Quando te conheci
3 Capítulo 2 - " Eu quero ser feliz, mamãe!"
REFÚGIO ‒ Eu... eu... vou embora com meu filho! ‒ Falou firme com ele.
GUILHERME Vai embora? ‒ Ele riu. ‒ Você pensa que vai embora sua vagabunda? ‒ Ele segurou nos cabelos dela a puxando com força.
A rua estava vazia então ninguém os veria.
REFÚGIO ‒ Não!Pára, Guilherme me deixa ir...‒ Ela gritou nervosa.
Ele deu um tapa no rosto dela sem soltar os cabelos dela e depois a empurrou no chão de imediato pegou o menino.
GUILHERME ‒ Quer ir embora? Pois o menino fica! ‒ Ele falou a ameaçando e entrando em casa com a mala e o filho, ela não iria sem o filho e ele sabia disso.
Refugio voltou correndo e gritando avançou nele na sala.
REFÚGIO ‒ Solta meu filho!Desgraçado! Solta ele!‒ Puxou o filho que chorava nervoso.Ela podia suportar tudo menos o filho ser tirado dela e isso não isso ele nunca poderia fazer.
Ele deu outro tapa nela fazendo ela cair no chão, foi até a porta e a trancou. Voltou tirando o cinto da calça.
GUILHERME ‒ Agora vocês vão apanhar, para nunca mais tentarem fugir!‒ Foi o que ele disse antes de começar a bater nela e no filho que estava agarrado a ela.
Refúgio cobria o filho tomando as cintadas no lugar dele. Queria matar aquele homem mas precisava proteger o filho.
REFÚGIO ‒ Para com isso ta machucando ele, animal! ‒ Gritou nervosa.
Ele avançou sobre ela.
GUILHERME ‒ Você merece outra coisa, Refúgio! ‒ Ele deu uma cintada nas pernas dela e afastou do filho. Golpeou o rosto dela e voltou batendo em Patrício que chorava e gritava o pedindo para parar.
Refúgio empurrou ele com ódio ainda cambaleando e gritou.
REFÚGIO ‒ Corre, filho e se tranca lá! Não sai!
O menino olhou a mãe e correu se trancando em seu quarto.Ouviu a mãe gritar e chorou de medo, queria que isso acabasse, queria tanto ter fugido! Refugio sentiu alívio, não queria ser agredida mais pior do que isso era ver o filho sendo agredido por aquele monstro e se ele estava trancado no quarto e não sofreria mais ela já estava aliviada.
O que quer que aquele maldito o homem decide se fazer naquele momento com ela não era tão violento e terrível quanto ver o filho apanhando inocente.Então, ela apenas esperou para ver o que aquele maldito faria com ela e ele voltou a bater nela, a xingando e mal dizendo sem dó, nem piedade!
Batia nela, bateu até que ela não tivesse mais forças para ficar acordada e desmaiou. Ele a deixou lá no chão e saiu os deixando trancados em casa. Refúgio sentiu uma coisa fria e ouviu um choro, tentou abrir os olhos, mas doía. Sentiu de novo algo frio em seu rosto e abriu um pouco os olhos vendo seu filho limpar seu rosto com uma toalhinha.Puxou ele e o abraçou forte, gemeu de dor nem podia abraçar. Sussurrou com medo.
REFÚGIO ‒ Ele te bateu de novo filho? Ou ficou trancado como mamãe mandou?
PATRÍCIO ‒ Ele não bateu, mamãe, eu estava no quarto quando ele saiu eu vim te ver!Você está bem, mamãe?
REFÚGIO ‒ Eu vou ficar, amor e vamos embora! ‒ Ela o beijou.‒ Ajuda mamãe a levantar.
Ele se ajeitou e ajudou a mãe a levantar vendo ela gemer de dor.
PATRÍCIO ‒ Mamãe, chama alguém, chama alguém pra tirar a gente daqui!
REFÚGIO ‒ Calma, amor vai ficar tudo bem! Eu prometo!
PATRÍCIO‒Mamãe, ele bateu muito em você!Muito! Olha como você tá, mamãe!Não vamos conseguir sair daqui!
REFÚGIO ‒ Ele é um monstro, meu filho, mas está tudo bem, ele machucou você, amor?
PATRÍCIO ‒ Tá doendo minha perna, minhas costas também, mas você ta bem pior, mamãe! Olha seu rostinho...
REFÚGIO ‒ Não fica olhando, amor, vai melhorar.‒ ela falou com ele. ‒ Agora senta daquele lado ali que mamãe vai tomar banho mas não quero você lá fora sem mim, senta filho ali. ‒ apontou para o vaso onde o filho não a veria tomar banho.
PATRÍCIO ‒ Ele trancou nós dois aqui, eu olhei a porta, tá trancado.
REFÚGIO ‒ Vou abrir, amor, mas antes você tem que comer.
PATRÍCIO ‒ Eu não quero comer! Acho melhor nos escondermos no nosso quarto.
REFÚGIO ‒ Fica calmo, filho...
PATRÍCIO ‒ Mamãe, ele vai bater mais na gente quando voltar? Eu to com medo! ‒ Ele falou passando as mãos nos braços e chorou.
Refúgio se sentiu aos pedaços, tinha que sair dali. Não podia permitir que seu filho ficasse vivendo sob tensão. Se para ela não era bom aquele nervosismo todo para uma criança de anos seriam um estrago para toda vida e por isso.
Decidiu que realmente não tinha mais condição de permanecer naquela casa do jeito que as coisas estavam. Beijou e abraço filho acalmando ele e depois o deixou naquele cantinho enquanto tomava seu banho. Saiu do banheiro enrolado em uma toalha e se vestiu e depois colocou o remédio em seu rosto com o menino observando cada passo dela.
Patrício tinha as mãos atadas uma a outra o coração batia forte cheio de medo do pai voltar e os ver. Ela cuidou do filho deu comida e trancou a porta do quarto adormecendo com ele no quarto dele quando a noite chegou. Mas apenas a noite chegou porquê Guilherme não voltou para casa nem naquele dia nem um dia seguinte e assim dias se passaram...
DEZ DIAS DEPOIS...
Refúgio ainda trazia as marcas no rosto da violência que tinha sofrido do seu marido. Estava mais do que nunca aliviada dele não ter voltado para casa e sabia que ele estava na casa de alguma outra mulher que ele tinha arrumado a muito tempo atrás. Era confirmação da traição que ela achava que ele tinha e que agora podia ter certeza porque ele não ficaria longe de casa se não fosse estando com outra mulher.
Sendo assim ela se deu por vencida e decidir o que realmente aquele casamento já estava no fim não iria permitir que ele maltratasse seu filho e não queria mais passar pelas dores que tinha passado naquela semana.
O corpo já não estava mais alquebrado como antes mas o rosto ainda trazer algumas marcas roxas e o braço também e ela tentava esconder essas marcas mas era impossível porque tinha que trabalhar na padaria.
Eram oito horas da manhã quando ela estava no balcão limpando o balcão e vi um homem se aproximar. Ele já tinha estado ali algumas vezes mas ela estava tão preocupada com o futuro do filho que nem prestava atenção em quem entrava e saía daquela padaria.
Olhava, mas não via as pessoas de tão concentrada que estava em si mesma. Ele se aproximou e parou em frente a ela a saudando. Era tão lindo, os olhos verdes reluziam, ele já a tinha visto e tinha admirado a beleza dela muitas vezes.
DIONÍSIO ‒ Bom dia...
REFÚGIO ‒ Bom, dia. ‒ disse seca. ‒ Qual seu pedido senhor? ‒ estava com o bloco para anotar e não o encarou.O lindo rosto dela tinha marcas roxas impossíveis de serem ignoradas.
DIONÍSIO ‒ Você está bem? ‒ Ele tocou o rosto dela preocupado pelo que via.
REFÚGIO ‒ O que disse? ‒ Ela se assustou com a pergunta.
DIONÍSIO ‒ Você está bem?‒ Ele afirmou a olhando.
REFÚGIO ‒ Estou sim, obrigada, o que vai querer?
DIONÍSIO ‒ Quer ir ao médico? Quem te bateu?‒ Ele declarou sem querer pedir nada.
Nem tinha ido até ela para pedir nada, era somente para falar com ela.
REFÚGIO ‒ Ninguém me bateu o senhor está enganado para pernas cai e me machuquei cai da escada.Eu peço isso faça o seu pedido o meu patrão vai ficar aborrecido que eu estou conversando com o senhor...‒ Abaixou a cabeça demonstrando que ele estava certo em dizer que ela tinha apanhado, mas ela não ia admitir.
Ele acenou.
DIONÍSIO ‒ Eu quero do que você mais gostar aqui... ‒ Ela riu e disse.
REFÚGIO ‒ Eu gosto de suco de maracujá ao leite e bolo de milho com canela, mas quatro é muito! ‒ deu um meio sorriso sendo simpática.
DIONÍSIO ‒ Pode trazer quatro! ‒ Ele sorriu.
Ela o atendeu e sete minutos depois ela o serviu.
REFÚGIO ‒ Aqui está, bom apetite!
Ele pegou e pagou a ela.
DIONÍSIO ‒ Muito obrigado!‒ Saiu logo depois.
Ela sorriu e ficou vendo ele ir embora. Ele saiu indo para seu carro e a tarde passou. Refúgio voltou para casa cansada as sete da noite e levava dois sonhos e um pão doce para seu filho, o pegou na casa da vizinha e juntos foram para casa conversando...
PATRÍCIO ‒ Mamãe, como foi seu dia?
REFÚGIO ‒ Foi cansativo, amor e o seu?‒ ela sorriu vendo ele comer o sonho e sujar a boquinha, parou na pracinha e sentou com ele no colo, queria ficar um pouco ali com seu filho.
PATRÍCIO ‒ Foi legal, mamãe, na escola assistimos um filme bem divertido. ‒ Ele sorriu.
DIONÍSIO ‒ Olá... Bom te ver de novo... ‒ Olhou os dois e sentou ao lado dela.
Ela o olhou sem saber como reagir.
REFÚGIO ‒ Boa noite...
DIONÍSIO ‒ Podemos conversar agora? Seu patrão não está aqui imagino...‒ Ele riu levemente.
REFÚGIO ‒ Não, ele não está. ‒ ela sorriu e viu o filho fechar a cara enciumado.‒ Esse é meu filho, Patrício.
DIONÍSIO ‒ Olá, rapaz, você é muito bonito... ‒ Ele sorriu para o menino e tocou o rosto dele com carinho.
PATRÍCIO ‒ Oi!‒ Falou agarrando a mãe. ‒ Boa noite, amigo de mamãe.
DIONÍSIO ‒ Como você está, Patrício?
PATRÍCIO ‒ Estou cansado e com saudades de mamãe. O que você quer falar com ela?
Refugio riu. O filho estava com ciúmes...
REFÚGIO ‒ Meu filho, não seja mau educado!
DIONÍSIO ‒ Eu quero conversar com sua mãe. ‒ Ele sorriu. ‒ Trouxe bolo para nós e um suco também! ‒ Ele sorriu.
PATRÍCIO ‒ Cadê? ‒ Perguntou curioso, ela o olhou.
REFÚGIO ‒ Desculpe, mas não posso aceitar sou casada e meu marido não gosta!
DIONÍSIO ‒ Aceite, por favor, eu quero conversar com você. ‒ Ele a olhou e olhou o machucado dela.
REFÚGIO ‒ Eu não devo falar disso com um estranho!‒ ela o olhou.
DIONÍSIO ‒ Eu quero te ajudar só isso! Como se chama?
REFÚGIO ‒ Ajudar? ‒Depois de tantos anos fazendo tudo sozinho sem ter ninguém por ela ela nem podia imaginar o que significa alguém querer ajudar.
Olhou descrente para ele como se aquela possibilidade fosse remoto é impossível alguém que a ajudasse em alguma coisa.
PATRÍCIO ‒ Você pode nos levar embora amigo de mamãe?‒ Patrício falou com os olhos cheios de lágrima sem deixar a mãe completar sua falta.
Refúgio sentiu o coração partir.
DIONÍSIO ‒ Posso sim, claro que posso!‒ Ele levantou.‒ Quer que eu te leve?
PATRÍCIO ‒ Eu quero!‒ Estendeu os braço para ele pegá-lo no colo.
Refúgio segurou o filho impedindo que ele fosse para o colo do homem que ela nem conhecia.
REFÚGIO ‒ Por Deus, meu filho, não fala isso!
DIONÍSIO ‒ Eu não vou fazer mal ao seu filho. ‒ Ele a olhou.
REFÚGIO ‒ Eu vou embora! ‒ Ela se levantou colocando o filho no chão.
DIONÍSIO ‒ Não se preocupe!
PATRÍCIO ‒ Não, mãe, eu quero falar com ele! Ele pode ajudar! ‒ O menino estava desesperado.
REFÚGIO ‒ Patrício, vamos embora.
Patrício se soltou dela e correu ao homem.
PATRÍCIO ‒ Ajuda a gente, por favor, ele bate em mim e na minha mãe. É muito mal, não quero. ser filho dele!
E vendo que Dionísio pegava no colo Patrício o abraçou com força.
DIONÍSIO ‒ Calma, eu vou ajudar vocês!‒ Ele olhou para ela. ‒ Quer ir embora de casa? Eu ajudo vocês...‒ Ele deitou o menino em seus braços.‒ Vamos pegar as coisas de vocês!
REFÚGIO ‒ Não... eu nem sei quem você é!‒ Ela falou nervosa sem saber como reagir aquela loucura que estava acontecendo sem saber o que fazer diante de tudo aquilo.
Era muito louco imaginar que uma pessoa que ela nem conhecia estava ajudando ela alguma coisa ele queria.
REFÚGIO ‒ Eu não sou esse tipo de mulher! Vem, meu filho!
PATRÍCIO ‒ Eu não vou, não quero apanhar! ‒ Agarrou mais em Dionísio.‒ Você gosta de apanhar mamãe? Eu não! Eu tenho medo dele, moço, ele machuca a minha mãe ... bate nela e beija ela de a força! Eu sei que ele faz coisas feias!
Dionísio a olhou.
DIONÍSIO ‒ Vamos embora, ele está fazendo mal a você e a seu filho, eu ajudo vocês, deixo vocês na casa de um amigo, parente alguém em quem confiem!‒ Ele falou a olhando, já tinha vistos caso como os dela.
REFÚGIO ‒ Eu agradeço, mas não posso aceitar! ‒ Pegou o filho dos braços dele e saiu correndo.E se ele fosse um doido, um tarado, um assassino?
Patrício chorou em silencio e deu tchau a ele com a mãozinha enquanto se afastava no colo da mãe.Dionísio deu tchau a ele e esperou que se afastassem mais para segui-la. Sem que ela se desse conta a acompanhou até a sua casa...
Refúgio saiu em disparada para na sua casa, então, correndo, entrou em casa colocando o filho no sofá e olhando fixamente para ele. Olhou em volta aí não havia ninguém em casa ainda.Aquele maldito ainda não havia voltado.
PATRÍCIO ‒ Por que não deixou ele nos salvar? Por que mamãe?‒ Ele gritou e chorou em seguida.‒ Ele ia nos salvar e você não quis! Papai vai voltar e vai bater na gente, ele vai te deixar igual da outra vez!
Ela sabia que o desespero do filho era real, mas tinha que explicar para ele.
REFÚGIO ‒ Meu filho, não sabemos quem é que ele é um homem e nunca vimos ele eu não posso simplesmente aceitar ajuda sem saber se ele vai fazer mal a você ou a mim. Não é só pegar a bolsa e ir embora, não é assim, meu amor não é assim eu sei que você está muito preocupado está nervoso com medo do seu pai e eu também estou!Mas não podemos sair de casa correndo e sofrer na mão de outra pessoa! Temos que sair daqui para cuidar um do outro só você e eu, meu amor, sem mais ninguém!
Se Dionísio fosse um homem ruim poderia fazer mal a ela e ao filho ela. Estava sendo coerente e não é que não quisesse sumir daquele inferno mas não podia pôr o filho em risco nem a si mesmo.
PATRÍCIO ‒ Eu sei que ele é bom! Ele é bom sim!
Ela abraçou o filho, queria que ele sentisse que mesmo com todos os problemas ela sempre estaria com ele ninguém iria separar os dois. Queria o filho sabendo essa verdade em seu coração que o amor que ela tinha ele como mãe nunca nunca seria suplantado por nada no mundo.
PATRÍCIO ‒ Eu sonhei com ele, ele disse que vinha salvar a gente! Agora ele foi embora por sua causa!
REFÚGIO ‒ Sonhou o que, meu filho? ‒ Ela suspirou e o beijou.
Um chute na porta foi ouvido.Guilherme entrou no mesmo instante abrindo a porta.
GUILHERME ‒ Sua vagabunda, desgraçada, te quero fora da minha casa! Agora! Na rua! Vai para a rua que é seu lugar! ‒ Ele avançou até ela lhe dando um tapa e empurrando o filho que chorou.
Foi até o guarda roupa pegando as roupas dela jogou dentro de uma mala e levou ela a porta jogando para fora. Voltou e pegou as roupas do menino fazendo a mesma coisa. Refúgio segurou o filho e saiu correndo com ele para fora de casa tentando segurar as coisas que o marido jogava e gritando nervosa para que ele parasse mas ele não parou.
Segurou Patrício entre seus braços e se distanciou para não ser mais agredida por ele.Não tinha mais forças para lutar contra aquele homem era ir embora ou morrer. Assim sendo, ela tomou a decisão mais importante naquele segundo que não ficaria nem mais um minuto perto dele
Pegou sua bolsa e estava saindo com filho mas Guilherme avançou nela para bater mais uma vez. Guilherme bateu nela com o cinto, foram vezes até um homem se aproximar socando a cara dele.
DIONÍSIO ‒ Solta ela seu desgraçado! ‒ Foram uma sequência de socos e chutes, Guilherme se defendia e também bateu nele, até que Guilherme caiu ainda consciente mas bem machucado.
Dionísio pegou as bolsas de Refúgio e olhou para Patrício.
DIONÍSIO ‒ Vamos embora daqui!
Patrício segurou a mão da mãe.
PATRÍCIO ‒ Por favor, mãezinha, eu quero ser feliz!
Refúgio chorando pegou o filho no colo e foi com Dionísio até o carro.
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