Quando tudo acaba... O que acontece?
15 Prólogo do Céu – Parte 4
Notas iniciais
Saori estava no Santuário cuidando de sua reforma. Alguns templos dos cavaleiros de ouro precisavam de reparos assim como algumas casas e campos de treinamento. Ela seguiria no santuário com os cavaleiros de prata fazendo sua proteção até chegar a hora de novos cavaleiros de ouro ascenderem suas posições – enquanto isso suas armaduras ficavam postadas no centro de suas respectivas casas carregando o poderoso desejo de seus últimos cavaleiros.
Shiryu já havia voltado para os Cinco Picos Antigos e aproveitava seu tempo de paz com Shunrei para relaxar e espairecer. A primeira coisa que fez, quando chegou foi ter certeza que Shunrei estava em casa – depois do susto que tomou da outra vez ainda se preocupava – porém, desta vez, ela não lhe deu apenas um abraço.
A moça lhe deu um beijo! Na bochecha, mas ainda assim um beijo! Shunrei se divertiu muito ao ver o dragão corado e um pouco sem jeito depois de ser pego de surpresa por ela e enquanto ela o arrastava de volta para casa para se trocar e almoçar com ela.
A armadura de Dragão voltou para as profundezas da cachoeira de Rozan e Shiryu decidiu focar na paz dos dias com Shunrei. Ele ainda era o mais adequado para assumir a armadura de Libra, no entanto não ficaria com ela parado no Santuário vendo os dias passarem. Deixaria a armadura lá e, apenas se fosse necessário, reclamaria o direito de vesti-la e protege-la (era a importante herança de seu mestre e não permitiria que ninguém a profanasse sem permissão).
Ikki estava novamente pelos cantos mais distantes do mundo. Não conseguia se contentar com único lugar! Era uma tarefa impossível até mesmo para ele que foi o primeiro cavaleiro a conseguir o direito de vestir a armadura de Fênix. Nem com toda insistência de Shun e suas conversas ele via alguma outra alternativa.
Já acostumado com aquele estilo de vida e sem outras metas em mente, ele voltou a vagar. Lutar era o que sabia fazer e o frio de seu coração foi desaparecendo e sendo substituído por seus amigos e seu irmão – mesmo ainda havendo algumas coisas restando para acertar. Em sua mente o que mais precisava descobrir era seu verdadeiro propósito de viver e lutar.
Como cavaleiro, lutava por Athena; mas nem sempre era isso que sentia. Quando Athena precisava, ele se dispunha a combater ao seu lado em qualquer batalha. Mas por que? Apenas por ela ter mandado não era. Ikki sempre considerou a deusa como... O que?
A deusa estava mais para uma aliada do que uma mestra e seus amigos e seu irmão sempre estavam lá junto dela e dele nas batalhas – embora preferisse lutar sozinho. Então isso significava que ele lutava por seus companheiros? Sim! Todos aqueles anos de sofrimento na Ilha da Rainha da Morte a muito haviam ficado para trás e ele não estava mais sozinho ou perdido.
Pela primeira vez em anos pensou no assunto e percebeu que nada mais era a mesma coisa e tinha um caminho novo a sua frente (Shaka estava certo! Ver a vida por outro ponto de vista era uma boa ideia.). Lutaria por seus companheiros e pelo que acreditava ser certo. Continuaria seu caminho sozinho em seus pensamentos e iria aonde e quando fosse preciso sempre por seus importantes companheiros.
Hyoga espairecia nas planícies congeladas da Sibéria sem se importar com o clima que passava. Tantas coisas haviam mudado e tanto ele havia aprendido e superado! Seu mestre Cristal lhe ensinou suas técnicas assim como Camus junto de valiosas lições para toda sua vida e seu amigo Izak lhe ajudou com sua determinação! Não poderia ter pedido maiores apoios em sua vida e seu caminho como cavaleiro.
A armadura de Cisne estava enterrada na frente dos túmulos de seus mestres e seu amigo – lá eles a vigiariam e o frio conservaria e forjaria mais sua resistência. Hyoga também era digno da armadura de ouro de Aquário, mas algo naquela armadura lhe dava calafrios! Camus lhe contou que a armadura de Aquário pode ser bastante complicada de se lidar algumas vezes e que era preciso ter cuidado com ela.
Com esse sentimento inquietante que tinha da armadura de ouro, Hyoga sabia que não seria apto a carrega-la através dos anos! Não importava o ponto de vista, desde que a alma de Camus partiu, a armadura estava extremamente estranha! Apenas o cosmo de Athena era capaz de acalmar a armadura e mascarar aquele sentimento.
Para Hyoga, todos estes assuntos podiam esperar sua reflexão. Queria ficar por ali mesmo em sua terra congelada com as pessoas simples e gentis que conhecia e respeitava. Ali, também, sempre teria seu refúgio ao seu alcance e poderia manter os descansos eternos de seus companheiros intactos.
Shun ia pela cidade caminhando e se perdendo em pensamentos e reflexões. Seria para sempre um cavaleiro e apenas isto? Gostava de estar junto a seus amigos e seu irmão quando era hora de ajudar Athena. Mas faria apenas isto? Com certeza existiam outros métodos para ajudar as pessoas assim como Mino fazia no orfanato com as crianças.
Se fosse arranjar um emprego fixo precisaria pensar com cuidado! Ao menor sinal de problemas e se Saori chamasse ele precisaria de toda liberdade em se ausentar e estar com sua armadura de Andrômeda ao seu lado. Nenhum lugar deixaria ele entrar daquela forma e Shun nem era formado ou especializado em alguma coisa.
Sua armadura ele deixou ao sol de uma pequena clareira na floresta perto da casa onde estava. Na pedra que havia ao centro do lago ele deixou a caixa de sua armadura – esta sempre emanando seu cosmo e sendo controlada por ele em caso de alguém aparecer e tentar mexer com ela.
Assistindo ao noticiário em sua casa, depois de um dia de caminhada, Shun viu uma propaganda sobre um esquema médico de voluntários que iam pelo mundo para ajudar pessoas. O curso que forneciam era gratuito e os integrantes tinham a liberdade de escolher como iriam trabalhar.
Shun foi checar como se inscrever, os pré-requisitos e os locais que poderia escolher para ir – já tinha certeza que iria sozinho (para não colocar ninguém em risco se algo ocorresse) e aos mais inusitados locais para conhecer novas pessoas, culturas e estilos de vida (assim, também, talvez entendesse porque Ikki gostava tanto de ficar andando por aí.).
Os companheiros seguiam seus caminhos e Seiya procurava ficar sozinho. Tinha tanto em que pensar que ter outros por perto não vinha lhe fazendo bem. Era um excelente cavaleiro e o sucessor por direito da armadura de ouro de sagitário. Mas tinha que relacionar suas prioridades! O feliz e tão esperado reencontro de sua irmã lhe preenchia o coração com felicidade e paz; a partida de sua mestra e amiga Marin com seu irmão lhe dava um pouco de tristeza que era rapidamente substituída por uma grande alegria por eles; a diversão, seriedade e profundidade do que seus companheiros de ouro aviam ensinado sempre o deixava pensativo e firme em suas decisões; e a deusa Atena era.... O que essa deusa era para ele?
Pensar em Atena era o que mais mexia com o jovem cavaleiro. A deusa nunca lhe saia da cabeça não importasse o que estivesse fazendo e, às vezes, nem quando estava dormindo! Essa última parte deixava sempre o cavaleiro envergonhado e desnorteado por sonhar daquela forma com a deusa que jurou proteger. Mas não sabia por que ela mexia tanto com ele! Tinha um carinho especial por seus companheiros e amigos que conheceu e o acompanharam durante toda sua trajetória até ali, mas não podia mais definir qual era o sentimento que tinha pela deusa.
Enquanto perdido neste enigma, Seiya estava a caminho de uma visita para Seika. Ele e a irmã agora se viam regularmente e conversavam sobre suas vidas e coisas do passado em que não estiveram juntos. Nestas conversas Seiya se lembrava de como a irmã sabia ser perceptiva e persuasiva quando queria! Alguma pouco insistência de Seika fez Seiya ceder e lhe contar o que lhe atormentava.
Precisava decidir como faria sua vida dali para frente! Se realmente assumiria a grande responsabilidade de ser o cavaleiro de ouro de sagitário e proteger Atena e o Santuário, se faria um caminho diferente na vida como seus companheiros estavam tentando seguir e ainda precisava desvendar o enigma em que a simples menção do nome da deusa Atena lhe trazia a cada segundo.
Seika tinha procurado se inteirar totalmente sobre os cavaleiros, suas funções, batalhas, histórias e armaduras para saber como havia sido a vida de Seiya desde que se separaram. Na opinião dela, o irmão tinha tudo que era necessário para ser um verdadeiro cavaleiro e isso significava que assumir a posição de cavaleiro de ouro lhe seria ‘simples’ – não exatamente isso já que era uma grande responsabilidade, mas para o irmão ela julgava que ‘simples’ era a palavra certa a se usar.
Fora esse detalhe, era claro para ela que a vida de cavaleiro era a real vocação de Seiya! Ele não havia deixado sua armadura longe de si enquanto tentava pensar em seu futuro, ela lhe acompanhou o caminho todo sem sequer estar coberta e, enquanto os dois estavam conversando, a armadura estava parada próxima a eles para não sair de perto de Seiya.
As palavras de Seika sobre o assunto fizeram Seiya rir e os dois começaram a fazer algumas piadas para descontrair já que Seika ainda não sabia explicar exatamente algumas coisas sobre o mundo dos cavaleiros. A conversa perdeu o tom cômico quando Seika decidiu tocar no assunto sobre a relação de Seiya e Saori.
Como era uma mulher também e havia reparado no carinho em especial entre a deusa e ele, sua opinião era que o sentimento entre eles era de amor. E não era um amor de família a que ela se referia! Era um amor real, profundo e repleto de carinho e sinceridade como uma luz brilhante e pura refletida na água cristalina.
Já sabendo do carinho que Seika havia desenvolvido por poemas e tendo entendido suas palavras, Seiya não pode deixar de ficar extremamente envergonhado e sem jeito no como sua irmã havia entendido e expressado fácil seu relacionamento com Saori. Agora era oficial uma importante decisão para o futuro havia sido tomada.
Em Jamiel, Kiki treinava e melhorava seu cosmo e sua telecinesia ao máximo! Seu esforço era grande e baseado em sua firme determinação de ser o próximo cavaleiro de ouro de áries e um ferreiro de armaduras tão bom quanto seus mestres Mu e Shion foram.
Entre os cavaleiros sua ‘fama’ crescia por conta de seu grande potencial e sua verdade em querer crescer e atingir seus objetivos com excelência. Ninguém podia lhe tirar este mérito e seus companheiros o apoiavam e ajudavam quando necessário. A verdade é que ninguém chegaria sequer perto da armadura de ouro de áries! Ela estava reservada por direito e indicação apenas para Kiki e isto Atena não permitia que contestassem.

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