Quase Amigos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Tudo começou com um castigo de escola...mas isso deixa pra depois.
Deixa eu me apresentar, meu nome é Lola. Eu sempre fui a mais inteligente da escola em que eu estudava em Nova Jersey. Talvez por isso ninguém falava comigo. Quando falavam eu ficava na esperança de uma amizade, mas quando passava o dia da prova as pessoas voltavam a fingir que não me viam. Eu só era visível no dia da cola. Ou talvez porque eu era uma gordinha desajeitada, não usava maquiagem, usava roupas estranhas e era gorda, já mencionei isso?...Mas quer saber? Eu não estava nem aí pro que eles achavam de mim, meu futuro estava garantido, eu iria pra uma boa faculdade, iria ser bem sucedida um dia com um ótimo emprego...ta bom eu admito que era infeliz por não ter amigos. A única pessoa que eu falava era minha irmã que estudava também no mesmo colégio, mas era uma série a mais que a minha. Voltávamos todos os dias da escola juntas e vivíamos juntas na mesma casa há 4 anos quando saímos da casa dos meus pais para morarmos sozinhas por nossa conta. Eu não queria morar sozinha, mas fiz isso pela minha irmã que tanto queria isso então concordei com ela e meus pais aceitaram comprar uma casa pra nós duas, o que nos ajudaria a ser independentes. Ao contrario de mim, minha irmã era a bonitona, e bastante popular no colégio. Apesar disso tinha um pequeno defeito: volta e meia eu dava a cara com algum jogador popular da escola no corredor de casa quando eu acordava. Se fosse homem seria chamada de galinha, mas como é mulher, há um outro adjetivo que prefiro não comentar, ainda mais porque ela é minha irmã, então não admito que a chamem assim. Apesar desse jeito dela tão “safado” de ser, eu a amava, éramos muito amigas apesar de brigarmos às vezes. Mas isso acontece com todos os irmãos normais. A gente era muito feliz juntas.
Uma qualidade minha? Sou inteligente. Defeito? Bom, eu odeio ser chamada de gorda, viro uma fera e outro: como bastante depois de irritada, tenho vários outros, to começando a achar que tenho mais defeitos do que qualidades então vamos parar por aqui.
Eu estava no segundo ano do segundo grau e era o segundo dia de aula, os mesmo alunos da classe do primeiro ano estavam juntos novamente. Eu estava concentrada fazendo minha listinha que eu sempre costumava preparar todo ano das coisas que eu devia fazer, a primeira coisa da listar era: ir à biblioteca. Conforme eu ia fazendo algumas das coisas da lista, ia marcando com um x ao lado indicando que já havia cumprido essa missão. Estava eu concentradíssima na minha incrível lista quando ouço um psiu. Eu não olhei, não era dia de prova e ninguém falava comigo a não ser nesse dia. Foi então que o garoto de trás de mim o Frank me cutucou com força nas costas irritado com o psiu do lado dele. Olhei pra trás irritada com vontade de dar-lhe um tapa. Que abuso, aquela cutucada doeu.
L: que é? — e ele sem olhar pra mim mordiscando um palito de pirulito que já havia terminado, mas ele ainda teimava em deixar na boca, apontou pro lado com o dedão da mão direita concentrado a olhar pra um ponto à frente. Quando olhei pro lado Gerard um menino lá da sala que estava sentado na mesma fileira que a de Frank sendo que no canto sorria pra mim feito um idiota e acenando. Revirei os olhos achando aquela cena patética e me virei pra frente. O que ele queria de mim? Eu ainda não disse isso, mas vou lhes contar. Eu não suportava esse menino. Ele era um dos mais inteligentes da turma e costumávamos trocar assuntos tipo “bom dia” “oi” “fez o exercício tal?” “quanto você tirou na prova?”. Ta bom que não era lá uma conversa, mas a gente se falava. Foi então que de um dia pro outro ele virou popular. Mudou sua maneira de vestir, seu jeito de falar, andar, comer, pois foi se sentar junto com as pessoas “legais” do colégio e até mesmo suas notas mudaram de A pra E. triste vidinha a dele. Como ele ficou popular assim? Simplesmente estava namorando uma das meninas famosas da escola, mas depois de um mês de agarramento ela lhe deu um pé no traseiro e saiu do colégio por motivos profissionais: ela virou modelo. Mas ele continuou com sua popularidade mesmo sem a Barbie Malibu do lado.
Desde então ele nunca mais falou comigo e uma vez quando falei com ele se fez de surdo e todos no corredor começaram a rir de mim. Nunca mais dirigi a palavra a ele depois daquele mico e fiquei com bastante raiva dele.
O sinal tocou indicando fim de aula, foi então que fui cumprir minha primeira missão da lista: biblioteca. Procurava numa das prateleiras livros de ciência que eu adorava. Essa prateleira ficava bem atrás de todas as outras, escondida de tudo no final da biblioteca. Aquele lugar era usado pelos idiotas que não gostavam de estudar e adorava uma safadeza. Ta bem que uma vez peguei minha irmã com um cara ali uma vez, mas ela não é safada! Ela é minha irmã gente!
Eu estava concentradíssima lendo um livro muito interessante quando senti alguém mexendo nos meus cabelos.
L: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH! – dei um berro enorme que ecoou pela biblioteca. Quando me virei vi que era o Gerard que me mandava ficar quieta junto com outra pessoa da biblioteca que pedia silencio, mas que eu não consegui ver quem era. – garoto quer me matar de susto? – coloquei a mão no peito e senti meu coração que batia depressa.
G: desculpa, não foi minha intenção.
L: não? Peraí, então qual era sua intenção? – perguntei assustada andando pra trás. – olha aqui seu tarado de meia figa nem pense nisso... – estiquei o livro tentando me proteger.
G: o que está pensando? Não sou maluco a chegar nesse ponto.
L: o que?
G: eu não falo por mal, digo que não sou louco de fazer uma coisa assim com você, não sou nenhum tarado. – se explicou ao me ver cerrando os dentes.
L: então o que você quer aqui?
G: vim só conversar é isso.
L: então conversa no dia 12 do mês que vem.
G: Porque só no mês que vem?
L: dia da prova de Literatura.
G: porque ta falando isso?
L: você só me dirige a palavra quando é dia de prova não é? Ou estou enganada?
G: eu quero te perguntar uma coisa... – ele disse mudando de assunto. Ou seja, eu disse a verdade.
L: pergunte depressa porque minha irmã está me esperando pra irmos embora. – coloquei o livro de volta na prateleira, pois tinha desistido de pegar o livro por causa desse garoto atrevido. Depois fui andando pra saída da biblioteca pelo corredor de prateleiras.
G: é sobre a sua irmã.
L: o que tem minha irmã? – parei na mesma hora e me virei pra ele nervosa.
G: não é nada de mais calma. Eu só fiquei interessado nela.
L: então foi pra isso que o senhor me parou aqui way? Pra dizer que quer minha irmã?
G: achou que fosse pra que?
L: algo que fosse inteligente.
G: olha lolinha...
L: não me chame assim. Senhorita Bigelow pra você.
G: ok. olha Bigelow vai me ajudar ou não?
L: huuum deixa eu pensar. – fazendo cara de pensativa. – é claro que não! – e sai andando.
G: hei! – ele agarrou-me pelo braço.
L: não encoste em mim seu traste. – eu o empurrei, era pra ser de leve, mas ele acabou cambaleando e perdeu o equilíbrio caindo sobre uma prateleira que balançou algumas vezes até cair derrubando as demais atrás dela como um efeito dominó, fazendo um enorme estrondo. Eu comecei a gritar assustada e logo a mulher da biblioteca veio correndo ver quem fizera aquilo. Gerard estava sentado no chão ainda em estado de choque olhando toda aquela bagunça de livros e prateleiras no chão. A mulher da biblioteca veio correndo na nossa direção e olhou praquilo tudo nervosa querendo chorar.
L: foi sem querer, ele caiu sem querer e... – tentava explicar, mas as explicações foram inúteis.
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