Quantas Vezes?
13 Um dia tenso.
Notas iniciais
- Manu, fala alguma coisa ! — Pedro me chacoalhava e gritava preocupado.
- O que tá acontecendo Pedro? — Anne estava preocupada.
Eu só ouvia as vozes, mais eu não via nada, zero, visão zerada, mais eu estava sã, eu só não estava bem.
- Ela tá suando frio Pedro, corre buscar alguma coisa — Ouvi a porta bater.
Pedro colocou alguma coisa na minha testa, bem geladinha.
- Deita ela, acho que é melhor — Anne disse.
- Não, calma vamos ver como ela reage.
- Pedro ela tá começando chorar — Anne já dizia com voz de choro.
- Di..diego — Eu sussurrei.
- Ela tá sonhando, não faça nada, se não pode piorar. — Meu primo disse.
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- Bom dia amores — Estava indo em direção á mesa do café.
- Ér, bom dia — Anne disse confusa.
- Bom dia prima — Pedro estava relaxado.
Tomei meu café em silêncio junto com eles, até alguém interromper, ou melhor Anne interromper.
- Você não se lembra de nada?
- Do que? — Achei que ela estava falando de ontem, mais parece que não.
- Cala a boca. — Pedro disse reinando a ignorancia em sua voz.
- Ai, desculpa. — Anne abaixou o olhar.
- O que tá acontecendo aqui? Eu posso saber? — Eu me levantei.
- Viu, agora conta. — Pedro disse irritado comendo um pedaço de pão enorme.
- Amiga, você \"acordou\" — ela fez aspas no ar — no meio da noite umas 5 da manhã, assustada suando frio, e dizendo o nome do Diego. — Anne encostou na mesa.
- QUE? MENTIRA, SE TÁ ZUANDO NÉ.? — Eu arregalei os olhos.
- Não, é verdade, e você estava com febre, aliás vem cá. — Fui caminhando até ele.
Ele colocou a mão no meu pescoço, na minha testa, e levantou-se.
- Você tá com febre ainda. — E foi pegar um termometro na mesinha.
- Eu to bem. — disse convicta.
- Mas tá com febre. — Ele colocou embaixo do meu braço. — Espera até apitar.
- Tá, mas eu to bem — insisti.
Esperei uns dois minutos até o bendito apitar. Tirei e olhei.
- Pedro, o que significa 38,5?
- Manuella, vai deitar já, você tá ardendo em febre.
- Mas porra, eu to bem. — Eu dizia alterada, com dificuldade de respirar.
- O que foi? — Pedro sempre preocupado.
- Nada, vou deitar antes que você me amarre na cama.
Deitei na minha linda cama e liguei a TV, pronto, agora tava bom, febre, falta de ar, o que mais o Diego ia me causar?
\"Ele nunca mais quer me ver, então focaliza\" eu pensava comigo. Mas eu sou uma burra idiota e fui tentar de novo ligar pra ele, dessa vez do telefone, ele não saberia que era eu.
- Alô — Mano sabe aquela voz de quando você chorou a noite inteira, então.
- Diego? Diego, ce tá bem? — Com a voz rouca seguida de uma tosse baixa.
- Manuella, não me liga novamente to te pedindo. — Sua voz autoritária.
- Diego, não desliga — tossi novamente.
- Manuella, quem parece que não tá bem aqui é você. — Ele disse preocupado.
- Não é nada, é só uma tosse. — Tentei desfarçar.
- Hum, tá bom então, não me liga de novo. — E ouvi o tututu.
Filho da mãe, como assim ele desliga vendo meu estado? Quem se importa também, não que eu quisesse que ele estivesse preocupado não, longe disso, eu só, bom não interessa. Eu sei que dormi um pouco, até a Anne me trazer almoço na cama, e conversarmos até as duas da tarde, e eu dormir de novo.
- Pedrooo, corre aqui agora. — Ouvi uma voz surtada do meu lado.
- O que aconteceu? O que você fez? — Pedro disse meio bravo.
- Não fiz nada, ela começou suar frio e tremer.
- Diego, que que você tá fazendo aqui? — Minha voz estava rouca e baixa, como no telefone.
- Não ouse dizer nada, ele só veio te ver.
- Achei que não queria me ver nunca mais.
- Já disse pra calar a boca, e não se estressar, não agora. — E me pegou no colo, direto pro carro.
Diego do meu lado, até o hospital, ficou abraçado comigo, enquanto eu estava enrolada em um edredon, estava frio em São Paulo, ele ficou o tempo todo do meu lado, pedindo desculpas e isso e aquilo mais eu nem tava ouvindo, aliás eu tava e tava pouco me lixando, eu não podia gostar dele.
- Vem Manu — Pedro disse me pegando no colo de novo.
- Hey, eu posso andar. — Eu resmunguei.
- Não pode não — ele retrucou.
Bom, depois do Pedro fazer um escândalo na recepção porque mandaram ele esperar, nós entramos e me deitaram numa maca enquanto Diego e Pedro faziam lotavam o médico de perguntas.
- Meninos, calma, vou ver qual é o problema — Disse o médico vindo até mim. — Quais os sintomas?
- Bom ela acordou assustada de madrugada, falando o nome — ele hesitou — então, ai ela suou frio, e dormiu de novo, de manhã acordou bem, mas com febre, e de tarde tornou a suar frio outra vez, fora as tosses e a voz rouca.
- E a falta de ar .
- Você não me disse nada disso, tá louca de me esconder? — Pedro olhou espantado.
- Ah, eu achei que não era nada. — Disse cabisbaixa.
- No seu estado, nada pode ser muita coisa.
- Ai tá bom, mais o que eu tenho realmente?
- Não é nada relacionado ao clima frio, é mais emocional mesmo, você me parece tensa, assustada, triste, desanimada — pô o cara podia escrever um livro, ele sabia tudo sobre mim. — Parece que levou um choque de repente com alguma coisa.
- Ah doutor, pode ser isso mesmo. — Eu olhei pro Diego, encarando desse exato jeito \" Vai seu otário a culpa é toda sua, somente sua, e nada pode mudar isso, se fodeu seu bosta \" e deu uma risadinha sarcástica.
- Bom, você vai repousar hoje na sua casa, e tomar isso aqui — e me deu um xarope — isso é pra sua tosse, acho que até amanhã você já ta boa da febre, se não ficas sobrecarregada demais sobre esse tal assunto que te deixou assim, e depois a tosse pode demorar uns dois dias, e sua voz voltará ao normal, e você — olhou pro Pedro — Coloque uma bolsa de água fresca embaixo do travesseiro dela, isso deve ajudar. — e sorriu apertando a mão dos meninos.
Saímos do hospital, e Pedro deixou Diego na casa dele, já que eu não devia ficar sobrecarregada, e a culpa era toda dele. Bom quando chegamos em casa eu fui obrigada a me deitar, e a Anne ficou comigo, já eram seis horas meu, eu dormi direto.
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Acordei as sete hoje, nenhum dos dois havia levantado, então eu fiz o café bem feitinho e meus tios saíram pra trabalhar, era eu e eu em casa, eu estava melhor, tomei meu xarope, e eu mesma medi minha temperatura, 36,5 estava bem, eu tomei café sozinha, e sentei na beira da piscina, olhando a água, hoje era dia 27, daqui quatro dias, era véspera de ano novo, e meu ano seria diferente, eu tinha certeza disso, o mês passaria rápido, eu iria embora, e não veria o Diego de novo.
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