Quarteto
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Dohko mostrou aos garotos um pequeno urso panda que estava encostado em um bambuzal comendo suas folhas.
_Shunrei, você não tem medo desses ursos?
_Não Shiryu. Eles não nos machucam se nós respeitarmos o lar deles e der espaço para eles. Meu pai me ensinou!
As crianças ficaram admiradas com a beleza do animal. Depois foram se divertir na cachoeira. Ao final do dia o pai de Ohko foi buscá-los.
No Japão, a Dra Kokoro estava decidida a ficar com sua filha.
_Kokoro, Paradox tem apenas dois anos. Como você vai fazer sozinha com um bebê?
Kokoro lembrou-se então de Dohko e Shunrei, viu o quanto eles eram felizes, apesar do preconceito com as mulheres na China, Dohko não se importou e ficou com sua filha, amando-a incondicionalmente.Shunrei era muito querida.
_Mãe, eu sei que não vai ser fácil, mas eu estou ganhando muito bem lá em Rozan, posso contratar uma babá. Eu preciso e quero ficar acompanhando o crescimento da minha filha e também vejo que a senhora e o papai estão ficando sobrecarregados em ter que tomar conta da loja e de Paradox.
_Nós a entendemos, minha filha. Lembre-se que você terá sempre o nosso apoio.
_Muito obrigado, papai!
Depois de duas semanas Kokoro estava de volta a Rozan, sua primeira tarefa foi de entrar em contato com a senhora Xing para contratá-la como babá de Paradox. Ela também foi comprar algumas frutas e legumes, sabia exatamente quem iria encontrar.
_Boa tarde, Dohko!
_Olá, doutora! –Disse Dohko com surpresa _ Que bom que está de volta. Como foi de viajem? E sua filha como vai?
_Ela está bem. Eu a trouxe comigo, espero ter feito o correto. –Respondeu ela com ar de preocupação.
_É claro que fez afinal os filhos devem estar em companhia dos pais. Se precisar de ajuda pode contar comigo.
Passado três meses, Dohko comprou um carro com as economias e também investiu mais na sua horta. Os pessegueiros estavam em flor, o que daria uma boa safra na hora da colheita. Dohko e Shunrei estavam na cozinha preparando uma cesta de piquenique, pois ele havia convidado a doutora para ir ver o espetáculo dos pessegueiros em flor.
_Papai, o senhor é muito amigo da doutora Kokoro? –Perguntou inocentemente Shunrei.
_Somos amigos, sim.
_Assim como o Ohko, o Shiryu, a Shirah e eu?
_Sim, minha querida. Por quê?
_Nada não papai. Ela vai trazer a filhinha dela?
_Vai e quero que você seja amiga dela também, certo?
_Certo, papai.
Finalmente a doutora chegou e foram os quatro para o pomar de pêssegos. Shunrei e Paradox ficaram brincando embaixo de um deles e Dohko e Kokoro seguiram um pouco mais à frente. A doutora estava admirada com a beleza das arvores. Dohko timidamente pegou na mão dela enquanto caminhavam lentamente, Shunrei estava bem atenta a aproximação dos dois.
_Dohko, esse lugar é muito lindo e mágico!
_Minha falecida esposa adorava a floração dos pessegueiros, eu os cultivei para ela, mas infelizmente...
Dohko virou-se e contemplou sua filha brincando divertidamente com as folhas e pétalas.
_Shunrei sempre foi meu objetivo de viver. –Declarou ele.
_Deve ter sido muito difícil para você. Eu o admiro muito, Dohko!
_Obrigado, doutora.
_Ora, não precisa me chamar de doutora, para você sou apenas Kokoro. –Respondeu ela sorrindo encantadoramente.
_Você te um belo sorriso!
Dohko aproximou-se dela, pegou seu rosto com as duas mãos, acariciou-lhe os lábios com o polegar e em seguida beijou-a. Shunrei observava os dois, estava confusa, afinal seu pai nunca beijara ninguém a não ser ela, sua única filha.
_Me desculpe se fui precipitado, mas é que eu não consegui mais resistir. –Disse Dohko.
_Dohko... Eu... Não esperava, mas... Eu gostei... Porque...Porque eu acho que...estou me apaixonando por você!
_Kokoro...
_Mas eu tenho minhas dúvidas, eu não sei nada quanto seus sentimentos em relação a mãe de Shunrei.
_Shun-Li viverá para sempre em meu coração, e será sempre citada na minha casa, pois é a mãe de Shunrei. Agora eu percebo o quão grande é nosso coração, eu achava que em meu coração só havia espaço para a minha filha e Shun-Li, a quem eu amei incondicionalmente. Mas naquela noite no hospital, ao vê-la, alguma coisa dentro de mim despertou, e o tempo foi passando e fui me sentindo culpado, pois achava que estava esquecendo minha falecida esposa, mas fui vendo que não era isso que acontecia, eu ainda amo Shun-Li de um modo diferente, ela se tornou como um anjo na nossa vida, não posso esquecer jamais o quanto eu a amei e ainda amo. Mas acho que o meu coração encontrou uma nova paixão e nós somos adultos, temos crianças, o sentimento é recíproco... Kokoro, você quer se casar comigo?
Kokoro prendeu a respiração por alguns segundos e arregalou os olhos.
_Dohko, você não acha que estamos indo rápido demais?
_Não acho! Eu quero estar com você e já não sou mais um jovem eloqüente, eu sei o que sinto e a responsabilidade desse pedido. Não precisa responder agora, mas pense com carinho, porque de qualquer forma eu sei que temos nossas filhas para prepará-las.
_Acho melhor assim, Dohko.
Os quatro passaram o resto do dia apreciando a beleza dos pessegueiros. Shunrei se divertia com Paradox que se apegara logo a chinesinha, mas ela, algumas vezes, lançava um olhar triste para o pai e Kokoro.
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