Quanto tempo você tem?
1 Semideusa? Eu? Está falando com a pessoa certa?
Eu realmente não queria que isso acontecesse. Eu estava ótima na minha vida normal quer dizer, ótima não estava, mas eu conseguia lidar com a minha vida e de repente da noite para o dia estou no meio de pessoas desconhecidas que não param de me olhar estranho, sei que não sou uma pessoa muito superficial, mas eu não sou tão feia assim sou? E pensar que tudo começou em uma sexta feira comum.
Eu acordei com o irritante barulho do despertador do celular do meu irmão (não sei como ele gosta de ser acordado com o som de músicas assim) e já sai da cama correndo, normalmente eu acordo quinze minutos antes de ele tocar. Eu estava atrasada. Eu gritava:
- Levanta Mike! Seu lesado, estamos atrasados. — Mas ele nunca me escuta, peguei meu travesseiro e joguei com toda a força na cara dele, ele gemeu de dor.
- Observação: Você está atrasada! Eu sempre acordo nesse horário! — Diz ele se levantando passando a mão na marca do meu travesseiro- Precisava usar tanta força?
- Cala boca seu mala! – Eu disse já com a roupa para o colégio, cabelo amarrado em um rabo de cavalo, um short jeans, uma camiseta verde de manga curta e uns tênis velhos que eu tinha.
Ele ficou quieto, eu comecei a tomar o café enquanto fazia um sanduíche improvisado pra eu comer de lanche, terminei, corri para o banheiro e escovei os dentes dando uma última escovada no meu cabelo e lavando o rosto, guardei o lanche, peguei a mochila, meu livro e meu MP3, minha mãe já estava pronta me esperando e esperando o Mike.
Ele demorou mais um minuto pra arrumar o cabelo (ele insiste em passar gel todo dia) e então entrei no carro, eu no banco da frente com minha mãe e meu irmão atrás ocupado demais ouvindo música que de tão alta até eu ouvia. Demoraram uns cinco minutos e já estávamos na escola, me despedi de meu irmão e meu pai e fui correndo até a quadra principal onde teríamos educação física.
Quando cheguei lá ainda faltavam dez minutos pra aula começar, quase todo mundo já tinha chegado, ouvi comentários como “Chegou o disco voador” quando passava, mas nem me importava, me sentei em um canto e escolhi uma música para escutar: “Run, don’t walk” do Hey Monday (N/A recomendo ouvirem ela enquanto isso).
I am restless, and I keep trembling
Everyone watch me as I descend
Eu não conseguia me concentrar com as pessoas em volta me olhando e rindo de mim disfarçadamente, então fui para um lugar mais afastado.
I finally stopped, stopped making sense
I can't stop talking to myself
I'm a desperate cry for help
Run don't walk the sky is falling through
Don't talk, tonight I'm so confused
I'm lost, I'm lost with you
I don't care where we are
Or where were heading to
But I know I'm lost
I'm lost with you, with you
Your mouth keeps moving
But I've lost focus now
Clock keeps ticking
Times running out
E ainda tocou a música inteira, comecei a ouvir o começo de “Cecilia Ann” (Pixies), mas o professor chamou a turma e então eu guardei as minhas coisas na minha mochila e fui até lá, iriamos jogar queimada.
O jogou começou, no meu time tinha o Ronald (melhor da turma na educação física), a Jennifer (ela era a melhor menina depois da Kimberley), o Peter (era bom, mas não conseguia desviar direito das bolas), o John (melhor amigo do Ronald, também bom) e a Alice (uma menina enjoada da minha turma, típica popular, era horrível no jogo).
Começamos bem, conseguimos a maior parte das bolas e então pegamos a Fernandes e o Johnson, eu peguei várias bolas e deixei na goleira como um “abastecimento” e pedi ao time para guardar pelo menos uma, eles concordaram (que milagre!), mas logo nosso estoque acabou. A Alice fingiu que não tinha escutado e pegou a última bola, se isso não fosse o suficiente, quando ela jogou o Smith pegou no ar e a Fernandes voltou ao jogo.
Depois de um tempo só tinha sobrado o Ronald, o John e eu, todos tentavam me atingir, mas eu conseguia desviar da maioria (as outras o Ronald ou o John pegavam no ar se atirando em sua frente), uma hora quase que o Ronald foi pego, ele tentou pegar a bola, mas ela escapou da mão dele, por sorte eu estava em seu lado e peguei-a (N/A na minha escola se uma pessoa é pega e outra pegar a bola que foi arremessada nessa pessoa antes de ela cair no chão, vale como se a atingida tivesse pegado a bola). Ele me deu um olhar rápido de obrigado e continuou jogando, porém ele e o outro foram pegos no final do jogo.
Era eu contra o Nathan, ele era muito bom no jogo (mas fora isso nada popular, desprezado por todos, eu não gostava dele também, algo nele não me agradava), eu não era párea, mas mesmo assim meu time ficava gritando comigo coisas como “Pega no ar logo” ou “Joga nele” isso me causava muita pressão e isso não era bom, além disso, ele ficava me encarando de um modo estranho (N/A não AQUELE modo tá seus safados?) e ele já me olhava assim desde uns dois meses atrás quando ele entrou na escola e isso me deixava extremamente nervosa.
Como esperado quando eu tentei jogar uma bola ele a pegou. Meu time inteiro ficou reclamando entre si mesmo sabendo que eu não era muito boa.
Depois era aula de ciências, nós corrigimos o tema e começamos a falar sobre o trabalho mais importante do ano, quem não o cumprisse como o esperado iria repetir o ano! A professora me pediu uma folha de meu caderno para ela anotar os grupos nela. Enquanto eu a arrancava eu ouvia muitos cochichos tanto entre as meninas quantos os meninos, a professora me agradeceu e fez uma última observação:
- Ah, já ia me esquecendo, eu combinei com os outros professores que nenhum menino ficará no mesmo grupo, nós achamos que não iria dar certo.
Os meninos começaram a reclamar, eu também não fiquei muito animada, com a minha sorte eu iria ficar com o pior menino.
A professora começou a chamar as pessoas (nenhuma ordem) e logo a maioria dos grupos estava montado, eu (como o esperado) não estava em nenhum grupo, a prof. escolheu uma menina de um quarteto pra trabalhar comigo e com o Pines (argh), o grupo dela se revoltou (já tinha um guri nele), eles foram até a mesa dela (obs minha mesa é na frente da do professor, é, ótimo lugar) e começaram a reclamar.
Natalie: Por que ela tem que sair do nosso grupo?
Professora: Porque eu acho que ela trabalha bem com a Amelia.
John: Mas foi a Amelia que não se mexeu e escolheu um grupo- falou ele irritado.
Eu fiquei morrendo de raiva! Eu não me mexi?! Eu estava ocupada arrancando a folha pra começo de conversa, depois disso todos (menos os idiotas nojentos e estranhos) já tinham grupo. Então não era culpa minha!
Alice: Por que você não a coloca com a Anna, o Pines e o (ela quase deu uma risada) Nathan?
Professora: Eu não vou fazer isso, não vai dar certo!
Eu tive vontade de estrangular a Alice, eles eram os mais estranhos, nojentos e imprestáveis da sala, eu iria fazer tudo sozinha (talvez o Nathan quisesse ajudar, mas ele não tem ideias boas, sinceramente)!
Bom, a prof. não deu trégua, a guria ficou no meu grupo, mas ela tirou o Pines e colocou a Anna no lugar dele.
Depois da aula eu peguei meu livro (minha professora de geografia tinha indicado, normalmente eu não leio, mas ela é legal comigo então... E não, não me importo de ler com dislexia) e MP3 junto com meu sanduíche, eu andava em direção a um banco no pátio, ele ficava embaixo de uma árvore, lá não tinha muita gente e aquela sombra e ventos eram muito agradáveis, aquilo, provavelmente era o que eu mais gostava na minha escola inteira, lá em todo recreio eu encontrava a Ashley, ela era de outra turma, mas era minha única amiga, ela sempre levava também o Fred pra lá, ele também era legal, mas ainda não era bem meu amigo, eu suspeito que eles tenham um lance e sinto que eu estou atrapalhando às vezes, mas como não tenho nenhum outro ligar pra ir eu fico lá (sim, seguro vela, pra caramba).
Eu estava no meio do caminho quando a Alice apareceu na minha frente e me empurrou, eu caí e machuquei a perna, logo depois pude ver atrás dela o John e a Natalie, provavelmente querendo me passar um corretivo por causa da aula de ciências.
Alice: Ops desculpa medíocre.
Se eu não gostava de algo era quando alguém me chamava de medíocre, fervi por dentro minha raiva transbordou, aumentei meu tom de voz e falei em um tom raivoso:
Eu: Olha, eu não quis que nada daquilo acontecesse...
John: Ah... Claro e nós somos os sete anões da Branca de Neve. É claro que você queria aquilo, claro que queria separar o nosso grupo!
Eu: Não é nada disso- me levantei.
Natalie: Quem você pensa que é pra se meter com a gente?
Natalie me empurrou em direção aos armários, foi uma batida e tanto, minha cabeça começou a doer e mais uma vez aquilo aconteceu, odiava isso e sempre acontecia em momentos importunos.
Eu via sangue, dor e via a Alice rindo, desta vez tinham sido mais flashes do que como os outros.
Quando voltei a mim Natalie estava me empurrando com o braço não me deixando sair dali, o que eles pretendiam? Normalmente eles só me empurravam algumas vezes, mas hoje era diferente.
Alice andou em minha direção e roubou meu MP3, meu livro e meu lanche enquanto John se aproximava, eu tentei reagir, me joguei pra frente com minha força tentando me soltar, mas Natalie me empurrou mais forte e eu caí no chão, ela me chutou várias vezes e gritou:
Natalie: Levanta logo, ainda não acabou!
Eu levantei, John foi até mim e me levantou no ar pela camiseta me dando vários socos enquanto Natalie me provocava, ele me colocou no chão e me segurou para se certificar que eu não iria fugir, Alice riu meu MP3 em uma mão, meu livro e meu lanche em outra.
Alice: Por onde vamos começar?
Ela abriu meu lanche e jogou no lixo, eu estou sem reação, ela lê a sinopse do meu livro e diz:
Alice: Que sem-graça... Vampiros?! Sério? Você mais do que ninguém devia saber que isso- ela diz apontando para o livro- não é real, este é o mundo real!
Assim que ela terminou de falar ela rasgou algumas páginas do livro, destruiu a sua lombada e pisou em cima (N/A, Cara, desceu uma lágrima aqui :´(, eu sinto a dor do livro). Ela quebrou o vidro do meu MP3 e apagou as músicas. Mas ainda dava pra ler o livro.
Depois disso meus olhos começaram a pesar, não conseguia mais sustentar o meu próprio peso, um cansaço enorme se abateu sobre mim, eu fechei os olhos, senti que estava caindo, quando abri-os novamente estavam em uma sala escura, uma voz de uma menina chamava meu nome repetidamente, depois eu ouvi outra voz, de um menino “Amy, onde você está?”, tentei achar uma saída, mas nada, eu tentava gritar por ajuda, mas minha voz não saía, eu comecei a chorar desesperadamente e quando abri meus olhos eu estava novamente no corredor.
Aquelas visões estavam cada vez mais estranhas, algumas eram de coisas que aconteciam no minuto seguinte, outras aconteciam vários meses depois e eu não aguentava aquilo, ficava completamente sem forças.
Eu andei até a enfermaria eles me receberam muito bem, eu ia lá quase todo dia, eles eram gente boa. Uma das funcionárias me viu.
Funcionária: De novo?
Eu: Pois é, dessa vez o que mais dói é a perna direita e a minha cabeça.
Ela se aproximou de mim e me levou para um banco alto, pediu pra eu sentar, eu já sabia o procedimento, ela pegou alguns curativos e remédios depois que terminou eu perguntei o horário.
Funcionária: Você tem cinco minutos pra chegar à sua sala.
Eu: Obrigada- Eu me virei e já ia saindo.
Funcionária: Amelia, depois eu quero saber o que aconteceu, mas agora vai, se não você se atrasa.
Saí correndo em direção à sala, minhas aulas preferidas: Português e história, na aula de português a professora disse que como estávamos perto das férias ela não iria dar conteúdo novo, então ela deu uma lista com recomendações de livros para lermos nas férias, escolheríamos um e quando voltássemos, faríamos uma apresentação sobre ele em grupo ou individualmente.
Depois disso ela deu algumas atividades, eu terminei antes de todos e comecei a conversar com a professora:
Eu: Qual da lista você acha que eu gostaria mais?
Prof: Hum, acho que Coraline seria uma boa opção, História sem fim também é muito bom, acho que esses são os que você gostaria mais Amy.
Eu amo a Professora Cláudia, ela é muito legal! Ela tenta olhar pelo ponto de vista dos alunos, e também ela é a única (dos professores) que me chama de Amy além do professor Júlio. Ela é jovem em relação aos outros professores, então acho que entende como nos sentimos.
Eu: Eu pensei em ler O jardim secreto, o que você acha?
Prof: É um ótimo livro, mas se eu fosse você esperaria mais um tempo para ler, a linguagem é meio complicada e sua dislexia não vai ajudar.
Eu: Ok.
Prof: E como vai o livro da vez? Nem lembro o que você tá lendo agora.
Eu: Os dentes da noite. É um livro brasileiro, parei numa parte de tensão, essa ansiedade está me matando! Mas eu... — Quase que eu mencionei o fato de meu livro ter sido destruído pela Alice, mas consegui inventar algo a tempo de terminar a frase- perdi o livro.
Prof: E na sua casa? Como vai com o topete e com o exibido?
Ela se referia ao meu irmão e ao meu padrasto, meu padrasto Neil é um completo idiota, ele era meio que um galã, se exibe pra caramba, ele me odiou desde a primeira vez eu também o odeio, mas ele e eu fingimos que está tudo bem quando minha mãe está por perto.
Eu: Ah, com o topete tá tudo bem com exceção da música alta e o exibido vai de mal a pior.
Prof: Desejo sorte- Ela olhou pro seu relógio- Meu deus! – Ela olhou pra mim com uma expressão dizendo, ”Por favor, sente-se em seu lugar”, fiz isso e ela se dirigiu a turma- Todos terminaram as atividades?
Quase toda a sala disse que sim, mas alguns ficaram ocupados demais analisando suas unhas que nem perceberam que tinham algo a mais para fazer (dica: começa com A e termina com lice, além dessa pessoa misteriosa só mais alguns idiotas).
Prof: Quem não terminou, termine em casa, até a próxima aula.
Poucos deram um “até mais” ou algo do gênero. Logo veio o professor de história, ele deu uma longa aula sobre lendas mitológicas e diferentes mitologias, mitologia grega, chinesa, romana, japonesa, egípcia, etc.
Em um momento escrevíamos algo do quadro quando meu lápis quebrou, eu me virei para a menina sentada atrás de mim, ela era bem simpática, mas não nos conhecíamos, tentamos nos conhecer mas não deu certo, sabe, eu meio que atraio confusão e quando tentamos virar amigas ela acabou presa dentro do meu armário, conseguimos tirar ela de lá depois de meia hora, não foi nada demais, só tivemos que chamar os BOMBEIROS. Ela (graças aos deuses, espera, porque eu to falando deuses?) sabia que eu não tinha feito propositalmente e não ficou irritada, mas ela achou melhor se distanciar (ótima escolha, se eu fosse ela teria feito o mesmo).
Eu (sussurrando): Pode me emprestar o apontador?
Menina (sussurrando): Claro, ah, posso... Perguntar... Uma coisa?
Eu (sussurrando): Sim, claro.
Menina (sussurrando): Você e o Nathan tem alguma coisa?
Eu (sussurrando): Não! Claro que não! Por quê?!
Menina (sussurrando): É que ele não para de te encarar, desculpa interpretei errado, mas pensa bem ele pode estar gostando de você.
Depois daquilo eu percebi, ele continuava me encarando, aquilo era estranho. Ele não parecia se importar comigo, ao menos gostar! Eu só não queria que mais gente interpretasse mal.
Professor: Então esse é o mito de Epimeteu e Prometeu sobre a criação do mundo, agora eu vou falar sobre os doze olimpianos e mais alguns deuses que não fazem parte do olimpo, vamos começar com os três grandes, alguém aqui sabe quem são?
Eu sabia o básico sobre mitologia grega, sabia alguns nomes e mitos, mas se eu me lembrava de algum deus não sabia do que era deus, mesmo assim levantei a mão, além de mim Nathan e outra garota levantaram a mão.
Professor: Já que os três sabem cada um vai falar de um deus, certo, Nathan comece, fale qualquer deles.
Nathan: Sim senhor, eu gostaria de falar de Hades- Ele olhou para mim e para a outra garota- Algum problema?
Nós duas discordamos e ele começou a falar:
Nathan: Hades não é bem um deus do Olimpo, mas é um dos três grandes, ele é filho de Cronos deus do tempo e irmão de Zeus, Poseidon e alguns outros deuses, ele Poseidon e Zeus dividiram o mundo em três reinos, Hades ficou com o Mundo Inferior e com toda a parte externa do mundo, ele é deus do Mundo Inferior, dos mortos e na mitologia romana das riquezas abaixo do solo, casou-se com Perséfone, filha de Deméter e esta virou deusa do mundo Inferior, ele só sai de lá no solstício de inverno quando ocorre um grande debate entre os deuses de acordo com os livros.
Professor: Muito bom Nathan, agora Amy, poderia falar sobre outro deus?
Eu: Claro, gostaria de falar sobre Poseidon se não se importarem- olhei rapidamente para outra garota e ela me deu um olhar de tudo bem- Poseidon é deus dos mares, dos terremotos e dos cavalos, ele domina a água e vários desastres naturais são causados por ele como enchentes, tsunamis, etc. Ele já teve um filho com Medusa, a petrificadora de homens, um filho chamado Pégaso. Ele casou-se com Anftrite e com ela teve o filho Triton.
Professor: Assim já está ótimo Amy, Judy fale sobre Zeus.
Ela falou, mas eu não consegui prestar atenção, pois assim que ela começou a falar vi Nathan me encarando e não consegui mais pensar em nada. Parecia que ele estava tentando entrar em meus pensamentos, ele olhou para a minha perna e seu rosto se franziu, ele então analisou o resto do meu corpo e nossos olhares se cruzaram, ele tinha olhos castanhos, mas eles mudavam com a luz, de escuro para caramelo, eu nunca tinha olhado bem para ele.
Ele usava um boné virado pra trás, jeans rasgados e uma regata vermelha que com certeza tinha mais de três anos. Tênis cor de, que cor era aquela? Era pra ser bege? Muito sujo para saber ao certo. Parecia um cara querendo ser bad boy, o nível de popularidade não ajudava muito.
Logo após isso eu desviei o olhar, mas sabia que ele ainda estava me encarando, o professor tinha anotado algo no quadro, eu copiei e ele começou a falar sobre a mitologia romana:
Professor: A mitologia romana é muito semelhante à grega, então não é muito difícil, são os mesmos deuses, com nomes diferentes e algumas diferenças Minerva é um exemplo, ela seria o equivalente a Atena, Atena é a deusa da sabedoria, das belas artes e da estratégia em combate, na mitologia romana, tiraram toda parte de estratégia em combate e fizeram um novo deus, Minerva também seria uma dama como Ártemis.
Depois ele deu um trabalho em duplas, cada dupla faria um trabalho sobre um Deus, em sua forma romana e grega, e ele escolheria os grupos.
Professor: Judy e Carl, vocês serão uma dupla, gostariam de trabalhar sobre qual deus?
Eles conversaram um pouco e fizeram sua escolha.
Judy: Queremos fazer sobre Ártemis e Diana.
Professor: Ok, por favor, vão para aquele canto da sala, sim?- Ele anotou algo em seu caderno, depois olhou para a classe- Natalie e Johansonn, qual deus querem?
John: Só uma coisa, é John!- Eles conversaram, escolhendo provavelmente o Deus com menos informações- Escolhemos o deus Dionisio ou Baco.
Professor: Juntem-se onde estão Judy e Carl, por favor- Ele anotou em seu caderno algo- Ronald e... Jeniffer, deus?
Eles conversaram.
Ronald: Queremos fazer sobre Zeus e Júpiter.
Professor: Ok juntem-se aos outros- anotou algo- Kimberley e Zackary.
Zack: Professor pode me chamar de Zack?
Kim: E a mim de Kim? – ela e o Zack conversaram bastante e enfim chegaram a sua conclusão- Queremos fazer sobre Atena e Minerva.
O professor anotou e nem precisou falar e eles se juntaram as outras duplas, depois ele fez várias outras duplas, elas escolheram, Hades (Plutão), Poseidon (Netuno), Afrodite (Vênus), Ares (Marte), Hera (Juno), Hefesto (Vulcano) e Hermes (Mercúrio), sobraram então seis pessoas sem grupo, eu, o Nathan, a Fernandes, o Pines, a Alice e o Smith.
Professor: Eu quero Amy e... Nathan juntos, que deus?
Tinham sobrado Apolo, Deméter e Héstia, eu queria Héstia, não por que tinham poucas informações sobre ela, mas por que eu achei o ato dela muito bom e que ela deveria ser mais considerada.
Eu conversei com o Nathan, ele queria por que queria que fizéssemos sobre Deméter, mas consegui convencer ele a fazer sobre Héstia. O professor anotou algo e fez a dupla da Fernandes com o Smith e eles escolheram Apolo, logo depois Alice teve um ataque por que não queria ficar com o Pines, mas o professor pareceu se divertir com aquilo.
Depois disso a aula acabou eu saí, nisso percebi que o Nathan tem um jeito estranho de caminhar, não dei muita importância e continuei meu caminho correndo com medo de perder o ônibus escolar, por sorte eu consegui chegar a tempo. Sentei no banco da frente com o motorista, ele deixou todos em sua casa, só sobramos eu e uma menina do sexto ano, ele chegou à casa da menina do sexto ano, ela morava perto de mim e eu sempre descia ali, dei um breve tchau ao motorista e fui descendo.
Eu desci e atravessei a rua, cuidando se não tinha nenhum carro vindo, eu estava atravessando a praça que tinha no caminho quando eu vi um menino da minha idade sentado em um banco, ele tinha olhos azuis travessos e cabelos loiros que mais pareciam cinza, ele me encarava com um olhar cansado e parecendo pensar “De novo não!”, eu não fazia ideia de quem era, mas ele parecia diferente das outras pessoas na praça, parecia que ele irradiava luz, não muita, mas sim como um fosforo na escuridão.
Eu nem percebi, mas estava andando em sua direção lentamente, porém com passos largos, parecia que ele era um imã e eu era um metal, tentei me conter e consegui, virei pra trás e continuei meu caminho, mas ele apareceu de repente na minha frente, não sei como.
Menino: Quem é você?- ele tinha uma voz rouca e preocupada, decidida e meio grossa (N/A grossa no sentido de grossa e fina).
Eu: Por que eu deveria falar? Você é um completo estranho.
Eu comecei a sentir meus olhos pesando e meu corpo não aguentando mais o meu peso, eu caí e apaguei. De novo não! Já é a terceira vez no dia, qual é?!
Eu estava na escuridão, andei em frente e vi ao longe uma luz, era uma porta com uma escrita que parecia em outra língua, mas eu traduzi automaticamente:
Meio-sangue.
Eu abri a porta e entrei.
Eu vi uma paisagem pontilhada de construções que lembravam a arquitetura grega antiga, um pavilhão a céu aberto, um anfiteatro, uma arena circular, só que pareciam ter sido feitos a bem poucos anos.
Em uma quadra de areia próxima crianças conversavam e jogavam bola, todas com camisetas laranja, tinha também um pequeno lago, onde algumas pessoas passeavam, tinha também um agrupamento de chalés no meio do bosque que estava quase deserto, exceto por meninos que treinavam arco e flecha e outros adolescentes com corpos musculosos e rostos sedentos por sangue que faziam uma competição de corrida a cavalos em uma trilha arborizada. Aquela competição estava estranha, tanto que eles seguravam espadas tentando acertar o outro, assim que completei meu pensamento uma adolescente que estava em segundo lugar na corrida acertou bem nas costelas do outro corredor, ele caiu instantaneamente e ela cruzou a linha de chegada rindo.
Finalmente percebi que estava em uma varanda. Na extremidade da varanda três homens conversavam em uma mesa de carteado, não tive tempo para olhar bem para eles, uma pessoa ao longe gritou:
- Semideuses novos! Ajuda! Estão lutando contra uma fúria!
Eu olhei para a direção da voz- que era abafada como se a pessoa estivesse gritando com a boca em um travesseiro (sempre que falavam era assim nessas visões)- eu vi uma menina um pouco mais velha que eu, ela usava uma camiseta laranja igual a todos, usava shorts e estava suja com graxa e fuligem, segurava uma chave de fenda, eu não a enfrentaria ela parecia saber usar muito bem aquilo.
Ela corria rapidamente e quando se aproximou mais consegui ver melhor seus traços, ela era musculosa, vestia também uma bandana vermelha sobre os cabelos escuros e embaraçados, ela parecia um Chuck Norris feminino, mas tinha profundas olheiras e um olhar cansado.
Outros adolescentes a seguiam quase na mesma velocidade, também pareciam acabados.
Depois disso eu acordei, a primeira coisa que vi foi o garoto de antes me segurando com um olhar confuso, eu me levantei rapidamente com a respiração acelerada, sempre acontecia depois de voltar a mim mesma.
Ele olhou pra mim de novo e sem eu perceber ele tinha desaparecido. Eu fiquei algum tempo tentando processar o que tinha acontecido e recuperar minhas forças que sempre se esvaiam quando eu apagava. Depois de algum tempo eu peguei a minha mochila.
Eu: Ué, cadê o meu livro?
Ele tinha simplesmente desaparecido, eu olhei no meu celular e já era tarde então fui correndo pra casa, eu entrei e ouvi minha mãe conversando com outra pessoa que não identifiquei pela voz, coloquei minhas coisas no meu quarto e fui até o quarto do Mike.
Eu: Com quem a mãe tá falando?
Mike: Oi, sim tá tudo bem e com você?
Eu: Oi, tudo bem? Agora me responde.
Mike: Uma colega do trabalho, também não conhecia. Sra. Mittles ou algo assim.
Eu agradeci e fui pra sala onde estava a minha mãe com um sorriso enorme no rosto, fazia tempo que ela não sorria assim, a outra estava de costas, minha mãe parecia tão fascinada que nem me percebeu.
Eu: Hum, hum.
Mãe: Hum? Ah, Amelia, é você! Venha cá, venha conhecer a Sra. Mitters!
Eu fui mais perto dela, a Sra. Mitters usava um vestido com estampa de zebra, um xale preto, um coque que com certeza tinha tido um toque de laquê, botas de couro, um chapéu branco e uma bolsa com estampa de onça enorme. Seus olhos eram vermelhos meios alaranjados, parecendo fogo, bem intensos, assustadores.
Ela arreganhou um sorriso para mim, seus dentes eram totalmente brancos e pontiagudos, como as presas de um cão. Ela parecia uma velha tentando esconder sua idade, infelizmente sem sucesso, meus olhos doíam só de olhar para ela.
Sra. Mitters: Olá menininha.
Ela tinha uma voz esganiçada e sibilante, aguda e carregada de prazer. Ela me dava agonia.
Eu: Prazer- falei sem entusiasmo.
Mãe: Ela é do meu trabalho, muito reconhecida pelo seu talento.
Minha mãe era advogada, o que era um saco, por que ela sempre ficava reclamando consigo mesma de seus clientes e seus casos, ela por causa do emprego tinha um ar autoritário, mas ela era muito boazinha, demais pra falar a verdade, ela nem ligava pra mim, só queria falar comigo quando minhas notas estavam ruins e, além disso, ela se casou com o meu padrasto.
Neil é um babaca, ele não se importa nem um pouco comigo, ele não se importa nem mesmo com o Mike que é realmente filho dele! Ele só quer saber de se exibir e de dizer como todos os outros o adoram, ele é ator, daqueles bem ruins, galã de novela desconhecida, só liga pra ele mesmo, mas minha mãe parece feliz com ele então tudo bem. Mas eu queria que minha mãe voltasse a ser feliz, como ela era quando eu era pequena, eu me lembro bem.
Era uma tarde de domingo ensolarada e eu e minha mãe fazíamos um piquenique como de costume, no central park. Levávamos todo tipo de coisa pra lá, comíamos um monte de coisas gorduras e cheias de carboidratos, acompanhada de poucas frutas e sanduiches. Depois jogávamos bola, ela tocava violão e cantava pra mim, eu cantava junto. Naquela tarde, um homem se aproximou de nós quando minha mãe cantava pra mim, ele deu um cartão pra ela, depois de um tempo minha mãe virou uma cantora conhecida no país, ela estava feliz e eu também, mas de repente ela começou a se afastar da carreira e de tudo. Eu nunca entendi o porquê daquilo. E de repente, BOM! “Vamos nos mudar sem mais nem menos para São Francisco, faça suas malas, ah e tem um bônus, agora eu nunca mais irei me importar com você e casarei com um imbecil!”.
Mãe: Amelia? Oi?
Ela me afastou de meus pensamentos.
Eu: O que? Ah, desculpa, pode continuar.
Mãe: Eu ia dizendo que achei uma ótima ideia a deixar cuidando de você e do Mike enquanto eu e o Neil viajamos para Los Angeles.
Eu: Que?! Vocês vão viajar?!
Mãe: Amelia! Você nunca me escuta, não é mesmo? Eu acabei de dizer que vou viajar com o Neil pra Los Angeles por causa do meu trabalho, mas calma, só vamos ficar uma semana lá.
A campainha soou.
Mãe: Ah, deve ser o menino que pedi pra consertar a televisão, Amelia, abra a porta, por favor.
Eu suspirei. Mas mesmo assim fui eu abri a porta e logo comecei a falar sem mesmo olhar pra cara da pessoa:
Eu: A televisão fica na sala de estar, venha eu vou lhe mostrar onde fica senhor- olhei para o rosto da pessoa com quem conversava- Nathan?!
Nathan: Ai não, você não!
Meu irmão tava passando por trás de mim pra ir na cozinha, mas ele viu o Nathan.
Mike: Você conhece ele?
Eu: Ele é da minha sala. Por quê? Você o conhece?
Mike: Claro que sim! Ele tá no mesmo clube que eu!
Eu: Qual deles? O de “Manés que nunca podem ficar sem gel no cabelo” ou o “Eu sou tão lindo, que não vou nem me importar com os outros”, ah tem ainda o “Eu só ouço porcaria, mas dane-se, vou colocar em volume alto para toda a pobre humanidade sofrer”.
Nathan dá uma risadinha.
Mike- Ele tá no clube de “Tem uma menina chata, que talvez seja minha irmã, que não sai do meu pé, como faço para ela cair fora?”.
Nathan dá outra risada.
Nathan- Na verdade estamos no clube de RPG.
Eu: Ah, esse clube, nerds.
Mike: Olha só quem fala.
Eu dou um soco no braço dele e ele quase cai.
Mike: Mas porque você tá aqui cara?
Nathan: Ah, se lembra de que eu te disse que trabalhava no tempo livre pra ganhar uma grana pra comprar aquele jogo? Então, eu conserto televisões entre outros e a sua precisa de conserto.
Eu: Yep! Precisa mesmo, eu te mostro onde ela fica.
Ele assentiu com a cabeça e andamos até a sala de estar, minha mãe começou a falar um pouco mais alto e animadamente, fui ver o que era e deixei Nathan e meu irmão conversando enquanto Nathan consertava a televisão.
Eu: O que foi?
Mãe: A Sra. Mitters vai ficar com vocês, eu e Neil vamos para Los Angeles está noite. Quanto antes melhor.
Eu: O que?! Sério? Não!
Sra. Mitters: Mocinha me desculpe, mas não é você que decide.
Mãe: A Sra. Mitters tem razão.
Já vi que não ia adiantar falar nada, minha mãe pegou suas coisas, Neil chegou em casa e pegou as dele também e logo eles foram embora nos deixando sozinhos. Agora éramos só eu, Mike, Nathan e a Sra. Mitters na casa. Tinha um mau pressentimento.
Sra. Mitters nos chamou para jantar, pizza. Claro, era sexta. Nathan aceitou nosso convite de comer conosco para depois terminar de consertar a televisão.
Sra. Mitters: Amelia tenho que perguntar algo a você.
Eu: Pode perguntar.
Sra. Mitters: A sós.
Eu fui com ela até meu quarto, ela foi em direção ao armário, vi meu chaveiro favorito no chão, logo o peguei e coloquei-o no bolso do meu short. Me virei e não vi a Sra. Mitters, ouvi um som atrás de mim e a porta tinha se fechado como se automaticamente e dava pra ver que estava trancado, olhei de novo em direção ao armário e lá estava ela, com uma cara nada simpática.
Sra. Mitters: Filha da profecia, está na hora de me contar tudo o que sabe.
Eu: Sobre o que?
Sra. Mitters: Sobre a profecia, claro!
Eu: Como assim profecia?
Sra. Mitters: Não se faça de idiota! A profecia que aquele projeto de oráculo fez há exatamente dois meses!
Eu: Desculpa, mas eu não faço a menor ideia do que você tá falando. Tá se sentindo bem?
Tentei tocar na testa dela pra ver se estava com febre, mas ela se afastou bruscamente rosnando, vi dentes afiados, seus olhos ficaram totalmente vermelhos.
Sra. Mitters: Não toque em mim, toxóti̱s thánato!
Eu: O que?
Ela tinha perdido a paciência, os olhos dela começaram a brilhar intensamente em um tom de escarlate, os dedos se esticaram transformando-se em garras, asas de couro rasgaram seu xale e seu vestido, com certeza não era humana. Parecia uma mutação de uma bruxa da Disney com um morcego, e aquela bruxa-morcego não estava nada feliz comigo.
Ela se jogou em minha direção, mas eu me joguei pro lado, ela nem esperou, tentou me arranhar e conseguiu, caí no chão gritando de dor. Ela iria me destronar no mesmo instante, mas eu desesperadamente coloquei a mão no meu bolso e tirei de lá a única coisa que tinha.
Apertei com força aquilo e de repente tinha um arco e flecha na mão, ela olhou para mim assustada e eu quase nem percebendo a atingi com uma flecha, ela desviou, mas a flecha raspou e ela uivou de dor.
Ouvi batidas na porta, estavam tentando entrar, precisava ganhar tempo. Rolei para o lado e levantei me posicionando atrás dela, ela se virou rapidamente mas eu já tinha apontado uma flecha para ela e soltado, acertei em cheio, bem na testa.
Ela se dissolveu em um pó amarelo lentamente com um grito no ar, diminuindo cada vez mais até que desapareceu.
A porta se abriu em um estrondo e Nathan e Mike entraram no quarto assustados, eu caminhei até eles tonta e quase caí no chão se não fosse Mike que me segurou, eles olharam para o local, espantados.
Olhei para onde deveria estar o arco e flecha e lá estava meu chaveiro favorito.
Mike: Você está bem? O que aconteceu aqui? O que é esse pó?
Nathan: Ai, não! Está pior do que eu imaginei.
Eu: O que você imaginou?
Nathan: Eu tenho que te contar uma coisa, você pode não acreditar, mas você é uma semideusa e eu um sátiro.
A testa franzida de Mike desapareceu e ele olhou para Nathan como se confirmando seu pensamento, eu senti minha vista escurecer e desmaiei.
Notas finais
Espero que tenham gostado :3
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