Quase Normais

29 Seu filho de uma Parideira Nórdica!


Notas iniciais
Nana: Caralho, porre, cu, esse cap ta mto grande DG: Ficamos uns tres dias escrevendo ;--; Aproveitem bem ;u;

Diário da Nath

Então é assim, é?

~~

Cheguei na escola com um sorriso no rosto, afinal, hoje é quinta feira e amanhã só teremos que entrar na escola depois das dez da manhã, o que quer dizer que, além de perder aula de física, ainda posso dormir mais!

Não que faça diferença, já que eu dormiria na aula de física também, mas, você sabe, preso pela minha cama.

De qualquer jeito, lá estava eu, entrando na sala mó na inocência com o gigante dito como meu namorado, quando eu vejo o que? Duas pragas juntas!

Aí você me pergunta, pragas quem?

Simples, a Katy e o Daniel.

Porra mano, de onde ele filha da puta veio? Como ele me achou??

Fiquei paralisada na entrada, olhando para aquele rostinho perfeito e cabelos loiros arruivados, quem vê pensa que é gente boa.

— Nana, você está bem? — Lucas me perguntou, cutucando a minha bochecha.

— Eu... Eu... — respondi, dando meia volta e saindo da sala de aula.

O ar faltou minimamente de meus pulmões, enquanto eu saí correndo para algum lugar longe daquela sala. Quão mais longe estou de lá, melhor eu fico.

Entrei em meu esconderijo, em meio as máquinas de comida, abraçando meus joelhos e olhando fixamente para a parede na minha frente.

Porra, porra, porra, porra, porra, porra...

O que eu vou fazer agora? Eu acho que vou ter um treco...

— Meu Deus, Nana! O que você está fazendo aí? — Henrique gritou, me olhando assustado.

— A Nana está aí? — ouvi Nick falar e logo depois entrar na frente do moreno. — O que aconteceu? — perguntou se abaixando.

— Ele... Ele voltou... — falei, esfregando minhas mãos em meus braços. — Está na nossa sala de aula, Nick, eu estou com medo... Como ele me achou? De onde ele veio? — me perguntei. Ela pareceu se tocar do que estava acontecendo e estendeu os braços para eu abraçá-la.

— O que aconteceu? — Rique perguntou.

— É uma longa história — minha irmã respondeu. — Cadê o Carlos?

— Ei, seu puto, vem cá — Henrique gritou em alguma direção que nem me dei ao trabalho de ver. — Vai contando.

— Digamos que o filho de uma parideira nórdica do Daniel, aquele aluno novo da nossa sala, ele é um ex da Nana — ela falou.

— Me chamaram? — Carlos perguntou. Virei pra ele e pedi um abraço, que ele deu de ombros e me deu. — O que aconteceu com ela?

— Resumindo — Nick o ignorou. — Ele queria forçar a Nana à... Bem, você sabe — ela falou, fazendo o mesmo movimento com as mãos que Thiago tinha feito, me deixando vermelha.

— Ele estuprou sua irmã?! — Carlos gritou.

—Não, bem...

—Quase — completei, me apertando mais nele. — Eu estou com medo, Nick, quero ir pra casa...

Ela se aproximou e fez cafuné na minha cabeça. Vi Lucas chegando atrás de Carlos, me soltei dele e dei um abraço apertado no gigante.

— O que aconteceu? Por que saiu correndo daquele jeito? — Lucas perguntou.

— Lucas, lembra do ex da Nana? Aquele que eu te contei naquela vez lá? — ele fez que sim. — Bem...

— Aquele ruivo filho de uma parideira nórdica, ele voltou — falei, imitando o xingamento da Nick.

— Espera, aquele garoto que estava comendo a Katy...?

— Ele mesmo.

— Não vou deixar ele chegar perto de você — Lucas falou, me abraçando mais forte.

— Espera — Nick falou. — Nossa, essa Katy é realmente puta né? Tipo, ontem ela tava pegando o João, agora ta pegando o Daniel, ela te pegou também? — perguntou para Carlos que deu de ombros e fez que sim. — Caralho, só falta pegar o Pedro.

O sinal tocou e eu voltei meu olhar pra minha irmã. — Eu não posso mesmo fingir que estou passando mal e ir pra casa?

— Você não pode fugir pra sempre — ela me explicou, respirando fundo em seguida. Me grudei no braço do Lucas e fomos indo pra nossa sala, enquanto minha irmã fazia zoeiras com os meninos junto dela.

Todo o bom pressentimento e humor que tinha quando cheguei foi desintegrado em questão de segundos. Por que ele voltou? Quer fazer minha vida um inferno novamente?

De toda forma, quando entrei na sala, vi Pedro conversando meio irritado com a Bianca, aqueles dois têm estado próximos de mais nesses últimos tempos. João estava com umas garotas meio piranhas da nossa sala e Matheus estava com fones de ouvido tampados pelo gorro do casaco. Não dei muita importância praquilo na hora.

Sentei no meu lugar de braços cruzados e comecei a olhar para o teto, quando vi nossa professora de física baixinha entrar na sala de aula.

— Oi gente! — ela disse, animada. Como alguém consegue ser tão animado num dia tão merda? Alguns múrmuros a responderam. — Certo, Temos um aluno novo na sala de aula... Senhor... Daniel, certo? Você já conhecia alguém daqui?

Olhei para ele, que estava sentando quase no meio da sala. Ele me olhou e soltou um sorriso malicioso. — Conheço sim, a Nana.

Valeu seu retardado, agora têm um monte de víboras me olhando como se me jogassem de um penhasco. — Valeu pela consideração, idiota! — Nick gritou, fazendo os garotos perto dela rirem. Daniel se virou pra ela.

— Quem é você? — perguntou, provavelmente com a testa franzida como costumava fazer.

— Nossa, sei que nos odiamos, mas podia ao menos lembrar que a Nana tinha uma irmã gêmea, né?

— Espera... Nossa, é você Nick? — ele perguntou. Certo, eu sei que ela mudou, mas ainda é reconhecível, gente! — Você tá muito gata!

— Sai de perto, arrombado — ela revirou os olhos.

— Nick — a professora repreendeu, fazendo os outros rirem.

Nossa, Nick badass, tome cuidado, população! Ela vai explodir um prédio! Essa menina é pirigrosa!

— Ta, de qualquer jeito, já que você conhece a Nana, que tal ela te mostrar a escola na hora do intervalo? — a professora perguntou feliz.

— Não — respondi.

— Seria ótimo! — ele sorriu.

— Por que você não pede pra Nick?!

— Porque ela gabaritou a última prova, mas posso mandar ela no seu lugar se você não quiser dez pontos de bônus na minha matéria — meus olhos brilharam.

— Eu faço! — falei confiante.

— Serio Nana? — Lucas falou. — Tudo aquilo pra aceitar no final?

— Querido, eu lá tenho cara de quem vai recusar dez pontos em física? — perguntei. — Quer dizer, quem, além da Nick, claro, não tá mal em física? — vi André levantando a mão minimamente. — Abaixa essa mão, André.

— Okay... — ele murmurou abaixando a mão.

— Certo, então, a Nana vai te mostrar a escola no segundo intervalo, certo, Danilo?

— É Daniel, professora — ele murmurou fazendo algumas pessoas rirem.

— Ah, é tudo a mesma coisa — a professora retrucou, fazendo mais pessoas rirem.

Aí a matéria começou e... bem, acho que vocês já sabem...

Bem, minha mente só acordou quando já estávamos no primeiro intervalo. Estava, novamente, pensando enquanto olhava pro teto, quando Daniel chegou de fininho, se agachou e encostou o queixo na minha carteira, me encarando. — O que é, desgraça? — perguntei sem olhar pra ele ainda.

— Nossa, é assim que você trata a pessoa mais especial do seu mundo? — ele perguntou.

— Me erra, homem — respondi me levantando e me esticando. Ele se levantou também, ficando ao meu lado. Caralho, esse inútil cresceu mais?!

— Pra quem não me ama, você está me olhando bastante — ele disse, ainda sorrindo malicioso. — Além disso, não importa o quanto o tempo passe, você continua baixinha e fofinha!

Ele veio pra cima de mim pra me abraçar, mas eu apoiei meu antebraço na boca de seu estomago e subi o olhar para os olhos verdes dele. — Se você chegar perto de mim de novo, vai aprender a voar.

— Sadista como sempre, não é? — ele perguntou se distanciando. — Mas bem, pelo menos alguma coisa em você cresceu — ele disse, encarando meus seios. Revirei os olhos e saí pela porta. — Não vai me mostrar a escola?

— Se você ficar parado aqui, não vamos acabar de ver esse lugar nunca! Agora, vamos antes que eu me arrependa mais.

Ele começou a me seguir enquanto eu falava os lugares da escola pra ele. Ele tentava me pegar na cintura, mas eu sempre o afastava, só querendo que toda aquela merda acabasse.

Por que demônios eu tinha que ser tão ruim em física?

— Por acaso você ta me evitando Nana? — o ruivo em perguntou.

— Você não vem dar uma de Pedro com Nick pra cima de mim não, que eu li o diário daquela puta e sei o que vai acontecer! — falei em um gesto de “hell no”.

— Que...? — ele perguntou.

— Nada, só to tentando ser fiel ao meu namorado.

— Oh, você está me traindo?! — perguntou com falsa surpresa.

— Olha quem fala, se não é o “super-fiel”, o “bodas de ouro”! — ironizei.

— Ah, você ainda não esqueceu aquilo?

— Como se fosse uma coisa pequena pra esquecer!

— Aquilo não foi nada de mais, vai — ele falou, chegando mais perto de mim. — É que, sabe, você não quis fazer aquilo, então eu precisei de outro alguém pra me satisfazer. Você sabe que não sou um homem de relacionamentos...

— Nem homem você é — murmurei. — Você me da nojo. Você quase me estuprou!

— A gente namorava, então, tecnicamente, não seria estupro.

— Mas você estava fazendo aquilo à força, então, tecnicamente, seria estupro sim.

— Pare de exagerar, já passou já — ele falou, revirando os olhos.

— Não foi você que quase foi estuprado, você não sabe o que eu passei depois disso — retruquei. — De todo o modo, me faça um favor e vá dar seu cuzinho virgem na esquina.

O sinal tocou novamente e eu fui pra sala de aula na frente. Me sentei no meu lugar e comecei a boiar novamente.

Memórias daquele dia infernal, das mãos me percorrendo à força, das dores no meu pescoço à cada marca que ele exigia em deixar.

Ele tinha me convidado pra ir na sua casa, em um fim de semana como qualquer outro. Ele vinha sido meio irritante nesses últimos dias. Estava sempre me pedindo para fazer mais, já não se continha com toques e carícias. Minha irmã me dizia que ele não era uma boa pessoa, mas eu não quis ouvi-la naquele dia.

Fui lá achando que iríamos apenas ver algum filme, mas estávamos sozinhos na casa dele.

Lembro dele me puxando para seu quarto, passando a mão de baixo da minha camiseta, me empurrando na cama. Eu não me sentia segura perto dele.

Ele estava sempre me diminuindo, sempre se centralizando em meio a tudo, mesmo que tivesse seus motivos, nada daquilo era uma razão.

Lembro-me de dizer que não queria, mas sua resposta foi:— Já esperei tempo de mais.

Lembro das lágrimas descendo pelo meu rosto, as dores que ele deixava pelo meu corpo. Enquanto ele tirava minha roupa, consegui acertar uma joelhada entre suas pernas, fazendo ele cair para o lado em posição fetal. Peguei minhas roupas do chão, colocando-as enquanto corria escadas abaixo, logo em seguida saindo daquela casa.

No dia seguinte fui conversar com ele para ver no que toda aquela merda daria, mas o vi se pegando com uma garota. Simplesmente virei o ombro dele e lhe dei um soco na cara, saí correndo de lá e procurei a única pessoa que eu confiava, a Nick.

Me arrependi muito de não ter dado ouvidos ao que ela dizia sobre ele, era tudo verdade.

Depois desse dia comecei a fazer aulas de artes marciais para autodefesa e não confiava mais em garotos para namorar.

Bem, até aquele retardado do Lucas aparecer e zoar com toda a minha vida.

Na festa da Lia, eu não fiquei com medo dele. Ele soube como me tratar, na verdade, acho que se dependesse de mim pode ser até que algum dia... bem...

— Nana, você ta boiando muito — Nick falou me cutucando.

— Caralho, porra, o que aconteceu?! — perguntei olhando pros lados.

— Estamos no segundo intervalo, mulher — mas já?!

— Ei Nana, Nick — uma garota popular e legal chegou na gente. Seus cabelos eram castanhos, tinha olhos azuis e pele bronzeada. — Vão na festa de hoje a noite?

— Nossa, vocês não aquietam o cu — Nick falou, fazendo a garota rir. — Já não teve uma festa na segunda?

— Sim, mas você sabe que eu não posso deixar esse tempinho extra escapar — claro, né, ela era a garota que fazia as melhores festas da escola, acho normal que ela curta essas coisas. — Mas e você, Nana?

— Sei não — respondi. — Vai ter maratona de Glee essa noite, queria ver com a Nick enquanto paramos nas caras engraçadas dos personagens — falei rindo junto com minha irmã.

— Bem, vocês quem sabem, se quiserem, é só aparecer lá. Eu fechei a boate dos meus pais, a entrada é liberada pra quem estiver na lista vip, e já coloquei seus nomes lá.

— Nick, a gente não pode recusar! É lista VIP! — falei animada.

— Como assim?

Gata, meu nome é Karol Conka — falei, improvisando uma dancinha sentada. — Procura no insta, é só me marcar!

Clique, claque, bum, Sai da frente eu vou entrar, Já falei que eu vou entra, Não entendeu vou desenhar, Clique, claque, bum, claque — ela cantarolo dançando também, daí me olhou e falamos nós três juntas:

Eu acho que meu nome ta na lista VIP! — ela começou a dançar também, e logo nós paramos e começamos a rir.

— Mas serio, eu não sei se a gente vai — falei.

— Bem, se quiserem, é só furar a fila e ir entrando — ela riu. — Agora que tenho que ir, matéria do terceirão é de matar, tchau meninas — e lá vai ela acenando.

— Nick — chamei. — Essa menina é legal. Qual era o nome dela mesmo?

— Eu não lembro — ela respondeu.

— É Julia, gente — Thiago falou, chegando pela porta que fica na frente da minha mesa. — Vocês ficaram aqui o intervalo inteiro?

Nós duas nos entreolhamos. — Nos distraímos com a Karol Conka — respondi.

— Não vou nem perguntar — ele falou, em sinal de rendição. — Quanto menos eu pergunto, mais sentido faz.

A aula começou, mas sabem da melhor coisa do mundo? O cafuné do Thiago.

Cara, eu sinto que ele faz isso só pra sentir o cheiro do meu cabelo, mas quem liga? Meu cabelo cheira bem mesmo.

Eai, PAH, a aula acabou!

De toda forma, eu tava arrumando minha bolsa, quando o Lucas chegou e me deu um abraço por trás. Me virei pra ele e dei um sorriso. — O que foi, Lulu? — perguntei fazendo ele ficar vermelho.

— Vocês mulheres da minha vida e esse apelido — ele revirou os olhos. — Vai indo pra sala do clube pra não deixar a Isa e o Murilo transformarem aquele lugar num filme pornô, que eu vou lá na sala do terceirão que preciso pegar umas coisas com a Julia.

— Okay, te vejo lá então — falei ficando na ponta dos pés e dando um selinho nele.

— Olha aqui, tu não me provoca — ele falou rindo e me dando mais um beijo. — Eu te amo, okay?

— Também te amo, gigante — respondi rindo. Ele bagunçou meus cabelos e saiu da sala.

Fui andando com um sorriso bobo até o clube de música, quase esquecendo tudo que aconteceu hoje.

Quando estava quase chegando na sala, senti alguém puxar meu pulso. Me virei para a pessoa e vi aquele filho de uma parideira nórdica (sim, eu gostei desse xingamento). — O que você quer? — perguntei já irritada. Ele me empurrou na parede e colocou a mão na minha bochecha, enquanto me prendia com a outra.

— Sabe, Nana, sei que não fui muito bom da primeira vez que nos relacionamos, mas, sabe, o que acha de começar de novo?

— Mano, eu tenho namorado — falei. — Além disso, ele gosta de mim e eu gosto dele de verdade, então pode, por favor, parar de atrapalhar minha felicidade e ir ficar com alguma outra piranha?

— A única que eu quero é você — ele falou. O vi correr os olhos para o lado por onde eu vim, e quando fui segui-los também, ele encostou os lábios nos meus, tentando colocar sua língua. Fechei meus lábios o máximo possível, mas ele apertou minha bochecha com a mão que segurava meu rosto e eu acabei abrindo sem querer.

Eu tentei de tudo pra ele parar com isso. Mordi sua língua, bati nossos dentes, mas ele não me largava, até que eu consegui empurrá-lo. Olhei para o lado, rapidamente, vendo Lucas segurando uma única tulipa.

Subi para seu rosto, um semblante triste, vi uma lágrima escorrer e me senti extremamente culpada. Havia prometido pra mim mesma que não deixaria ele chorar de novo e ali estávamos nós.

Eu era o motivo do choro.

Ele soltou a tulipa, se virou e saiu correndo. Arregalei meus olhos quando percebi o que realmente tinha acontecido. — Lu... cas... — murmurei. Comecei a correr na direção dele enquanto meus olhos marejavam, mas meu pulso foi novamente segurado.

— Calma, lind... — não deixei ele acabar de falar, logo lhe dei um chute na boca do estomago e o empurrei no chão, sentando por cima dele e começando a dar vários socos em sua cara.

— Seu filho de uma puta! — gritei. — OLHA O QUE VOCÊ FEZ! SEU FILHO DE UM CARALHO — ele tentava segurar meus pulsos, mas eu era mais rápida. Bati sua cabeça umas duas vezes contra o chão e continuei lhe dando socos na cara. Ouvi a porta do clube ser aberta, mas eu estava chorando tanto que nem via mais nada.

— PUTA MERDA! — escutei Isa gritando.

— O que caralhos?! — escutei a voz de Murilo.

— O CÚ DA PUTA DA SUA ARROMBADA QUE VOCÊ GOSTA DE MIM, SEU FILHO DE UMA PARIDEIRA NORDICA! — eu continuava gritando sem ligar para as pessoas ali. Senti alguém segurar minha cintura e me levantar do chão enquanto eu me debatia.

— Nana, se acalme — ouvi Thiago falando.

— ME LARGA, EU VOU ENFIAR UM CANO NO CU VIRGEM DESSE CARALHO!

— Murilo, ajuda o Thiago, seu trouxa — Isa falou no fundo.

— NÃO SE EU FIZER ISSO PRIMEIRO, SUA VADIA! — Daniel gritou, tentando partir pra cima de mim, mas sendo segurado pela Isa, que ameaçou dar um soco na cara dele também. Senti Murilo segurar meus braços.

— Olha, Danilo, certo? — Isa falou, empurrando-o. — Você é um contra três e meio, e olha que esse “meio” é uma garota chihuahua. Agora, aquieta esse cuzinho e vai embora que, quando eu soltar a Nana, ela vai se transformar em um metro e meio de puro ódio.

Em um ponto, ela estava certa, eu estava tremendo de raiva e, se alguém me soltasse, acho que eu partiria a cara dele em dois.

Ele se livrou das mãos da Isa e se virou resmungando: — Algum dia vocês vão se ver comigo, principalmente essa vadiazinha aí.

Logo ele saiu de vista e os meninos foram afrouxando, até que me soltaram e eu acabei caindo sentada no chão, chorando e tentando limpar minha cara no meu blazer da escola. Olhei para as minhas mãos cheias de sangue e para o rastro que eu havia deixado no chão do que, algum dia, foi a cara dele.

— Vamos, Nana, você precisa ir pra casa — Thiago murmurou, me dando a mão. Continuei encarando o chão. Não queria me levantar, sentia como se meu mundo fosse desabar à qualquer momento e eu nem sequer tinha matado aquele puto ainda. — Se você não levantar, eu vou chamar a Nick e te levar pra casa no colo.

Pronto, senti menos vontade ainda de levantar. Ergui os braços, ainda olhando pro chão, em sinal de “me leve!”.

— Você quer mesmo que eu te leve no colo? — ele perguntou, me fazendo balançar a cabeça afirmativamente. Ele revirou os olhos e pegou seu celular, ligando para alguém. — Ei Nick, deu umas merdas aqui e acho melhor você e a Nana voltarem pra casa... Não, ela esta bem, quer dizer, fisicamente... Eu vou com vocês... Eu te explico no caminho... Okay, vamos te esperar na entrada, beijos.

Ele desligou o celular e me pegou pela cintura, enquanto eu entrelaçava minhas pernas para eu não cair e me segurava firme em seu pescoço.

Fomos saindo e eu acabei dormindo até a gente chegar em casa.

Acordei repentinamente quando estávamos no elevador, ainda sendo segurada pelo loiro. Chegamos em casa, Nick abriu a porta e Thiago logo foi entrando. — Onde é o banheiro?

— Segunda porta do corredor — ela falou, indo pra cozinha pra, provavelmente, preparar alguma coisa que eu goste de comer. Thiago me colocou na bancada do banheiro, vendo que eu estava acordada.

— Melhorou? — ele perguntou. Dei de ombros. Ele suspirou e começou a limpar os machucados na minha mão. — Você briga bem, faz aula a quanto tempo?

— Lutei karate minha vida inteira, mas comecei kick Box há um ano e meio, algo em torno disso — respondi com a voz fraca.

— Você luta bem demais pra quem começou a um ano e meio — ele murmurou, jogando o papel no lixo. — Quer que eu faça um curativo, ou... — ele mal acabou de falar e eu fui tirando o blazer da escola e tirando a gravata. — O que você ta fazendo?

— To indo tomar banho — respondi começando a desabotoar a camisa.

— Faça isso quando eu não estiver mais aqui.

— Tanto faz... Vai ligando o chuveiro pra mim? — ele deu de om*bros e assim o fez, mas quando ele se virou de novo eu já estava de sutiã e saia.

— Pare de se despir enquanto eu ainda estou aqui — revirou os olhos.

— Não é como se realmente fizesse diferença — falei. — Arruma alguma coisa pra eu vestir depois do banho, por favor? — ele concordou com a cabeça e saiu depois de passar a mão na minha cabeça. Eu tranquei a porta do banheiro, acabei de tirar a roupa e me joguei de baixo do chuveiro, deixando minhas lágrimas se misturarem com a água fervente do chuveiro.

Depois de alguns minutos lá de baixo, sai do banheiro enrolada numa toalha e com a pele inteira vermelha e meio pipocada pela alta temperatura da água. Fui pro meu quarto e vesti a roupa que estava em cima da cama, nem vi que roupa era, e não ligava também.

Fui para a sala, me taquei no sofá levando um cobertor comigo e ligando a televisão no canal que iria passar a maratona de Glee, já colocando pra gravar. Nick trouxe um potão de sorvete de flocos com calda de chocolate e três colheres, sentando ela de um lado meu e Thiago do outro. — Ele é um idiota — falei.

— Sim, ele é — Thiago respondeu, pegando uma colherada de sorvete.

— Pera, estamos falando mal de quem? — Nick perguntou. — Daniel ou Lucas?

— Os dois! — gritei. — O Lucas por não me ouvir e o Daniel por... ser... o Daniel!

— Ah... — minha irmã respondeu. — Pedro também é um idiota — ela murmurou.

— Garotos são idiotas!

— Apenas concordo.

— Por que me sinto na minoria aqui? — o loiro perguntou em tom de falso choro e pegou mais uma colher de sorvete.

— Ta, você é legal — falei, pegando a calda de chocolate e despejando um monte em cima do pote.

— Certo, então vamos na festa da Julia e você faz as pazes com aquele puto — ele falou, pegando a calda. — Daí você coloca uma roupa meio de piranhuda, por que se ele pensar em te recusar, ele vai te ver com essa roupa e não vai conseguir deixar você a mercê de “garotos pervertidos”.

— Vindo de um garoto, essa é uma ótima ideia — Nick falou, olhando pra ele.

— Daí, em último caso extremo, você me beija na frente dele — completou.

— Não falo nada desses planos — minha irmã falou, voltando a encostar no sofá.

Fiquei uns minutos pensando — Gostei. — falei finalmente.

— Do que? Me beijar ou se vestir de piranha pra fazer ciúmes no Lucas?

— Sempre quis ser uma vadia — falei, fazendo os dois olharem pra mim com as sobrancelhas franzidas. — É, tipo, que nem em Meninas Malvadas!

— Como assim? — ele perguntou.

— É que, tipo, no começo do filme a personagem principal era mó sem sal, não era nem aquele tipo de novata de clichê. Daí ela começa a andar com a Regina George por que a amiga dela pede, e ela começa a virar uma super putiranha, nossa, esse filme é incrível, você precisa assistir algum dia — Nick concordou e ele deu de ombros.

— Pode ser, mas, você topa mesmo? Era só uma brincadeira — ele falou.

— Mas é muito boa, se bem que, você não vai ficar meio... Sei lá?

— Como assim?

— Ah, você sabe, meio... É que tipo, se eu ficar com alguém nessa festa, vai ser só por ficar mesmo, sabe?

— Por mim tudo bem, eu imaginei isso mesmo — ele falou, mas a Nick se levantou pegando no pulso dele e falando.

— Vem cá, Thiago, precisamos conversar — e os dois entraram no nosso quarto. Me levantei e coloquei o ouvido na porta.

— É serio, Nick, se esse é o único modo que eu tenho pra beijar ela algum dia, eu vou fazer.

— Você é muito idiota — ela respondeu. Porra, eu não entendo nada! A porta foi aberta e eu meio que caí pra dentro.

— Ehh, oi gente! — falei coçando a parte de trás da cabeça.

— Ta, tanto faz, vai se trocando — minha irmã falou, saindo do quarto. — Vocês tem uma festa hpje, yeeei~! — ela fingiu animação.

— Ta indo pra onde mulher? Tu vai na festa também — repliquei.

— O que? Meu glee!

— Se a gente ficar bêbado, quem vai tirar a gente de lá?

— Eu é que não vou, vou mesmo é largar vocês lá!

— Nick, nós somos uma dupla, precisamos ficar juntas... Além disso, vai que você encontra o Pedro lá e não tira a satisfação do beijo que ele te deu ontem? Aquele com gosto de tutti-frutti — caçoei.

— Vocês se beijaram? — Thiago perguntou e minha irmã se avermelhou.

— Ta bom, ta bom, eu vou, só... Mata esse assunto!

— Gente — o loiro falou. — Eu vou pra casa me trocar e essas coisas, já eu volto.

— Okay — eu e minha irmã declaramos em uníssono enquanto ele saia do quarto e, consequentemente, de casa. Nick voltou para o sofá.

— Vai se arrumar mulher — falei.

— Moça, a festa é lá pelas oito, sabia, né? — ela perguntou pegando o pote de sorvete e continuando a comer.

— É verdade — murmurei, me sentando ao lado dela e comendo também. — Que horas são agora?

— Quatro da tarde... Daqui uma hora eu vou tomar banho, okay? — assenti com a cabeça.

Ficamos comendo o sorvete e, quando acabamos, ela colocou o pote na pia e foi tomar banho. Alguns minutos depois que ela entrou, o interfone tocou e eu mandei o Thiago subir. Ele chegou e nós ficamos conversando enquanto assistíamos TV, até que chegou numa propaganda que eu ainda não tinha assistido.

— Ah, eu ainda não vi essa propaganda! — falei, me virando para a TV com felicidade.

— Que tipo de pessoa gosta de propagandas? — ele me perguntou. Vi Nick saindo do banheiro só de toalha também e dando um oi pro Thiago, que retribuiu.

— Não é que eu goste, é que tem algumas que são legais, tipo aquela do IFood com o Fábio Porchat, eu sempre rio nela — ele olhou para baixo mexendo a cabeça negativamente, enquanto eu olhava pra televisão, animada.

Primeiro, passou uma cena com duas crianças correndo durante o dia, na praia brava de Itajai, elas corriam pela areia brincando de alguma coisa e desaparecendo pelo outro lado da tela. Depois, passaram dois pré adolescentes, muito parecidos com as crianças da cena anterior, eles riam e andavam lado a lado, e se passava no meio da tarde. A última cena da propaganda eram dois adolescentes da minha idade, como se fossem aquelas crianças crescidas, eles colocaram um anel em cada um, os reconheci muito bem.

— NICOLEEE — gritei, fazendo ela correr do quarto até a sala. — Por que você e o Pedro estão na TV?! — perguntei animada. Ela arregalou os olhos e viu os dois olhando para o pôr do sol, enquanto uma última cena aparecia, que eram dois adultos com uma criança mais nova. Ela ficou encarando a TV e ficando cada vez mais vermelha, enquanto o logotipo do hotel aparecia na cena dos adultos.

— Então foi pra isso... — ela murmurou pra si mesma, correndo para o quarto e fechando a porta.

— Eu quero explicações! — gritei.

— Mais tarde! — me respondeu.

Thiago piscou algumas vezes e encarou a televisão. — Aqueles realmente eram...?

— Sim... — respondi. — Espera ai que eu vou me trocar e já eu volto. — ele concordou com a cabeça e eu entrei no quarto, vendo a Nick só de toalha dando umas piras no telefone. Vai entender.

Coloquei um shorts jeans acinzentado bem curto de cintura alta, um croped azul royal e all stas pretos. Assim que é bom, short que mostra a polpa da bunda, camiseta com decote e alcinha, ta perfeito.

Saí do quarto e fui para o banheiro me maquiar. Passei uma maquiagem mais leve, um pouco de delineador, bastante rímel (maníaca do rímel!) e um batom rosa puxado pro vermelho claro. Saí do banheiro e só vi o Thiago me encarando.

— Quando você disse que queria virar uma vadia, eu ainda achei que você tava zoando, mas você é a Nana, eu não deveria estar surpreso — ele estava bem bonito.

Estava com uma camiseta branca com a torre Eiffel estampada, calças jeans pretas e uma camisa xadrez vermelha e roxa, com tênis pretos e um colar de cadeado prata. Assobiei que nem aqueles caras que passam cantadas em garotas e ele revirou os olhos.

— Se prepare você, que vai receber um monte desses assobios lá — ele falou. Nick logo saiu do quarto, com uma camiseta branca e larga com uma batata frita escrita “fry day”, um shorts meio curto azul claro, um colar de alien preto e seus all stars brancos. Também tinha aquele anel de infinito no seu dedo, mas, venhamos e convenhamos, ela só tira aquilo pra tomar banho.

— Que horas são? — ela perguntou.

— Seis horas ainda — falei, olhando no relógio do meu celular. — Vem, deixa eu fazer sua maquiagem — ela deu de ombros e esperou eu chegar com algumas coisinhas. Só passei nela o delineador, o rímel e um pouco de sombra meio brilhosinha, já que um batom não ficaria tão bom naquela roupa.

Peguei meu celular e abri no Snapchat — Ah não, foto não — ela falou, como se a tivesse condenando à morte. — Snapchota não!

— Ah, vai, bem cá — falei puxando ela e colocando no efeito de troca de rosto, mas... Meio que... — Por que não quer ir...?

Thiago começou a rir um monte atrás da gente — Vocês trocam de cara e continua a mesma coisa!

— Agora que ele falou, a gente realmente trocou de cara! — Nick falou. — Mas não mudou nada!

— É por que vocês são gêmeas!! — ele gritou ainda rindo. Eu e minha irmã trocamos olhares tristes, tirei uma foto com a legenda “tentei trocar nossas caras”.

— Certo, agora vou te ensinar a tirar uma foto tumblr — falei enquanto virava a câmera e ativava o flash.

— Como assim? — fiz uma pose “tumblr” e tirei a foto, quando eu vi, a Nick saiu meio que falando, o Thiago tava fazendo símbolo da paz atrás da gente e eu tava com cara de debi mental. Comecei a rir muito. — Caralho, que foto feia! — ela gritou enquanto ria. Eu salvei a foto e coloquei na minha historia. — Apaga isso — ela disse rindo.

Passamos mais umas duas horas fazendo nada na nossa casa, e, finalmente, fomos pra festa!

O Thiago tinha um carro. Um fucking carro. Um fucking COM-VER-SÍ-VEL.

Ele disse que os pais dele tinham dado pra ele, já que ele tinha carteira e tal na Inglaterra. Fiquei meio surpresa, mas mano, quem recusa carona em um conversível?

Fui com ele no banco da frente e a Nick ficou mexendo no celular dela no banco de trás, grande novidade.

Quando chegamos, ele estacionou o carro no estacionamento da boate e, haja parideiras nórdicas, que boate foda! Saímos de lá e fomos furando fila como a Julia pediu. Cheguei no guarda cantando: — Hostess, hostess, libera a lista aê!

— Se você soubesse quantas vezes eu escutei isso desde que a festa começou — ele suspirou. — Nomes?

— Nathalie e Nicole Branca Takako — falei.

— E Thiago Engelmann — o loiro falou. O segurança procurou os nomes pela lista, ticando os três e nos deixando entrar. Na porta da entrava estava escrito em uma placa “Quinta do Funk” abri um sorriso maroto.

— Desculpa ai, homem anjo — falei pra Thiago.

— Mas nem é assim que se escrev...

— Caralho mano, que lugar grande — falei o interrompendo. Estava tocando Malha Funk, cara, que nostalgia.

Vi Nick correr pro meio da pista de dança. Bem, ela ama essa música. Quem vê pensa que a Nick é metaleira...

— Acho que vou procurar o Lucas — falei no ouvido do loiro.

— Eu vou junto — ele me respondeu. Fomos andando pra área vip, onde tinham alguns sofás e essas coisas, subi para procurá-lo e ouvi algo meio suspeito. Me aproximei e vi Lucas, ele estava com uma calça jeans vermelha, uma camiseta preta, sua jaqueta de sempre, tênis pretos e um colar com umas duas palhetas de guitarra penduradas.

Ele estava se atracando com a Katy.

E não, não era com a Katy, tinha mais umas três piranhas se abraçando nele e o beijando e passando a mão em todos os lugares imagináveis. Fiquei perplexa. Cheguei perto dele. — Lucas — falei, fazendo ele levantar o rosto com cara de cu. — Precisamos conversar agora.

— Acho que não precisamos conversar mais nada, não é? Já que a gente terminou — ele respondeu.

Soltei uma risada irônica. —Então você vai terminar comigo sem ouvir meu lado da historia? — perguntei enquanto estralava meus dedos da mão direita com o polegar, sentindo os curativos.

— E pra que ouvir mentiras? — ele perguntou. A música “vou desafiar você” começou. — Eu não devia ter acreditado em você desde o primeiro momento! — ele se levantou e andou na minha direção. — Você com certeza sempre esteve mentindo pra mim! Você disse que me amava e beijou outro, você é uma vadia mesmo.

— Me chamou de que? — perguntei, dando um passo na direção dele. Thiago se aproximou e tentou me impedir de avançar mais, eu provavelmente transformaria essa boate em outro cenário sanguinário.

— Vadia ué, mal terminou comigo e já está com o Thiago, o que mais você seria? — ele me olhou desafiador. — Ah sim, nem pra ser vadia você serve.

— Ah não, você não disse isso — falei mexendo a cabeça em negação e estralando os dedos da outra mão.

— Ué, não aguenta a verdade? — ele cruzou os braços. — Se me da licença, eu estou ocupado agora.

— Você não me chame de vadia e depois vire as costas pra mim assim não, monamu — respondi, puxando seu ombro e olhando em seus olhos escuros.

— Ah é, é? — ele perguntou. — E se eu fizer, o que você vai fazer? Me espancar até a morte com esse um metro e meio?

— Essa é uma opção — Thiago murmurou.

Lucas dirigiu seu olhar para o loiro. — Quem foi que te chamou pra conversa mesmo?

— Não fale assim com meu amigo — retruquei.

— Desiste, Nathalie — Katy falou, ela fedia a álcool e cigarro. — Ele é um homem livre agora.

— Escuta aqui garota — retruquei. — Tu não se intromete na conversa se não eu sento a minha mão na tua cara. — Katy abriu e logo fechou sua boca, sem saber como retrucar.

— Acho que você deveria ir embora, Nathalie — Lucas falou, pegando na cintura de Katy.

— Ah, então você vai simplesmente me expulsar daqui?

— Você pode ficar aqui, mas eu tenho mais o que fazer.

— Ah é, é?

— É.

— Ah é, é? — perguntei de novo.

— É — ele cruzou os braços com um sorriso debochante em sua cara. Puxei Thiago pelo braço que ele tentava usar para me segurar e o puxei pra baixo, ficando na ponta dos pés e o beijando. Ele ficou meio surpreso no início, mas fechou os olhos e entrou no jogo, me puxando pela cintura, me erguendo para mais perto dele e colocando a língua na minha boca.

Tenho que admitir, ele beijava muito.

Ele tinha pegada, e beijo bom.

Queria muito ter fechado os olhos para aproveitar, mas não antes de encarar Lucas, que me lançava um olhar desafiador. Segurei no rosto do loiro e fechei os olhos.

O Thiago entendeu o que eu queria fazer, então ele simplesmente... Passou a mão na minha bunda.

Certo, ele será um homem morto depois disso.

Nos soltamos pela falta de ar e eu voltei a encarar Lucas, que nos olhava meio boquiaberto. Segurei no loiro pela camisa que ele usava e o puxei para fora da área vip. — Desculpe por isso, Thiago — falei, ainda o puxando para mais perto do bar.

— Tudo bem, quer dizer, desculpe eu por passar a mão na sua bunda, você queria fazer ciúmes nele então achei q seria a melhor opção...

— Não, serio, me desculpa — falei parando. —Eu escutei sua conversa com a Nick, eu não queria te usar, de verdade...

— Ei — ele falou, erguendo meu rosto e me olhando nos olhos. — Fui eu quem dei a ideia, certo?

— Ah, é que... ele me deixa louca — revirei os olhos.

— Eu imaginei — ele sorriu, me fazendo me sentir ainda mais culpada. Respirei fundo.

— Certo, sem mais usar o Thiago — falei pra mim mesma. — Preciso pegar mais três pra empatar com ele.

— Que? — ele me perguntou.

— Não viu o olhar dele? Ele me desafiou pra uma competição de pegação

— Como você entende só pelo olhar? — ele perguntou.

— Eu só sei... — respondi. — Bem, vou pegar mais alguns garotos, quando quiser ir embora é só me procurar e me arrastar pro carro, okay?

— Certo — ele respondeu rindo. — Boa sorte pra pegar mais alguém.

— Haha, ri muito — ironizei enquanto me dirigia pro bar e pedia uma dose de vodka em um copinho pequeno. Logo a moça me deu e eu virei de uma vez, sentindo o gosto arder minha boca e um tremelique subrir pela minha espinha. — Certo Nana, é só isso por hoje — falei pra mim mesma, me virando e olhando ao redor. — Certo, vamos beijar umas bocas — falei estralando meus dedos e meu pescoço.

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Diário da Nick

Certo, passei o caminho inteiro trocando mensagens com a mulher que me deu aquele envelope na viagem. Sim, eu ainda tinha o cartão guardado. Não conversamos nada de mais, mas o problema é que ela terá que se virar no assunto que, a escola não permite que os alunos façam isso sem autorização.

Porém, eu esqueci de tudo quando entrei na balada e estava tocando Malha Funk.

Manou, funk das antigas é foda!

Saí correndo para o meio da pista, já me soltando e começando a dançar.

Um tempo depois a música trocou para “Vou Desafiar Você”.

Caralho mano, é uma melhor que a outra!

Porra, eu pago de metaleira, mas tenho coração de funkeira.

Olhei em volta para ver se tinha alguém conhecido por lá, e vi Henrique chegando em minha direção. Ele estava bem gostosinho pra um mané.

Jeans pretos, camiseta preta, jaqueta preta.

Nossa, desculpa ai, emo-gótico suave. — Eai, Nick — ele perguntou, chegando do meu lado e começando a dançar comigo. Aquilo me deu uma sensação de deja-vú, mas decidi ignorar.

— Fala mané — falei rindo e dançando.

— Uau, está sóbria e dançando desse jeito? — ele falou rindo. — Nunca pensei que fosse funkeira.

— Ei, funk é legal de dançar, e eu já liguei o foda-se mesmo! — falei. — Mas, eai, cadê o Carlos, ou o japonês? — perguntei. Ele deu de ombros.

— Carlos deve estar atracado com alguma garota por aí, e o japonês deve estar fazendo o mesmo.

— E eu fico com o virjão? Legal a vida — ironizei. A música mudou praquela do Biel, Química eu acho. Tirei os olhos do mais alto, por um segundo, vendo a Nana se pegar com um garoto aleatório. — Eita, acho que a Hime-sama e o Senpai estão brigados — falei rindo.

— É, sabe o que aconteceu? — perguntou.

— Não exatamente — falei, fui empurrada pela multidão para mais perto dele, que segurou na minha cintura e aproximou nossos rostos, selando nossos lábios. Um arrepio rápido percorreu minha espinha enquanto ele me puxava para mais perto. Acabei fechando os olhos e cedendo meio que sem querer. O beijo estava calmo, muito calmo, na verdade.

Nos separamos e abrimos os olhos, nos encarando. Eu fiquei meio vermelha. — Ué, não tinha ligado o foda-se? — ele perguntou. Eu assenti minimamente, o que o fez se aproximar mais. — Então, você se importaria se eu o ligasse com você?

Como eu fiquei sem responder, ele levantou meu rosto e me beijou de novo, dessa vez, um pouco mais rápido e afoito, como se nosso tempo fosse acabar a qualquer momento.

Ta, ele estava meio certo nisso, já que eu senti o corpo ser empurrado para longe de mim e uma mão segurando a minha. Nem consegui ver quem era, só sei que me puxou pra longe de lá e acabou me levando pra área vip, onde vi um Lucas se atracando com quatro meninas de uma só vez.

Eita moço.

Olhei para a pessoa que me tirou lá do meio, era Pedro. Ele estava com uma blusa de manga cumprida vermelha coberta por uma preta normal, jeans pretos, all stars pretos e uma blusa de flanela amarrada na cintura. Fiquei o encarando, esperando a bronca que não chegou. Ao invés disso, senti ele me abraçar.

Aquilo foi estranho.

— Eu fiquei preocupado — ele murmurou. — Eu fico sem vir com você em uma festa e você já sai beijando outras bocas, quer tanto assim me ver irritado? — perguntou rindo.

Eu não sabia o que falar, de verdade. Um monte de coisas se passavam pela minha cabeça, mas tudo que prevalecia era: — Por que?

— Por que você sabe que eu sou uma pessoa que se preocupa com você — ele disse rindo e me abraçou. — Mas eu tiro os olhos de você por dois segundos e você encontra alguém.

— É que, nem é isso — falei, me soltando dele. — Esses tempos você só tem ficado com a Bianca e, sinto que tem uma grande chance de estar ficando com ciúmes. Mas, tipo, sei que você não está me deixando de lado de propósito ou algo assim, é só que, eu realmente me sinto substituível, afinal, todos que eu conheço já conseguiram me substituir, até a Nana...

— Então, pra você, todos são substituíveis?

— Nah — respondi. — Creio que cada pessoa que passa pela minha vida é única, não creio que hajam substitutos, por isso tento dedicar um pouco de tempo pra cada pessoa ao meu redor.

— Isso inclui aquele mané? — eu ri.

— Aquele mané é meu amigo, que nem você.

— Certo, mas eu estou em uma colocação mais alta — ele disse, me fazendo rir mais. Desviei meu olhar para a multidão por um segundo, a musica já havia sido trocada por Toda Toda, vendo Nana com outro garoto, já se comendo com ele. Olhei para Lucas que mandava um olhar para eles, com aquela típica cara de cu.

— Definitivamente, deu merda — declarei.

— O que? Por que? — ele me perguntou.

— Pra começar, tem nossa troca retardada de ciúmes. Depois disso, ainda temos a Nana e o Lucas com uma espécie de competição de pegação; o Matheus tem ficado depressivo nesses últimos dias, o coração do Thiago tá despedaçado e finge que esta de boas, a Nana meteu a porrada no Daniel até ele quase desmaiar...

— Pera, a nossa Nana? A garota de um metro e meio de altura? Ela nocauteou o aluno novo da nossa sala?

— Lembra do ex dela? — ele fez que sim. — Então, é ele. A treta dela com o Lucas é por causa dele.

— Faz sentido — ele declarou, olhando para o teto e bufando. — De toda forma, acho que a gente pode tentar eliminar esses problemas um por um.

— Como assim? — perguntei. Ele me encarou — Se for o da Nana e do Lucas, desiste, eles são mais teimosos que uma mula — ironizei. Ele riu.

— Não era esse problema que eu queria resolver — ele falou, colocando a mão na minha bochecha e me dando um beijo rápido, voltando e olhando pra outro lado. — Acho que nós meio que poderíamos confiar mais um no outro. Quer dizer, não temos nada ainda, mas sabemos que o outro tem sentimentos, então...

— Eu acho que entendi — falei, segurando a nuca dele e dando um selinho também. — Mas precisamos tentar ajudar com os outros também. — Pedro abriu um sorriso e me abraçou.

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Nós dois ficamos conversando e dançando até a hora que tive que ir embora com Thiago. Pedro entendeu, afinal, é isso que acontece quando se pega carona. Não sei porque, mas sinto que amanha será um dia cheio...

Notas finais
Não esqueçam de mandar perguntaaaas pro especial Kissus de paçocaaa Kissus de panda