Quarteto Fantastico
13 Edward - Thomas
Notas iniciais
— Sabe jogar xadrez? – Edward pergunta levemente, logo depois espirra.
— Sim. – Thomas responde um pouco desconfortável, mas se ele não conversasse agora com Edward, quando poderia? Essa era uma boa oportunidade.
— Sabe Thomas... – Edward começa a falar, escolhendo cuidadosamente suas palavras e as peças que colocaria nos quadrados. – Não sei por que... Não gosto do seu cheiro...
— Eh? – Eu estou fedendo? Mas tomei banho hoje de manha, e tive o cuidado de passar meu desodorante reserva na mochila depois de sair da piscina...
— Não estou falando do seu cheiro corporal, e qual desodorante você usa?
— Dove.
—... – Nesse momento Edward se segurou pra valer para não rir. – Realmente tem um bom cheiro, mas não importa. Eu odeio seu cheiro interior.
— Sucos gástricos? – Thomas pergunta sem entender nada.
— Meu santo Buda... – Edward suspirou. – Eu sinto que você é perigoso. – Edward fala sério e levanta um pouco o queixo, um leve sinal de superioridade, para demonstrar quem era mais superior ali, ou era isso que Edward queria demonstrar.
-... Acho que isso é genética. – Thomas sorri um pouco fraco, um sorriso triste. Determinado a desabafar tudo para alguém, Thomas suspira. – Sabe por que fui expulso de casa? – Thomas pergunta pegando as peças brancas e as ordenando cuidadosamente, um leve negar veio por parte de Edward. – Eu não sou um bom líder. Dependo muito de outros para fazer certas coisas.
— Seus pais querem que você domine o mundo? Seja um revolucionário? – Edward pergunta, pegando uma xícara de leite morno (foi proibido por Dylan a beber coisas geladas) ao seu lado.
— Eu tenho que cuidar de uma máfia. – Edward acabou se engasgando na hora que ia gritar, derramando leite para todo canto. – Ei, está tudo bem?!
Edward achou essa pergunta muito idiota, está tudo ótimo, eu estou sozinho num quarto com o futuro chefe de uma máfia, que pode me extorquir ou me matar a qualquer momento, está realmente tudo ótimo!
— Edward, vá se limpar, por favor. – Edward percebeu as sobrancelhas enrugadas de Thomas, como se estivesse incomodado.
— Qual o problema? Você tem algo contra homens incrivelmente bonitos até mesmo sujos? – Edward se levantou e abraçou seu peito nu de maneira confiante. – Não precisa sentir inveja pequeno vagalume, eu irei lhe ensinar o caminho da beleza, apesar de que talvez não haja chances para você. – Edward acabou deixando sua autoconfiança se esquecer por um segundo sobre a palavra máfia.
—... – Thomas ficou com uma cara estranha no rosto, como se estivesse sem alma, uma cara de tacho, até que finalmente falou. – Mano... Eu vou para casa. – Thomas se levanta e pega sua bolsa.
— Espere, você realmente é um filho de mafioso? – Edward ia o puxar pelo braço, mas se conteve.
— Sou. Mas não se preocupe, se estou aqui é por que não atingi as expectativas de meus pais. – Thomas sorriu e saiu.
Edward percebeu agora que Thomas havia movido seu cavalo, então começou a imaginar que grande passo Thomas deu na vida real para mover seu cavalo... Espera...
— Eu não sou seu cavalo! – Edward grita jogando a mesa com o jogo e tudo para o ar.
Thomas
Broxado.
Essa palavra resumia tudo que Thomas estava sentindo.
Não acredito que por um segundo deixei meu instinto se levar e fiquei excitado com o Edward, ahh, ainda bem que ele é daquele jeito, sua cara de pau me broxou completamente!
Thomas foi caminhando pela rua, pensando o qual frustrado estava, até que ele começou a rir do nada.
— Hahaha... Eu realmente contei para alguém... Como ele conseguiu? Como pude... Meu pai vai me matar, hahaha. – A casa de Edward ficava próxima ao centro, por isso não demorou muito para chegar ao ponto de ônibus. Como o banco estava completamente ocupado, Thomas ficou em pé, mas não esperava a hora de se jogar em qualquer lugar confortável e chorar.
**
Quando chegou ao seu apartamento, Thomas não queria nada mais do que apenas dormir, se forçando a tomar um banho curto e comer um pouco de Lámen. Se jogando na cama, Thomas não conseguia pensar em nada mais do que o quão fudido estava.
Não existe chance de meus pais descobrirem... E o Edward não é do tipo fofoqueiro... Creio eu... A não ser que eles tenham enviado algum tipo de espião para me vigiar... E se aqui tiver câmeras...? Suas paranoias foram cortadas por uma notificação, logo percebendo que era da sua querida irmã lhe perguntando como estava.
— Ahh, eu vou dormir, me perdoe. – Ele colocou o celular na cômoda sem visualizar a mensagem e se virou na cama, demorando um pouco para dormir.
**
No outro dia, Thomas seguiu sua vida normalmente, a não ser pelo fato de que Edward estava agindo normalmente, na verdade estava até mais próximo de Thomas, tocando-lhe o ombro e rindo ocasionalmente. Thomas estranhou, mas resolveu simplesmente seguir a onda.
Batendo o sino, os alunos se organizaram em suas carteiras quando o professor chegou, mas, dessa vez, havia uma estranha menina atrás dele.
— Bom dia alunos. – Ele colocou seu material na mesa e apresentou a garota. – Essa é Angel e será a nova colega de vocês.
Thomas ficou surpreendido com a beleza da Angel, e o estilo dela também não se deixava para trás. Na escola é obrigatório o uso do uniforme, mas provavelmente pelo fato de ser o primeiro dia dela, ela vestiu uma calça jeans preta rasgada, uma regata estampando uma banda de rock e uma blusa xadrez vermelha e branca amarrada na cintura, seus cabelos ruivos natural contrastavam com suas roupas, e seu rosto... Thomas se perguntou da onde tinha visto aquela delicada e linda expressão angelical.
— O que você está fazendo aqui? – Pode-se ouvir uma voz áspera ao fundo, Thomas se virou para ver quem havia falado, mas parou ao notar as expressões de seus amigos.
— Bem... Que tal você se sentar em frente ao Dylan? Está vazio. – Thomas estranhou e muito, Dylan estava batendo os dentes com uma expressão de raiva, Edward, cuja expressão estava indecifrável, havia deixado cair seu lápis, que estava quebrado em dois no chão e Jason estava pegando do chão um botão de seu console, seu cabelo não deixando Thomas ver seu rosto.
Ouviu-se um chute ao fundo na sala, Thomas percebeu que Ian havia chutado a cadeira a sua frente, falando alguma coisa e fazendo o garoto sentado na carteira se levantar e se sentar em frente ao Dylan.
— Você senta aqui. – Ian mandou. Angel olhou para ele com um estranho brilho nos olhos, fazendo metade da sala arrepiar, e soltou uma risada, sua expressão angelical e calma foi tomada por um sorriso diabólico em segundos.
— Me obrigue. – Angel se sentou exatamente do lado oposto ao de Ian, do outro lado sala.
O que surpreendeu Thomas tanto quanto o tom autoritário de Ian foi a resposta de Angel.
Será que Ian já se apaixonou pela beleza dela? Falando autoritário desse jeito... Porra, espera um pouco...Thomas olhou para Angel e depois para Ian, ...esses dois são irmãos?!
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