Quando te vir canta para mim...
4 Introdução (4º parte)
Notas iniciais
Naquele dia, que seria o último do meu sorriso, nasceu uma flor no meio da destruição, uma flor de tranças castanhas e olhos avermelhados. Ela sorria. Simplesmente sorria, um inocente sorriso, livre da guerra, livre da dor. Fazendo contraste comigo, olhos manchados pelo sofrimento, sorriso forçado pela dor, manchas negras debaixo dos meus olhos como um pedido de paz. Juntas passamos um mês, conversando, passeando pelos jardins que para ela eram campos lindos de flores e para mim prisões coloridas. O meu mundo era uma foto a preto e branco, o dela um grande arco-íris. Às vezes eu chorava e então ela me abraçava. Ela sorria. Ela contava-me as histórias, de como teria sido obrigada a casar com um velho e procriar um herdeiro. O velho estaria morto e ela foi obrigada a lamentar o que a mãe lhe teria insinado, ela não o amava, então dizia que estava feliz, agora que ele tinha ido, ela podia ter paz. Eu contava-lhe das minhas aventuras fora dali, de como me divertia, de Hana. Ela perguntava-me então porque ali estava, eu pedia-lhe para não falar sobre isso. Ela sorria. Um mês se passou. No dia antes da partida para os calabouços, eu fui obrigada a contar o que estava a acontecer. Ela arregalava os olhos. Eu chorei e chorei e chorei. Apesar de segurar as lágrimas para si também, ela sorria. Então ela tentou de tudo para impedir a minha partida. Não conseguiu. Ela foi-se despedir de mim. Á medida que o tempo ia passando, a sua alegria começou a desvanecer. Ela já não sorria mais. 4 meses passaram, ela teve uma menina, que chamou de Meiko, mesmo assim, não sorria. Ela foi falar com a guardiã, saber como eu estava, as respostas ríspidas da mesma a deixavam insaciável, voltando todos os dias. 1 ano se passou. Um dia, farta das perguntas da jovem de cabelos castanhas, a azulada disse-lhe que ela não tinha passado de uma amarra para me manter calada. Ela chorou.
Nesse mesmo dia, Meiko foi levada para longe, por que lhe disseram que ela não tinha capacidade para criar uma criança. Ela chorou. Uma semana depois seu pai morreu de velhice. Ela estava sozinha. Nesse mesmo dia, decidiu que para recuperar o sorriso, ela precisava de tomar medidas. Escapou para dentro do escritório do pai. Abriu a gaveta e retirou o revóver. Havia umas cadeiras dentro do salão onde nós nos sentávamos quando não íamos para o jardim, o sitio onde mais conversamos. Ela pegou no revólver e encostou, tremendo um pouco á sua cabeça. “Desculpa Meiko. Vemo-nos noutro dia. Teto, obrigado e…adeus…” Um ensurdecedor barulho de uma arma ecou pelo castelo. Uma lágrima misturada com sangue caiu sozinha pela sua face. Uma rosa branca manchada de vermelho.
E assim, ela sorriu.
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