Notas iniciais
Oi, caros leitores!!!! Boa leitura!!!!!!!!

No hospital de Rozan, uma reunião acontecia. Os dois administradores e uma comissão do conselho de medicina com quatro representantes, falavam a respeito das condições pessoais da doutora Marika Kokoro.

– Ela é uma estrangeira, mãe solteira e de uma menina! Isso contradiz as tradições de Rozan.– Dizia uma avantajada senhora do conselho.

– A senhora está sendo muito hipócrita. Os dias não são mais como na sua época, sabia? Esse tempo passou, o que vale no momento não é a vida pessoal da doutora, mas o seu desempenho no hospital.

– Certo, meu caro colega, mas me diga quando ela tiver que levar a filha para nossa escola? O que irá influenciar uma filha sem pai e estrangeira aos nossos filhos legítimos dessa terra?

– Que absurdo! Um grande preconceito, afinal, na nossa terra há filhas sem pai ou sem mãe...- Levantou-se o diretor geral.

– Há sim. Mas são mães viúvas, separadas não pela vontade própria, mas pela morte.

– Independente disso, não podemos perder a doutora. O quadro médico ficará desfalcado!

– Temos muitos residentes em Xangai, eles poderiam muito bem assumir o lugar da dela. – Um homem do conselho de cabelos grisalhos falou.

– Vamos fazer um recesso, à tarde retomaremos a reunião para resolver a situação logo.

Kokoro estava na urgência atendendo um velho senhor que se machucara na lavoura.

– Pronto senhor Chieng. Quero que o senhor volte daqui a dez dias para retirarmos esses pontos, certo?

– Obrigado, doutora!

– Não há de quê! Tome os antiinflamatórios que eu passei. Tenha um bom dia!

O homem se foi e uma enfermeira se aproximou dela.

– Sabe que está havendo uma reunião com o conselho e a administração do hospital?

– Eu estou sabendo, Maíra.

– E não fica preocupada em perder seu emprego?

– Estou, mas fazer o quê, não é? Eu não podia esconder minha filha, viver longe dela...

– Isso é muito bonito e torço para que tudo acabe bem!

– Obrigada. Agora vamos que tenho muitos pacientes na enfermaria para visitar.

Já era quase hora do almoço quando Dalay chegou à casa dos pais. Sua mãe o recebera com muita emoção, diferentemente de seu pai, que nada dissera. Na mesa havia um banquete para comemorar sua chegada.

– Não precisava ter todo esse trabalho.

– Não diga isso, querido. Você merece.

– Merece? – Indignou-se senhor Zairy. – Esse larápio esteve todos esses anos esbanjando o dinheiro que recebia para os estudos com luxúrias!

– Por favor, vamos manter a paz na hora da refeição! – Disse a senhora ao esposo.

Depois do almoço o senhor Zairy saiu como filho para os campos de arroz.

– Está vendo tudo isso? Você vai ter que aprender sobre tudo isso, ou então, vai acabar na miséria, pois, não terá sua mãe e eu eternamente, Dalay.

– Sabe que não gosto daqui. Por mim, venderia tudo e faria minha vida bem longe desse fim de mundo.

– Mas foi nesse fim de mundo que a nossa vida mudou, seu ingrato. – Irou-se o pai. – Mas eu já tinha pensado nisso também, as terras vão ficar ainda no meu nome, por isso, você não poderá vender nada...

– Como assim? Vai passar as terras para uma estranha? O senhor ficou maluco?

– Não vou passar para ela, essas terras serão suas, mas no meu testamento, você não poderá vendê-las até que seu primogênito tenha completado a maioridade. Enquanto isso, você terá que trabalhar duro.

Dalay ficou vermelho de raiva. Seu pai manipulava sua vida como se ele fosse um boneco de ventríloquo.

– E se eu não aceitar esse casamento?

– Vou desertá-lo e sua mãe não poderá fazer nada.

– Bem típico do senhor, fazer tudo como lhe convém sem pensar nos sentimentos dos outros.

– Eu não vou discutir isso com um desorganizado e preguiçoso.

O pai de Dalay se afastou deixando-o indignado. Sua vontade era de pegar suas coisas e sumir, mas não tinha dinheiro para isso e também não queria perder a fortuna que a família tinha em propriedades agrícolas.

No hospital, Kokoro estava na sala do diretor, ele relatava sobre a reunião.

– Eu não posso acreditar que ainda exista tanto preconceito, sabe?

– Infelizmente...

– Mas... Eu... E se eu me casasse?

– Minha cara, não querendo desdenhá-la, mas os homens solteiros não vão se interessar para casar com a senhora sabendo que já tem uma filha.

– Mas eu... Eu vou me casar com o Dohko.

– Dohko? O feirante?

– Sim. Há um tempo a gente vem se encontrando e...– Kokoro estava muito sem graça em ter que prestar conta de sua vida pessoal. – Dohko me pediu em casamento ontem.

– Mas isso é fantástico, doutora! A senhora pode ficar segura de que seu emprego foi salvo, graças ao Dohko.

– O senhor falando assim me faz sentir uma oportunista.

– Me desculpe doutora. Mas admita que a senhora foi a primeira a colocar assim.

– Tem razão, eu não queria que fosse assim, mas o fato é que eu estou me sentindo oportunista.

– Doutora, pense na sua carreira e na sua filha... Todo o esforço vale à pena.

As palavras do diretor ficaram ecoando na mente de Kokoro. Estar com Dohko não era um esforço, mas um extremo prazer e a julgar a felicidade de Shunrei, era um ótimo pai, com certeza sua filha também seria amada, talvez não da mesma forma, mas com o mesmo respeito.

– E quanto tempo eu teria?

– Bem, a reunião que teríamos hoje foi adiada para amanhã à tarde. Então...

– Então eu teria que estar casada amanhã de manhã, não é?

– De fato...

– Que mundo injusto! O dia passou se arrastando. Dohko pegou a filha na escola e foi fazer uma visita a doutora.

– Olá Dohko e Shunrei. – Kokoro falou beijando a cabeça da menina.

– Oi doutora!- Disse a menina.

– Eu vou ganhar beijo também? – Falou Dohko brincalhão.

Kokoro sorriu e o beijou. Dohko abaixou e pegou Paradox no colo. Depois de fazer algumas coisas engraçadas, beijou-a no rosto e a pôs no chão. Ela e Shunrei correram para o quarto onde havia uma porção de brinquedos.

–Eu estou fazendo o jantar, espero que fique para comer conosco, Dohko.

– Agradeço muito. Mas não posso me demorar, Shunrei está cheia de tarefas e, além disso, tem que ir dormir cedo.

– Eu sei bem como é. – Ela falou rindo. – Nesses dias serei eu com a mesma preocupação!

– É. Os filhos crescem muito rápido!

O Semblante de Kokoro mudou para preocupado, ela tentou virar o rosto, mas Dohko não pôde deixar de notar.

– Alguma coisa está incomodando, querida?

– Bem, amanhã haverá uma reunião para decidir o meu futuro, então...

– Então o quê?

– Já é certo que não poderei trabalhar mais no hospital devido à situação conjugal...

– Vamos nos casar amanhã de manhã!– Disse Dohko.

– Como?

– É isso mesmo. Você quer trabalhar no hospital, quer continuar aqui e entre nós não há indiferenças, então, vamos nos casar!

– Eu... Eu não quero que se sinta pressionado, Dohko.

– Eu não estou sendo. Eu já expus meus sentimentos...

– Eu sei.

Dohko a enlaçou pela cintura beijando-a com paixão e foi correspondido da mesma forma. Shunrei que chegava na hora, viu a cena e ficou parada. Então voltou para o quarto de Paradox.

No dia seguinte, Dohko deixou Shunrei na escola, ela já sabia que a doutora e Paradox iriam morar na casa deles, o que a deixou feliz e triste ao mesmo tempo. Dohko esperava que a felicidade fosse maior que a tristeza.Kokoro vestia um vestido de tecido fino azul clarinho, longo e esvoaçante. Dohko vestia uma camisa de gola alta com diversos botões e uma calça tipicamente chinesa. Eles não fizeram uma cerimônia tradicional, mas estavam contentes porque tudo dera certo. Como foi uma decisão rápida, Dohko não teve tempo para comprar as alianças, então, eles usaram suas próprias, porque tanto Dohko como Kokoro ainda tinham as alianças do primeiro casamento guardadas. Após assinarem e receberem a certidão de casamento, foram direto para o hospital.

– Eu fico tão feliz por vocês! – Disse o diretor cumprimentando os recém-casados.

– Nós também. – Disse Dohko.

– Essa aqui é uma cópia da certidão de casamento. Espero que agora não haja mais nenhuma burocracia e preconceito, não é? – Disse Kokoro entregando-lhe um envelope.

– Não haverá, pode ter certeza disso.

Notas finais
Eitxa que casamento veloz!! A eles, muitas felicidades XD Até o próximo. Kissus!