Quando virmos as estrelas novamente

1 Cap. único - Quando virmos as estrelas novamente


Notas iniciais
Essa one-shot me surgiu de uma inspiração que tive a partir do vídeo do canal de Thais Logullo Tozetti (YouTube), do quadro "Papo Otaku". Apesar de ela não fazer mais vídeos há alguns anos, eu amo esse canal e nunca me canso de assistir o vídeo que inspirou essa história. Eu queria escrever uma fanfic mesmo pra o que ela disse no vídeo, mas não sei se ela permitiria, então apenas me inspirei. E dedico essa one-shot a ela.

O vídeo em questão se chama "Como seria a família de Seiya e Saori?".

Quando virmos as estrelas novamente

De Dani Tsubasa

Saori estava observando os arredores do santuário, sentindo a brisa que entrava pela janela dos aposentos de Atena fazer seu cabelo longo esvoaçar. Eles tinham oficialmente ocupado o santuário hoje. Novos cavaleiros tinham sido ordenados, e algo estava para acontecer. Ainda não tinham certeza de todos os detalhes, e nem todos os novos cavaleiros de ouro, ou ela mesma, ficariam ali todo o tempo, apenas quando houvesse necessidade. Estavam passando alguns dias para adaptação e reconhecimento. Depois retornariam a suas famílias e vidas normais, mantendo contato entre si e com o santuário para eventuais ocorrências ou ameaças a Atena e à Terra.

Por muitas vezes em que quase morreu junto com seus cavaleiros ao longo dos anos, Saori pensou que esse dia nunca chegaria, ao menos não por um motivo bom. O dia em que a armadura de Pegasus seria guardada e protegida para aguardar seu próximo dono. Sempre temeu que isso acontecesse por Seiya morrer em alguma batalha, mas seu amado cavaleiro era difícil de matar, e ela sorriu, agradecendo aos céus por isso. E falando nele... Seu cosmo a alcançou, e seus passos ecoaram, baixos e discretos, mas ela pode ouvir, nas escadas que levavam até o quarto onde ela estava. O som era um pouco diferente do emitido pela armadura de bronze, mas reconheceria os passos de Seiya em qualquer circunstância.

— Achei que você nunca fosse chegar.

Ela ainda olhava pela janela, mas Seiya sabia que ela estava sorrindo. Ele fechou a porta e entrou no local.

— É, eu precisava falar com você.

— Os outros estão se reunindo lá embaixo pra conversar, achei que você fosse se juntar a eles.

— E você também. Fiquei com a tarefa de te buscar. Mas... Eu quero te falar sobre algo importante primeiro.

Saori finalmente se virou para ele, e distanciou-se da janela, parando em frente a Seiya.

— O que meu cavaleiro mais leal quer?

Seiya sorriu, aquele mesmo sorriso contagiante que ele tinha desde pequeno, e que reservava apenas a ela depois que cresceram, a armadura de ouro de Sagitário deixando-o ainda mais bonito. Seus olhos castanhos estavam cheios de ternura quando ele tomou suas mãos, e Saori percebeu ainda melhor como seu cosmo estava ansioso.

— Seiya... Você está bem?

— Eu garanto que sim, minha deusa – ele voltou a sorrir, mas a forma intensa como a olhou fez próprio seu coração disparar.

— Você sabe que alguma coisa vai começar a acontecer em algum momento do futuro não muito distante, não é?

— Sim, eu também senti isso. É por isso que eu queria falar com você agora. Como seu protetor pessoal, eu sei que vamos continuar passando muito tempo juntos, mesmo que eu também passe tempo com minha irmã e meus irmãos cavaleiros, nossos amigos. Mas por todos esses anos, apesar de ser muito claro, até pra pessoas distantes de nós, o que nós somos um pra o outro, nunca falamos disso abertamente entre nós mesmos. Eu gostaria de falar sobre isso agora, se você quiser, Saori.

— Seiya... – ela sorriu, sua voz inundada de emoção.

— Eu já te disse numa das nossas batalhas que eu nunca lutei porque você me pediu, e eu também não luto apenas por Atena, mas sim por você. Com tudo que vivemos, eu aprendi sobre quem realmente é a deusa, e a amá-la e respeitá-la por seu amor à humanidade e a seus cavaleiros. Mas sempre foi você, Saori, que esteve lá pra cada um de nós em todos os momentos mais difíceis nas batalhas, foram as suas lágrimas que caíram no meu rosto cada vez que me feri gravemente, e o seu cosmo junto ao poder de Atena que me curou em todas elas. Foi você que cuidou de mim em tempo integral por anos após a batalha contra Hades. E mesmo privado de muito dos meus sentidos, eu podia sentir você perto de mim o tempo todo, isso me fez sobreviver. Tanto quanto eu e meus irmãos cavaleiros arriscamos nossas vidas por você, você também fez isso pela Terra, pela humanidade, por nós, e por mim, vezes sem fim. Eu te amo desde que pulamos juntos daquele precipício. Eu te amo como deusa e como humana intensamente. E eu quero que saiba que eu sempre vou te proteger e estar ao seu lado, como cavaleiro de Atena e como o homem que mais te ama em todo o universo. Eu vou entender se você disser não, mas eu tinha que te dizer isso hoje, porque já esperei e perdi oportunidades demais, Saori.

Seiya deslizou as mãos suavemente para firmá-la pelos braços ao sentir sua deusa tremular, e viu seus olhos se encherem de lágrimas. Saori respirou fundo, levando uma de suas mãos para o rosto de seu cavaleiro, o metal frio e brilhante da armadura dourada contrastando com a pele morena de Seiya.

— Eu penso nisso em cada noite quando vou dormir desde que sobrevivemos aquele salto. E eu me culpo toda noite por... Não ter te beijado quando te encontrei inconsciente. Eu pensei demais, e Shaina me interrompeu quando eu estava prestes a fazer isso – ela riu baixinho, vendo Seiya arregalar os olhos – Um filete de sangue não parava de escorrer do seu rosto, por mais que eu limpasse, e eu só conseguia pensar no quanto me sentia grata pelo que você fez por mim, e ninguém nunca tinha feito aquilo por mim antes.

— Saori... – ele riu, mas claramente emocionado – Por que nunca me disse? Eu achava que tinha sonhado com isso.

— Estava acordado?!

— Não. Não totalmente. Mas eu senti você virando minha cabeça pra cima e ouvi a sua voz. Não consegui entender porque sua voz parecia muito longe. Então apaguei de novo, e... Confesso que não gostei de ter sido só um sonho. Eu nunca tive coragem pra te perguntar sobre isso. Guardava só pra mim como uma lembrança preciosa que me ajudou a sobreviver.

Os dois se olharam ainda surpresos e com um olhar divertido antes de compartilharem uma risada cheia de alegria.

— Eu não sei... Acho que... Também foi naquela noite que eu percebi o que eu era. E eu não soube onde me colocar entre Saori e Atena, onde deixar nós dois no meio disso. Agora, no entanto... Acho que já vivemos o bastante pra saber.

O cavaleiro sorriu, seus olhos agora brilhando de emoção quando ele segurou o rosto da amada entre as mãos.

— Eu me sinto muito orgulhoso pela honra de ter visto a mulher e a deusa incríveis que você se tornou ao longo desses anos que vivemos juntos, e eu quero ficar com você, Saori. Mas preciso saber se você concorda. Eu sei que nosso dever nunca nos deixará ter uma vida completamente normal. E eu nunca vou fugir do meu compromisso com Atena, mas eu não quero passar minha vida inteira longe de você assim. Eu quero poder andar com você de mãos dadas pelo santuário, te levar pra passear quando as coisas estiverem em paz, poder abraçar você sem ser no desespero de uma batalha, eu quero dançar com você nas festas e deixar Tatsume maluco preocupado com você.

— Seiya! – Saori gargalhou, vendo-o sorrir.

— Quero ouvir você tocar piano quando estivermos num dia calmo, e poder te confortar quando estivermos em alguma situação difícil. E tudo mais que você quiser e me permitir, desde que você também deseje isso.

Saori sorriu.

— Não sabia que o cavaleiro de Sagitário podia ler pensamentos, porque eu estava pensando exatamente essas mesmas coisas. O seu desejo sempre foi o mesmo que o meu, e eu não acho que Atena nos deixaria chegar até aqui se isso fosse um problema. Foi a sua força de vontade em protege-la, e seu amor por mim que sempre te fizeram voar tão alto, Seiya. Então quero que saiba que amo você desde aquela noite em que você me carregou sob as estrelas, e eu quero que esse abismo entre nós acabe hoje, meu cavaleiro. Da próxima vez que virmos aquelas estrelas, quero estar junto com você sem estarmos em perigo, e sem precisarmos reprimir qualquer coisa que sentimos.

Saori também envolveu o rosto do amado, e colou sua testa na dele, os dois sorrindo ternamente um para o outro. Seiya abriu os braços e ela aceitou entrar em seu abraço, demorando-se ali. Provavelmente seus cosmos juntos, estando o de Seiya agora muito mais calmo e radiante, estavam irradiando e sendo percebidos por todo o santuário, mas Saori ficou feliz em não sentir nenhum outro se aproximando, e saber que provavelmente os demais presentes lá embaixo estavam respeitando seu momento. Quatro deles se destacavam, no entanto, e tanto ela quanto Seiya sabiam que Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki certamente desconfiavam do motivo da demora, e deveriam estar felizes pelos dois.

— O que minha deusa quer fazer agora? – Seiya perguntou carinhosamente quando se afastaram e ele acariciou o rosto da amada.

— Estão nos esperando lá embaixo – ela respondeu com o mesmo carinho – Mas seria muito indelicado da minha parte não concluirmos esse momento direito.

Seiya ergueu as sobrancelhas, querendo saber o que ela tinha em mente.

— Já esperamos muito. Muito mesmo – ela lhe disse com um sorriso, segurando-o pela nuca e o puxando para ela – Eu quero beijar você desde aquele dia, Seiya – sussurrou para o amado, ouvindo um suspiro emocionado e desesperado de volta.

— Saori... – ele murmurou de volta, enquanto a deusa sentia o corpo dele ficar tão trêmulo quanto o seu quando começaram a conversar, mas Seiya sorria.

O cavaleiro sentiu seu coração disparar outra vez, e sua respiração se misturar a dela, ambos deixando que um breve momento de paz ficasse entre eles antes que seus olhos se fechassem e seus lábios se tocassem suavemente. As mãos dele a seguraram pela cintura, enquanto a mão livre de Saori repousou sobre seu coração, onde ela conseguia sentir seu cosmo mais forte, para não dizer praticamente explodindo de felicidade, bem como o seu também estava. Eles se beijaram assim, calmamente, por um minuto ou dois, fazendo pausas para respirar e voltando a se unir em seguida. Saori tomou ar e o beijou com mais força, redimindo-se com os dois por aquele beijo que ela nunca lhe deu no precipício. Seiya sentiu através de seu cosmo e a correspondeu com a mesma intensidade, abraçando-a um pouco mais apertado e tornando o beijo mais profundo.

Seiya tinha certeza que, se os dois não fossem quem eram, se não passassem de humanos comuns num dia qualquer em suas vidas, não saíram dali tão cedo. Não queria apressar as coisas com a pessoa mais especial de sua vida, mas seria adorável somente poder passar a tarde abraçado com ela enquanto os dois olhavam o céu e se acostumavam com esse novo passo. Mas ele era Seiya de Sagitário, o acavaleiro de ouro mais leal de Atena, aquele que foi ao céu e ao inferno, literalmente, para proteger a humana e a deusa. E sempre seria grato por cada detalhe de sua vida que podiam compartilhar, inclusive esse.

— Eu te amo, Saori – ele sussurrou no segundo em que pararam para respirar – É um alívio que não vamos passar mais nenhum dia sem que eu tenha te dito isso.

— Eu sempre soube. E espero que você também.

— Sim, eu sabia – ele sorriu – Mas nada como ouvir isso de você.

A deusa sorriu, acariciando seu rosto.

— Eu te amo, Seiya. O coração de Atena pode abraçar todos os cavaleiros, mas o de Saori sempre foi seu.

Saori sentiu o coração explodir mais uma vez com o sorriso emocionado e os olhos marejados do cavaleiro, que a abraçou com força. Riu baixinho quando sentiu seus pés deixarem o chão, o que a divertiu internamente fazendo-a pensar em como seu coração estava além das nuvens. Ela o abraçou de volta, sentindo a textura da armadura dourada junto aos fios macios de seu cabelo castanho, e ansiando por poderem repetir esse gesto mais tarde, num momento menos urgente, onde talvez pudessem dar um passeio sob as estrelas, ou conversarem até tarde, e ela poderia abraça-lo sem a interferência da armadura. Seiya a colocou no chão, beijando sua bochecha sem nenhuma pressa, e depois levando uma das mãos da amada aos lábios antes de segurá-la entre as suas.

— Eu adoraria ficar só aqui com você por uma eternidade agora ou te levar pra um passeio, mas é hora de levar Atena até seus cavaleiros.

Saori riu ao perceber que ele ainda estava ofegante, e seu cosmo praticamente gritando aos quatro ventos como estava mexido emocionalmente, mesmo que por um bom motivo. Não que o dela estivesse num estado melhor.

— Vamos nos acalmar primeiro, certo? – Saori lhe disse, unindo suas mãos e fechando os olhos enquanto respirava fundo para acalmar seu próprio cosmo, tentando transmitir paz e todo o seu amor a Seiya, que a observou com um sorriso, vendo a luz dourada que irradiava ao redor da amada, e também sentindo sua própria energia e seu coração, aos poucos, ficarem mais calmos e aquecerem o ar em volta deles.

Quando Seiya abriu a porta e seguiram para as escadas externas que os levariam ao térreo do santuário, se depararam com seus quatro amigos subindo em sua direção, todos sorrindo e trajando armaduras de ouro. Shiryu de Libra, Hyoga de Aquário, Shun de Virgem e Ikki de Leão. Junto à Atena e a Seiya de Sagitário, essa era a nova formação da família que eles tinham começado a criar há muito, muito tempo. Seiya e Saori não se importaram em estar de mãos dadas diante deles.

— Não se preocupem. Ninguém nem vai perguntar – Shiryu falou com um sorriso.

— Até porque sempre foi tão óbvio que a única pergunta que todos têm é porque vocês demoraram tanto – Hyoga falou no mesmo tom.

— Estamos muito felizes por vocês – Shun lhes disse, com o sorriso mais contagiante de todos – Eu acredito fortemente que vocês têm a benção de Atena.

— Achei que fossem enrolar pra sempre. Agora vamos ao encontro dos demais – Ikki disse com sua costumeira seriedade, mas um sorriso também brincava em seu rosto.

— Eu sempre tive medo desse dia. Nunca soube como dar esse passo sendo quem sou. Mas já esperamos muito – Saori disse aos quatro recém chegados – E o apoio de vocês significa muito pra nós dois – ela sorriu.

— Obrigado, meus irmãos – Seiya também agradeceu, trocando um sorriso com Saori antes de começarem a descer as escadas do santuário.

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