Quarteto

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Boa leitura!!

No jantar, Dohko notara o quanto Shunrei e Ohko eram bem próximos, quase íntimos, quase um casal de... Não conseguira imaginar sua pequena flor nos braços de um rapaz, se bem, que não demoraria acontecer a qualquer momento, sua menininha estava se tornando uma moça bonita e logo, logo seu coração despertaria para um amor verdadeiro, amor de mulher. Dohko suspirara com esses pensamentos.

– Ohko – Começou Kokoro – Gostaria de saber se te interessa um trabalho lá no hospital.

– No hospital? – Indagou o rapaz confuso – Mas eu não tenho nenhum curso de enfermagem ou coisa parecida, doutora!

– Não tem problema, Ohko – Shunrei interrompeu colocando a mão sobre o braço do rapaz, o que não passou despercebido pelo pai.

– O trabalho é na farmácia do hospital.

– Mas eu não entendo de remédios!

– Não precisa rapaz, temos um farmacêutico, você vai apenas ajudá-lo no armazenamento e organização do setor.

– Isso não vai dar certo – Disse Paradox provando uma fatia de pizza – Ohko tem duas mãos esquerdas e é grosso como uma palha de aço e ainda tem mais: Não sabe trabalhar em grupo e é descompromissado.

– Ora, sua nanica! Você não sabe nada ao meu respeito, mas eu sei muita coisa sua – As últimas palavras saíram como um sussurro.

– Ok, desculpa – A garota respondeu desconfiada.

– Ohko, tenho certeza que você se sairá bem – Disse Shunrei confiante.

– O senhor Takai vai te ensinar direitinho. Ele é muito paciente.

– E quando eu começo?

– Amanhã mesmo. Nos encontramos em frente a escola, está bem? – Ohko confirmou com a cabeça.

– Fico tão feliz por você, Ohko! – Shunrei falou novamente apertando o braço do amigo. Este percebendo que Dohko os fitava, colocou a mão sobre a da moça só para provocá-lo. Ao chegar em casa, Ohko foi logo recepcionado pelo pai.

– Filho, tenho uma noticia para lhe dar...

– Eu também tenho, pai. – Falou ao sentar-se no sofá. – Vou trabalhar no hospital e começo amanhã.

– No hospital? Seria muito mais proveitoso se você ficasse no campo, trabalhando como um agricultor ao cabo de uma enxada.

– Eu não nasci para esse tipo de trabalho, já falei sobre isso.

– Mas pode brincar dentro de um hospital, não é? De que você servirá? Não sabe fazer nada!Não tem a capacidade nem de entrar numa universidade.

– Não vou ficar discutindo com o senhor sobre um assunto já esgotado. Boa noite.

Ohko se retirou para seu quarto que ficava ao lado do quarto de sua irmã. Ao passar ouviu risos e cochichos, bateu a porta e sua irmã deu a permissão de entrar.

– Oi, maninho! – Shirah correu e o abraçou.

– Oi Shirah, oi mãe! Reunião feminina?

– Ohko – começou sua irmã com entusiasmo – Já marcamos a data do casamento!

– Como?! — Sim, meu filho. Dalay e sua irmã oficializaram o casamento...

– Mãe, como pode permitir isso?! Dalay é um rabugento, beberrão, mulherengo, sem compromisso e vinte anos mais velho que Shirah!

– São apenas quinze, Ohko. Se você não concorda, que fique de fora, a vida é minha e as pessoas mais importantes para me abençoarem são o papai e a mamãe e eles me abençoam. – Enfureceu-se Shirah.

– Tudo bem – O rapaz falou rendido – Se é assim que vocês querem... Eu lavo as minhas mãos.

Na casa de Dohko, as meninas subiram para o quarto, ele e a esposa ficaram na varanda olhando a noite, ouvindo o som das águas despencando.

– Kokoro, quem eram aquelas pessoas que estavam aqui esta tarde?

– Fotógrafos e uma modelo. Queriam permissão para sessões no pessegueiro.

– Mas agora que o pomar começa a florescer!

– Eles disseram que queriam justamente um ambiente floral como dos pessegueiros. O que acha?

– Contanto que não invadam nossa privacidade e nem deteriorizem o ambiente, tudo bem.

Um momento de silencio se fazia, o chinês podia sentir sua esposa respirar profundo e soltar o ar devagar, parecia saudosa.

– No que está pensando? – Dohko perguntou após se beijarem.

– Estou pensando no seu pedido de casamento alguns anos.

A doutora Marika nunca imaginaria estar onde estava agora e muito menos casada e mais ainda amando de forma integral. Diferente do que á vivera ou visse, ela jamais imaginou que um amor tão profundo pudesse surgir no meio de socorro. Sim, porque aquele casamento, pelo menos no início, era como um pedido de socorro para ambos. Dohko por se sentir solitário e ela pelo medo de perder o emprego, ter que voltar a depender de seus pais e com uma criancinha para cuidar. Kokoro suspirou e seu marido a aconchegou num abraço.

– Ás vezes nem eu acredito, sabe? Você não fez bem só a mim como também a minha filha.

– A Paradox também ama muito vocês e acho que ela gosta mais da Shunrei do que de mim – Falou rindo – Você tem muita sorte, Dohko. Sua filha é uma menina de ouro!

– É sim. Mas por que isso agora?

– Bem, a colheita na lavoura estava quase perdida, e ela veio me pedir ajuda, mas você sabe que eu não sei dessas coisas do campo, então ela pediu ajuda e todo deu certo. Os vegetais foram armazenados perfeitamente e...- A doutora fez uma pausa ao notar o desconforto do marido. — O que foi, Dohko?

– Por acaso, a quem Shunrei pediu ajuda?

– Ao Ohko. – Falou naturalmente, mas logo percebeu o incomodo do marido – Por acaso você está com ciúmes do Ohko com a Shunrei?

O homem nada respondeu, mas sua feição o denunciava fazendo a doutora romper numa gargalhada. Dohko irritado se levantou e deu alguns passos adiante.

– Querido, não fique assim. Por acaso a Shunrei falou se gosta dele de um modo diferente?

– Não. E não creio que ela tenha interesse em ninguém, ela me contaria, sabe que temos essa intimidade...

– Então, pra quê ficar se martirizando? Ela é uma garota linda e fantástica e também vejo que Ohko respeita amizade que tem desde a infância. –Dohko passou a mão nos cabelos e olhou de relance para a esposa. – Bobo. Vá falar com sua filha.

Meia hora depois estavam pai e filha na biblioteca. Shunrei contara como Ohko a ajudara, como conseguiu pagar os trabalhadores e também sobre o armazenamento que, por mais correto que tivesse sido não duraria muito e ela poderia trabalhar com o pai no final de semana para ajudar. Dohko queria conversar sobre Ohko, mas ele deixou passar, confiava na filha e se algo diferente estivesse acontecendo ela o procuraria. No dia seguinte, Ohko chegara cedo ao hospital e esperava na porta pela doutora Marika que não demorou a chegar. Logo foi levado a setor da farmácia, no inicio tudo parecia complicado, mas ao longo do dia, foi vendo que era mais simples do que imaginava. Ele não precisava saber pra que servia cada medicamento, apenas tinha que deixá-los organizados para o farmacêutico e o melhor de tudo, Ohko não precisava ter contato com os pacientes, pois não gostava de ver urgências e emergências, sangue, suturas, etc. Já na casa de Shunrei, o pessoal da revista de modas organizava-se para as fotos no pomar. Aquele lugar era realmente lindo, apesar das árvores ainda estarem no começo da florada. Paradox pedira a Shunrei para irem ver o ensaio, a chinesa não estava afim, mas sua irmã insistira tanto que acabou cedendo.

Notas finais
Estou amando o Ohko!! Shiryu vai aparecer, não fiquem tristes. Kissus