Quando tudo mudou
45 Capítulo 45
Notas iniciais
(No mesmo dia de tarde)
Orfanato
D.M: — Smackle! Não achei que iria voltar.
S: — Eu também não achei que ia ficar grávida, mas olha onde estamos.
D.M: — Cadê a criança?
S: — Hum, prefiro não comentar sobre isso.
D.M: — Tudo bem, espero que ela esteja feliz. Assim como as crianças ficaram quando contei a ela sobre você.
S: — Estão felizes por me verem?
D.M: — Sim. Como você pode perceber, não recebemos muitas visitas. No máximo minha irmã Shul.
S: — Sobre ela... — Smackle é interrompida.
Zack: — É ela?
D.M: — Sim, Zack.
Z: — Ela é tão linda.
S: — Obrigada. Eu tenho namorado.
Z: — Tudo bem. Posso te mostrar meus desenhos?
D.M: — Ótima ideia. Por que vocês não vão para o quarto, enquanto eu faço o lanche das crianças?
(S: — Tem certeza que não precisa de ajuda?
D.M: — Sim. É melhor assim. Mal posso esperar para todos te conhecerem.
(Quarto do Zack)
S: — Então aqui é seu quarto?
Z: — Sim.
S: — Por quanto tempo está aqui?
Z: — Há uns 16 anos.
S: — Como?
Z: — Eu sei que pareço novo, mas tenho 16.
S: — Então você estava aqui quando o acidente aconteceu?
Z: — Sim. Mas eu era muito novo, então não lembro direito o que aconteceu.
S: — A diretora parece não gostar muito desse assunto.
Z: — É, eu tentei falar com ela uma vez, mas ela se recusa, sempre muda de assunto.
S: — Por que alguém como você veio parar aqui?
Z: — Eu não sei, me pergunto isso todo dia. Mal conseguimos sobreviver aqui, acho que apenas ficamos nesse lugar porquê tem um teto. Pelo menos, por enquanto.
S: — Você está dizendo que em 16 anos, ninguém quis te adotar?
Z: — Sim. Como você sabe, tudo mudou desde o acidente.
S: — Talvez pudéssemos descobrir sobre esse.
Z: — O que isso mudaria?
S: — Eu poderia bolar um plano que salvaria esse orfanato da miséria, logo você não teria que dormir em um colchão inflável cheio de baratas.
Z: — Parece bom. Mas tem muito mais gente nesse orfanato além de mim, não é tão fácil quanto parece.
S: — Bom, eu quero fazer mudanças aqui... Para melhor.
Z: — Já está fazendo.
D.M: — Crianças, vamos comer?
Z: — Tem comida hoje?
D.M: — Sim, felizmente, a nova funcionária é atenciosa e trouxe-nos algumas coisas.
S: — Não foi nada.
(Cozinha do orfanato)
Todas as crianças: — Nós te amamos, Smackle. — Devoram tudo que veem em 5 segundos.
S: — Que isso. Vocês têm me acolhido tão bem, o mínimo que eu podia fazer era retribuir.
Z: — Você é maravilhosa.
S: — Você também, seu homem velho.
D.M: — Aqui, essas são Lila, Duda, Bibi, Isak e Jonas. Todas as crianças do orfanato.
S: — Eu achei que teria mais.
D.M: — Eu também. Porém, infelizmente, não foi possível continuar com todos. Muitos morreram, cometeram suicídio, se meteram com drogas e foram embora.
S: — Eles não estão um pouco grandinhos para serem chamados de crianças?
D.M: — As meninas tem 13 e os meninos 14, ainda são meus bebês. Exceto o Zack, ele tem 16 anos, e ele é meu bebezão.
Z: — Mila.
D.M: — Diretora Mila.
S: — Bom. Eu estou adorando passar o tempo com vocês e todo o carinho que venho recebendo. Então recomendo uma proposta. Eu não vou prometer, mas irei tentar.
D.M: — Fale-nos.
S: — Meu namorado tem um pai rico, aposto que consigo arrumar um pouco de dinheiro para cá. Já pensaram em ter café da manhã todo dia, sem se preocupar com a dor incessante da fome? — Todos abrem um sorriso de orelha à orelha e a abraçam. — Bom. Agora eu gostaria de pedir formalmente a Diretora a permissão para uma reforma.
D.M: — Smackle! Você é uma benção, é claro. Crianças, eu declaro hoje um dos dias mais felizes que esse orfanato já teve. Estou me sentindo em 1999 de novo.
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