Quando voltarmos para casa
12 Hora de voltar
Notas iniciais
Como se não pudesse piorar, Elise entrou no meio da briga e paralisou Diana. Os olhos de LeBlanc se iluminaram ao ver a principal esperança do grupo inimigo sendo destruída.
Leona viu quando LeBlanc ergueu seu cajado, pronta para dar o golpe final. Mas a mulher queria uma plateia, então fez uma pausa antes. Enquanto isso, ordenou para que Sion segurasse Leona de uma forma que ela pudesse ver Diana sendo executada. Era desta forma que ela gostava de trabalhar.
Leona então desencaixou um objeto de metal gigante da parte detrás de seu escudo. Era sua espada, e fazia muito tempo que ela não a utilizava, pois havia jurado nunca mais tocá-la depois da Guerra. Não houve outra escolha: ela precisava salvar Diana. O problema era que fazia muito tempo que não praticava, e Sion pareceu nem se importar com a espada. Pouco tempo depois, Leona foi imobilizada por ele.
Teemo viu que precisava se apressar, e sinalizou para Shen. Enquanto o ninja desferia golpes corpo a corpo, o yordle corria em círculos, atingindo Warwick em todos os pontos possíveis, até que ele caísse desacordado no chão.
LeBlanc não se importou com o resto de seu grupo. Ela tinha uma refém importante, portanto não precisava de mais nada. Pensava que, com o fim de Diana, veria as esperanças do time inimigo destruídas.
Annie olhou de relance para o que estava acontecendo, mas surpreendeu-se quando Draven surgiu do nada para ajudar o irmão. Teemo e Shen correram para ajudar a garota, mas o ninja estava desgastado e machucado demais por conta dos cortes feitos por Warwick. Por isso, enquanto corriam, caiu de joelhos e Teemo teve que ir sozinho.
LeBlanc queria que os irmãos noxianos terminassem o serviço logo, estava impaciente. Para a sorte dela, o uso de magia era mais exaustivo do que o uso da força, portanto Annie se esgotou antes de qualquer um dos irmãos. Draven a segurou pelo pescoço, para que ela visse a cena de Diana assim como Leona. Desferiu um golpe em Tibbers, fazendo o urso, já esgotado, voltar a sua forma de pelúcia. Teemo não conseguia penetrar a armadura de Darius, então seus dardos eram inúteis e ele acabou tendo o mesmo destino infeliz de Annie.
— Eu esperava um público maior. – LeBlanc falou com desgosto. – Mas os amiguinhos de vocês morrem fácil demais.
Annie estremeceu de ódio: não suportava aquela mulher. Então desistiu de tentar se soltar, porque era mais fraca que Draven, e fechou os olhos.
Teemo olhou para o lado e pensou que ela houvesse desistido. Perdeu as esperanças, e cansou de tentar soltar seus braços das mãos fortes de Darius. Simplesmente esperou, enquanto LeBlanc fazia mais um de seus discursos repugnantes.
Mas Annie não estava desistindo. Ela estava buscando forças, porque não aceitava que as coisas terminassem daquela forma. Acabou tendo uma memória, de um dos poucos períodos felizes que teve antes da guerra na Runeterra. Foi uma época onde ela, uma criança bem nova, tinha perdido a timidez e o medo e finalmente ido morar com os yordles em Bandlecity. Teemo tinha convencido a garotinha na persistência. Pouco tempo depois, ela ficou sabendo que um yordle bem velho conseguia usar uma magia semelhante à dela, e resolveu falar com ele, porque queria aprender a controlar a sua própria.
“- Sua magia é muito forte, criança. – O velho baixinho e de pelagem clara começou a falar, enquanto olhava para a garotinha sentada no chão. – E muitos seres dariam a alma para conseguirem um poder assim.
Annie o olhou com curiosidade. Como poderia ser forte se ela nunca havia nem mesmo praticado?
— Ela não precisa de prática. – O ancião disse, como se lesse os pensamentos dela. – Seus poderes vão aumentar independentemente da sua vontade. E a maneira de controlar é através do equilíbrio mental.
— Equilíbrio mental? – A garotinha finalmente perguntou algo. Estava realmente interessada e não podia deixar a timidez atrapalhar seu aprendizado.
— É simples: seus sentimentos controlam a intensidade da magia. Mas você não pode se deixar levar por eles. Especialmente pela raiva. Basta um surto e você mataria alguém com um levantar de dedos. Geralmente, é mais fácil sentir raiva, e ela aparenta ser o sentimento mais intenso. Por isso os magos optam por ela, seguindo um caminho obscuro. Mas, acredite, mais forte que a raiva, há o amor, a empatia, a compaixão. São sentimentos bons que podem ter a mesma intensidade da fúria. Ouça o seu coração, Annie. Independentemente da situação, sua magia nunca a deixará na mão quando precisar. ”
As palavras do yordle tilintaram na mente da garota. Ela nem conseguia ouvir LeBlanc falando, de tanto que se concentrou nelas.
O tempo pareceu ficar lento quando Annie abriu os olhos. Ela viu uma lágrima escorrer devagar pelo rosto de Leona. Viu Teemo olhar com ódio para LeBlanc, Elise sorrindo e Diana olhando para um ponto fixo, com uma expressão de quem estava pedindo desculpas por tudo.
Os olhos de LeBlanc brilhavam de satisfação enquanto ela continuava falando. Quando estava prestes a finalizar seu discursinho, Annie fechou os olhos novamente.
A garota ouvia apenas a sua respiração e estava certa do que iria fazer. Mas se preocupava com os riscos de machucar seus aliados. “Não, ” pensou, “é a minha magia. E ela machuca quem eu quiser”.
Então LeBlanc apontou seu cajado para Diana.
— Palavras finais, docinho? – Ela perguntou com um sorriso no rosto. – Ah, é! Esqueci que está paralisada. Uma pena.
Concentrando seu poder no cajado, ela fez com que ele começasse a brilhar. E soltou todo o resto de magia que ainda lhe restava em Diana.
Mas Annie fez o mesmo. Fogo acendeu-se ao seu redor, e, em uma fração de segundos, se alastrou por toda a caverna, como uma explosão. LeBlanc, Sion, Darius, Draven e Elise caíram totalmente queimados, sem saber de onde haviam sido atingidos.
Teemo, recuperando-se do susto de ser atingido por um furacão de fogo e não ser queimado, levantou-se correndo e foi ajudar a garota, que estava ajoelhada e até sem fôlego. Leona correu até Diana.
— Achei que você ia matar todo mundo. Desculpa, é que você é um desastre em pessoa. – Teemo disse, enquanto ajudava Annie a se levantar e ela notou que ele estava cada vez mais parecido com um yordle.
— Babaca. – Ela conseguiu rir.
Quando a garota terminou de se levantar, olhou em volta e viu todo o caos. Pelo menos, tinha conseguido atingir apenas as pessoas que quis. De qualquer forma,sentiu pena. Por mais que LeBlanc fosse um pouco perturbada, ela também queria voltar para casa. E, em sua cabeça fechada, pensava que estava certa. Lutava para atingir seus objetivos. Era tudo questão de ponto de vista, e Annie estava refletindo sobre isso quando um tremor violento atingiu a caverna.
Algumas pedras maiores caíram do teto, estava cada vez mais perigoso ficar ali.
— Annie, abra o portal! — Leona gritou, enquanto segurava Diana em seus braços. – O subterrâneo de Stonehenge serve para abrir portais para outra dimensão, mas depois disso, ele se destrói e leva anos para voltar ao normal. Se não o fizermos agora, demoraremos a ter outra chance.
Annie não queria abrir. LeBlanc havia determinado um prazo quando colocou os dois sinos, abrindo metade do portal e ativando a destruição da caverna. Por isso, a garota não tinha mais tempo.
Mas o que adiantaria abrir o portal para quatro pessoas passarem? Óbvio que nem todos estavam mortos, mas atravessariam machucados, ou nem conseguiriam. E como dizer não para os que estavam do lado de LeBlanc? Selecionar quem poderia passar era uma ideia egoísta demais. A garota estava pensando quando pegou o sino. Um objeto tão pequeno, mas que trouxera tanto caos.
— Tem que haver outro jeito. – Ela olhou para Teemo. Ele sentiu pena dela, por ser obrigada a tomar uma decisão complicada, mas realmente não havia outra maneira.
— Se não voltarmos agora, talvez nunca mais possamos voltar. Cavernas interdimensionais levam séculos para serem reconstruídas. – O yordle respondeu cabisbaixo.
Nesse momento, Annie sentiu o sino ser tirado de suas mãos. Quando olhou para frente, viu, ao lado dos outros sinos, LeBlanc com ele em mãos. Estava chamuscada dos pés à cabeça, com o cajado todo entortado, e desta vez ela não sorria.
— Garota, o seu showzinho foi surpreendente. Acertou meu clone, mas foi tão forte que me queimou também. – Ela disse, fazendo Teemo fechar os punhos de raiva.
— Devolva. – Teemo gritou, aproximando-se dela.
— Nem pense nisso. – LeBlanc apontou o cajado para o sino. – Vão me deixar abrir e passar primeiro, ou eu quebro essa merda.
Annie podia fazer algo. Mas, no fundo, ela achava certo deixar LeBlanc voltar, mesmo que a mulher quisesse governar a Runeterra inteira, de tão ambiciosa.
De um canto escuro da caverna, Swain saiu, andando com dificuldade.
— Agora você aparece, desgraçado! – LeBlanc o encarou com desgosto, e o atingiu com a magia que saia do seu cajado.
— LeBlanc? – Swain mal podia acreditar no que estava acontecendo. – Nós estamos juntos nessa, não se lembra?
— Não estamos mais. E você não vai voltar. – Ela disse, e logo em seguida o atingiu novamente, fazendo-o cair desacordado.
Annie, Teemo, Leona e até mesmo Diana (que estava quase voltando ao normal) arregalaram os olhos.
— Você é doente! – Leona praguejou.
LeBlanc ignorou o comentário e apenas colocou o sino do lugar que faltava. Assim como os outros, ele começou a flutuar, e os olhos dela brilharam de satisfação.
A caverna tremeu mais uma vez, mas desta vez o tremor foi mais forte, obrigando todos os que estavam de pé a se ajoelharem.
Um brilho intenso emergiu do círculo de pedra com os três sinos, e todos desviaram o olhar, menos LeBlanc, que se levantou e começou a sorrir, encarando a luz. De repente, um som familiar ecoou pela caverna: o som que Bardo emitia todas as vezes que usava seus poderes. E, quando a luz se apagou, onde supostamente deveria estar o portal, estava Bardo, de pé. A estátua de Bardo que havia na caverna desapareceu, e Annie deduziu que ele próprio era o monumento de pedra.
LeBlanc não pôde conter sua cara de surpresa e decepção.
— Que palhaçada é essa? – Ela disse, enquanto se aproximava de Bardo. – Onde está o meu portal?
Ele olhou em volta e viu o caos. A mulher se aproximou mais, prestes a ameaça-lo a abrir o portal, mas ele a stunou com um simples movimento de mão.
Depois de verificar o local, Bardo abaixou-se, colocando uma das mãos no chão, e um brilho forte fez Annie desviar o olhar de novo. Quando a luz cessou, Zilean apareceu em seu lugar.
— Meu amigo. Quanto tempo! – Ele cumprimentou Bardo sorrindo – Vejo que temos um campo de guerra aqui.
Zilean correu os olhos pela caverna. Diana não estava entendendo nada. A questão era que tanto ela como LeBlanc haviam interpretado errado as escritas talhadas nas pedras. Os sinos eram a chave, e a criança decidiria quando seria a abertura do portal para a Runeterra, mas só Bardo poderia abri-lo, apesar da caverna ser um ponto de ligação entre dimensões. Os sinos eram apenas uma forma de invoca-lo.
— Nossa criança! – Zilean disse, assim que reconheceu Annie, e foi até ela. – Ah, perdão, acho que não é mais uma criança. Então, como vai ser?
— Como vai ser o quê? – Annie perguntou, sem entender nada.
Zilean preferiu deixar seu amigo explicar, porque ele era mais rápido com isso. Bardo olhou no fundo dos olhos da garota e emitiu dois sons de poucos segundos. E ela ficou impressionada com a quantidade de informações que havia recebido em tão pouco tempo.
— Eu.... Eu preciso pensar. – A garota gaguejou.
— Por favor, seja rápida. A caverna não aguentará muito tempo. – Zilean lhe advertiu.
— Bardo pode abrir o portal bem aqui. – Ela disse, virando-se para Teemo. – Ou pode levar todos para casa.
— Como assim todos? – Ele perguntou.
— Não precisaríamos atravessar o portal. Todos os que passaram simplesmente deaparecem, e tudo o que fizeram aqui não teria acontecido.
— Eita. Ele te disse isso? Mas ele nem fala!
— Essa é a sua preocupação?
— Por que você decide isso? Assim, sem querer te ofender. Você é inteligente e tal, mas vai se sentir culpada de qualquer jeito.
— Sim, até porque eu não sei se todos querem voltar. Alguns devem ser felizes aqui. O que eu faço?
— Olha, de qualquer maneira, nenhum deles pertence a este lugar. Seria pior se as coisas que eles fizeram aqui permanecessem e eles sumirem. Daí você seria a responsável pelo sofrimento de parentes, cãezinhos de estimação, namorados e amigos.
— Obrigada, Teemo. – Annie revirou os olhos.
— Isso não vai acontecer, babaca! Você mesma disse que tudo o que fizeram iria desaparecer, como se nunca tivessem pisado aqui. De qualquer forma, temos outro problema: muita gente morreu ou se machucou aqui. Como vai ser?
Annie não respondeu. Ficou pensando, e então virou-se para Zilean:
— O que acontece com quem morreu aqui?
— É complicado. – Ele suspirou. – Soraka, nossa amiga, ficou para trás, para garantir menos perdas antes que trouxéssemos vocês para cá e “parássemos” a Runeterra. Por isso, não há ninguém para curá-los. Eu poderia ressuscitá-los se eu tivesse aparecido antes das mortes. Não pensei que vocês brigariam tão feio assim. Enfim, — depois de uma pausa, ele continuou – já se decidiu?
— Eu queria levar todo mundo embora. Mas também queria que eles não voltassem machucados. Ou pior, mortos.
Zilean pensou mais um pouco.
— Acho que tenho uma solução. – Ele disse, finalmente. – Perigosa e não recomendada, mas acho que seria interessante você ouvir.
Annie concordou com a cabeça. Estava disposta a uma sugestão. E Zilean continuou:
— Podemos levar todos de volta. Sem abrir um portal, sem deixar ninguém para trás. E, quando estivermos seguros em casa, eu posso voltar no tempo. Voltar para uma época antes da Guerra. Assim, quem morreu aqui irá ficar a salvo lá. Mas isso só pode acontecer se você concordar em levar todos. Os corpos precisam estar lá, e eu só posso mexer no tempo da nossa dimensão.
— Não é muito arriscado? – Diana finalmente entrou na conversa. – Quer dizer, nós vamos lembrar de tudo o que houve caso você volte o tempo?
— Infelizmente não. Apesar de manipular o tempo, há algumas coisas que eu não posso fazer.
— Mas então a Guerra acontecerá novamente. E essa confusão toda irá apenas se repetir.
— Uma lição que aprendi sobre o tempo, Diana. – Zilean se aproximou mais dela. – Nós nunca seguimos os mesmos passos. Mesmo que eu volte sem mudar nada. Já testei algumas vezes, por isso evito voltar. Mas, neste caso, temo que seja necessário.
— Então há uma possibilidade de a Guerra não acontecer? – Annie perguntou.
— Sim, há. Assim como existe a possiblidade de ocorrer algo pior. Porém, alguns traumas ficam no subconsciente humano. Se os “responsáveis” pela Guerra realmente estiverem arrependidos, um pequeno dejá-vu fará com que eles sigam por outro caminho quando voltarmos no tempo.
Todos os que ainda estavam acordados olharam para Annie, esperando uma decisão. Afinal, ela era a mais sensata dali. Outro tremor atingiu a caverna, como se apressasse a garota.
— Faça. – Ela finalmente respondeu, olhando para Zilean. Tinha medo de se arrepender, porque realmente não era uma decisão fácil. Além disso, se algo pior do que a Guerra das Runas acontecesse, ela seria a culpada.
Outro detalhe: antes do conflito, a garota vivia sozinha na floresta. Desprotegida e ameaçada. Ela avistou Tibbers caído no chão, e ficou encarando seu companheiro por algum tempo. Depois, pegou-o e caminhou até Teemo.
Bardo colocou ambas as mãos no chão, concentrando seu poder para levar todos de volta. E Zilean começou seu feitiço, fazendo com que seus olhos brilhassem.
— Vocês têm alguns minutos. – Ele avisou, olhando para Annie. – Aproveitem.
Quando a garota se aproximou de Teemo, ele percebeu o quanto os olhos dela estavam vermelhos.
— Você está bem? – O yordle perguntou. – Desculpa, foi uma pergunta idiota. Mas, olha, se serve de consolo, eu confio na sua decisão.
— Eu.... Eu não vou me lembrar de você, Teemo.
Quando a ficha caiu, os olhinhos do garoto marejaram por um milissegundo, mas ele segurou-se ao máximo. Precisava ser forte para apoiar Annie.
— Nem da Tris. Nem do Gnar. Nem de nada do que fizemos aqui. Basicamente, vou esquecer os melhores anos da minha vida. – Ela continuou deixando algumas lágrimas escorrerem.
— Sabe... – Tristana se aproximou junto com Gnar, surpreendendo a dupla. –Anos atrás, quando o babaca do Teemo me arrastou para a Floresta Sombria para dar comida a uma garotinha esquisita, eu o odiei por meses. Eu conheço esse moleque, sei que não importa o quanto o velhote volte no tempo, ele sempre aparecerá lá com uma cestinha para tentar ser seu amigo. E eu não vou recusar ir junto desta vez.
Annie sorriu. Ela se lembrava perfeitamente do dia em que os yordles a visitaram como amigos. E queria que acontecesse de novo.
— Eu prometo. – Teemo disse, com a voz fraquejando porque segurava a vontade de chorar. – Quando voltarmos para casa, Annie, eu prometo que arrastarei a Tris até o inferno para trazer você de volta para nós.
A garota chorou um pouco mais. Tristana, e até mesmo Gnar, soltaram algumas lágrimas também. E os quatro se envolveram em um abraço carinhoso, enquanto se ajoelhavam no chão.
Em outro ponto da caverna, Ezreal (ainda com Lux em seus braços) olhou para as pontas de seus dedos, que começavam a ficar transparentes, desaparecendo suavemente.
— Parece que vamos voltar para o inferno. – Lux disse com a voz fraca, e o loirinho conseguiu sorrir, abraçando-a.
— Me desculpe. Por tudo.
— Está tudo bem. Também te devo desculpas. Se quer saber, eu vou amar te conhecer de novo. Por favor, vamos fazer do jeito certo desta vez.
Ezreal sorriu.
Vi retirou a foto de seu bolso. Na verdade, um desenho. Retratava exatamente as feições de Caitlyn.
— Finalmente. – Ela disse a si mesma, enquanto permaneceu deitada, olhando para o papelzinho meio amassado.
Escondidos atrás de uma pedra, Garen e Katarina estavam sentados. Kat passava a mão direita na barriga, tentando sentir um volume quase inexistente pelo tempo de gravidez.
— Posso fazê-la mudar de ideia e abrir um portal. – Garen olhou para a esposa.
— Por favor, não. Se ela abrir esta droga, umas cinco pessoas irão voltar. E o resto morre ou fica aqui para sempre. Não podemos ser tão egoístas por causa de um bebê.
— É o nosso bebê. – A voz de Garen fraquejou.
— Eu sei. – Kat disse, enquanto tocava o rosto do marido. Os olhos dela se encheram de lágrimas. – E eu daria tudo para ver o rostinho dele ou dela. Estes anos aqui com você foram maravilhosos, mas agora temos que abrir mão de algumas coisas. Sei que agora é difícil e dói muito, mas daqui a pouco não nos lembraremos mais. Não sofreremos mais.
— Eu amo você. – Garen a abraçou.
— Eu também te amo.
Com os olhos semiabertos, Zed pôde ver Syndra chorando, ajoelhada ao lado dele.
A mulher sentiu um toque em sua mão direita, e demorou a se tocar que era o ninja consolando-a.
— Algo me diz, aqui dentro, que eu nunca encontrei um mulherão como você. Tenho poucas memórias agora, mas suficientes. – Ele disse, arrancando um sorriso de Syndra.
— Idiota.
— Isso é uma bagunça. Eu já não conseguia me lembrar de nada antes, e agora, se eu ouvi bem, aquele velho estranho ali vai voltar no tempo. Resumindo: não vou me lembrar de nada nunca.
Syndra riu um pouco mais, tentando esconder sua tristeza.
— Olha – Zed se levantou um pouco, para ficar do mesmo tamanho que ela. – Acho que você sabe que não sou bom com essas coisas. Mas eu posso prometer algo. E, acredite, minhas promessas sempre são cumpridas.
— Quero só ver. – ela respondeu, porque já tinha ideia do que ele iria dizer.
O ninja revirou os olhos, segurou a mão dela e continuou:
— Syndra. – Zed fez uma pausa dramática. – Eu juro que, de qualquer jeito, vou entrar naquela sua fortaleza estranha para te tirar de lá. E vou me apaixonar por você de novo, porque, nossa, que mulher....
— Vai tentar me matar antes, como fez na primeira vez? – Ela brincou.
— Provavelmente. Mas, como sempre, você vai me dar um pau.
Ela começou a rir, e Zed ficou admirando aquele sorriso por mais algum tempo.
— Podíamos voltar para um tempo antes de eu destruir a tribo toda. – Diana disse, finalmente saindo da paralisia.
— Podíamos. Mas você é difícil, ia destruir mais do que a tribo desta vez. – Leona respondeu, brincando.
— Espero que me perdoe de novo.
— Bem... se você pedir com jeitinho, posso até pensar.
Diana começou a rir, e as duas se abraçaram, enquanto observavam seus corpos desaparecerem pouco a pouco.
No fundo, todos os que estavam na caverna estavam felizes. Iriam voltar, afinal. E sentiam que os problemas estavam acabando. Talvez outras complicações surgissem, mas, no momento, procuravam não pensar naquilo.
Do outro lado, em algum lugar em Nova Jersey, Taric estava brincando com seu filho quando notou que sua mão estava ficando transparente. Seu esposo, parado na porta, notou também. Os dois sabiam o que estavam acontecendo, e Taric sentiu muito por não poder continuar mais ali.
Num dos bares mais movimentados do Rio de Janeiro, Twisted Fate e Graves bebiam copos de cerveja enormes (como sempre), e também perceberam o que estava acontecendo.
— Merda. – Graves se pronunciou.
— De volta à desgraça. – TF sentiu o mesmo que o parceiro.
No Japão, Yasuo tocava sua flauta quando o objeto simplesmente caiu de suas mãos, totalmente transparentes. Ele olhou para Riven, que dormia tranquilamente, também desaparecendo. Não quis acorda-la.
Ele sabia que estava voltando. Só esperava que tudo permanecesse da mesma forma, especialmente seu relacionamento com Riven.
Pouco tempo depois, não havia sobrado mais nada. A caverna foi completamente destruída, e nenhum ser humano se lembrava do dia em que um círculo dourado brilhou em Nova York. Jornais, notícias, vídeos e históricos policias desapareceram do nada. Os seres da Runeterra estavam, finalmente, em casa.
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