Quando tudo acaba... O que acontece?
4 Saga de Asgard e Poseidon – Parte 2
Notas iniciais
[Shun e Ikki]
Na casa da montanha, Shun e Ikki ainda processavam as palavras de Saori. Shun estava insatisfeito com a notícia e Ikki pensava em o quão difícil foi para ela decidir tal coisa agora que já era apegada a eles.
Ikki explicou a situação a Shun que não precisou de muito para entender o verdadeiro significado por trás das palavras do irmão: “Que deusa decidida e forte! O que ela acha que faremos se não a estivermos protegendo? Bem, seguirei meu caminho de um jeito ou de outro.”. As primeiras frases com um leve tom de sarcasmo que Ikki utilizara, deixaram claro para Shun que aquela havia sido uma decisão muito difícil de ser tomada e a última lhe lançou uma luz do motivo principal.
Para Shun era fácil decifrar algumas coisas que Ikki pensava e expressava – mesmo que de forma fria algumas vezes – e decidiu desviar a atenção para uma caixa no canto da sala onde estava carimbado “Ikki e Shun. Irmãos. Orfanato da Fundação.”.
Sobre a caixa os dois encontraram um bilhete dizendo que Saori reunira com a ajuda de Tatsumi seus pertences antigos e mandou que fossem entregues. Os poucos pertences traziam lembranças para Ikki das quais Shun era novo demais para possuir. Ele decidiu compartilhar algumas com ele quando encontrou o colar prateado e dourado com uma grande estrela ao centro que pertencia a Shun.
Uma estranha menina na noite entregou-lhe aquele colar e desde então sempre foi de Shun – Ikki jurava que a muito havia sido perdido. Ele não teve muito tempo de dar maiores explicações quando reparou que Shun chorava vendo um pequeno pingente retangular aberto que possuía uma foto de Ikki quando criança bastante machucado, nervoso, assustado e, ainda assim, segurando Shun sorrindo e embrulhado aconchegado e aquecido em seus braços.
Ikki decidiu ir embora mais tarde do que planejava. Não ficaria muito ali com Shun, mas também não o deixaria sozinho naquela situação que para ele também era delicada.
[Hyoga]
Caminhando aparentemente sem rumo pelo gelo, Hyoga procurava organizar seus pensamentos. Desde que retornou estava tendo problemas para relaxar e depois das palavras de Saori sua mente perturbada o atormentava em um turbilhão de pensamentos e emoções.
Ele havia erguido três túmulos agora um do lado do outro. Da esquerda para direita as cruzes vinham escritas com Cavaleiro de Cristal, Camus e Izak. Ele cuidava muito bem dos túmulos com a ajuda dos aldeões, mas nada lhe atormentava mais do que os ver e se lembrar que foi ele quem deu os golpes finais que os levaram daquela vida.
Perturbado e resistente ao frio como era, ele se deixou guiar instintivamente para seu refúgio: o local onde estava o barco que naufragou com sua mãe. Lá ele deixaria suas emoções extravasarem e seus pensamentos desorganizados fluírem para descarregar todo peso e depois reorganizar seus pensamentos.
[Shiryu]
Sem sua visão novamente, Shiryu subiu a passos lentos os Cinco Picos Antigos até a Grande Cachoeira de Rozan para se orientar melhor e reanimar a sensibilidade de seus outros sentidos (depois que voltou a enxergar ele deu uma pequena diminuída nessa parte de seus treinos e foco).
Shunrei chorava agoniada nos braços de Shiryu. Não lhe havia agradado em nada ele ter saído de novo, ficado ainda mais tempo fora e voltado sem sua visão novamente. Mesmo nesse desespero de nervoso ela ainda chorava de felicidade e alivio ao ver Shiryu vivo e de volta ao seu lar.
Shiryu desculpou-se com seu mestre por danificar as armas de Libra no Grande Suporte Principal do Templo de Poseidon. Mesmo Shiryu fazendo questão de se desculpar insistentemente até seu mestre perdoa-lo, Dohko estava muito feliz por sua volta segura e seu amadurecimento como homem e cavaleiro novamente. Ele já estava a par da decisão de Athena, porém não queria e nem deveria ser ele a entregar a notícia.
Durante o farto café da manhã que Shunrei havia preparado junto das ervas medicinais para a dor nos olhos e braços de Shiryu, as palavras de Athena foram transmitidas e Shiryu perdeu seu chão. Ele deixou cair a xícara onde Shunrei colocou seu remédio e levantou de forma inconformada e brusca, agitando a mesa e derrubando um pouco de comida.
A reação dos cosmos e a dor das palavras de Saori lhe deixaram desorientado e sem palavras. Shiryu sequer prestara atenção na preocupada Shunrei ao seu lado e no conflitante mestre a sua frente. Ele saiu porta a fora sem rumo em busca de reorganizar seus pensamentos e aceitar o ocorrido.
Dohko continha e consolava Shunrei que havia ficado preocupada com o ocorrido e aflita com a verdade que recebeu do Mestre Ancião.
[Seiya]
Inconformado com as palavras que ouvira, Seiya se torturava em pensamentos em casa. Estava prestes a sair para visitar o orfanato quando as palavras de Saori o atingiram como uma bomba! Não seria mais um cavaleiro!? Ela os estava dispensando!? As dúvidas mais e mais o atormentavam.
Se não poderia mais ser um cavaleiro então o que seria? O que faria? Essa era a vontade de Athena e ele deveria respeitá-la – na teoria pelo menos. Ele enfrentou um longo caminho para estar onde chegou e simplesmente iria largar tudo!? Não mesmo! Nem que tivesse que ir para o inferno, se ela pedisse ou precisasse ele estaria lá na mesma hora.
Ele até havia se separado da irmã no trajeto! Desistir de tudo era um absurdo. Lembrando-se de Seika, ele se tocou que ainda não tinha encontrado sua irmã e que aí estava algo importantíssimo a se fazer. Então estava decidido!
Permaneceria fora da ativa sempre com sua armadura ao seu lado para o menor sinal de problemas e, enquanto nada acontecia, buscaria informações sobre sua irmã. Mas assim que Athena precisasse novamente, ele iria de imediato ao seu encontro.

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