick fez uma cara de dúvida.
— Tipo um encontro? — Ela perguntou enquanto ele fazia que sim.
Não, não! Ta mais para um encontro com o inferno, porque depois disso aqui que está acontecendo é pra lá que vou mandá-lo!
— Bem, sei que é meio repentino, mas você foi a única pessoa daquela sala que não me julgou como um completo delinquente — ele falou coçando a cabeça. — E meio que, desde a nossa primeira conversa de verdade, acho que tenho sentido algo a mais quando olho pra você. N-não precisa me responder agora, e também não se sinta obrigada a aceitar, mas se me der uma chance, talvez...
Nick hesitou por um tempo. Henrique segurou as mãos dela e a olhava nos olhos. O filho da puta foi mais rápido que eu.
— Ah, você só pode estar brincando! Afinal, eu sempre tive fama com as garotas... né? Sempre fui o príncipe da sala mesmo sendo uma garota e, não sei, acho que, mesmo que você esteja falando a verdade, preciso de mais tempo para pensar... — ela falou colocando a mão na nuca.
DEUS! ISSO É UMA NOVA CHANCE PARA TENTAR??!
Estava tão feliz que apenas me vi saindo de trás do meu esconderijo, e abraçando a Nick. Dei um beijo nela com o máximo de paixão que consegui, e o mais impressionante foi que ela correspondeu. Minhas mãos deslizavam em sua cintura e as delas estavam na minha nuca, mas isso não durou muito quando meus olhos se abriram com um choque contra minha cabeça. Me virei para trás rapidamente...
Era a Nick....
E aquele beijo de antes, elevando o fato de que eu ainda estava no esconderijo, posso dizer que foi só algo da minha cabeça.
PARE DE ME ENGANAR SUA PUTA!
— O-oi Nick... — falei com um sorrisinho tímido enquanto me levantava. Não Pedro! Não seja tímido! Não seja “fofo”!
— O que você estava fazendo, senhor Ampellio? — ela perguntou. Seus olhos estavam fechados, mas seu sorriso era tão sádico quanto os de Lucas.
Diário (muito másculo, se quer saber) de Lucas
Estava aguentando esse gringuinho de merda o dia todo. Ele em cima da MINHA baixinha, segurando nas pequenas mãos que só EU posso tocar, e tirando sorrisos que apenas EU posso tirar.
Ela é só minha, e eu tenho ciúmes mesmo.
SE RECLAMAR EU FICO COM MAIS!
Eles estavam de mão dadas, enquanto viam baquetas, cordas, correias e amplificadores.
JÁ CHEGA! Vou dar uma de cliente aqui, e aproveitar pra ver umas cordas pra Jurema...
— Você está nos seguindo? — Nana me perguntou. — Sabia que você estava mentindo.
— Mas não estou — retruquei balançando a sacola da loja de lingerie na frente dela. Meus planos são sempre bem bolados hahaha! Ela tirou a sacola das minhas mãos, olhou o conteúdo corada e a fechou.
— Ta, mas o que você está fazendo nessa loja?
— Comprando cordas para a Jurema — dei de ombros. Ela fez uma cara de quem não entendeu. — Meu baixo.
— O nome do seu baixo é Jurema? O da minha guitarra é Shin! — ela falou.
— Que mundo pequeno, não? — falei me apoiando nela.
Pra quem não entendeu, estou marcando território. É isso que eu faço quando quero que a garota seja minha, fico em cima dela com outros meninos vendo.
— Ei! — ela inflou as bochechas — Não se apóia em mim!
— Eu me apoio no que é meu — falei desviando o olhar para Thiago, que não mudava a pose de serio.
Acho que vou matá-lo...
Imagina que legal, arrancar as tripas de seus inimigos e depois frita-las na frigideira, e comer com batatas fritas? Seria muito legal...
— Eu não sou sua! E não sou um objeto! — a abracei pelo pescoço.
— Nunca disse que era um objeto, é apenas a menina que eu gosto — senti suas bochechas corarem. — Você já sabe disso, não sei pra que tentar esconder mesmo.
— Cala a boca! Vamos logo voltar pra livraria — ela falou se soltando e andando na frente minha e de Thiago.
— Você é bem corajoso — ele disse arqueando as sobrancelhas.
— Eh? Por que?
— Sei lá, falar isso tão abertamente... Pessoas que se declaram merecem respeito, fazem algo que eu negaria até meu último segundo — me senti bem. Se ele não consegue se declarar, então... — Mas você já percebeu que estou meio atraído pela Nathalie, não? Só te digo uma coisa, senhor Lucas, eu sei que ela gosta de você, mas uma brecha que você abra para magoá-la pode acabar com todo seu esforço. Se essa brecha se abrir, farei de tudo para que ela seja minha.
Engoli em seco. Então Thiago não vai atrapalhar, mas se apoderar da situação...
Sinto que seu primo não faria o mesmo......
Espera, o Pedro e a Nick e... o Rique....
Oh merda...
Pedro, do jeito que é vai ficar fantasiando enquanto Henrique se declara! E o Henrique tem BEM mais chances que ele.
Sei que o Pedro é legal e tals, mas mano, acho que qualquer garota normal escolheria o Rique. A não ser que fosse algum gay, ou alguma menina que prefere garotos mais passivos, bem, torçamos para que a Nick seja do tipo estranha...
Conversamos e conversamos e conversamos e falamos tanta coisa que eu estou com preguiça de escrever aqui, mas não foi nada de importante mesmo. Nick e Nana brigaram com a gente falando que “não devemos nos intrometer na vida dos outros”, mas é IMPOSSÍVEL!
Elas ainda não entenderam que são só nossas? Tipo, que a gente gosta delas e elas têm que gostar da gente e assim sairmos correndo de mãos dadas em um campo de flores de baunilha!
Por que baunilha é muito bom. Certo, isso não interessa agora!
Voltando ao assunto....
Esqueci o que eu ia falar....
Ah, foda-se, não devia ser nada importante!
— Nana, você não vai provar? — falei apontando pra sacola.
— N-não! — ela falou cruzando os braços na frente dos seios.
— Prova logo, assim a gente não tem que voltar pra cá amanha caso não caiba — Nick falou se espreguiçando. Isso Nick, pense como um homem... Mesmo sendo garota...
Sei que não tem nada a ver com o assunto, mas sabiam que, desde o começo do ano, tenho visto garotas conversando dizendo que a Nick era muito atraente e tal? Será que ela faz o tipo príncipa? Imagina que loco! Minha parceira das pegação, tipo o Mikorin e a Kashima*?
Fomos até a Renner, mas o provador é separado, então só a Nick podia vê-la se trocando. Na verdade, elas pegaram uma roupa qualquer e foram pra lá, enquanto nós quatro ficávamos esperando do lado de fora.
Senti que uma aura negra rodeava Pedro e Rique. Alguma coisa aconteceu, e esse maldito vai me contar nem que eu precise roubar a Claudete dele!
Claudete... Não sei porque, mas me lembra uma vaca...
Claudeeeeete...
Chega mano, to muito demente hoje.
Depois de um tempo, as gêmeas saíram de lá, e Nana estava completamente corada — Serviu? — perguntei.
— O pior, é que serviu... — Nana falou com vergonha.
Ela fica tão bonita com as bochechas coradas...
POR QUE ESSA ANÃ AINDA INSISTE EM NÃO GOSTAR DE MIM?!
Acho que vou chorar...
Cala a boca Lucas, você não é o Pedro...
~~
Depois desse dia muito emocionante (menos pra mim), levamos as meninas nas casas delas, e voltamos de ônibus. Minha mãe ficou me perguntando onde tínhamos ido, já que eu tinha esquecido de avisar pra ela... Ops hehe...
Enfim, espero colocar narrações mais vezes nessa bodega aqui!
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